Neo City Uol

O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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    Tetsuya Kitsune

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    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Out 28, 2015 4:40 pm

    Cenas do ultimo episódio (Bunker->Dentro do Cristal):

    "Talvez fosse o trauma sofrido no ultimo portal, mas ao atravessar aquele, novamente vinha aquela sensação de desconforto ao reploid. Uma sensação não sentida ao cruzá-lo pela primeira vez, e terrivelmente semelhante ao primeiro incidente; um presságio que sua sorte novamente volveria para o pior.

    Artemia, que seria mais sensitiva nas sutilezas da magia que Axle, sentiria uma estranha energia externa interferir diretamente naquela travessia dimensional. Embora a travessia tenha sido rápida quando chegaram ali do Holodek, a sensação agora era de uma agonia interminável, uma sensação de instabilidade horrível, como se cada molécula do corpo fosse distorcida à força, redirecionada por uma para um lugar diferente enquanto estavam no processo de travessia, como se uma mão invisivel e agressiva os conduzisse violentamente pelo pescoço e os jogasse para fora..."


    Um relâmpago cruzou o céu nublado, enquanto uma lufada de vento noturno arremessava uma nuvem de pequenos flocos de neve sobre o rosto do trio. A principio, um suspiro de alivio de apesar de tudo terem chegado aparentemente ao Holodek. Mas...ao invés de pedras e o campo limpo ao redor, estruturas negras e cinzentas erguiam-se de ambos os lados. Eram prédios de um beco escuro, maltratados pelas intempéries e pela geada recente, as paredes cobertas num musgo negro mesclado a um pouco de neve, pichadas das mais variadas formas, além de partes expostas de tijolos.

    O relampago era acompanhado de um ruido alto; ali no beco, uma enorme ratazana carregava entre os dentes um gato pequeno, já em processo de decomposição, correndo pelas beiradas até entrar num buraco feito na parede de um daqueles prédios. Vultos escuros trajados em trapos velhos amontoavam-se em torno de uma brasa pequena, debaixo de uma telha de amianto quebrada, improvisando um abrigo onde duas figuras sujas demais para serem reconhecidas se encolhiam do frio. Estavam imóveis; talvez dormissem de exaustão, talvez sequer estariam mais vivos...era dificil ver com clareza, uma vez que mesclavam-se ao cenário degradante. Mas não pareciam reagir à chegada do trio.

    Artemia se veria dentro de uma lata de lixo grande medindo 2m de largura por 1 de altura e comprimento parcialmente quebrada e enferrujada, onde uma quantidade razoavel se água congelada se acumulava no fundo abaulado. Do lado de fora à abertura na lata de lixo, apoiando as costas nela, Axle se veria com o jovem raposo logo ao lado deitado de bruços no chão frio e sujo. Parecia lentamente despertar, apoiando uma mão no chão e levando a outra à cabeça, resmungando algo.

    -Un...gh.......?


    Última edição por Tetsuya Kitsune em Qua Nov 11, 2015 6:03 pm, editado 1 vez(es)
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Out 28, 2015 6:33 pm

    Escuridão. Foi tudo que Artemia conseguiu pensar depois dos longos segundos de confusão de sons e imagens que aconteceu durante sua viagem para fora do cristal. Os sons excruciantes e a dor física que ela sentia ainda latejavam na sua pele e em seus músculos, como uma ferida recém-aberta. Ainda de olhos fechados, respirou lentamente, sentindo o ar frio entrar em seus pulmões, como um intruso. Era como se a garota não respirasse há anos.

    Seus lábios partiram ligeiramente, e uma careta formou-se em seu rosto assim que sentiu uma dor forte em suas costas, o que a forçou a abrir os olhos. Pontos coloridos surgiram à sua frente, e ela precisou piscar os olhos mais de uma vez para entender o ambiente que a cercava. Estava contorcida dentro de uma lata de ferro. O odor era fétido em meio ao ar gelado; seus braços se moveram lentamente e sentiu um líquido grosseiro na palma de sua mão. Seus cabelos estavam tampando seu rosto, e assim que os jogou para trás, finalmente se deu conta de que não era o local onde supostamente eles deveriam estar.

    Olhou ao seu redor lentamente. Axle e o jovem demônio estavam aparentemente adormecidos, da mesma forma que ela estava antes. Franzindo o cenho, tentando entender o ambiente, Artemia se moveu ainda mais e agachou o corpo, engatinhando para fora da lata. Assim que se livrou do objeto que a apertava, permaneceu sentada em meio à superfície gelada. “Neve ainda...”, pensou, enquanto ajeitava sua roupa. Foi então que percebeu que boa parte de sua camisa de pano branco encardido estava rasgada, deixando completamente à mostra seu abdômen e o ombro esquerdo. O que antes era uma camisa longa e solta, agora havia se tornado um mero top de apenas uma alça. Soltando um gemido audível, imaginou que aquela era justamente a pior situação em que sua roupa poderia rasgar: um local estranho tão gelado.

    Finalmente ergueu-se. Não encontrou sua capa em local algum, então apoiou seu braço no abdômen, tentando tampa-lo do frio e da vergonha. Respirando rápido, ela se ajoelhou ao lado de Axle, mexendo em seu corpo metálico afim de acorda-lo.

    - Red! Red! – sussurrou, uma vez que não gostaria de despertar o interesse dos vultos próximos a eles. Terror perpassou o corpo da maga, que teve arrepios não só por conta do frio. Percebeu Tetsuya acordar lentamente, o que a fez suspirar aliviada.

    - Olá... – ela disse, baixo, ao rapaz. Não falou mais nada, porém: esperaria que ele acordasse antes de tudo. Enquanto aguardava os outros acordarem, se lembrou de dois itens de extrema importância que estavam sob sua posse: o Cristal e o Comunicador do Bunker.

    Viu que o objeto cristalino estava caído a cerca de dois metros do grupo. Esticou os braços e o pegou, sentindo sua superfície gelada entre os dedos. Não viu nada dentro dele. Nem sequer um sinal de Fuyu. Ainda respirando rápido, a garota pegou o Comunicador do bolso de trás das suas calças rasuradas e o ligou, ao apertar um único botão na sua lateral.

    - Alguém aí no Bunker?! Aqui é Artemia. Algo saiu errado! Estamos em um beco estranho, provavelmente no centro da cidade.

    Porém, para quem estivesse ouvindo de dentro do Bunker, interferências estáticas de som atrapalhariam o entendimento da mensagem, passando a ser algo como:

    - (...) Bunker?! (...) Artemia. (...) Saiu errado! (...) Beco estranho (...) centro (...) cidade. ---
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qui Out 29, 2015 11:08 am

    Ja havia esquecido o medo do primeiro incidente, confiante de que estes portais eram um meio seguro de transporte. Que não seria jogado em um lugar aleatorio do universo. Então aconteceu denovo. Ele relembrou aquela sensação de imediato assim que ultrapassou o limiar do portal dentro do cristal. Frustrado ele berrou em furia, sua voz sendo decomposta em camadas, tornando-se cada vez mais digital, falhando bit a bit em um som corrompido até sumir dentro do tunel de energia. Tentou lutar contra aquilo, em vão

    Quando Artemia falou com ele, estava sentado no chão com as costas no latão de lixo. Seus braços estavam erguidos como se ainda carregassem Tetsuya, imoveis e tremendo. Não era o frio que os fazia tremer, mas força incomum que usava como se quissesse se libertar de algo. Seu rosto apontava pra o chão e seus olhos estavam abertos, mas ele não parecia estar lá até a garota balança-lo.

    Sua cabeça se levantou com dificuldade e ele olhou o rosto juvenil que chamava por seu nome, despertando finalmente. Virou então para os dois lados, e quando viu o filho do raposo no chão seus braços pararam de tremer e abaixaram. Ainda não parecia ter entendido o que tinha acontecido quando ouviu a frase de Artemia no comunicador

    Imediatamente ele se levantou assustado, tentando reconhecer desesperadamente o lugar onde estavam. A mão direita segurava o sabre laser ligado, banhando os arredores com uma suave luz azulada, enquanto na outra mão estava uma pistola de plasma pronta para ser usada.

    - Não, não denovo ! Malditos portais ! Onde estamos ?!

    Estava tão aflito que não tinha reparado no clima melancolico de cidade abandonada e dos mendigos lutando para sobreviver. Tudo o que buscava era um indicio de estar de volta na guerra alienigena que havia sido forçado a visitar da primeira vez.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Out 29, 2015 4:08 pm



    O garoto de aparentes 14 anos levou a mão à testa e cerrava os dentes, como se uma terrível dor de cabeça lhe viesse. As orelhas vulpinas recuavam para trás, como se ainda mal acostumadas ao som intenso dos trovões ocasionais. Aos poucos foi se levantando, ainda aparentemente zonzo, assimilando o que acontecia ao redor....viu primeiro os dois corpos imóveis, imundos junto à lareira, sem saber se ainda estavam vivos. Viu a escuridão que tomava o ambiente e, mesmo portando da mesma resistencia a baixas temperaturas, podia sentir a frieza do ar, a ausencia de vitalidade naquele lugar. Era uma região doente, coberta num miasma de depressão e desesperança...sua atenção foi logo chamada pela voz feminina vinda de trás do raposo. Virou-se, olhando para Axle e Artemia, figuras tão desconhecidas quanto os dois mendigos ali. Não sabia o que acontecia ou como chegara ali, e tomava alguns segundos para processar tudo.

