Neo City Uol

O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Seg Nov 23, 2015 7:52 pm

    Aquele gordo era um idiota camuflado. Bastou um balançar de peitos para ele entregar o misterio por trás daquele trono. Sempre soube que havia alguma coisa ali que o fazia se manter imovel. Achou que era estoques e mais estoques de sangue, não um prolongamento daquela banha desgraçada. Daria trabalho, mas ele cairia.

    O primeiro a sentir a queda repentina de temperatura que tomou a sala em um instante foi Jasor. Em um minuto ele batia o pé no chão com veias começando a aparecer em suas temporas e no pescoço, olhando apenas para o chão para evitar ver algo que não queira, com seus pensamentos disparados em uma locomotiva sem controle que apenas piorava a situação. No outro ele sentiu um frio lancinante que roubou o calor de seu corpo e entrou em seus ossos como se os despedaçasse. O grito de dor que saiu de sua garganta foi silenciado antes de começar. Tudo o que saiu de sua boca foi uma nuvem branca de vapor condensado

    Do bolso retirou desesperado peça de metal que carregava ja vestindo-a. A soqueira solida, que a poucos momentos estava muito quente ja tinha perdido grande parte da energia, mas era o que tinha. Abraçou imediatamente a si mesmo na tentativa de manter algum calor dentro de sua jaqueta, com muito pouco sucesso. Seus olhos arregalados apontaram para Yumi ja em sua forma feral. Era a maldita demonia que havia feito aquilo para mata-los ?!

    Quando ouviu o grito de Tetsuya virou a cabeça para ele e viu o que acontecia. Estava em sua forma masculina, segurando os braços da ruiva e gritando fogo ! De todos os sinais que poderia ser dados, aquele lhe era o mais claro. Levantou de sua cadeira em um impulso para se aproximar do braço de Artemia e segura-lo, esperando levar um jato de fogo no caminho, e assim estabelecer o contato para ganhar o mesmo poder que ela. Mas não conseguiu. O primeiro passo que deu o atingiu como um porrete na coluna, uma onda de choque que saiu do pé e correu até a cabeça. Sua perna fraquejou, flexionando-se em direção a queda. Reunindo todas suas forças Jasor segurou-se ali para evitar ir ao chão. Ficaria ainda pior se tivesse mais contato com o solo gelado. Estava preso ali. Não conseguiria avançar nem tomar outra direção sem piorar ainda mais sua situação.

    Foi quando viu o jato multicolor e sentiu o calor do ataque da ruiva na direção de Carmiglioni. Era como uma luz de esperança que aliviou por um unico segundo sua agonia. Mas na sua direção nada foi disparado, nem uma faisca. A unica coisa que podia fazer para ajudar naquela situação era tentar não cair e não atrapalhar ninguem. Tinha se tornado um inutil, sua raiva congelada em seu peito, sua vontade despedaçada.

    Olhava derrotado para o chão quando aconteceu. Quando ergueu o olhar tudo parecia em camera lenta. Artemia corria em sua direção naquele momento, o calcanhar batendo o solo antes de ceder o peso progressivamente pelo pé até a ponta dos dedos, transmitindo a força para o solo ao se lançar a frente. Seus braços se agitavam de forma a equilibrar-se na corrida, e um decote enorme era projetado agora de seu busto, deixando seus seios durinhos quase escapulirem pela fresta. Um tipo de brasa interna se acendeu naquele momento, que lhe deu energia para superar momentaneamente o frio e agarrar a ruiva no ar quando se lançou em sua direção. Seus braços se fecharam ao redor de sua cintura dela e deu um passo para trás, estabilizando seu equilibrio, evitando derruba-la.

    Aquele instante em particular pareceu durar uma eternidade. Seus olhos estavam travados no dela, seus pensamentos confusos sobrepujados por aquela emoção poderosa que sentia ao toca-la. Os narizes tão proximos faziam seu coração disparar, suas bocas apenas a poucos centimetros. Seu tato se tornou incrivelmente sensivel ao buscar mais dela. Mas o que encontrou não foi um beijo, mas o fogo que surgiu no corpo da jovem e imediatamente percorreu Jasor por inteiro. Dessa vez o manto de chamas não era uma replica da ruiva, elas surgiram descontroladas em labaredas que rugiam com um amarelo e laranja vivos. Agora o barman sentia-se com toda a furia do elemento rasgando sua alma, lhe dando impeto incontrolavel. A mão direita deslizou pela a bunda de Artemia e ergueu ela para cima, não apenas atiçando seu desejo ao fazer suas partes intimas roçarem naquele estado, mas guiando com a mão esquerda suas pernas para que entrelaçasse ao redor do quadril dele.

    Dessa forma ela estaria ligada a ele, mas livre para mover o tronco e os braços para onde fosse necessario. Isso foi importante quando Axle deu seu comando, quando imediatamente se abaixou e deixou a lamina assassina passar por sobre a cabeça dele e de Artemia, salvando os dois ao mesmo tempo de perderem a cabeça. Não de um modo bom. Logo depois Jasor rugiu com uma voz que parecia ter saido de uma fogueira quando alimentada com combustivel, e em seguida soprou de sua boca um cone de fogo que percorreu o salão como um jato de plasma que mirava direto no rosto de Carmiglioni. Sem conseguir ver nada, ele não poderia se defender de nenhum ataque, estando duplamente vulneravel a equipe.
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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Seg Nov 23, 2015 10:56 pm

    Yumi rosnou um pouco menos, quando ouviu o grito de Tetsuya, mas piorava o rosnado, o odio e a temperatura quando ela viu que Tetsuya tinha se desconcentrado o suficiente para perder o disfarce. E ainda por cima todo o seu lindo torax roçando no corpo dela. Com o aumento da sua raiva, a raposa ficava ainda mais descontrolada, e por não poder voar na jugular de Artemia, ela descontava no ambiente diminuindo mais 5 graus. Para o desespero de Jasor, agora estava -20 graus. Yumi estava alheia ao mal que estava causando nele, com certeza não era de proposito.

    O que de fato parou a kitsune foi a aura angelical vinda do raposo. De inicio aquele mal estar fez com que ela ficasse confusa e enjoada, de novo aquela sensação. A raposa balançava a cabeça na tentativa de fazer aquela sensação ruim passar. "essa sensação...essa presença..." ela pensava, se acalmando a contra gosto e olhou para Tetsuya, suas pupilas dilataram com a surpresa. E tudo voltou a sua mente em uma enxurrada de informações.. O seu primeiro dia na Terra, o ataque...aquele ataque de gelo, então tinha visto mesmo caudas...a foto, a criança... "Iriel.."

    Foi o ultimo pensamento da raposa quando sentiu uma pontada no peito e o inicio da perca dos seus sentidos. Tinha gasto muito da energia com todas aquelas transformações e a ultima fez com que gastasse todo o resto. Ela não aguentaria mais tanto tempo acordada.

    Em contra partida, os demais daquela sala sentiria que a temperatura voltava a aumentar gradativamente e todo o gelo que congelava a sala se desfazia e ia ao encontro da raposa que estava deitada no chão, quase inconciente.

    Yumi viu que Axle ficava na sua frente e fazia o seu golpe, ele provavelmente estava tentando impedir que ela fizesse mais alguma idiotisse. Tinha estragado tudo...mas...ainda tinha perguntas, precisava achar Iriel novamente, só ela saberia sobre os seus pais.

    Com força de vontade a raposa andava cambaleante para a direção de Tetsuya, depois do golpe de Axle e uniu suas forças para pular em cima do raposo. Suas forças estavam se esvaindo e ela voltou a sua forma original.

    - Era...você...na-naquele..dia..

    - Onde..está..I-Iriel?


    Mas, infelizmente ela não conseguiu ter tempo para ouvir a resposta e desfaleceu nos braços do rapaz, que se não fosse rapido para segura-la, iria cair com todo o corpo no chão. Sua respiração era leve e fraca, ela estava esgotada.

    Na sala não tinha mais vestigio do gelo da raposa, com exceção do vampiro que estava sendo congelado anteriormente.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Nov 24, 2015 3:57 am

    -Grrraaaahhhh!!!!

    A criatura asquerosamente obesa gritava, conforme as chamas douradas pareciam queimar sua carne como palha seca, consumindo ossos e banha sem distinção. Apesar disso, rapidamente também parecia estar se regenerando, quase que imediatamente, embora fosse claro a efetividade daquelas chamas. Mas uma hora o fogo se apagaria, e poderiam ver já os braços e tronco de Carmiglioni se refazendo. Quase imediatamente a ilusão se desfazia: onde antes haviam as pernas e o trono do gordo, havia apenas a continuação de seu corpo pelo que parecia ser a entrada de um poço artesiano, de onde sua gordura brotava do subsolo.

    As chamas sagradas causavam quase um infarto nos seguranças se ja nao estivessem com o coração parado; a expressão de terror duraria pouco, conforme um golpe circular de laser degolava-os a seguir; mesmo que tivessem grito "abaixem-se", os seguranças nao teriam tempo de reagir. Estavam tomados pelo terror...e agora caíam no chão, suas cabeças rolando para o lado oposto. Carmiglioni estava quase regenerando-se por completo, quando o laser dilacerou-lhe o tórax, fazendo com que a parte superior se desprendesse do restante do corpo e caísse ao chão, desfazendo-se em cinzas. Mas novamente, parecia refazer-se novamente, regenerando tudo logo a seguir.

    As chamas enfurecidas de Jasor atingiririam o vampiro refeito enquanto ainda se recuperava, queimando e cauterizando a região que estava se regenerando, mantendo sob controle e impedindo - por enquanto - o retorno completo da forma fisica do vampiro.

    -Yumi!! - saltava e fazia um rolamento adiante para se proteger do golpe de Axle. Olhou para trás enquanto rolava; aparentemente Artemia e Jasor estavam bem. Nao que se importasse tanto com o ultimo, mas ainda assim não desejava-lhe a morte....talvez seu sangue angelical impedisse-o de desejar tal coisa, muito embora a mão boba do barman não o impedisse de visualizá-lo tendo pelo menos aquela parte congelada. Finalizando o rolamento, o kitsune saltava diante, as orelhas se agitando; ele e Yumi sentiriam um som abafado, distante, muito baixo ainda, mas crescente vindo na direção do grupo.