    Era a primeira vez que abria os olhos em um bom tempo, e a primeira coisa que chamaria atenção era a heterocromia do rapaz: um olho azul-gelo identico ao de Fuyu, o outro num dourado quase radiante. Os cabelos e pêlos de um tom louro claro que se convertia ao platinado nas pontas, incluindo as 9 caudas. O kimono branco já se encontrava encardido pela sujeita do chão daquele lugar, mas ainda assim chamava uma enorme atenção naquele festival de trapos e farrapos. O olhar era bem mais sério e desconfiado que o do pai, e nem de longe mantinha a mesma serenidade e calma. Pelo contrário, o franzir da testa já demonstrava uma certa tempestividade.Analisava ambos de cima à baixo, em especial a Artemia, apontando-lhe o top preso por apenas uma alça, que incrivelmente parecia lhe chamar mais a atenção do que um reploid-planta.

    -Q-que pouca v-vergonha....!!! - era a forma como respondia ao "olá" da garota, visivelmente constrangido com a excessiva exibição de Artemia, que além da voz tremula se fez presente no rubor do rosto jovem do garoto. Mas tão logo ouvia-a falar sobre "algo sair errado", suas caudas começavam a agitar inquietas,seu grau de alerta chegando ao máximo em segundos. E claro, não podia ignorar o fato de que aquela figura estranha, com pétalas na cabeça, agora sacava uma espada de energia e segurava uma pistola na outra mão. Uma humana em trapos indefesa e um reploid armado. Foi tudo o que o garoto precisou para estabelecer alguma teoria persecutória e tomar ação. E, ao contrário do pai, parecia agir primeiro e perguntar depois.

    -PARADO CRIATURA VIL!!

    Tetsuya cruzava os braços, conjurando 8 estacas de um gelo dourado e metálico entre cada dedo, e ao abrir os braços lançava-os contra Axle. As estacas não o atingiriam diretamente, mas cravariam na parede do muro atrás e na lata de lixo atrás das pernas de Axle. Entre cada par de estacas uma espécie de corda de luz se formava, amarrando o reploid pelas pernas, braços, tronco, etc. contra a primeira estrutura rígida que estivesse atrás. Embora a força do reploid lhe permitisse vencer as amarras, teria alguma dificuldade e um esforço adicionais como se aquelas cordas fossem feitas de aço.Caso fosse rápido, talvez conseguisse cortar umas duas ou três estacas antes que se amarrassem em torno de Axle...

    Tão logo arremessava as estacas, lançou-se para frente para perto de Artemia, conjurando uma rápida explosão de uma neblina branca e flocos de gelo dourados. Uma espécie de bomba de fumaça que logo se dissiparia, mas daria tempo suficiente para que Artemia sentisse que alguem lhe colocava no ombro. O mestiço anjo-demonio logo saltava para fora dali, em direção ao beco, correndo com Artemia no ombro. A voz que agora falava era mais grave e estranhamente adulta.

    -Não sei o que está acontecendo, mas te levarei pra um lugar seguro! - dizia num tom imperativo e confiante, bem diferente da voz calma e tranquilizante do pai.

    Quando Artemia olhasse novamente após sair da neblina branca, notaria que o garoto havia "mudado" de forma para a de um rapaz com uns 20 anos, embora os traços, orelhas, os olhos em duas cores e caudas fossem idênticos. Os trajes também haviam mudado, mantendo o tom branco, mas ficando mais justo/colado ao corpo, cobrindo-lhe o rosto; parecia ser uma espécie de shinobi. Não exibia a mesma intensidade mágica do pai, mas com certeza era muito mais veloz e aplicava seus talentos de forma muito mais precisa, fato este que se explicava no fato de tudo aquilo ter acontecido em uns 10 segundos...

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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qui Out 29, 2015 5:04 pm

    “Só falta essa merda não funcionar”, pensou Artemia, referindo-se ao comunicador, sacudindo-o impaciente. Guardou, então, no bolso de trás da calça, deixando-o ligado, caso alguém conseguisse retornar sua mensagem.

    Viu Axle acordar lentamente, aturdido como ela esteve há poucos minutos atrás. Ouviu-o reclamar e, antes que pudesse respondê-lo, teve seus pensamentos interrompidos por um grito que vinha na sua direção: era Tetsuya, já acordado, apontando para a quase nudez da maga, que arregalou os olhos esmeralda enquanto um rubor intenso invadia seu rosto. Tentou tampar seu abdômen da visão do garoto, mas falhou imensamente por falta de tempo, afinal o garoto se levantou em um salto e atirou facas contra Axle, prendendo-o com várias cordas. Quando deu por si, Artemia estava já em cima do ombro do garoto, que rapidamente deixara de ser tão jovem, passando a assumir outra forma, dessa vez mais velha – aquilo a assustou mais do que deveria.

    - ME SOLTA, SEU MALUCO, SEU TARADO!!! – berrou ela, dando chutes e pontapés no rapaz, que se afastava rapidamente de Axle, deixando-o para trás.

    Sua vergonha era tão grande quanto sua fúria. Ser carregada daquela forma só causaria mais danos à sua roupa, que rasurava cada vez mais conforme ela se debatia. Ouviu o barulho de rasgo no tecido da única alça que segurava sua camisa, e aquilo a desesperou ainda mais. Imediatamente, uma luz vermelha surgiu em volta de seu corpo, expandindo como um círculo iluminado repleto de veios negros em volta, fazendo ambos serem arremessados, cada um de um lado, na neve.

    Ao se levantar, chegou para trás, segurando a alça de sua camisa,  quase totalmente partida. O círculo vermelho lentamente se desfazia conforme ela se afastava do garoto.

    - Não chegue... perto... de mim! – arfou Artemia, tomando um breve segundo para respirar. – Você... precisa... me ouvir! Escuta! – gritou, se aproximando novamente dele, erguendo um braço na sua direção. – Eu e o reploid... lá atrás... te tiramos do cristal! Entendeu?!
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qui Out 29, 2015 6:18 pm

    Seu estado de alerta era quase paranoico. Não queria voltar para aquele lugar literalmente condenado, e muito menos tendo consigo dois jovens inocentes. Não tinha certeza se poderia protege-los, e isso era o que mais pesava para ele. Eis que o raposo jr despertava, ja indignado com as veste de Artemia. Mas por que ? Agora que percebia que sua roupa estava rasgada, mas ainda assim não dava tanta atenção ao fato.

    Com o berro de Tetsuya, prontamente tomou uma posição defensiva, tentando descobrir onde estava a tal criatura vil, quando foi recebido traiçoeiramente pelas estacas. Esperaria um ataque vindo de qualquer direção, menos do raposo ou da ruiva. E por isso foi preso com tanta facilidade pelo ataque e testemunhou o "sequestro" logo a seguir. Em um outro momento, Axle trataria a situação de maneira rapida e sensata. Mas a surpresa que sofria o havia deixado irritado, e a primeira coisa que veio na sua cabeça foi "doppelganger"

    Não tentou vencer as amarras diretamente, mas usou sua força sobrehumana para outro feito. Empurrou o proprio corpo contra a latão de lixo, amassando-o como se fosse uma latinha de refrigerante até o ponto de rasgar o metal, deixando os espetos frouxos o bastante para que ele se livrasse sem nenhum esforço. Bastou alguns tiros adicionais com a pistola contra a parede para que os ultimos pontos de apoio dos espetos deixasse de existir.

    Isso obviamente havia lhe tomado um tempo que não pretendia perder. Flexionou as pernas por um unico instante e o salto seguinte foi prodigioso. Voou por cima da neblina com os braços e as pernas junto ao corpo, girando como se fosse uma bola de metal esverdeada. Seu pouso não foi no chão mas em uma parede solitaria de uma casa que não mais existia. Axle apenas tomou impulso e seguiu para uma outra parede, quicando de um lado para outro em um zigue-zague sobrenatural. Cada vez que tocava uma estrutura, o pesado impacto faz um estrondo que se espalhava como um enorme tambor, ate mesmo podendo sentir a vibração no solo das proximidades.

    Foi quando Artemia se livrou do rapaz e apontou para ele gritando, que Axle chegou, pousando no chão sem sutileza alguma. Mais uma vez houve um estrondo, dessa vez mais alto, que afastou neve e poeira ao redor. Axle estava entre os dois, protegendo a garota. Seus olhos azuis metalicos refletiam a fraca luz vinda da lareira em meio a escuridão da noite.

    As armas ainda estavam em suas mãos, mas não estavam apontadas para Tetsuya. Apenas o olhava, analizando o modo como falava e se movia. Não parecia tão simpatico quanto Artemia, não dizia nem ao menos uma palavra. Era imperceptivel para qualquer um, mas inspirou o ar sorvendo os cheiros e um a um restringindo-se ao odor do raposo. Lembrava do cheiro do doppelganger e do cheiro do garoto de dentro do cristal que carregara nos braços. So assim descobriria se lidava com o real ou uma outra copia infernal.









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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Out 29, 2015 6:58 pm

    Tetsuya era arremessado para o lado oposto ao de Artemia. A garota era lançada sobre um amontoado de caixas de papelão cobertos por neve, enquanto o raposo era jogado pro outro lado, caindo em cima de um amontoado de garrafas de vidro jogadas no chão, repousando sobre uma camada fina de neve e gelo. Com o impacto, algumas garrafas acabaram se quebrando, fazendo alguns cortes nos braços do raposo, que em outra nuvem de neve voltava à forma do garoto de 14 anos.Eram cortes superficiais, deixando talvez uma poça de uns 30ml de sangue na neve, que logo começava a se regenerar expontaneamente. Ali na neve, aquele sangue esquecido e ignorado se congelaria depois de algum tempo e ficaria preservado, deixando um sutil aroma de um delicioso sangue virgem, com um sabor exótico entre anjo e demonio que poderiam porventura atrair algum vampiro, algum tempo depois....

    O garoto loiro apontava na direção da ruiva, franzindo a testa. Passaram-se sequer 1 minuto,e ja estava bem claro que personalidade dificil tinha.
    -Como fez isso!?Do que está falando!? que cristal!? o que é um reploid!?....-interrogava enquanto observava-a agora se aproximar novamente. Pronto, agora ela estava segurando um top preso por alguns fios! Novamente se enrubescia com facilidade. Apesar de ter conseguido levá-la sobre o ombro por algum tempo, era visivel que nao ficava tão a vontade assim perto dela.

    -W-wa....fique longe de mim, s-sua desavergonhada mal-agradecida!! Não vê que está mostrando p-pele demais!? Vá e corra para longe daqui antes que aquele ser te alcance!- continuava apontando acusadoramente para a maga, olhando pro lado, as caudas agitando-se inquietamente. Queria olhar para frente, observar se Axle estava chegando para se defender do reploid, mas o fato dela estar na mesma linha do campo de visão o deixava numa constrangedora situação entre não saber se olhava ou não naquela direção, deixando-o olhando pra frente, desviando o rosto, olhando pra frente, e assim sucessivamente, até que "por sorte" Axle havia chegado. O garoto se levantava finalmente, semicerrando os olhos, e rapidamente cristalizava o que pareciam ser duas tonfas de gelo, douradas, com brilho metálico. A parte longa seguia o sentido de seus antebraços, como que para protegê-los. Os olhos azul-gelo e dourados fitavam o reploid, cerrando os dentes.

    -Ah, tudo faz sentido agora! Os dois são aliados, não é? A ruiva semi-nua seduz com esse....e-esse excesso de carne - apontava especificamente para o busto da garota - e o grande aproveita a distração para atacar! - o raposo falava fitando Axle, desconfiadíssimo, enquanto agitava as caudas. O cheiro de Tetsuya era o mesmo que o de dentro do cristal...parecia ser de fato o verdadeiro, mas nada garantiria que não pudesse simular o cheiro também. Mas de certa forma, a personalidade desconfiadíssima do raposo parecia ser justificável analisando-se o que havia ocorrido antes. As memorias nos espelhos mostravam bem que seu dia-a-dia no céu era marcado por um bullying constante, e a unica aliada que tinha, sua mae, não estava mais entre os vivos.

    Novamente, o garoto pareceu avançar na direção de Axle, cobrindo-se pela mesma nevasca, ressurgindo adulto novamente logo a seguir, atacando Axle com as tonfas, girando-as no ar como dois martelos. Ao contrário de Fuyu que nunca realmente tivera muita velocidade ou força física, a de Tetsuya era sobrenaturalmente elevada, embora não parecesse exibir a mesma habilidade com magia que o pai. Ter puxado aqueles aspectos da mãe era uma possibilidade.

    Outro fato que o diferenciava do Doppelganger além do cheiro era que sua transformação não era necessariamente em outra pessoa, mas nele próprio, mudando apenas a idade. E nem de perto parecia ter a mesma cautela que o demonio falsificador; alterava sua forma bem mais abertamente. Os pêlos eriçados em todo o corpo demonstravam claramente que se sentia ameaçado, confuso com tudo o que ocorria.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qui Out 29, 2015 7:27 pm

    Artemia coçou a cabeça, fazendo uma careta, depois de ter sido arremessada nos papelões. Sentiu-se aliviada por alguns segundos por sua camisa não ter rasgado totalmente, restando alguns fios. Porém, se ela soltasse a mão da alça, certamente cairia tudo, revelando seu busto nu. Como se adivinhasse, Tetsuya também reparou isso, deixando Artemia constrangida mais uma vez. O rubor voltou à tona em seu rosto, ainda mais quando o rapaz soltou xingamentos a seu respeito, o que a fez bufar de raiva. Mais uma vez, o círculo vermelho retornava à sua volta, aumentando a cada segundo que passava.

    Então Axle chegou, pousando entre os dois, fazendo o demônio pular em alerta, mais uma vez adquirindo feições adultas, ameaçando o reploid com outro ataque: Artemia não suportou seu próprio desespero e resolveu dar um jeito na situação.

    - SEU BOSTINHA INGRATO E METIDO! – a maga começou a pisar duro na direção de Tetsuya, ignorando seu ataque iminente e provavelmente o de Axle, passando rapidamente por ele e chegando até o mestiço. Assim que parou frente à frente com ele, ergueu um braço e deu um tapa forte no rosto do rapaz; mais forte do que qualquer um ali imaginaria alguém como ela seria capaz de dar. A fúria era visível no rosto enrubescido de Artemia; o círculo em volta dela estava mais vermelho do que antes.  Porém, sua ira se transformou em um completo embaraço quando notou que a mão que havia erguido para bater no rapaz era a que segurava a alça de seu top. Resultado: o pano agora se encontrava jogado ao chão, deixando livre todo seu torso nu bem em frente ao demônio.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Sex Out 30, 2015 4:56 pm

    - Eu sou um reploid

    Disse serio. A analise que conseguiu extrair do ser era inconclusiva. Não dava para ter certeza se era realmente o filho de Fuyu, mas uma coisa que já tinha experiencia era de que o doppelganger não imitava perfeitamente a personalidade do copiado. As memorias, porem, duvidava que pudesse copiar. Essa era a chave.

    - Ironico você dizer isso Tetsuya, pois o unico que continua nos atacando é você. Duas vezes. Pare e pense rapaz. Fomos nós que te salvamos do cristal, porque iriamos querer te ferir ?

    A mão direita carregava um artefato antigo. Aquele sabre laser fora construido por Protoman, e por isso possuia uma alta qualidade tanto em resistencia quanto em poder. Ainda mais, em versatilidade. Existia um comando que fazia com que a lamina aumentasse de tamanho e se tornasse flexivel, se tornando para todos os efeitos um chicote laser. Uma arma que Axle tinha elevada proeficiencia. E foi isso que aconteceu.

    Axle girou o chicote a frente do corpo, formando um paredão circular luminoso de três metros de diametro. Claramente aquele era um movimento defensivo, pois tudo o que faria seria rebater os ataques vindos do mestiço.

    - Sua mãe diria que...!

    Era ali que tentaria convece-lo a ver a verdade, e descobrir se era o verdadeiro, quando Artemia avançou na direção dele insandecida. O que ela pretendia se jogando no meio das armas daquele jeito ? Ela seria fatiada em dezenas de pedaços pela arma do reploid antes de saber o que aconteceu ! Axle desligou a arma uma fração de segundo antes da garota acertar o jovem raposo na cara. Estava prestes a gritar o quanto ela tinha sido irresponsavel, tanto quanto o outro, quando percebeu que nada cobria seu torso.

    - Uhn ?!

    Por um momento ficou travado, sem saber como reagir naquela situação

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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Out 30, 2015 6:37 pm

    Muito embora as tonfas fossem objetos relativamente pequenos, o rapaz fazia movimentos rápidos o bastante para somar energia cinética ao ataque. O olhar treinado do reploid poderia analizar como ele fazia movimentos mais curtos, evitando desperdicio de energia e tempo, como alguém que tinha realmente uma prática no combate corpo-a-corpo. Mas quando ia de fato exercer o ataque, notava a ruiva entrar na frente.