    Enquanto saltava, o rapaz atirava 3 shurikens de luz do tamanho de uma palma da mão, que atravessariam as chamas de Jasor e cravariam no buraco aberto sobre a cintura do gordo, que parecia lentificar muito a regeneração, uma vez que estava fazendo contato constante em seu corpo. Ao notar que Yumi lentamente desfalecia em seus passos, saltou novamente em sua direção, velozmente. Aquelas armas douradas, e mesmo a velocidade do rapaz, tudo era a imagem cuspida de Iriel...que agora investiu no salto, pegando-a pela cintura enquanto caía, e arremessando ambos para trás por vários metros. Yumi havia mesmo dito aquelas palavras!? como...como ela conhecia o nome de sua mãe!? Mas não teria tempo para isso agora, pelo que aconteceria em instantes.

    O pior viria logo a seguir; o local onde Axle estava e de onde Yumi acabara de estar cedia, revelando uma enorme cratera logo abaixo do reploid. Uma enorme massa de carne e banha ascendia por aquele buraco, quase engolindo o reploid entre as dobras, conforme ascendia e arrebentava o teto com Axle ali, numa velocidade cada vez maior. O vermelho veria, após os escombros serem jogados sobre si, o céu claro, , enquanto várias criaturas das trevas voavam como morcegos pelo horizonte, fugindo do sol que já estava surgindo e anunciando mais um dia em UOLCity(>.> n aguento mais ficar na mesma noite)...e estava ficando alto, realmente alto. Já estava a uns 20m de altura, quando a torre de banha finalmente cessava bruscamente sua subida, embora Axle subisse mais vários metros devido à velocidade daquilo. Por questões de inércia, o reploid seria arremessado pelo céu, descrevendo uma parábola, tendo uma visão panorâmica da cidade destruida. Pareciam estar relativamente perto do centro da cidade, onde enormes barricadas pareciam terem sido erguidas. Parecia haver vida ali, embora nenhum habitante fosse tolo o bastante para andar à noite. Veria também um helicóptero próximo a uma mansão, não muito distante, e o beco, a floresta...

    A estação de metrô da cidade parecia estar abandonada e completamente tomada por uma selvagem vegetação, que parecia ter iniciado ali e engolido um bairro inteiro a partir daquele ponto.E Axle estava se aproximando mais e mais daquela vegetação intensa; parecia estar caindo na direção de uma espécie de catedral tomada pela vegetação selvagem; mais precisamente nos fundos da catedral, sobre uma espécie de abóbada brotando do chão, com vidros em mosaico. (Axle continua na Catedral de Arthrahasis...XD n conseguir pensar noutra forma melhor de manda-lo rapido pra la sem ser catapultando o coitado hahahahaha)

    Ao quarteto que ficava, veriam aquela torre de gordura ascender rapidamente pelo buraco no chão; aquela coisa parecia ser o restante do corpo dele, como se fosse uma espécie de....larva gigante...
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Ter Nov 24, 2015 12:18 pm

    Artemia, sob a forma de uma tocha humana, se manteve nos braços de Jasor, que agora posicionou uma mão na coxa dela e a outra no bumbum: o movimento a fez arregalar os olhos para o barman, mas entendeu rapidamente a intenção dele, por mais que o fato de estar sentindo o corpo dele colado ao seu lhe rendia um arrepio que ia dos pés à cabeça. Jasor havia erguido o corpo da maga, cruzando as pernas dela em suas costas. Pendurada na cintura do barman, Artemia passou um braço no pescoço dele, segurando-se, com medo de cair. Seus corpos estavam colados em meio ao fogaréu que se intensificava cada vez mais, e a ruiva finalmente encontrou um equilíbrio, disparando mais labaredas contra dois outros vampiros restantes que ainda possuíam suas cabeças.

    Então, finalmente reparou em Carmiglioni. Sua gordura havia sido cortada ao meio, e ainda assim parecia se regenerar. Ainda que Jasor tenha cauterizado uma parte e Tetsuya lançado shurikens de luz, a gordura parecia se reestabelecer gradativamente, ignorando os esforços de todos ali. Apesar disso, Artemia sabia que se a quantidade de chamas certas fosse lançada, juntamente com as lâminas do vulpino, certamente conseguiriam dar um fim ao vampiro.

    Toda a frustração surgiu no coração da maga, no entanto, quando uma cratera gigantesca surgiu ao chão, justamente abaixo de Axle. Da cratera, veio subindo o monte de gordura pertencente a Carmiglioni. Parecia não ter fim! Quando menos esperaram, Axle foi lançado pelos ares, desaparecendo de vista em poucos segundos. A ruiva arregalou os olhos, estática, observando o céu claro que aparecia lá fora. Observou novamente o monte de gordura e finalmente sua ficha caiu.

    - RED!!! – berrou ela, esticando uma mão para o alto e fatalmente disparando mais uma labareda intensa na direção do monte de gordura. Lágrimas brotaram dos olhos da garota, que agora sentia como se seu coração fosse partido em mil pedaços. Abraçou Jasor, afundando sua cabeça no pescoço dele, chorando baixinho. Estava trêmula e absurdamente frágil. O fogo que a cercava apagou ligeiramente, adquirindo uma tonalidade azulada acima das outras.

    - N-não acredito... – ela sussurrou, em meio a um choro silencioso. Red era mais do que um amigo para ela; já o considerava como sua família. Ele havia protegido ela desde o momento em que se conheceram. E agora ela não conseguiu fazer o mesmo por ele. No entanto, apenas percebeu isso naquele breve segundo em que o perdera. Não poderia suportar perder mais alguém. Não deixaria...

    A maga endireitou o corpo. Obstinada, não precisou dispor muito tempo para se concentrar em tomar a energia do ambiente. Imediatamente, um arco foi projetado em suas mãos: Artemia, ainda com lágrimas que escorriam pelas suas bochechas sardentas, mirou na gordura de Carmiglioni e disparou a flecha.

    Seu arco e flecha eram totalmente feitos de fogo, recebendo uma mistura de vermelho e dourado, cuja luz intensa seria capaz de cegar humanos comuns. A flecha que ela escolheu foi justamente a que usou contra o doppelganger no bunker: assim que tocasse a superfície gordurosa do vampiro, causaria uma explosão certamente aumentada pela intensidade do fogo que agora se acumulava entre ela e Jasor, o cristal e a aura angelical de Tetsuya.

    Caso não funcionasse o plano em explodir o vampiro inteiro, a maga continuaria atingindo flechas explosivas nele até causar o estrago necessário para desacelerar ou exterminar seu processo de regeneração.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Ter Nov 24, 2015 2:19 pm

    Mantinha-se a frente da raposa atento a seus movimentos, esperando que o movimento com o "chicote laser" tivesse pego seguranças o bastante para não ter que ser preocupar como nada mais. Sentiu uma queda ainda maior de temperatura, com pequenos cristais de gelo se condensando na superficie de sua armadura, e logo a seguir Yumi parecia ter enfraquecido. O frio recuou e cambaleando a raposa se movia na direção de Tetsuya. Estava planejando o ultimo ataque antes de desmaiar ?

    A mão de Axle moveu-se com sua agilidade caracteristica, pronto para agarrar a pata da kitsune em pleno ar para impedi-la de prosseguir. Os dedos se fechavam na perna do animal quando ele retomou sua forma humanoide de garota. Foi naquele momento que entendeu que ela não queria ferir o outro, mas buscar ajuda dele. Sua pegada afrouxou da canela de Yumi, permitindo que ela se abraçasse com o mestiço.

    Era facil de deduzir a origem do berro. Quando se virou, sendo banhado por aquela luz amarelada intensa e calor repentinos, ja sabia que era Carmiglioni que estava sendo incinerado. Só não esperava que ele fosse queimar tão rapido. Os três ciumentos tinha agido rapido, finalmente deixando as emoções de lado para lutarem lado a lado de maneira eficiente. Quando viu Jasor ele ja estava em chamas agarrado a Artemia, disparando mais fogo contra o gordo para prevenir que ele retornasse. Não devia faltar muito para extermina-lo de uma vez.

    Ledo engano. Bastou levar a mão a cintura para segurar sua pistola que o chão desapareceu debaixo de seus pés. Antes de conseguir qualquer apoio foi coberto pela erupção de pele gordurosa que o lançou dezenas de metros no ar, literalmente sendo catapultado de dentro da boate.

    (equipe rocket decolando denooooovo)
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Ter Nov 24, 2015 3:04 pm

    Naquele "estado transcendental" Jasor finalmente havia se livrado do frio opressor trazido pela kitsune, de tal modo que não sentia mais nenhum enfeito das baixas temperaturas. Pelo contrario, se sentia otimo, sobrepujando o efeito artico com pura energia flamejante. Estava agora focado em despejar sobre os restos de Carmiglioni o jato continuo de fogo que incinerava tudo em seu caminho. Involuntariamente havia aperfeiçoado aquela habilidade ao longo de sua estadia na boate, que o fazia disparar um bafo similiar ao de um dragão.

    Adorou quando ouviu o grito de desespero da boca do gordo que derretia em poucos segundo como uma vela. Era um combustivel para a violencia tal qual a paixão por Artemia alimentava sua força de vontade. Sentia uma vontade quase irracional de mergulhar na banha e percorrer cada centimetro da carne mole e morta do vampiro, consumindo suas entranhas com a chama insaciavel.

    O sopro foi interrompido com o forte barulho vindo de algum ponto atrás deles. Jasor virou-se para ver o que acontecia a tempo de ver Axle desaparecer em meio a um prolongamento nojento de banha que crescia como se liberto de uma cinta elastica, acompanhando incredulo o lançamento do reploid para as nuvens. Artemia, no entanto, ficou abalada como se o reploid fosse um grande amigo dela ! Quando sentiu a cabeça da ruiva tocar-lhe o pescoço Jasor segurou sua nuca, afagando seus cabelos incendiarios, para conforta-la. Sua voz saia distorcida, mas era possivel reconhecer seu tom caracteristico ali no meio

    -Não se preocupe Arty, ele é um reploid. É muito resistente. Mesmo se quebrar pode ser consertado. Ele vai ficar bem.

    Jasor sentia uma certa pena de Axle, mas era aquela mulher em seus braços que realmente a afetava. Suas chamas diminuiram de proporção ao ve-la tão arrasada. Por uma fração de tempo reparou o quanto estavam proximos. Sentia as pernas dela ao redor de sua cintura, sua mão ainda agarrava a bunda dela para manter a estabilidade, seus seios em chamas tocavam seu torax ao repousar a cabeça em seu pescoço. Algo dentro de si se conturbava, se excitava. Mas não podia perder o foco ali. Se deixasse se levar pela vontade de chupar o pescoço delicado e agarra-lhe os seios, a batalha estaria perdida, e eles presos para sempre. Seu corpo voltou a acender em chamas ferozes, e quando a viu disparando as flechas como uma amazona selvagem sua violencia acendeu-se novamente.