    Talvez uma prova mais sólida de sua originalidade veria logo a seguir; Tetsuya poderia facilmente ter atingido Artemia e prosseguido o ataque com a outra tonfa, mas no instante em que a maga entrou na frente girou a tonfa para trás, reduzindo o alcance da arma, além de "freiar" o golpe bem em cima da hora. Talvez fosse um impulso inconsciente de não ferir humanos, como muitos anjos tinham? Um doppelganger com certeza não teria hesitado. De qualquer forma,a quebra do movimento lhe deixara exposto a um contra-ataque, deixando o rosto livre para o tapa no rosto, deixando a mão da garota impressa no rosto de pele clara do raposo.

    Ainda mais furioso com o golpe, mas nao a ponto de atacá-la, Tetsuya deixou as armas caírem, que se desfaziam numa neve dourada, e estendeu a mão para segurar o pulso da garota e segurá-la.

    -Oras sua....!!!

    E então o improvável acontecia. A mão que estendia chegava perigosamente a centimetros do busto da ruiva, mas tão logo era completamente exposto, a mão recuava trêmula, o rosto todo adquirindo a mesma tonalidade vermelha que a mão espalmada no proprio rosto. As pupilasse dilatavam, o queixo caía fazendo um perfeito "o" com os lábios, numa expressão cômica se não fosse a tensão do momento. Pareceu atordoado, mas tão logo conseguiu, abaixou a cabeça e caía com um dos joelhos no chão, a mão sobre os olhos, e a outra sobre o peito. Sentia o coração palpitar como se tivesse um infarto.

    -s-S-s-s-sua li-libidinosa....ugh....me atacando d-desta forma sem p-pudores...

    As orelhas vulpinas baixavam-se, numa posição de baixa de guarda/submissão. O rapaz era realmente tão timido que aquele "golpe" de Artemia o vencera. Provavelmente não fazia muito sentido para Axle como um ser de personalidade tão agressiva, com 9 caudas e aparentemente um bom treinamento era vencido pelas formas femininas. Mas por mais...diferente que fosse a situação, pelo menos o raposo estava indefeso e perdera totalmente o espirito de combate, evitando contato visual ou sequer ousar olhar pra cima.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Sab Out 31, 2015 8:53 am

    Por um segundo, houve apenas silêncio. Artemia permaneceu estática, congelada como uma escultura de gelo. Seu rosto pareceu ter drenado a cor por alguns segundos, até que finalmente voltou à tona, exibindo um vermelho intenso em meio às suas sardas. Seus lábios também partiram em um perfeito "o", sua mão permaneceu erguida, até que, ao ver o rapaz exibir uma expressão ainda mais assustada, Artemia tapou sua boca com as mãos e deu as costas, correndo e ficando atrás de Axle, numa tentativa de esconder sua vergonha... e seu corpo.

    - Seu moleque maluco... - ela resmungava baixinho, agarrada às costas do reploid, tapando o rosto com as mãos. Então, depois de resmungar, ela esticou o pescoço para o lado, afim de ver o que foi feito do rapaz, agora aparentemente indefeso e de joelhos. Aquela era uma oportunidade perfeita para convence-lo de que eles não eram uma ameaça, e sim sua salvação.

    Artemia deu um leve empurrão em Axle, fazendo-o caminhar para frente, afim de aproximar-se do demônio. Ainda com o corpo tampado pelas costas do roboto, a maga começou a falar:

    - Escuta aqui, seu pivete. Pare de nos atacar, não percebe que esse cara aqui já não teria te matado se ele não quisesse? Você estava adormecido dentro de um cristal, e foi posto lá pela sua mãe. Sim, nós sabemos da sua história praticamente inteira, ok? Entramos nesse cristal e te tiramos de lá!

    Ela ia dizendo em um tom ríspido, porém baixo. Ainda evitava o encarar nos olhos, pois ainda sentia seu rosto arder em chamas. Assim que lhe faltaram palavras, deu outro empurrãozinho em Axle, como um pedido para que ele a ajudasse a explicar mais coisas.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Sab Out 31, 2015 10:58 am

    Axle viu a cena em todos os detalhes, quase em camera lenta. Tetsuya havia evitado de proposito ferir Artemia, assim como o proprio reploid, e com isso se deixado receber a pancada. Sua reação ao ver os seios expostos fora algo que nunca tinha visto em um humano. Ao inves de olhar fixamente querendo toca-los, simplesmente caiu ao chão como se tivesse sido atingindo por um golpe letal. Parecia ate que ia ter um infarto ! O que era aquele comportamento ?

    Analisou as pistas. Olhos arregalados. Expressão de espanto. Perda das forças. Falta de folego. Espiou de relance para Artemia. Expressão de espanto, rosto avermelhado, vergonha. Estavam os dois com vergonha ? Ele parecia dominado por aquela emoção, enquanto ela tentava se proteger atras de Red. Tentou ver como ela estava, mas foi empurrado naquele momento. Caminhou involuntariamente para frente, talvez tão confuso quanto os dois.

    - O que esta acont....

    Outro empurrão, mas não lhe guiava a frente. Axle balançou a cabeça, e então entendeu a mensagem que ela queria lhe passar. Coçou o queixo enquanto falava, tentando reelaborar algo para convence-lo

    - Oh, sim, ahn....é, você, Tetsuya. Assim que soubemos que sua mãe te deixou no cristal para te proteger, sabe, nós fomos te resgatar, entende ? Er...nos somos um grupo que esta lutando como o mal e, então...assim com você, não é ?


    Começou a relembrar as imagens com mais afinco, organizando melhor as ideias

    - Não somos demonios, nem anjos, vê ? Não lhe julgamos pela sua descendencia. Somos como você, queremos lutar para proteger os inocentes.

    Para Axle, os dois eram inocentes que ele tinha o dever de proteger. Era sua promessa eterna, um meio de pagar pelo que havia feito quando o mundo quase acabou.

    - Artemia é uma moça boa e corajosa. Ela foi te libertar sem te conhecer, apenas para libertar alguem preso que não tinha culpa alguma. Não é ela que esta te atacando, é você que esta atacando ela, não vê ? Foi você que rasgou a roupa dela !

    Deixara de usar o manto dentro do bunker. Agora se arrependia de ter deixando a peça lá, pois agora seria util. Uma ideia veio a mente: usaria esse problema como uma solução

    - Que tal começar com um pedido de desculpas ? Pegue algo que sirva para ela se cobrir. Veja como ela esta com vergonha do que você a fez !
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Out 31, 2015 12:03 pm

    O rapaz ergueu o olhar desconfiado a Axle, procurando analisá-lo melhor, com calma.

    -não sei de qualquer cristal, tudo o que me lembro é ter apagado, ser carregado por alguem e despertado brevemente para ver...o maldito matá-la. - dizia, cerrando o punho com ódio. Parecia evitar chamar o assassino de pai. Gesticulou negativamente, tentando esquecer aquilo.

    -hm...espere, você é daquela raça de robôs que protegiam UOLCity antes do "Cataclisma"? daquele grupo para-militar que foi expulso da cidade? - o jovem perguntava. Pelo visto tinha estudado alguma história da cidade, mas como a confusão entre reploids e robos era algo comum, provavelmentefora essa a informação ensinada nos planos celestiais. Aos poucos pareceu menos tenso e hostil diante de Axle, mas era claro que a desconfiança ainda pairava no olhar.

    -Quem me garante que de fato conheciam minha mãe, ou sabem de qualquer coisa sobre mim? Podem estar blefando!

    O cristal do leviatã começava a emitir um pequeno brilho, girando em torno de si mesmo, e começou a se dirigir para o lado de Artemia. Uma voz metálica, artificial começou a ser emanada como se o cristal vibrasse.

    "-Inicializando matriz de reconhecimento...tecendo runas de reconhecimento facial...sincronizando aura com Mestre...cristalização elemental completa!"
    O cristal adquiria uma tonalidade vermelho-rósea, como se retrasse para todos verem a vergonha de Artemia; e logo voltava a falar na mesma voz metálica; soava agora menos artificial, como se alguém lá dentro estivesse falando diretamente.

    "-Tetsuya Kitsune, nascido há 14 anos, filho de Ariel, arcanja e general da 1ª Legião o de forças especiais de infiltração e espionagem da Cidade de Prata. Ingressou na mesma legião aos 5 anos, tornando-se um dos graduandos mais jovens entre as hordas celestiais aos 12 anos. Destacou-se em 96% das missões executadas, não recebeu menções honrosas ou homenagens e foi punido sucessivas vezes devido a "personalidade incompatível", "insubordinação com superiores", "competitividade excessiva com a equipe" entre outros. Foi aprisionado neste cristal que vos fala pela própria mãe durante 3 anos, tempo este que foi dobrado pelo nexo tempo-causal interno totalizando 6 anos.Foi protegido pelo leviatã a pedido de Ariel a fim de protegê-lo das hordas que o emboscaram, lideradas por um demonio Doppelganger que se passou pelo próprio pa..."

    -BESTEIRA!! ninguém se passou por ele, vi com meus proprios olhos! Cristal imbecil! - o garoto rosnava, estendendo a mão para tentar pegá-lo, mas ao ver Artemia ali atrás de Axle novamente recuou, desviando o olhar envergonhado - ugh....

    O cristal ficou alguns segundos em silêncio; era cedo demais para falar sobre aquele assunto com Tetsuya, que negaria qualquer informação no momento, embora o olhar do garoto demonstrasse uma certa confusão; pelo visto de fato sabiam quem ele era...Artemia logo sentiria que a presença dentro do cristal desaparecia, passando ela agora a ter uma espécie de ligação com aquele objeto, como se ele se tornasse uma extensão de si. Poderia ser livremente controlado pela garota.

    -Certo, talvez saibam alguma coisa ou outra sobre mim, mas não me recordo de tempo algum dentro desse cristal amaldiçoado, muito menos ter passado 6 anos dentro dele enquanto se passaram 3 aqui fora. Mas talvez de fato uma parte dessa roupa pode ter se destruido mais com a corrida...não que seja minha culpa, você estava com uma espada de luz na mão!Não vou pedir desculpas, apenas estava me defendendo, você tem uma aparencia agressiva, qualquer um teria atacado primeiro!hmpf...e você, só e-estou fazendo i-isso pra que não continue n-nessa aparencia d-desavergonhada!!Não posso me c-concentrar em nada com você assim, sua l-lasciva!

    O rapaz resmungava, e tirou a parte de cima do kimono, estendendo-o na direção de Artemia. No formato do corpo atual de 20 anos e 1,79m, o kimono branco com detalhes em dourado provavelmente quase viraria um vestido no corpo de Artemia. Caso o vestisse,  sentiria quão leve, confortável era o tecido, que parecia também ser um excelente isolante termico, dando a impressão de estar "quentinho" . Tetsuya evitava olhar diretamente, então estendia a mão um pouco tremula de nervosismo sem saber se estendia na direção certa.Era incrivel o grau de nervosismo que a forma feminina lhe causava; praticamente se tornava uma espécie de fraqueza sob os olhos analiticos de Axle. Agora era ele quem ficaria com o tórax totalmente desprotegido, mas nem de longe o frio parecia incomodá-lo.

    Por um breve momento a voz metálica do cristal pareceu provocar, para amenizar o clima de tensão no momento.
    "-Taquicardia a 110 bpm, taquipnéia a 24 irpm, níveis de vergonha e constrangimento de Mestre atingindo niveis criticos, aconselho conjurar banho de água fria. Caso deseje as informações necessárias para tal invocação, favor requisitá-lo através do link telepático entre cristal e Mestre." - e novamente o cristal voltaria ao controle de Artemia.

    -A-Artemia, huh?...e você, como se chama? - dizia, procurando evitar olhar para a garotam se dirigindo a Axle.

    -E onde estamos, o que está havendo?
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Sab Out 31, 2015 5:22 pm

    Axle conseguiu falar detalhes importantes para o convencimento do demônio. Porém, o mesmo não pareceu querer dar o braço a torcer, e de qualquer forma, estendeu sua capa para Artemia, que não aceitou de imediato, mas depois pensou no frio que já perpassava suas costas e resolveu aceitar a oferta.
    Esticou a mão e pegou rapidamente o tecido, tampouco olhando para o rapaz. Agora que ele estava com a aparência mais velha, ficou ainda mais difícil para a jovem maga o encarar, e ela não sabia direito o motivo disso. Quando Axle sugeriu que o rapaz a oferecesse alguma roupa, após ter a elogiado, Artemia conseguiu a façanha de enrubescer ainda mais, atingindo até mesmo suas orelhas.

    - Não pense que vou ficar agradecendo... - resmungou ela, colocando a roupa no seu corpo e saindo de trás de Axle.

    Quando saiu, porém, notou que o kimono era realmente muito grande para seu corpo fino. As mangas eram longas, e a roupa toda ia até suas panturrilhas. O caimento da gola era largo demais, deixando à mostra um decote exagerado: caso ela abaixasse ou pulasse, certamente mostraria tudo de novo. Com isso, a garota tentou ajeitar a roupa, falhando sucessivas vezes. Comentou, baixinho:

    - Ééé... mas serve para o frio. Eu acho...

    E então viu a luz do cristal acender, falando um relatório completo da vida de Tetsuya, inclusive sobre o fato de agora o objeto pertencer a ela. Aquilo a deixou animada por alguns segundos, até ele fazer um relatório completo sobre o seu próprio estado emocional.

    - Oras! Eu não..! - tentou falar, mas sem sucesso, pois o cristal aumentava o relatório a cada segundo que ela tentava intervir.

    - "Taquicardia a 120 bpm. Cuidados extremos necessários com urgência. Iniciando jato propulsor 1.0 de água natural."

    Antes que Artemia pudesse parar para pensar, o Cristal se aproximou com uma luz branca intensa, liberando um jato não tão forte de água no rosto da menina, ensopando seus cabelos e roupa, deixando-a levemente transparente. Realmente, aquele não era seu dia de sorte.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Sab Out 31, 2015 6:43 pm

    Prendeu suas armas no cinto precario que tinha na cintura, ja não precisaria deles naquele momento. O rapaz era teimoso como uma mula, beirando o irritante, muito provavelmente devido a sua pouca idade. Respiraria bem fundo antes de continuar se precisasse ...

    - Sim, sou parte daquele grupo, os Maverick Hunters. Não havia robos, alguns era reploids - deu uma grande enfase - enquanto muitos outros eram humanos e de outras raças.

    Havia uma placa alaranjada em seu peito, que cobria uma cratera em sua armadura. Axle puxou-a de lado e alcançou algo com a mão oposta. Era o brasão na forma de duas letras, MH, e mostrou a Tetsuya. O movimento pareceria de longe como se tivesse arrancado o proprio coração, devido a localização do item, e o revelado a ceu aberto. De certo modo algo poetico.

    - Não precisamos blefar. Se quissessemos lhe causar mal, teriamos feito enquanto você estava desacordado. Não faz sentido ?

    Escutou então o cristal e o viu se movendo livremente no ar. Expontaneamente forneceu um resumo da historia do jovem raposo, muito melhor do que o que ele mesmo tinha. Ainda assim, o mestiço se recusava a aceitar a verdade, como Axle previra anteriormente. Balançou a cabeça, deixando para comentar sobre aquilo em uma outra hora. Pelo menos fora humilde o bastante para não deixar Artemia naquela situação.

    - Eu sou Axle, the Red.

    Disse sem conferir a si mesmo nenhum adjetivo. Grande parte porque sua caracteristica mais marcante, seus poderes, foram tirados dele. Continuava a se sentir um paria em qualquer lugar. Nos deviamos ter voltado para um bunker seguro na cidade, mas alguma coisa esta interferindo nos portais.....pelo menos dessa vez esse lugar parece mais seguro do que da ultima vez.

    Quando Artemia se vestiu, a observou tanto quanto o rapaz. Estava vestida, mas parecia um criança na roupa de adultos, tudo estava folgado, incluido um decote bastante erotico. Axle sempre vira a ruiva como uma criança que precisava ser protegida, não como uma mulher sensual. Embora não fosse tão vulneravel quanto Tetsuya, aquilo de causava uma estranheza desconhecida.

    Ficou pior ainda quando o cristal cuspiu um jato de agua nela ! Não tinha ideia que o artefato poderia fazer aquilo, e quando o fez deixou a situação pior ainda. Sua roupa estava transparente o bastante para ve-la seminua novamente, assim como minutos antes. Novamente ficou perdido, a imagem registrada em sua mente involutariamente.

    - Arg...como é que...? Como é possivel que....




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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Out 31, 2015 7:01 pm

    O raposo observou o caimento do kimono sobre o corpo esguio da ruiva; novamente, parecia inquieto e constrangido com o tamanho do decote, de forma que evitava olhar diretamente, com uma nitida vergonha no rosto. Era curioso como um rapaz de 20 anos aparente era tão "sensibilizado" com aquele tipo de coisa.

    -Hmpf, n-não quero agradecimento de ninguém, muito menos de voc....w-w-wa...!! - o raposo notou o cristal dizer novamente, seguido do disparo do jato de água que novamente mostrou-lhe mais do que suportava ver; agora estava diante de uma seminudez devido à transparencia do kimono. O rosto novamente enrubescia absurdamente, enquanto virava o rosto na direção contrária - s-s-sua....c-como ousa a-agir de forma tão e-erotizada d-duas vezes s-s-seguidas!!! S-s-sua e-exibicionista d-desavergonhada, i-idiota!!!!Está q-q-querendo m-me matar!?!