    - Ahhhh...AHHHH ! Queime maldito, queime ! Raposo, o outro lado !

    Pela primeira vez se referia a Tetsuya no meio do combate. Naquele momento ignorou que Yumi tinha desmaiado nos braços dele, precisavam manter a vantagem para que o gordo não retornasse. Havia visto antes suas shurikens prejudicando a regeneração do inimigo, e agora haviam duas partes de Carmiglioni que precisavam ser destruidas: a que estava no trono e a que acabara de emergir do chão. Jasor inspirou profundamente, a dilatação do torax podia ser percebida pela ruiva, e novamente lançou o bafo de dragão no ponto contrario onde ela lançava suas flechas. Agora era o gordo que não tinha como fugir. Fogo estava por todo o lado devorando sua existencia, e eles dois eram a encarnação da destruição.


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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Ter Nov 24, 2015 9:08 pm

    Yumi estava completamente desacordada e alheia ao que estava acontecendo em volta. Fazia muito tempo desde da ultima vez que esgotou sua energia e aconteceu quando ela estava aprendendo a dominar a técnica de metamorfose. Tinha sido inconsequente. Tudo o que aprendeu sobre metamorfose, aprendeu com a sua mãe que era muito melhor que ela e possuia muito mais energia também. Sua mãe sempre lhe dizia "Yumi, aprenda o limite do seu corpo e nunca em hipotese alguma chegue ao seu limite. Você vai desmaiar e ficará vulneravel."A demonesa seguiu a risca o conselho da mãe até aquele dia. Tinha que se deixar levar pelos ciumes, e ciumes de um rapaz que acabou de conhecer. "lamentavel" ela diria isso de qualquer um naquela situação.

    No meio do caos que a raposa antecipou, seu desmaio era de fato extremamente inconviniente. Ela não era pesada, mas com certeza atrapalharia o raposo, se ele realmente decidisse protege-la. Eles mal se conheciam afinal, se não fosse o fato dela ter dito o nome da sua mãe no final. Seria Yumi uma ligação do passado dele?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Nov 25, 2015 3:38 am

    Infelizmente, as shurikens começavam a perder o brilho, e logo desapareciam; a regeneração voltava com força total, embora devido às chamas em ambas as partes parecessem estar num equilibrio. Um equilibrio que Jasor jamais havia visto; o obeso até então parecia se recuperar quase instantaneamente sempre que era atacado por outros hóspedes...e pela primeira vez parecia estar perdendo ou, no minimo, empatando. O raposo olhava aquilo, pensativo sobre o que faria a seguir.

    -Axle!!! Não...!!

    Talvez fosse pela preocupação,ou o fato de finalmente confiar nele depois de tudo aquilo, mas seria a primeira vez que chamava o reploid pelo nome, enquanto ele era arremessado para fora daquele lugar. Cerrou os punhos com força, e o grito de Artemia só fazia-o ter mais ódio, como se a dor da ruiva se propagasse através de si próprio. Cada soluço e lágrima era como uma facada direta que tomava no proprio peito, que superava até mesmo o ciume que sentia ao ve-la abraçada ao barman. Era como se...a felicidade da ruiva fosse mais importante que tê-la para si, de fato. Ou talvez aquela dor fosse sua propria, pois começava tambem a criar um vinculo com o reploid? E olhava para Yumi, nos braços; parecia apenas esgotada, apenas de nao estar ferida. Mas a menção do nome da mãe nao deveria ser só coincidencia....lembrava-se das cenas da morte da serafim, como um terrivel flasback a queimar-lhe no fundo da retina, relembrando-o de cada segundo daquela dor pela qual passara, e sabia que nao poderia deixar ninguem mais ter aquele fim. Nao iria permitir perder outra pessoa. Carregou-a até um canto mais seguro dali; nao poderia levá-la para perto de onde estaria a seguir por mais que considerasse perigoso deixa-la sozinha naquele momento. Deixou a garota encostada com as costas sobre a parede, sussurrando um "me desculpe por deixá-la aqui...", e voltou na direção da gordura ascendente de Carmiglioni, que havia cessado de subir.

    O fato de Jasor manter o torso do vampiro permanentemente carbonizado impedia-o de regenerar a cabeça, tornando-o incapaz de formular estratégias para se desvencilhar daquilo, de forma que seu corpo agia apenas com base em reflexos medulares de auto-preservação, como insetos fazem. Aquilo parecia ser o fator fundamental para manterem a vantagem naquele combate, que se arrastava cada vez mais naquele cabo de guerra infindável.

    -Praecipimus vobis et que ligamus vos ut non habeatis
    Utus potestatem per pesten nec per aliquod
    Quodeumque maleficium nocere ei
    Incantationem neque
    In anima nec in corpore"


    O raposo ia murmurando, enquanto uma espécie de lança com lâminas curvas de uma ninja-to nas duas extremidades se formava, de um gelo metálico, brilhando numa luz dourado. Seu corpo era envolto por uma espécie de nevasca de curto alcance, praticamente apenas ao alcance de meio metro de seu corpo. Flocos de neve brilhando em dourado giravam rapidamente em torno do kitsune, lentamente envolvendo-o, tornando-o quase um borrão ali dentro. Pela oscilação do ar, era prossivel notar que ali dentro o frio era realmente intenso, embora muito mais contido que a demonstração de Yumi. Não parecia ter o mesmo poder de fogo da kitsune, mas com certeza parecia concentrá-la melhor, canalizar sua raiva numa tecnica mais controlada e precisa, compensando area de efeito e potencia com tecnica e precisão.

    Ao contrário dos outros 3, estava ficando nitido que seu estilo de combate era muito mais um corpo-a-corpo rápido; poderia até lutar atirando mais shurikens, mais nem de perto teria tanto efeito...não era momento de ficar se preservando; tinha que dar seu máximo.

    A névoa dourada rapidamente deslizou em direção à torre de banha, sua voz murmurava brevemente, enquanto erguia a lança.Uma luz prateada iluminava-a até mesmo dentro daquela nevoa, sendo provavelmente a unica coisa visivel vinda lá de dentro.

    -Mugen no kensen...brilho da lâmina infinda!



    E desferiu um corte horizontal lateral na torre de banha, logo após uma das flechas explosivas de Artemia. Um segundo depois, desferia outro vertical. E logo em seguida, um diagonal, um pouco mais rápido que o interior. E a cada corte, o seguinte se tornava mais rápido, de forma que em poucos segundos apenas flashes de vários angulos eram vistos, cintilando e cortando como um liquidificador aquela massa disforme. Os golpes da arma sagrada associadas às explosões constantes das flechas de Artemia eram dano demais, letais demais até mesmo para aquela regeneração absurda de Carmiglioni, que parecia aos poucos ser incapaz de acompanhar todo aquele estrago.Parecia estar desferindo cada vez mais golpes entre as flechadas, e a impressão que dava era que realmente conseguia se desviar daquelas flechas explosivas, agora desferindo incontaveis cortes. A torre de gordura parecia tentar recuar para o subsolo, o que apenas agravava a extensão do dano, exibindo sempre mais superficie a ser destruída. Até que subitamente, no meio de toda aquela gordura, o que parecia ser um coração grotesco, esverdeado, surgia. Tetsuya cravou aquilo com a lança e arremessou para trás, na direção de Jasor e Artemia.

    A névoa que o encobria se desfez assim como a lança, revelando o kitsune. Estava completamente sem folego, com a mão no abdome, com multiplas queimaduras no corpo. Apesar da proteção da névoa gelada e da velocidade, agora mostrava que de fato não fora capaz de escapar completamente das chamas explosivas das flechas, ou mais exatamente da gordura quente que era arremessada para os lados com a explosão como um óleo fumegante; afinal o cristal parecia amplificar muito o poder de fogo das magias da ruiva. Seu corpo estava vermelho, em algumas regiões haviam crostas de carvão de gordura queimada do obeso que o atingira e queimara pelo calor, em outras era possivel ver algumas bolhas evidenciando queimaduras de 2º grau. Aquilo doía só de ver, mas talvez pela adrenalina e cansaço o raposo não parecia demonstrar dor; estava focado demais em terminar aquilo. Mantinha a mão no abdome, curvado pelo cansaço, mas ainda se mantendo de pé com ajuda do equilibrio proporcionado pelas 5 caudas expostas.

    Apontava para o coração esverdeado que, curiosamente, parecia bater e pulsar no mesmo ritmo das batidas daquela boate. Tão logo o coração fora retirado, o resto do corpo parecia se liquefazer num lamaçal de gordura amarelada, que por sorte boa parte escoava pelo buraco no chão de onde ambas as partes saíam. Agora bastaria o golpe de misericórdia para acabar com tudo aquilo.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Nov 25, 2015 8:33 am

    As flechas explosivas de Artemia pareciam causar pouco efeito naquele monte de gordura que parecia aumentar de proporção a cada regeneração. Contudo, a ruiva não desistiu e continuou atirando, sem perceber que Yumi havia desmaiado em meio a toda aquela confusão. E então, quando menos esperou, Tetsuya surgiu à frente da gordura, encoberto por uma névoa de flocos de neve. A extrema rapidez de seus movimentos com a lança, arrebentando a gordura em meio às flechas explosivas, deixou a maga aturdida. Tentava desviar as flechas o máximo possível do corpo do vulpino, mas era praticamente impossível; a fluidez com que ele executava os golpes eram fascinantes e quase invisíveis. Por alguns segundos, o perdia de vista, para vê-lo reaparecer em outra ponta, e repetir o processo até finalmente deixar à mostra a fonte de toda aquela imensidão gordurosa: um coração verde pulsante.

    O vulpino, então, cravara a lança na superfície do coração, arrancando-o da gordura, que derreteu imediatamente: uma lava grotesca se expandia pelo chão, fervendo enquanto era derretida em camadas. Artemia arregalou os olhos para Tetsuya, cuja névoa havia finalmente dissipado em volta de seu corpo debilitado. Queimaduras intensas poderiam ser vistas na superfície de sua pele; seu corpo nunca esteve tão frágil e exposto.