    O raposo estendeu a mão trêmula em direção a Artemia, fechando os olhos. Parecia tentar alcançar o kimono para resolver o problema, que parecia incomodar o rapaz ainda maisdo que a garota. Tocou-lhe o rosto inicialmente sem querer, um toque trêmulo, deixando-o ainda mais envergonhado ao sentir a pele alva da ruiva, mas pelo menos sabia que o ombro estava ali perto. Tocou agora o ombro da garota rapidamente, sentindo a textura do kimono, murmurou algumas palavras no que parecia ser latim. Os trajes aderiram-se mais ao corpo da garota, cobrindo-lhe o decote e também a parte inferior do rosto, numa espécie de traje ninja, identico ao que Tetsuya trajara ao atacar Axle a pouco tempo. Parecia ser um traje adaptavel à situação, e curiosamente adquiria o tamanho exato para uma blusa do tamanho da garota, cobrindo tudo o que deveria, numa manga comprida até a mão, onde se prendia ao dedo médio. Ao mesmo tempo, pareceu congelar aquela parte molhada do traje, que ao encolher soltou a agua congelada no chão, "secando" o traje.

    Finalmente soltou-a o mais rápido que pôde como se aquilo fosse algo proibido, novamente caindo ajoelhado. O nervosismo era tamanho que os pêlos estavam todos eriçados, dando ainda mais volume às caudas, que pareciam aconchegadoramente quentes e macias naquele lugar gelado. Apesar de todo o barulho que aquela cena cômica gerava, nenhum dos vultos dispersos aqui ou ali no fim dos becos parecia se mexer 1cm diante daquilo. Pareciam mortos, ou beirando ela pelo menos, uma vez que sequer tremiam. Estavam encolhidos uns sobre os outros, talvez numa tentativa de se aquecerem mutuamente.

    Voltava-se agora a Axle, visivelmente enfraquecido novamente pela vergonha envolvendo a garota. falava de costas ao reploid, parecendo nao arriscar mais sequer olhar na mesma direção de Artemia, mas falava seriamente.

    -Muito bem, robô. Me diga então aonde estamos, e o que estão fazendo aqui? E se o que dizem é verdade, o que os levou a me tirar desse cristal descontrolado?Ou mais importante, porque essas outras pessoas estão nessas condições sub-humanas? não estamos já na cidade, onde teoricamente seria seguro? - dizia com ênfase no robô. Parecia ter um gênio realmente quase oposto ao do pai, sendo orgulhoso, birrento, desconfiado, rebelde e mal-educado. O fato de Axle tê-lo ameaçado de forma velada, dizendo que poderia ter feito mal a ele enquanto estava desacordado parecia contribuir ainda mais para a desconfiança de Tetsuya, que apesar de não agir mais agressivamente a Axle agia cada vez mais de forma menos amigável. As palavras de Fuyu reverberariam na memória de Axle: "ele terá muito a aprender com vocês, através do exemplo".
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Dom Nov 01, 2015 7:12 am

    A garota olhara para baixo mais uma vez, encontrando não sua pele nua, mas o tecido branco agora transparente, revelando as formas voluptuosas de seus seios. Extremamente envergonhada, tentou tampar com as mãos, mas precisou tirar um pouco d'água dos olhos antes: quando menos esperou, Tetsuya se aproximou e tocou seu rosto, e o toque surtiu um efeito praticamente de choque na garota, uma vez que ela não estava esperando por isso. Ele sentiu, então, um fervor na palma de sua mão, vindo direto das bochechas de Artemia, que não entendeu o motivo daquilo, mas permaneceu estática, aparentemente em choque. Quando ele abaixou a mão para a roupa, a garota sentiu seu coração palpitar aceleradamente: assim como Tetsuya, ela também era tímida o bastante para envergonhar-se por qualquer "besteira" aparente. O cristal ao seu lado agora pulsava na cor vermelho vivo, sua luz nunca esteve tão brilhante.
    Então a roupa dela magicamente aderiu ao seu corpo perfeitamente: sentiu tudo encolher e moldar para encaixar de acordo com seu tamanho e curvas. Agora ela estava finalmente toda tampada e com uma roupa mais apertada; observou suas mãos e então ergueu os olhos para Tetsuya, agora ajoelhado novamente.

    - O-Obrigada... - disse ela, de uma forma quase inaudível. E então eles ouviram Axle explicar sobre os tais Maverick Hunters, e isso a fez lembrar-se de seu pai, o que a deixou menos constrangida pela situação anterior.

    O rapaz continuava a manter sua pose superior, como se Artemia e Axle devessem a ele uma explicação. Ele definitivamente a irritava, e talvez os anos de maus tratos e solidão em um cristal congelaram seu coração. Mas, como todo gelo, pode derreter um dia.

    Quando ele comentou a respeito dos mendigos ali perto, Artemia os observou atentamente pela primeira vez. Estavam amontoados e trêmulos, e isso apertou seu coração. O cristal ao seu lado apagou um pouco de seu brilho.

    - Como podemos ajuda-los? - perguntou, ignorando momentaneamente as perguntas de Tetsuya. E então virou-se para ele. Quando o olhou, os sentimentos constrangidos voltaram à tona, a deixando desconcertada e, mais uma vez, enrubescida. O torax definido do rapaz estava desprotegido como o dela própria havia estado antes, e aquela visão também não facilitava sua vida. Desviando o olhar para a frente, disse:

    - Seu ingrato, apenas agradeça que te tiramos de lá. Você certamente apodreceria lá dentro se não fosse por nossa ajuda. - cruzou os braços e fez uma leve careta de aborrecimento, o rubor ainda intenso em suas bochechas sardentas. - Sobre esse lugar em que estamos... não faço a menor ideia de onde seja. Nunca estive muito além da floresta... espere! O cristal disse que o tempo é diferente lá dentro. Ou seja, quanto tempo será que ficamos lá, Red?!
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Dom Nov 01, 2015 8:51 am

    Parecia que assistia uma cena entre duas crianças que não sabiam o que fazer diante de uma situação completamente nova. Moviam-se desajeitados, esbarrando onde não queriam, chigando uns aos outros, mas ainda assim se ajudando. Algo pertubava-os mutualmente, e Axle tinha quase certeza do que era, embora não fosse nem um pouco familiar com aquela interação.

    O que o pertubava, porem, era algo diferente. Agradeceu mentalmente a Tetsuya quando ele arrumou o kimono no corpo da garota, agora não mais transparente. Ver o corpo nu da jovem que jurara proteger lhe causava um conflito que não sabia explicar. Aliviado, relaxou os ombros e voltou a sim mesmo.

    - Vou repetir novamente...Reploid.

    Aquilo sempre o deixava irritado. Um robo para ele era um coisa inferior, um objeto rudimentar que se move sem consciencia. Olhou a volta diante da pergunta dele, mas não achava respostas.

    - Bem... não deveriamos estar aqui. Alguma coisa nos sabotou para nos trazer longe de nosso objetivo. O bunker é um lugar seguro onde iriamos te levar, mas não esta nas proximidades. Se estivermos na mesma dimensão podemos voltar para lá. Talvez o comunicador ajude

    Pegou seu proprio aparelho e observou sua tela. Ja tinha alguma pratica com ele com os anos de uso, e com alguns comandos ele enviou um "ping" de ajuda relatando sua posição para os outros comunicadores, que foi recebido imediatamente por Artemia que estava logo ao lado. A seguir ele alterou a função para receber a resposta que deveria vir em pouco tempo. Desviou o olhar para a pergunta da ruiva, mas a resposta não era a mais animadora

    - No momento, nada podemos fazer. Estamos perdidos e sem suprimentos nem para vocês. Só poderemos ajuda-lo quando tivermos alguma estrutura...

    Ela levantou uma questão importante. O comentario sobre o tempo revelava uma diferença entre a passagem fora e dentro do cristal.

    - De fato Artemia ! O tempo corre mais rapido la dentro...de acordo com o cristal, o dobro do que deveria normalmente. Mas a magia parece nunca ser constante desde que estou a observando. Cristal - disse em voz imperativa - Quanto tempo Axle, Artemia e Ryan passaram em seu interior com relação ao mundo externo ?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Dom Nov 01, 2015 9:46 am

    Provavelmente ainda não acostumada com as particularidades daquela raça, Artemia provavemente estranharia a reação do rapaz que realmente pareceu ter ouvido em alto e bom som.Aquelas orelhas pontudas provavelmente eram muito mais sensíveis do que ela imaginaria.