    A visão chocou a ruiva mais do que ela poderia imaginar. Seu próprio coração apertou, suprimindo um grito que não quis sair. Não conseguia tirar os olhos dele, embora tampouco conseguisse mover seu corpo: ainda estava entrelaçada a Jasor, e ainda assim, sua pele era tomada por chamas. Teria ele se ferido por conta de suas flechas, além da gordura fervendo? O pensamento a fez tapar a boca com as mãos, prendendo a própria respiração. Não suportaria vê-lo ferido, ainda mais se fosse por sua causa. A raiva e a pressa tomaram conta de seus sentidos, a fazendo mirar o arco na direção do coração:

    - Jasor, fogo! – gritou ela para o rapaz assim que atirou a flecha no centro do coração, o que o faria explodir em vários pedaços, se desse tudo certo. Além disso, sua intenção era ter a ajuda do barman para queimar, cauterizar e expandir a explosão, tornando ainda mais difícil uma suposta regeneração do coração.

    Com o início da explosão e o fogo de Jasor, Artemia finalmente se soltou da cintura do rapaz, correndo rapidamente na direção de Tetsuya. Certamente não era a melhor hora para isso, afinal, não sabia ao certo se o seu plano anterior daria o resultado esperado. Contudo, sem pensar nas consequências, a maga correu na direção do vulpino; as chamas se apagando de seu corpo rapidamente, a tempo dela se jogar em cima do corpo dele, o protegendo da última explosão, servindo como um escudo para ele: havia o abraçado forte, tampando o corpo do vulpino de qualquer ameaça. A maga não parou para pensar, tampouco, no que aconteceria com seu próprio corpo frente à explosão do coração. Certamente não conseguiria sair ilesa, mas o fato é que ela se deu conta, no calor do momento, que estaria disposta a se sacrificar para salvar o vulpino, embora não seria fácil admitir tal coisa.
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qua Nov 25, 2015 10:45 am

    O cheiro da carne morta carbonizada e banha tostada dava uma satisfação unica a Jasor. Era o resultado direto das suas chamas, queimando Carmiglioni. Não importava que ele se regenerasse tão rapido, até mesmo gostava. Que o sofrimento do gordo durasse pela eternidade. Quando maior a insistencia, mais vontade o barman tinha de cuspir chamas ainda mais intensas, esmagando devagar as ultimas esperanças do italiano como uma folha seca.

    Não olhava pra trás para ver a atuação de Tetsuya, não podia. A forma mais poderosa que sabia de manipular o fogo era atraves do sopro, e por isso tinha que manter a cabeça virada para o corpo destruido do gordo, sem permitir que aquela cara grotesca voltasse a ser visivel. Por isso a unica coisa que o fez perder seu foco foi o grito silencioso de Artemia, sua respiração hesitante. Era facil sentir aquelas mudanças devido a proximidade que estavam, de modo que quando virou o rosto para olha-la, ela gritou o seu comando.

    Não deu muito tempo para pensar. Inspirou mais uma vez e mirou na mesma direção da flecha. O novo cone flamejando banharia a flecha e se estenderia como uma cortina ao redor do projetil, ampliando sua potencia com uma carga elemental poderosa. Foi ai que viu qual era o alvo: o coração esverdeado. Não teve duvidas que aquele orgão desagradavel pertencia a Carmiglioni, mas como aparecera ali ?

    Seu poder só durou por um segundo. Artemia se desvincilhou de sua cintura e correu imediatamente na direção de Tetsuya, e com seu laço partido o fogo em seu corpo se apagou, o sopro do dragão extinguido. Agora que via o mestiço tão ferido. Não sabia o que tinha causado aquilo nele, mas sabia que a ruiva iria protege-lo, evidentemente arriscando a si mesma. Mais uma vez o tinha abandonado, e isso o magoava, mas sua intenção era nobre. O garoto-raposa estava mais ferido do que todos ali. Por isso aquele momento não se ressentiu, mas tomou a mesma atitude autrista.

    Uma lingueta de fogo ainda serpenteou de sua boca logo que começou a se mover, correndo a poucos passos de Artemia. Ainda havia pequenos focos de chama residual em seu tronco quando saltou a frente do coração que ja se dilatava rumo a explosão. Na proximidade que estava para a "bomba", seu corpo protegeria todos do calor, da gordura fervente, dos pedaços fumegantes, do deslocamento violento de ar. Tetsuya, Yumi e Artemia estariam a salvo...
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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Qua Nov 25, 2015 11:06 am

    Alheia a tudo o que estava acontecendo, o calor de todo aquele fogo na sala e os tremores causados devido as banhas do gordo quebrar o solo, fazia com que Yumi tivesse pesadelos.

    Ela se via sozinha em um deserto, o calor escaldante. Não conseguia conjurar sua magia, não conseguia se defender daquilo. Calor era algo que a raposa não gostava, principalmente em excesso.

    Ela corria por aquela areia, que batia em seu rosto, arranhando-a. Olhava para os lados procurando seu amigo dragão. Onde ele estava? Precisava dele para sair dali. O chão tremia, e ela via fissuras formando em baixo dos seus pés. Ela corria mais e mais rapido, com medo de cair entre aquelas frestas. Gritava, chamando o seu nome do dragão.

    - Venkarrr...


    A demonesa falava dormindo, provavelmente não seria ouvida no meio de tudo o que estava acontecendo. Afinal, no sonho poderia ter sido um grito, mas ali era só um murmuro. Mas sua feição não era mais serena, estaria ela sofrendo?

    Onde quer que o dragão estivesse, poderia sentir um incomodo referente a garota com quem ja morava a 3 anos.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Nov 25, 2015 2:49 pm

    Ao ver a massa de gordura se desfazer, pareceu relaxar um pouco; finalmente estava tudo acabando. E então a adrenalina sumia pouco a pouco, deixando no lugar uma dor lancinante pelo corpo; a simples brisa que começava a entrar pelo teto parecia como navalhas cravando em sua pele escaldada. As partes cobertas do corpo pelas roupas teriam sofrido queimaduras mais leves, mas rosto, braços e tórax descoberto vibravam num rubro doloroso, as terminações nervosas quase saltando por entre as bolhas que começavam a se formar.

    -oh, não...não......não........nãonão....nãonãonãonãonãonãonãonãooooo! - ele dizia baixo a si mesmo, as pupilas se dilatando ao ver a ruiva correr em sua direção, parecendo inclusive pegar impulso durante a corrida. O coração disparava - por um lado pelo sentimento que ja começara a nutrir por ela, mas no momento principalmente pela premonição do que ela queria fazer: pular e dar um abraço FORTE, inclusive. E já começava a sentir dores com antecedencia como uma tsunami de lava cobrindo seu corpo com toda a dor que ja haviam invetado sob o céu subindo e descendo as vertebras, mas estava realmente fraco e cansado demais para fazer algo, ainda mais ao ver o coração que ameaçava explodir.

    E tão logo sentiu o contato tenebrosamente doloroso da ruiva, levou a mão à sua cintura e girou o corpo com o que sobrava de suas forças, literalmente dando um golpe de judô e jogando-a no chão, enquanto suas caudas a envolviam por trás para amortecer a queda e caía junto por cima, sobre Artemia, como se ele é quem tentasse protege-la da explosão do coração com seu corpo, apenas das queimaduras que tinha. Tetsuya fechava os olhos com força, os labios invertidos para dentro da boca enquanto mordia-os e franzia a testa, tentando fazer o maximo para não gritar e xingar até a 5ª geração pela dor excruciante que estava sentindo. Mas as palavras que disse a seguir foram completamente diferentes do que ela imaginaria. Naquele momento mantinha os olhos fechados, para que a ruiva não visse a dor que sentia e mantinha internalizada. Ainda assim a abraçava tentando protege-la, com os resquicios de força que tinha, que nao era muita coisa.

    -E-ei...você está bem?não fique triste.... sei que Axle está bem e.....seguro, e vamos ....encontrá-lo.... Está tudo bem... agora....sua idiota...

    A voz era pausada, tanto pelo falta de folego e frqueza quanto para controlar a dor latejante em todo o corpo. Caso ela observasse com muita atenção, notaria uma regeneração iniciar muito lentamente pelo raposo, como a grande maioria dos demonios tinha, mas nem de perto tão rapida e eficaz quanto a de Carmiglioni. Não era tão lenta quanto a de humanos também, de forma que caso fosse deixado quieto provavelmente se recuperaria sozinho de tudo aquilo em uns 2 dias, mas parecia estar se esforçando ao máximo para nao demonstrar a dor que sentia. Provavelmente por ser muito orgulhoso e querer fazer pose de forte, mas a possibilidade de não querer preocupá-la também era grande, ainda mais ao dar aquele golpe para novamente tentar protege-la.

    O coração esverdeado parecia pulsar em vermelho, como se a explosão da flecha estivesse demorando um pouco mais do que o ideal; provavelmente estava lutando para regenerar e conter a explosão, mas já estava debilitado e sem fontes de energia; o miocardio corrupto começava a crescer, insuflar e adquirir um tom alaranjado; tão logo Jasor protegia a bomba-coração com seu corpo, ela começou a explodir, emitindo um forte clarão e o estrondo da explosão. Estavam todos vivos, mas Jasor...Jasor havia desaparecido. Onde ele antes estava, havia apenas uma marca radial de algo carbonizado no chão, com apenas uma espécie de fogueira queimando no lugar do barman e do coração. Seria impossivel um mago humano ter resistido àquilo; era como se tivesse praticamente se desintegrado....

    -Yumi e o...barman...estão bem?

    Ele perguntava, ainda de olhos fechados. Tentava rolar para o lado, sair de cima da ruiva e soltar o abraço, mas nao tinha mais forças e seu corpo doía demais para tal feito.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Nov 25, 2015 4:46 pm

    Com o impulso, a ruiva se jogou nos braços doloridos de Tetsuya. Seu objetivo de protegê-lo acabou por água abaixo quando o vulpino rodou seus corpos e a jogou de costas para o chão, invertendo os papeis. Com isso, Artemia arregalou os olhos para ele, finalmente percebendo sua expressão contorcida de dor. Observou os ferimentos no rosto e braços do vulpino, reparando em sua gravidade: bolhas entre queimaduras graves representavam o quão doloroso deveria estar sendo para ele, principalmente para o que estava por vir: a explosão do coração veio à tona, liberando um clarão em todo o salão. A maga fechou os olhos, tentando virar o corpo de volta para que protegesse Tetsuya, mas no final das contas, não foi possível. Não queria tocar nele para não provocar maiores dores, por isso tentou se manter quieta, envolvendo os braços nas costas dele para tentar amenizar os danos.

    - Não era para você me virar... – murmurou ela, zangada, abrindo os olhos novamente e o encarando.