    -N-não agradeça, s-sua pervertida...!- dizia ele cruzando os braços, de costas a ambos, como se aguardasse a vergonha se dissipar.Logo começava a falar com uma irritante ironia - ah sim, vou agradecer a ambos por ter me tirado de um local aparentemente seguro por 3 anos, para um ambiente na Terra onde humanos vivem miseravelmente...e nesses 3 anos nao imagino que a situação tenha melhorado. Ainda devem haver hordas e legiões de criaturas das trevas permeando cada centimetro desse lugar amaldiçoado...malditos demonios...sempre nos dando problemas!! queria que todos desaparecessem para sempre!

    O rapaz parecia ter interiorizado e reproduzia o ódio por demonios dos anjos, como se redirecionasse todo o preconceito que sofrera, negando também sua parte demoniaca e assumindo-se como totalmente anjo. Um problema que a se julgar pela teimosia de Tetsuya demoraria bastante para se resolver.Enquanto Artemia e Axle tentavam se comunicar, o raposo aproximou-se de dois vultos jogados num dos cantos sujos e escuros, parcialmente cobertos pela neve, a uns 10 adiante no beco onde fora arremessado por Artemia.

    -Ei...- cutucava - estão bem?

    Nenhuma resposta. Tetsuya estendeu a mão a ambos, e uma luz dourada começou a ser emanada das mãos, calma, tranquila, acalentadora. Pouco depois os dois vultos começaram a se mexer um pouco. Uma retirou o que parecia ser um capuz improvisado, revelando o rosto de uma idosa, que parecia segurar um bebê. Ao lado, a figura permanecia imóvel. A idosa tentou sacudir o bebê, que também permanecia imóvel...estava cianótica, as mãos e pés gelados de frio, os lábios azulados, imóvel. Tetsuya retirou o rapu da figura ao lado, revelando um homem de idade avançada que respirava com dificuldade; parecia estar dando seus ultimos suspiros. A idosa ao lado abraçou-o, silenciosamente - uma grande cicatriz no pescoço revelava o motivo de seu silencio, embora um grito contido poderia ser visto em sua expressão facial.

    O mestiço semicerrou os olhos, levando a mão à testa do bebê e do homem. Murmurava em tom baixo, mas audível, uma espécie de extrema unção.

    -Orémus, et deprecémur Dóminum nostrum Jesum Christum, ut benedicéndo benedicat hoc tabernáculum, et omnes habitántes in eo, et det eis Angelum bonum custódem, et fáciat eos sibi servíre ad considerándum mirabília de lege sua: avértat ab eis omnes contrárias potestátes: erípiat eos ab omni formídine, et ab omni perturbatióne, ac sanos in hoc tabernáculo custodíre dignétur: Qui cum Patre et Spíritu Sancto vivit et regnat Deus in sæcula sæculórum....

    Conforme o vulpino falava, uma lágrima escorria pelo canto dos olhos secos do idoso, que esboçava um pequeno sorriso sem dentes, dando enfim um ultimo suspiro de alívio. O corpo do idoso e do bebê emitiram uma luz prateada breve, seus corpos parecendo reduzir-se a pequenas esferas de luz, que começavam a ascender e desaparecer, deixando a idosa ali, desidratada demais para chorar pelos dois falecidos. O olhar sofrível mesclava um olhar de dor e alivio mútuo ao ver o que acontecia, e quando tudo acabou estendeu ambas as mãos. Tetsuya segurou-as, sorrindo calmamente. Era um lado dele realmente improvável,considerando o quanto era irritante até então, um lado gentil e bondoso, que lembrava-o muito do pai, ou de fato a uma figura angelical. Mas tão logo percebia que Axle e Artemia o olhavam, tornou a fechar a cara e a se levantar, readquirindo a postura de teimosia, cruzando os braços.

    -Ei robô-reploid, nao tem nenhum satélite embutido em algum lugar, ou só foi feito para guerra? e você - se referia a Artemia, apontando de forma acusadora, levemente envergonhado ao ver o quanto o traje definitia as formas da garota, embora ele nao se importasse na propria exibição do torax sem kimono - v-você com esse...e-excesso de voluptuosidade e c-curvas...n-não sabe alguma magia de localização?
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Dom Nov 01, 2015 2:56 pm

    Assim que Axle fizera a pergunta ao Cristal, este acendeu uma luz verde, emitindo o mesmo som robótico de antes. Ele pairava ao lado de Artemia, flutuando ao lado de seu ombro esquerdo.

    - "O tempo passado no meu interior foi de exatamente vinte e sete minutos e cinqüenta e dois segundos. O que significa que o tempo da Terra passou em, precisamente, trinta e cinco horas, doze minutos e oito segundos."

    Um silêncio perpassou como uma névoa em meio aos três ali. Artemia mal podia acreditar nos seus ouvidos.

    - Passou mais de um dia! Mais de um dia! E eu fiz aniversário e nem vi...

    Exclamou, perplexa, pondo uma mão em sua testa. Não estava acostumada com mudanças temporais tão absurdamente drásticas e sua preocupação aumentou ainda mais quando viu Axle tentar enviar uma mensagem ao Bunker, através do comunicador.

    - Será que vai funcionar? Será que ainda estão no Bunker?!

    Seus pensamentos e dúvidas, porém, foram dissipadas pela incredulidade que sentiu ao Tetsuya se perguntar qual o propósito de tira-lo de dentro do cristal. A garota apertou os punhos e quase o xingou, mas o rapaz havia caminhado até um casal de mendigos, conversando com eles e suspirando palavras em uma língua desconhecida. Quando a mulher revelou estar segurando um bebê, Artemia prendeu a respiração e parou, estática, levemente trêmula. A imagem era chocante.
    E então, com uma calma incomum, o mestiço aliviou as súplicas daquelas pessoas, as deixando aparentemente em paz. Artemia ergueu os olhos para Tetsuya, observando sua mudança de comportamento. Pensou, por um segundo, o quanto havia amor dentro daquele coração conturbado, e o quanto ele poderia fazer pelo mundo.

    Assim que ele se virou, arrogante novamente, falando notoriamente das curvas de Artemia, ela não conseguiu segurar um sorriso tímido em seus lábios. E então, olhando no fundo dos olhos dele pela primeira vez, ela ponderou, com sua voz baixa e firme:

    - Pois eu te pergunto agora: como pode um anjo preferir estar trancafiado em um cristal, desacordado e alheio de tudo, se poderia estar aqui na Terra, lutando como a gente para salvar pessoas como essas que você ajudou agora?

    Seus olhos esmeraldas brilhavam em uma intensidade profunda, e a garota procurou segurar o olhar dele o máximo que pôde enquanto falava.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Dom Nov 01, 2015 3:28 pm

    A resposta do cristal dava certeza ao que Axle suspeitava: a passagem do tempo não era constante. Haviam se passado quase 2 dias la dentro, quando tudo o que puderam sentir fora meia-hora. Por sorte a permanencia deles lá dentro fora curta, ou as consequencia podiam ser terriveis. Mas em 3 dias, o que tinha acontecido com o restando do grupo ? Com alguma sorte, responderiam a sua localização.

    - Hmm...parabens Artemia. Quantos anos você tem agora ? Vamos esperar que isso dê certo, mas não muito tempo. Podemos encontrar um jeito de voltar....


    A revolta de Tetsuya por ter sido libertado era tão inconsequente que Axle só pode botar a mão na testa e balançar a cabeça, quase sem conseguir acreditar no que acabara de ouvir. Quando se aproximou dos coitados a beira da morte, jamais pensaria que ele faria algo para ajuda-los. Axle estava errado, tanto no que podiam fazer para aquelas pessoas, quanto na moral do mini raposo. Não pode entender o que aquele ritual faria, mas suspeitava que o corpo tinha partido junto com a alma direto para o céu. Era uma poderosa e altruista habilidade que certamente havia aprendido em seu treinamento nas legiões celestiais. O que mais seus poderes sagrados poderiam fazer ?

    - Não Tetsuya, nem você, não é mesmo ? Parece que teremos que encontrar o caminho de volta pelo jeito antigo. Não fui feito para a guerra...sou um...-Olhou para os olhos do mestiço, parecia que haviam encontrado algo em comum entre os dois- acidente. Dois mundos unidos ao acaso, plantas e inorganicos. A guerra é que me persegue.


    Artemia então lançou sua questão. Axle não poderia ter respondido de uma melhor maneira, de modo que apenas esperou a resposta do rapaz. Era uma garota inteligente, com grande potencial. De onde tinha vindo, quem eram seus pais ? Lembrou que a havia encontrado vagando na floresta com Kardia, mas nunca soube do motivo. Poderia ser mais uma oportunidade de fazer Tetsuya conhece-los, e entende-lo melhor.


    Última edição por Axle The Red em Seg Nov 02, 2015 2:34 pm, editado 1 vez(es)
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Dom Nov 01, 2015 4:18 pm

    Tetsuya deixou a idosa ali, coberta em seu trajes, que aos poucos compunha forças para se levantar; começou a se afastar em passos lentos, provavelmente buscaria algum refugio. O que quer que Tetsuya fizera parecia ter dado mais forças, talvez esperança à idosa, que encontrava motivos suficientes para desejar sobreviver. O raposo deixou-a ir, olhando-a se afastar. Quando virou-se novamente notou Artemia próxima, fitando-o nos olhos.
           