    A explosão ocorreu de forma catastrófica, porém sem sujar o ambiente – o que deixou a maga preocupada. Como seria possível aquele coração pulsante explodir sem liberar sequer gordura pelos ares? Aturdida, a ruiva empurrou levemente Tetsuya para o lado, de uma forma que não o ferisse ainda mais. Estava zangada com ele por ter atrapalhado seus planos, mas no fundo sentia-se agradecida, além de confusa pelo ato. Por isso, antes de se levantar, a ruiva aproximou a palma de sua mão do rosto de Tetsuya, sem tocar, liberando uma luz esverdeada relaxante, a qual penetrou na pele da face do vulpino, a deixando gradativamente normal novamente. O fato de ele próprio se regenerar mais rápido que um humano facilitou o processo de cura.

    Em menos de um minuto, a pele da face dele voltaria à tonalidade de sempre. Assim que terminou, a maga sorriu levemente, olhando-o nos olhos e tocando-lhe finalmente a bochecha com a palma da mão que havia usado para cura-lo. A expressão em seus olhos era de ternura, se esquecendo por um momento de qualquer timidez ou embaraço antes demonstrado. Então, levantando o próprio rosto, ela deu um beijo estalado no canto dos lábios dele, soltando rapidamente – uma vez que a vergonha começou a tomar conta de seus sentidos pela atitude inesperadamente corajosa.

    Finalmente se erguendo do chão, os olhos de Artemia fixaram na fogueira que queimava no lugar do coração. Franzindo o cenho, olhou para todos os lados, à procura de Jasor.

    - Jasor! JASOR?! – exclamou ela, caminhando na direção da fogueira. Não estava entendendo o que havia acontecido, mas sua preocupação a cegou e a pior das notícias surgiu em sua mente. Se ele não estava em nenhum outro lugar, então...

    A maga caiu de joelhos no chão, com ambas as mãos cobrindo os olhos. Lágrimas quentes começavam a brotar de suas bochechas; seu corpo trêmulo balançava levemente em uma tentativa de conforto naquele instante. O coração se apertou em questão de segundos e ficaria claro para Tetsuya que a maga era muito sensível em relação a morte ou partidas.

    - Eu... eu abandonei ele... n-não devia... Jasor... – murmurou ela, em meio a soluços. Ainda que estivesse ajoelhada em frente à fogueira, sua pele estava gelada e pálida.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qui Nov 26, 2015 11:47 am

    Nos ultimos momentos refletiu no que estava fazendo. Era fato que tinha agido por impulso para proteger os três companheiros de uma explosão de magnitude desconhecida que poderia causar danos irreparáveis aos demonios nascidos do frio. Mas em especial a humana. Ela havia tambem agido sem pensar quando foi proteger Tetsuya, afinal ela não era resistente o bastante para aguentar sem sequelas a detonação do coração. Naquela boate ja havia visto inumeras garotas, de varias especies, serem usadas e abusadas até restar uma carcaça vazia. A ultima tinha sua cabeça esmagada sem um segundo pensamento, sem clemencia, sem compaixão. Todo aquele tempo ele testemunhou aquela cena repetidamente, uma escrava entrando, nenhuma saindo. Nunca pode fazer nada para salvar nenhuma delas. Sempre que tentou, os capangas de Carmiglioni o impediam, o espancavam, o torturavam. Isso o revoltava, e em silencio guardou o sofrimento.

    Era a ultima vez que o vampiro gordo poderia ferir um inocente. Mas dessa vez ele podia fazer alguma coisa. Enquanto seu corpo se movia na direção do enorme coração viu luzes em seu interior mudarem de coloração, e principalmente o calor absurdo que emitia uma fração de segundo antes de finalmente explodir. O clarão o ofuscou e sentiu o abalo atravessando todo seu corpo como se fosse feito de vidro. A bola de fogo veio uma fração de segundo depois, engolindo seu ser absolutamente. Seu corpo serviu de barreira que defendeu todos que estavam daquela lado da sala.

    ...

    Silencio

    Luz

    ...

    A fogueira residual queimava como um tributo ao ultimo esforço de conter o mal. Atraz daquele ponto o chão, parede e teto estavam chamuscados, repletos de manchas carbonizadas de diversas tonalidades, pedaços enegrecido de fibras cardiacas e adiposas, e focos de chamas persistentes, com fraturas estruturais derivadas do impacto da explosão pura. A frente a sala estava praticamente como antes, com raros residuos queimando em chamas timidas.

    A luz amarelada da fogueira banhava a sala de uma maneira estranhamente confortavel, sem conseguir aquecer Artemia mesmo naquela proximidade. Suas lagrimas escorriam em uma tonalidade alaranjada, refletindo o brilho da pira final. Quando a terceira gota caiu no solo, umidecendo a superficie empoeirada em um circulo crescente, o fogo mudou. Duas esferas acenderam ainda mais intensas no meio da fogueira, de um amarelo cegante. Parte das chamas se moveu de maneira estranha, descolando do plasma em uma forma humanoide, moldando-se ao formato enquanto adquiria uma densidade solida. Uma perna moveu-se para fora do todo, firmando-se no chão, e a partir dai pode ser vislumbrado todo o corpo. Mas a criatura que estava ali não era conhecida. Sua pele era alaranjada, com uma textura estranha, com rachaduras que evidenciavam uma temperatura interna superior, lembrando muito lava vulcanica. Os cabelos brancos não eram muito longos, mas tremulavam em meio ao ar soprado pela massa de ar quente ascendente.

    - Não chore minha flor

    Aquela voz distorcida revelava bem ao fundo um tom bastante familiar. A cabeça moveu-se para o lado, observando o ponto onde havia uma marca negra circular.

    - Eu adorava aquela jaqueta...

    E num estalo o fogo se extinguiu, deixando-se revelar o proprio Jasor como todos conheciam. Estava completamente nu, deixando exposto até mesmo seu membro viril entre as pernas. Sua pele ainda muito quente deixava escapar uma camada de ar ao redor distorcida, classica ao se olhar o horizonte em um dia de verão. Os olhos se fecharam longo após o ultimo comentario, caindo de joelhos, e o resto do tronco foi se inclinando até ir de cara no chão. Estava inconsciente.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Qui Nov 26, 2015 12:12 pm

    Finalmente o coração explodiu, mas o calor que se espalhou pela sala mesmo que por alguns minutos era sufocante demais para a raposa. Que foi arrancada de seu sonho agonizante para a realidade não menos pior.

    - .......

    Ela acordou de sobressalto, sentindo sua pele quente, sufocada pelo calor tudo o que ela queria era se resfriar.

    - Tets...


    Ela tombava pra frente, sem forças para fazer isso por si e muito pouca para se mover...esticava a mão na direção da raposa que estava deitada.

    - quente...ajuda..

    Falava com dificuldade, mas aquele calor absurdo parava e ela respirava de forma pesada, ofegante. Seu corpo ainda tava quente e aquilo ainda a incomodava bastante. Olhou para o lado quando ouviu o choro de Artemia e logo após uma voz. Não entendia o que estava acontecendo. Mas quando viu Jasor surgir do "fogo?" ela achou que tava tendo alucinações. Mas não parava por ai, o belo homem surgia nu com toda a sua virilidade. "Estou morta? " ela se questionava. Vendo o filho do overlorde caído e um homem como aquele pelado, tudo só poderia está muito errado. O que aconteceu naquele lugar enquanto estava desacordada?! Ela pensava, porque falar requeria mais energia do que tinha.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Nov 26, 2015 3:11 pm

    Ele falava com dificuldade, com aquele mesmo tom rabugento de sempre, mas aliviado em ver que ela nao se ferira. Sem querer, deixava a dar a impressão de que caso ela morresse, iria até o céu ou inferno para buscá-la, tornando aquela frase constrangedora demais para o momento, embora a dor não lhe deixasse pensar direito antes de falar as coisas. Com a cura de Artemia, pelo menos o rosto havia voltado ao normal; talvez ele proprio conseguisse tratar-se depois, tão logo tivesse energia o bastante para curar novamente. Estava zonzo, e só pareceu retornar a si após sentir o toque do beijo que recebia, que disparava uma nova rajada de adrenalina nas veias do kitsune, que corava novamente. Por reflexo, desviou os olhos, e via a pira que queimava sobre os destroços. Jasor não estava ali. Talvez tivesse sido arremessado? ao outrar noutra direção, via que Yumi estava despertando, parecia estar relativamente bem. E pedia ajuda, provavelmente devido ao calor que sentira tambem.

    -Yumi...só posso....isso....

    Tetsuya concentrou o pouco de energia que ainda lhe mantinha acordado nas mãos, novamente reunindo aquela energia angelical de cura, mas neutralizada pela aura demoniaca, e arremessou à raposa. Era uma espécie de esfera fria, dourada com veios negros, semelhante àquela que usara para curá-la, mas carregava um pouco mais de conforto pelo ar frio que vinha junto, em direção a seu rosto. A visão ia tornando-se turva, conforme olhava na outra direção, e ouvia Artemia chorar. Não era possivel que o barman tivesse morrido...ainda precisava irritá-lo, socar-lhe algumas vezes antes que ele pudesse morrer. A cabeça tombava pesada no chão de carpete vermelho sujo em sangue vampirico, os olhos começavam a cerrar, conforme via o outro surgir das chamas, suas formas borradas e obnubiladas pela propria consciencia se esvaindo, sem notar seu corpo naquele aspecto em lava. Esboçaria um discreto sorriso; o rapaz parecia ter sobrevivido. Só pôde murmurar brevemente:

    -eu teria te matado....se ousasse morrer....seu babaca...

    E ele também perdia a consciencia; era seu corpo sendo misericordioso com suas queimaduras doloridas, anestesiando-as, obrigando-o a um repouso forçado para recuperar seu folego e energia. Estava exausto, e precisava realmente dormir e descansar um pouco, e talvez o grupo pudesse se dar ao luxo para tal; o sol surgia com mais intensidade pelo buraco no teto, como se os primeiros raios de esperança iluminassem aquela boate amaldiçoada por tanto tempo.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qui Nov 26, 2015 4:46 pm

    Ajoelhada em frente à pira, Artemia manteve suas mãos nos olhos enquanto sentia os dedos umedecerem com suas lágrimas. Estava de olhos fechados, embora a claridade do fogo não passasse despercebida pelas pálpebras da maga, que agora apoiava uma mão no chão para se equilibrar. Estava se sentindo frágil, enfraquecida: duas perdas em um dia. Red havia sido enviado pelas alturas e agora Jasor estava... morto...

    O pensamento a chocou e a fez entrar em uma onda de sensações tristes, enquanto chorava baixinho pelas perdas, especialmente a de Jasor, já que sabia que Red saberia se virar lá fora. Manteve-se nesta postura até ouvir uma voz distorcida à sua frente. A isso, ergueu os olhos rapidamente e boquiabriu-se ao presenciar as chamas tomarem forma. Artemia não piscou nem por um segundo: o espanto fez sua pele arrepiar-se inteira quando viu a chama em forma humana, de cabelos brancos, dar um passo à frente. O silêncio invadiu a sala, já que não ouvia mais Tetsuya falar, tampouco vira Yumi acordar.

    Com um estalo, a chama dissipou e revelou ser Jasor. “Vivo...”, pensou ela, ainda com lágrimas nas bochechas sardentas. Estava estática, sem palavras. Apenas boquiaberta, o assistindo renascer das cinzas, como uma fênix. Seus olhos percorreram todo o corpo esguio do rapaz, e foi quando percebeu que ele estava completamente nu. A ruiva arregalou os olhos e sentiu as bochechas corarem intensamente quando seus olhos fixaram justamente entre as pernas dele, permanecendo ali por um bom tempo, até ela conseguir desviar o suficiente para ver o barman cair de joelhos e desmaiar em seguida.

    - Jasor!

    Gritou ela, finalmente, levantando-se e indo até ele. Pegou a cabeça dele a tempo de não bater no chão, e com isso, a apoiou no seu colo, acariciando seus cabelos claros. Ainda sentia a pele do rapaz estar quente, porém, com o toque da ruiva, parecia esfriar levemente, voltando à temperatura normal em poucos segundos. Algumas lágrimas caíam na bochecha dele – Artemia voltara a chorar baixinho, porém dessa vez por outro motivo: estava aliviada, feliz, simplesmente pelo fato de vê-lo ali. Seus olhos estavam apenas no rosto do rapaz, desviando do restante do corpo, embora sua curiosidade fosse muita.

    Com Jasor desmaiado em seu colo, a maga finalmente pôde vislumbrar o local em que estavam. Observou a cratera no chão, agora vazia e escura. Não haviam mais seguranças vivos, apenas seus corpos caídos ao chão – a maioria sem cabeça. Viu Tetsuya desmaiado e sentiu um ímpeto de ir até ele, porém, percebeu que o vulpino parecia descansar apenas, recuperando suas energias. Observou ao fundo da sala: Yumi estava acordando. Será que estaria mais calma agora? Não sabia o que dizer, afinal, em pouco tempo a havia visto furiosa, provavelmente enciumada...

    - Yumi... você está bem? – perguntou Artemia, finalmente. Enfrentou o medo do ataque inicial da raposa, apenas estendendo o assunto à sua preocupação com o bem estar dela. Porém, algo mais pareceu estarrecer a jovem maga, que apertou os olhos quando a claridade do céu tomou conta do corpo da jovem raposa deitada ao chão. Com a visão, um estalo veio à sua mente, clareando suas ideias, como se antes estivessem escurecidas pelo fervor da boate: ela já havia visto aquela garota antes. Mas... onde? Quando? Não se recordava; era quase certeza de que já a havia visto...
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Sex Nov 27, 2015 8:19 am

    Apenas não meteu a cara no chão duro por intevenção de Artemia, que o acolhia em seu colo e acariciava seus cabelos, agora de volta a cor que possuiam normalmente. Era possivel notar uma pequena nuance de bem estar em sua expressão logo após o carinho. Suas sombrancelhas grossas tremiam quando sentia suas lagrimas cairem em seu rosto. Ela poderia perceber que sua pele havia diminuido um pouco de temperatura após deixar de estar mergulhada diretamente nas chamas, mas continuava bem quente. Isso poderia lembra-la das outras vezes que havia tocado nele em condições normais: na boate ao se conhecerem, quando tinha a ajudado a limpar o sangue. Nelas ele sempre estava quente, em um nivel quase febril, mas agia como se estivesse muito saudavel.

    Ali deitado era facil ser vitima de um olhar curioso, descuidado ou não. Seu torax era largo e firme, seguido do conjunto de musculos abdominais bem delineados que continuavam até depois umbigo, proximo a região pelvica. Os ombros fortes davam seguimento a um conjunto de biceps e triceps volumosos, assim como a musculatura do braço com veias aparentes que apareciam ali tanto quando nas mãos. Aquele membro cilindrico que Artemia evitava olhar diretamente estava apoiado sobre uma de suas coxas grossas que levavam as panturrilhas fortes. Os pelos que apareciam ao longo de sua pele eram loiros como seus cabelos, em um tom encorpado.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Sex Nov 27, 2015 9:48 pm

    - O-obrigada...

    A raposa agradeceu antes mesmo de receber aquela energia de Tets, mas a forma como ele falou, ela acreditava que era o maximo que ele poderia oferecer-lhe sem prejuizo a si proprio. Ela fechou os olhos quando aquela energia a atingia no rosto, sentido-se reconfortada e mais calma. Mas, ao abrir os olhos viu a cabeça dele tombando no chão e engatinhou até ele o mais rapido que conseguia. Não estava muito distante, afinal.

    - Descanse...eu vou cuidar de você.

    Falava carinhosa para ele, vendo que a qualquer segundo ele apagaria e deu um beijo demorado e carinhoso em sua bochecha. Levantou um pouco a cabeça dele e colocou 3 de suas cinco caudas para que ele ficasse confortavel ali. Enquanto passava a mão entre os fios de cabelos dele, ela lembrava da foto que tinha dele quando tinha apenas 2 anos. Finalmente ela poderia cumprir sua promessa e entregar o pingente para Iriel. Teria ela noticias de seus pais? A raposa se perguntava distraída com os fios loiros de Tetsuya, que adormercia. Ela reparava em suas queimaduras e ficava incomodada por não saber magia de cura. Mas assim que recuperasse um pouco da sua energia, iria esfriar um pouco a pele dele, ela acreditava que aquilo poderia acelerar um pouco a sua regeneração.

    Mas olhou na direção de Artemia com a pergunta dela. A maga veria que a feição de Yumi estava pacifica, apesar de muito cansada. Yumi olhava para ela e semicerrava os olhos. Artemia poderia pensar que levaria um fora, mas a verdade é que a raposa, observando a garota melhor, tinha certeza que a conhecia. Puxou em sua memoria todas as pessoas ruivas que conheceu nos ultimos anos. Mergulhada em pensamentos, ela passou alguns minutos calada. Até que finalmente lembrou.

    - Estou sim, apesar de muito esgotada...e você?

    - Por um acaso, você mora em uma Choupana proxima a um lago na floresta?


    Era direta, apesar da garota que conheceu ser bem mais jovem do que a mulher que tinha na sua frente. A semelhança era muito grande. "só pode ser ela" Yumi concluiu.
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    Venkar

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Sex Nov 27, 2015 10:51 pm

    Muito longe dali, da cidade em ruínas e além do lago. Em uma câmara nas profundezas de uma vasta caverna, descansava uma criatura talvez única naquela região. O ruído de respiração era semelhante á um dos motores antigos antes dos acontecimentos que resultaram no que resta hoje á cidade.

    O grande dragão dormia profundamente já há vários dias. Era algo comum que fazia, voava e caçava de noite. Um hábito que talvez evitasse que muitos o vissem ou mesmo soubessem de sua existência. Estava tranquilo pois sabia que sua amiga e companheira de morada, Yumi, estaria provavelmente na cidade humana, como parecia gostar de ir. Ele não compreendia o porquê, mas permitia sem a incomodar muito, apenas argumentava quando ela retornava que aquele local não era seguro, que um dia ela poderia se ferir ou pior...

    Estava em um sonho agradável, "nadando" em um lago de moedas e pedras preciosas, algo que em três anos não encontrou nenhuma até então, mesmo nas poucas pessoas que interceptou e deu ... sumiço quando encontrava na floresta, não tinham estas posses... por isso ele dormia e sonhava com isso.

    Foi quando seu sono agradável foi perturbado por uma sensação em seu ser. Sua própria essência parecia estar lhe dizendo algo... que sua amiga e companheira não estava bem como pensava. Acordou em um sobressalto, abrindo os enormes olhos avermelhados e observando a escuridão. A sensação não havia passado, mesmo estando acordado... Yumi estaria em perigo? Ela sempre retornou da cidade humana após alguns dias... e nada acontecera...

    Se levantou, não conseguiria ficar ali deitado, sem saber de como ela estava. A sua câmara de dormir era pequena demais para se esticar, então ele caminhou sobre as quatro patas pelos longos túneis até chegar á câmara maior onde tinha ligação com a morada de Yumi.

    Abriu e esticou as asas, logo depois os membros dianteiros, e torceu de leve o grosso e musculoso pescoço, estalando várias vezes. Observou o céu claro, havia amanhecido há havia um tempo... nunca havia voado na direção da cidade humana em ruínas durante o dia. Mas não seria isso que o impediria.

    Com um salto, o grande dragão negro se jogou no céu, suas batidas das asas fortes faziam um ruído surdo porém audível por várias centenas de metros. Rosnou entre os dentes:

    - Estou indo Yumi !!
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Nov 28, 2015 6:53 am

    O raposo parecia completamente desligado; mas ainda parecia sentir as terriveis queimaduras nos braços e tronco uma vez que o sono parecia ser superficial. Ou talvez seu sono fosse realmente mais leve, pela desconfiança constante de todos os que o cercaram até então?De qualquer forma, tão logo sentia o beijo no rosto, pareceu virar o rosto como reflexo; os lábios do loiro passaram a milimetros dos de Yumi, que poderia finalmente vê-lo melhor, de perto; o rosto era de uma simetria rara nos padrões humanos e mesmo demoníacos; os traços do nariz, olhos, tudo eram tão bem delineados quanto os da belíssima serafim que Yumi conhecera de forma tão breve, mas adaptados a uma face masculinamente viril e atraente. As sobrancelhas, a mandibula delineada eram quase um retrato do pai. E aqueles lábios chamativos, que quase tocara os dela mexiam-se levemente, como se estivesse sonhando com algo, num gesto quase convidativo. Era provavelmente a primeira vez que Yumi e Artemia veriam-no sem os traços faciais de mal-humor.

    Os olhos fechados moviam-se rapidamente sob as palpebras; o cansaço provavelmente o levaram rapidamente ao sono REM, mais reparador. E junto com ele, vinham os sonhos...Era também a primeira vez que dormia fora do cristal, onde era constantemente atormentado por aquelas imagens, e não seria preciso muito para descobrir sobre o que estava sonhando.