        Era claramente visível o constrangimento nos olhos do anjo-demonio, e talvez fosse a primeira vez que a ruiva notasse com clareza a heterocromia. O olho direito dourado, o esquerdo num azul gelo. Ambos demonstravam um claro constrangimento, uma pureza um pouco pueril, sobretudo ao notar o sorriso tímido dela. Por algum tempo conseguira manter o olhar fixo, mas logo baixou-o, sem graça, e instintivamente recuava alguns passos conforme ela se aproximava. Realmente parecia se sentir muito, muito incomodado com sua presença, de uma forma que não sabia bem definir. Talvez fosse assim com qualquer presença feminina, ou talvez fosse apenas ela, depois das cenas que presenciara há pouco?
           
       -H-hmpf....eu não quis dizer que preferia estar lá dentro. Só que não me salvaram e não estou devendo nada a vocês. Mas...já que estou aqui, não vejo porque não fazer algo. – dizia, resmungante. Realmente seria preciso muito para dar o braço a torcer.
    Ainda em passos recuantes à ruiva, aproximava-se de Axle.

    -Acidente de dois mundos, huh?....talvez fosse melhor que você ficasse desligado em algum lugar para evitar mais problemas. – o comentário soaria extremamente rude, não fosse um detalhe; os olhos do raposo se desviavam de Axle, quase voltando para dentro; aquelas palavras pareciam ser muito mais para ele mesmo do que para o reploid. Corrigia a postura antes que desse a impressão de estar deprimido, voltando a erguer e cruzar os braços, orgulhoso.

           -Então vamos seguir as direções da mulher, já que vocês dois não servem nem como bussola. Hmpf...-dizia, rabugento, seguindo na direção do beco, e seguiria as direções dadas pela idosa. Apesar de manter a falta de cortesia e a atitude rabugenta, parecia um pouco menos agressivo com relação aos dois, talvez, mas estava claro que qualquer tentativa de se aproximar muito do rapaz era rapidamente respondida com um xingamento e um recuo por parte dele. Talvez fosse um mecanismo de defesa desenvolvido depois de anos sendo excluido pelos anjos... mas pelo menos o reploid e a maga agora poderiam ter uma esperança que havia algo de bom debaixo de toda aquela má educação, cabeça dura, arrogancia, etc.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Seg Nov 02, 2015 6:46 am

    Ao Axle perguntar a Artemia sua idade, a maga sorriu mais uma vez tímida, dessa vez para o reploid. Suas bochechas ficaram levemente roseadas pelo simples fato de alguém estar prestando atenção nela, desejando-a parabéns e demonstrando interesse por algum assunto relacionado à sua vida.

    - Obrigada, Red. Eu.. eu fiz dezoito anos. É estranho fazer aniversário agora, assim, já que vivi sozinha durante tanto tempo...

    E então virou-se para o mestiço, que havia abaixado os olhos e parecia estar constrangido pela proximidade da moça. Ela havia reparado nos seus olhos, nas diferenças entre eles e, principalmente, na bondade que havia por trás. Mas, ainda assim, as atitudes secas de Tetsuya irritavam a moça de uma forma descomunal. Sabia que ela e Axle precisariam ter muita paciência com o jovem raposo para que ele deixasse essas defesas de lado. Mas paciência, aparentemente, não era uma virtude de Artemia, que agora dava as costas ao garoto e pegava o Cristal na mão, levando-o perto de seus lábios e resmungando baixinho:

    - Seu... seu... Argh, você me paga por essa situação que me meteu... - dizia ela. Tetsuya talvez entendesse que ela estaria reclamando apenas por desabafo com o objeto, mas na realidade a maga estava tentando falar diretamente com Fuyu.

    E começou a caminhar na direção da senhora idosa, aceitando a sugestão de Tetsuya. Estava claramente mal humorada com todo aquele destrato que recebia sem motivos, uma vez que ela e Axle haviam arriscado suas vidas para resgata-lo.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Seg Nov 02, 2015 7:59 am

    O mestiço não tinha problemas em agir com violencia ao menor sinal de desconfiança, mas quando proximo de Artemia parecia apenas um garoto que era. Isso claramente não acontecia consigo mesmo, ja que o rapaz falava normalmente com Axle. Não era porque era apenas timido, ou porque pareciam dois humanos jovens. Era porque Artemia era mulher. Uma ponta de curiosidade surgiu no fundo de sua cabeça: ele reagiria da mesma maneira se tivesse visto Adrianne ou Kardia enroladas apenas por toalhas ?

    Cruzando os braços, ouviu o raposo se recusar a admitir que havia sido salvo. Estava começando a se acostumar com a criança birrenta que não precisa da ajuda de ninguem. Mas quando a frase seguinte veio, ele sabia seu significado alem apenas das palavras. Seus olhos se fecharam por um instante, pensando sobre o tema. Havia uma diferença entre os dois naquela questão. Axle aceitava seus dois lados, e lamentava a perda de um deles.

    - Os problemas sempre existiram. A questão é se alguem vai enfrenta-los ou não. Quando dos mundos estão distantes demais, é necessaria uma ponte entre eles. A distancia causa medo pelo desconhecido. A proximidade leva a compreensão, e com ela pode-se vislumbrar as maravilhas perdidas.

    Ao abrir os olhos novamente mirava a garota, falando com ela. Ela estava com vergonha denovo. Era causada por uma pergunta particular ? Dessa vez, não sabia identificar o motivo.

    - Sozinha ? Onde estão os seus pais ?

    Então ela foi reclamar com o cristal. Axle riu contido, sabendo com quem é que ela estava falando. Fuyu tambem tinha visto tudo, desde o ataque de seu filho a nudez da ruiva. Inclusive ajudado um pouco. Era necessario um pouco de humor para viver preso naquele cristal. Começou a caminhar junto a eles seguindo a velha senhora, não por achar que levaria a uma saida, mas para acompanha-los e não perde-lo de vista. Confiava mais no comunicador em sua mão, que olhava constantemente esperando uma resposta.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Seg Nov 02, 2015 10:56 am

    -Nao vejo porque humanos comemoram a data de nascimento...pura besteira, nao há merito algum nisso. Deveriam comemorar a data de algo importante que façam...mas de qualquer forma, agradeça por ter sobrevivido por mais um ano...

    Dizia ele de forma rabugenta a Artemia. Parecia ser o jeito dele dar os parabens, talvez? Tetsuya parecia falar de forma mais controlada agora que estava numa distancia maior da garota e ela estava vestida.

    Nao respondia a Axle; parecia ignorar o que dizia. Mas mordia o canto da boca, com certa raiva talvez. Aquelas palavras soavam exatamente como as da mae e, talvez por isso, nao conseguia retrucá-lo como estava sempre fazendo até entao.

    A idosa caminharia pelos becos por longos 15 minutos, em passos lentos pelos becos escuros. Uma brisa gelada soprava carregando flocos de neve sobre o rosto dos 3, a idosa apegando-se a seus agasalhos que, apesar de rasgados, pareciam ser grossos o suficiente para protege-la do frio. Parecia preocupado com o fato de rapaz de caudas nao estar sem um minimo de proteçao contra o frio cobrindo-lhe o torax, mas o mesmo nao demonstrava qualquer incomodo com aquilo.

    Ela parou no final do beco; dali poderiam ver o que parecia ser um grande galpao negro com janelas pintadas de preto, mas de onde poderiam ver luzes brlhando ocasionamente pelas frestas, em cores variadas. As orelhas do raposo se mexeram um pouco, arqueando a sobrancelha.

    -Musica...?

    Aquela distancia realmente era dificil ouvir algo ainda, apesar do raposo parecer ja estar ouvindo aquilo. Vários metros adiante havia o que parecia ser uma entrada; ali, 4 homens altos, pálidos, trajando ternos pareciam administrar uma pequena fila de pessoas. Curiosamente, naquela fila havia o que parecia ser um...reploid? Um lança-granadas extremamente chamativo parecia estar acoplado em suas costas, pintado em cores camufladas de marrom e verde; era obviamente um modelo militarizado. Em sua frente, segurava pelos ombros uma jovem maltrapilha, parecendo ser uma mendiga beirando os 19 anos, com um curioso par de pequenas asas de morcego saindo pouco acima das orelhas pontudas. Era realmente uma cena confusa; qual era a relaçao de todas aquelas figuras? Após uma breve conversa, o reploid entrava junto com a garota, assim como os outros da fila, gradativamente. A idosa baixou o olhar e começou a recuar dali; era até onde ela iria. Parecia ter medo de se aproximar mais.

    -....vamos?- Tetsuya perguntava aos dois.

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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