    Apesar de queimados, o rapaz passaria os braços em torno da cintura de Yumi, abraçando-o com a pouca força que lhe restara. E murmurava numa voz languida e sonolenta, enquanto vivia aquele sonho.
    -Preciso....de você.....não vá...fique comigo....

    Para Yumi, que não estivera dentro do cristal como a ruiva, as palavras de Tetsuya poderiam soar como algo muuuuuito diferente, e poderia facilmente traduzir aquilo em todos os sentidos que quisesse e preferisse, ainda mais que os braços sem força do loiro agora caíam ao chão, deslizando pelas costas até os gluteos da garota, embora parecesse ser algo inconsciente. Caso Artemia ignorasse um possivel surto de ciumes, porém poderia lembrar-se daquelas mesmas palavras sendo repetida eternamente pelo grande espelho dentro do cristal, uma das ultimas palavras dele para a mãe, antes de vê-la voar de volta para ter o peito impalado pelo gelo do doppelganger.


    ------------

    Por sorte, a boate não era tão longe assim do covil de Venkar; afinal, até por questões de distancia Yumi não poderia ter ido tão longe assim a pé e sozinha. O dragão veria várias pessoas saindo às pressas do que parecia ser uma grande edificação, toda pintada de preto, sem janelas e uma unica porta por onde passavam. Na região de trás, um buraco de aproximadamente 4m de diametro de limites irregulares mostravam que algo provavelmente entrara ou saira dali agressivamente, não fazia tanto tempo assim; alguns tijolos e concreto nos entornos daquele buraco. Talvez  Yumi estivesse ali, ou perto, mas...algo brilhante chamaria a atenção do dragão como açúcar para formigas: de onde estava, veria o brilho inconfundível de pedras preciosas e ouro vindo dali de dentro; uma jarra chinesa parecia abarrotada de taças de ouro, pratos, castiçais, barras de ouro, e várias pedrarias ou livres ou encrustadas em jóias variadas. Um carpete vermelho sujo de sangue e óleo cobria o chão daquele lugar. Imediatamente abaixo ao buraco no teto, outro buraco se prolongaria logo abaixo, como se fosse uma espécie de túnel. A jarra chamativa estava a cerca de 1,5m de distancia do buraco no chão, de forma suspeita. Talvez fosse uma armadilha para dragões? Afinal pegar aquilo para si parecia estar fácil demais...a fuga de pessoas pela porta também não era muito convidativo. Mas eram tantas jóias...tanta riqueza...seu covil se tornaria outro com tudo aquilo.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Dom Nov 29, 2015 6:11 pm

    Artemia apertou os olhos para Yumi, ao que ela havia dito a respeito da choupana na floresta. Sim, ela vinha de lá. Mas como a raposa saberia dessa informação? E aquela aparência... agora, com a luz do sol refletindo sobre seu corpo, era possível ver tudo com mais clareza. A demonesa também repararia mais na ruiva, que agora parecia estar levemente boquiaberta enquanto a observava.

    - Espere, eu te conhe...

    Teve sua fala interrompida bruscamente pela frase de Tetsuya, que surgiu naquele mesmo instante. Como assim ele precisa da raposa?! Como assim aquilo estava acontecendo? Ele não tinha nenhum respeito, afinal?! Artemia arregalou os olhos enquanto seu rosto adquiriu uma coloração intensamente vermelha. Apertou os lábios e cerrou os dentes, desviando o olhar para outro lado. Sua respiração havia se descontrolado, deixando-a sem fôlego. Seu coração acelerou em um ritmo alucinado enquanto procurava imensamente não ver o quanto Tetsuya parecia querer beijar Yumi. Precisava dela, afinal. Eles deveriam ficar juntos, não é? Afinal, pareciam ser da mesma espécie. Não é?!

    Sentindo-se no ápice da rejeição, a ruiva deu um tapa na própria testa. Precisava respirar. Precisava sair dali e deixar aqueles dois a sós, finalmente. Mas, ainda assim, sabia que Tetsuya necessitava de ajuda: seu corpo ainda estava debilitado e bruscamente queimado. Então, sem olhar diretamente para os dois, ela ergueu a cabeça de Jasor levemente e a pousou no chão, levantando-se em seguida. Esticando as pernas, inspirou todo ar que cabia dentro de seus pulmões quando começou a caminhar na direção do casal, agachando-se ao lado de ambos os demônios.

    - Eu... eu vou sair, não se preocupe. Só não quero deixa-lo assim... – disse ela, com a cabeça baixa, enquanto erguia ambas as palmas das mãos e passava a cerca de cinco centímetros de distância da pele do vulpino. A mesma luz esverdeada de antes surgia e parecia adentrar no corpo de Tetsuya, o envolvendo inteiro na mesma luz. Artemia não se ateve apenas a ele, erguendo a outra palma para Yumi, que sentiria a luz invadir seu corpo, acalmando sua pele e esfriando suas feridas. Não saberia ao certo se funcionaria para a demonesa, mas de certa forma a ajudaria a recuperar um pouco de suas energias.

    De fato, sentia-se rejeitada; uma tristeza sem razão aparente invadia seu coração apertado, de uma forma que nem ela própria entendia. Era como se estivesse partido em mil pedaços, e ainda assim, não poderia ser egoísta e deixa-los ali naquele estado. Faria de tudo para ajuda-los, ainda que soubesse que ambos a irritavam de um jeito surreal, cada um de uma forma.
    Havia deixado para depois os argumentos sobre o fato de ela e a demonesa se conhecerem; continuaria esse assunto depois. Agora, o que mais importava, era que eles saíssem dali inteiros. Sendo assim, após cerca de um minuto e meio, Artemia parecia ter finalmente terminado o processo de cura. Tetsuya sentiria que seu processo de regeneração aceleraria demasiadamente, deixando sua pele como nova. Yumi poderia se sentir energizada também, e provavelmente bem disposta a sair dali e seguir seu caminho ao lado do vulpino.

    Porém, algo pareceu despertar no coração da maga, que recolheu as mãos e se levantou, ficando de pé enquanto os olhava. Havia se lembrado da promessa que havia feito a Fuyu, sobre cuidar de seu filho e zelar por sua segurança, para então, dizer a ele a verdade. Ela precisava encontrar Axle. Onde ele estava? Como ela poderia cuidar do mestiço sem sua ajuda? Como ela conseguiria cuidar dele se seu coração pertencia à demonesa? As dúvidas exaustavam a cabeça da ruiva, que pousou uma mão na testa. Uma pulsante dor de cabeça surgiu na sua têmpora: havia pensado demais. Estava cansada também, afinal, havia usado muito de sua energia e tido pouco descanso no processo. Aliás, não dormia há mais de vinte e quatro horas...

    Caminhou novamente, quieta, até Jasor, erguendo novamente a cabeça dele e a pousando em seu colo. Seu olhar perpassou todo o corpo delineado do barman, não deixando de reparar no membro cilíndrico repousado na coxa musculosa do rapaz. A maga sentiu seu coração bater forte naquele instante; suas bochechas esquentaram e arderam. A dor de cabeça ainda persistia; decidira que o grupo não poderia continuar muito tempo naquele local. Sabe-se lá que outros perigos poderiam aparecer?

    Ergueu as mãos e passou ambas as palmas por toda a extensão do corpo do rapaz, assim como fizera com Tetsuya e Yumi: a apenas cinco centímetros de distância. O fato de o barman estar nu a deixou extremamente desconcertada; suas mãos tremiam e a ruiva teve de cerrar os olhos fechados para não encarar o corpo sensual dele enquanto executava o processo de cura. Exceto que a maga, dessa vez, fez algo diferente. Enquanto uma mão emanava a luz verde, na outra surgia uma luminosidade vermelha. Ela havia concentrado o mesmo tipo de energia que usava quando se transformava em chamas: a energia do fogo. Sendo assim, aliou a cura ao fogo, para que o rapaz pudesse recarregar suas energias como uma bateria. Aquilo, a maga esperava, o despertaria e o manteria acordado. Enquanto que ela própria sentia suas pálpebras pesarem: a exaustão tomava conta agora de seu corpo.

    Assim que terminou de emanar as energias à Jasor, sentiu seu próprio corpo perder os sentidos. A ruiva fechou os olhos e deixou seu corpo cair para o lado, sentindo seus pensamentos, dúvidas e quereres a deixarem da mesma forma que seus sentidos a deixavam. Artemia desmaiara no instante em que terminara de curar o barman.
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Seg Nov 30, 2015 10:57 am

    Sua mente viajava longe, perdida em seu subconsciente, alheio a condição despudorada em que seu corpo se encontrava. Distante, as sensações se misturavam em resultados que ainda não possuiam nome. A escuridão era recortada por imagens fortes, repentinas, carregadas de emoções, que logo se mesclavam entre si como tintas de uma pintura, até tudo voltar a ser o vazio uniforme. Sons vinham como trovões em uma noite abandonada, ecoando a distancia segredos esquecidos. A memoria não alcançava ali. As lembranças daquele momento ficariam apenas como impressões e uma sensação de deja vu.

    Murmurava em desagrado quando sua cabeça era deixada no chão. Não apenas por ser mais desconfortavel, mas seus braços se cruzavam ao redor do tronco como se estivesse sentindo frio. Quando Artemia voltou e iniciou a emanação de cura junto a da energia das chamas, um gemido de alivio escapou de seus labios e seus braços se descruzaram. Alguns minutos depois seus olhos se abriram com dificuldade, piscando varias vezes até entender que estava despertando. Achando que estava deitado em sua cama, Jasor ergueu o tronco e esfregou os olhos, coçou o queixo e as costas. Apoiou a mão no chão e se levantou, e foi ai que percebeu uma coisa engraçada. Sentiu frio nos pés. Sua cama tambem não era tão baixa para ter que se apoiar direto no solo. Foi ai que entendeu que não estava em um quarto, que não tinha deitado para dormir como todas as outras vezes. E não era um travesseiro que estava apoiando sua cabeça.

    Ao ver Artemia caida de lado no chão seu coração apertou. Veio de imediato a lembrança da luta, e a explosão.

    - Artemia ?!


    Alarmado se abaixou sobre ela, tirando os cabelos vermelhos de sua face. Seu rosto angelical estava intacto. O indicador sob o nariz revelaria que estava respirando. Pôs a orelha no meio de seu peito para ouvir seus coração. Parecia tudo normal. Passou as mãos pelos seus braços e pernas, observou o restante de seu corpo, e nada encontrou de anormal. Ela deveria estar dormindo, como ele minutos atrás. Foi ai que as coisas começaram a voltar para ele. A noite na boate, o encontro com Carmiglioni, o plano, a luta, gelo e fogo disparados para todos os lados, laser decaptando vampiros, o coração e a explosão. Sua cabeça se virou rapido, olhando em todas as direções. Não havia sinal do gordo, estava realmente morto. O coração tambem não estava ali. A mancha negra no chão o lembrou da explosão. Por mais que tentasse, não conseguia lembrar o que havia acontecido depois que o coração explodiu. Não sabia como havia escapado vivo, nem o momento que tinha escapado, mas ali estava.

    Aquele ventinho gelado soprando em suas partes baixas não era algo comum. Foi arrumar o ziper da calça quando percebeu que não tinha mais calças. Não tinha cueca, não tinha blusa, não tinha nada ! Ele se levantou rapido, mas não encontrou suas roupas em lugar nenhum. Será que o tinham despido ? Olhou para Artemia em seu sono. Ela faria isso...? Então olhou para Yumi. ....Yumi estava ali esse tempo todo ? Cobriu seu orgão exposto com as mãos, envergonhado.

    - Y-yumi ! Não tinha te visto...você esta bem ? Consegui proteger vocês ?

    A ultima lembrança que tinha dela era sua forma de animal selvagem congelando tudo. Agora estava calma, cuidando de Tetsuya, que tambem estava desacordado. Mas pela expressão da demonia, ele deveria estar bem. Todos havia passado por maus bocados, mas finalmente estavam livres.

    - Ele esta bem, não é ?

    Rapidamente deu as costas para ela, deixando sua bunda a mostra, quando foi até um dos corpos dos vampiros que haviam perdido a cabeça. Não iriam precisar mais daqueles trajes afinal. Sem cerimonias desabotoou a calça e puxou pelas pernas do defundo até arranca-las completamente. Logo em seguida enfiou um pé, e depois o outro, puxando a vestimenta até a cintura. Agora não estava completamente nu pelo menos.

    Quando se virou seu torso ainda estava a mostra com sua musculatura bem delineada, e a cintura da calça estava bem abaixo do umbigo, quase na virilha, mas seus pudores agora estavam bem cobertos. Uma cadeira o seu lado lhe chamou a atenção. Estava quebrada e chamuscada, mas poderia servir para alguma coisa ainda. Metendo a mão com força, Jasor arrancou o assento de espuma que do objeto, e jogou sobre o que restara do tapete vermelho. Fez isso ainda mais uma vez antes de voltar descalço para onde tinha desperto. Apoiando um joelho no chão e passando os braços pelas costas e por trás dos joelhos da ruiva. Ao se erguer, tirou ela do chão, carregando-a no colo.

    - Não precisa se preocupar raposinha, eu carrego ele tambem.

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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Seg Nov 30, 2015 7:34 pm

    Yumi segurava a respiração quando Tetsuya virava o rosto e os lábios deles ficavam a milímetros de se tocarem. O coração dela batia acelerado e seu rosto ficava completamente vermelho. Seus lábios ficavam trêmulos, como se a única coisa que quisesse na vida fosse beija-lo. Ela sabia que ele estava praticamente inconsciente e gostaria que ele lembrasse quando ela o beijasse pela primeira vez. Mas, era dificil resistir a ele. Mesmo com os rostos tão proximos, ela olhava todos os traços do rosto dele, e via como era bonito e o quanto era a mistura perfeita dos seus pais. Apesar de nervosa e com o rosto quente de tão vermelho, ela baixou um pouco a cabeça...o suficiente para encostar os seus lábios nos dele. Ela fechou os olhos e deu a ele um beijo carinhoso. Quando se afastou dele sentia os braços dele em sua cintura enquanto balbuciava aquelas palavras que fixaria na mente da jovem demonesa. "ele precisa de mim?" pensou olhando para ele.

    - não vou te deixar...por favor, descanse.

    Ela respondia em um sussurro no ouvido dele, imaginava que ele não lembraria dessas palavras, mas estava feliz em dizê-las mesmo assim. Mas enquanto falava Ela sentia a mão dele deslizar pelas suas costas e a raposa quase mudou de cor novamente, porque mais vermelho do que já estava não era mais possível. "O que ele está fazendo?" Olhou para trás e viu que a mão dele estava caída e não segurando. Voltou e viu que estava imerso em seu sono e respirou aliviada, afastando um pouco a mão dele de uma região tão sensível.

    Todo esse momento, foi interrompido pela voz da maga. Como se arrancada de seus sonhos, Yumi olhou para ela confusa, quase que se esquecendo da pergunta que fez a ela.

    - Anh? Como?

    Visivelmente em confusão, e reparando como a maga agia ela ficou desconfiada quando ela se aproximou, mas relaxou quando ela começou a curar o raposo.

    - muito, muito obrigada!


    Ela agradecia de coração o que ela fazia por ele e ao ver que ela também dava a raposa um pouco de energia ficou ainda mais sem jeito. Sentia uma parte de suas energias voltando, o suficiente para cuidar de Tetsuya e ir para casa. Ofereceria abrigo para todos, mesmo tendo um amigo tão feroz morando com ela.

    - oh, muito obrigada novamente... Mas tem certeza que não vai te fazer falta? Infelizmente não desenvolvi magia de cura.

    Falava triste e incomodada pelo o que ela considerava ser uma falha. Viu-a terminar e se afastar ir curar o jasor. Mas logo depois a pergunta dela havia sido respondida. Artemia tinha se esgotado e desmaiou.  E mal teve tempo de reagir e o jasor acordou, pelado, sua genitália se mexendo conforme seu corpo se movia. E o rosto da demonesa completamente vermelho.

    - E-E-Ela está desmaiada por ter se esgotado nos ajudando.

    Ela tampava os olhos com uma mão de forma comica, olhando por entre os dedos. Jasor era muito mais bonito sem roupa. Yumi não poderia deixar de fazer tamanha constatação. Ainda mais envergonhada pelo o que pensou ela se vira para Tetsuya e fica encarando o raposo, para nao ter que olhar para Jasor daquela forma.

    - Estou bem sim. Me desculpa quase ter estragado o plano de vocês...mas eu...eu acho que estou gostando do Tetsuya e ver Artemia agarrando ele me fez perder completamente o controle.

    Ela falava envergonhada e suas caudas iam envolvendo o raposo, deixando-o ainda mais confortavel, ainda mais porque delas vinham um friozinho ainda mais atraente para continuar dormindo.

    - Então, você perdeu suas roupas para nos proteger?? Muito obrigada, mas...como sobreviveu aquela explosão?

    Ela olhava de canto de olho e via que ele conseguia cobrir suas partes intimas, mas ainda ficando incrivelmente sexy. Ela balançava a cabeça e olhava o corpo de Tetsuya. "O corpo do meu raposinho é muito mais lindo e sexy" ela fazia cara de fofa sonhando, sem perceber..o que poderia ser bem estranho para Jasor, se ele estivesse olhando-a.

    - Está sim! Só ficou esgotado como eu fiquei. Está dormindo agora.

    Ainda fazia carinho no rapaz enquanto falava, Mas viu um brilho vindo debaixo da manga da sua yukata e puxou. Era a pulseira que Venkar havia colocado um pouco de sua essência para que eles pudesse se comunicar mentalmente. E foi quando viu o brilho da pulseira pulsando ela deu um tapa na testa, ele deveria está preocupado. Não, ela podia sentir ele e tinha certeza de que estava preocupado. E...também poderia sentir ele mais proximo, estaria ele indo busca-lá?

    - "Venkar?"

    Yumi o chamava mentalmente.
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    Venkar

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Seg Nov 30, 2015 9:55 pm

    O grande dragão cruzava o céu a uma velocidade espantosa. Seu enorme corpo negro no céu azul e claro era facilmente visível para quem olhasse para o alto. Porém Venkar nem notou a presença dos decrépitos moradores das ruínas, muitos provavelmente se esconderiam diante da visão aterradora passando por suas cabeças.  

    Avistou então o edifício negro, era uma construção diferente de tudo o que já tinha visto, mas seguiu em frente, batendo as imensas asas porque sentia a presença cada vez mais próxima de Yumi, ela estaria ali dentro, com certeza. Via as pessoas correrem do prédio mas não se importou com elas, seu único objetivo era resgatar sua amiga.

    Foi quando do céu avistou um brilho muito conhecido pelos seus olhos, OURO! Pela abertura, ou buraco, que havia na estrutura o dragão lá do alto podia ver o que mais cobiçava. Ficou momentaneamente cego diante da visão do ouro, jóias e pedras preciosas. Por isso nem ouviu ou prestou atenção na voz que o chamava pelo nome no fundo de sua mente.

    Escancarou a bocarra e soltou um estrondoso rugido, anunciando sua feroz presença para todos que lá estavam. No instante seguinte todos ali dentro sentiriam um forte tremor, parecia quase um terremoto, com poeira e pequenos pedaços de gesso ou madeira se soltando aqui e ali. Várias rachaduras apareceram e unhas enormes negras surgiram perfurando o teto da boate, cada uma ali parecia ter quase meio metro de comprimento, indicando que uma criatura imensa pousou logo acima. Venkar havia pousado pesadamente e fincou as unhas para se firmar.

    O dragão usando suas patas dianteiras, abriu ainda mais o buraco arrancando concreto e ferro como se fosse feitos de isopor e então olhou para o interior. A primeira coisa que fez foi esticar o braço direito e colher entre os seus dedos providos de garras o grande jarro com o ouro e pedras preciosas. O puxou para si, e só então se virou para Yumi, vendo que ela estava sentada agarrada á um macho. A visão de sangue, pedaços de carne para todos os lados, e corpos decapitados o deixou alarmado.

    - Yumi !! Está ferida? O que aconteceu aqui ? Quem é este ??

    Parecia furioso, pronto para despedaçar ou carbonizar qualquer um que estivesse ali dentro com sua companheira, mas pareceu se acalmar um pouco ao vê-la sem ferimentos e bem. Olhou na direção de Jasor, então entre as escamas ventrais de seu pescoço, brilhou um perigoso dourado ígneo mas logo se apagou quando o viu segurando nos braços uma mulher, a reconhecendo ser a ruiva da cabana de pedra e madeira que ficava do outro lado do lago. Ele não parecia ser uma ameaça no momento, mesmo assim manteve os seus olhos em sua pessoa, enquanto esperava uma resposta de Yumi.


    Última edição por Venkar em Ter Dez 01, 2015 6:20 pm, editado 2 vez(es)

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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