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O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Seg Nov 02, 2015 6:35 pm

    Reparando a confusão óbvia nos olhos apertados do Reploid, Artemia abaixou a cabeça e tentou resumir calmamente a sua história, para ver se fazia mais sentido para ele sua trajetória.

    - Minha mãe morreu quando eu tinha sete anos. Fui criada pelo meu pai, Aethro, um ex Hunter. Vivíamos na beira da floresta, em uma pequena choupana... - seu olhar ficou vago por um instante, momentaneamente perdido. - Até que, em uma tarde, ele não voltou mais. Procurei por toda parte, e ainda assim, nada... vivi sozinha durante esses três anos, até que finalmente tomei coragem para ir atrás de pistas dele, qualquer coisa! E foi aí que te encontrei. - disse ela, finalizando a história, olhando para Axle. Uma brisa fria perpassou seus cabelos ruivos, deixando um clima triste no ar. Ainda assim, ela não desanimou e continuou a caminhada.

    Foram quinze minutos seguindo a senhora pelas esquinas apertadas dos becos. A sujeira era bastante aparente, apesar de estar em grande quantidade tampada pela neve. Artemia caminhou quieta, ora observando as costas de Tetsuya, ora absorvendo os detalhes dos locais que adentravam cada vez mais, até finalmente chegarem em frente a um galpão escuro, com seres diferentes de qualquer coisa que Artemia já havia visto em sua vida.

    O Reploid e a jovem com orelhas de morcego adentraram o galpão, deixando o trio ainda mais curioso. Artemia olhou à sua volta, e percebeu que não havia outro local onde poderiam seguir um rumo seguro. Talvez encontrariam informações sobre sua localização dentro daquele local cheio de pessoas.
    Ao se aproximar, o distante som de música pôde ser ouvido, e aquilo pareceu atrair a maga de um jeito intenso: ela começou a caminhar lentamente na direção da porta, dizendo vagamente:

    - Vamos entrar...

    Com isso, Artemia fora a primeira a entrar no galpão, e se Tetsuya e Axle não se apressassem, perderiam ela de vista.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Seg Nov 02, 2015 11:43 pm

    Ouviu atenciosamente Artemia começar a sua historia, triste mas compreensível. Quando ouviu de quem era ela filha, porem, seu rosto mostrou espanto genuino, que mesmo em sua face sem tantos traços sem mostrou bem claro.

    - Você é filha de Aethro ?!

    Todos os antigos hunters estavam tendo filhos ? Parecia que havia apenas piscado, e uma nova geração surgido do nada. Alem disso, os proprios hunters estavam sumido, presos, perdidos. Repousando mão no queixo ele parecia refletir sobre o assunto, sendo levado quase inconscientemente pela caminhada até o galpão. E foi aquela visão que o fez voltar a realidade. Era um lugar completamente diferente das ruinas que estavam ate agora. Uma danceteria no fim do mundo quando não se tinha o que comer ? Guardas palidos. Havia alguma coisa errada ali. Muito errada, pois havia um reploid ! Fazia tempo demais que não via alguem novo de sua raça. O que não era agradavel ao notar que carregava uma mulher inconsciente. O que esperava ser uma boa noticia começava a amargar.

    - Antes de mais nada precisamos saber mais sobre esse lugar. Ele não faz sentido, olhe de onde viemos. Aqueles guardas não me parecem ser apenas humanos da mesma maneira. Vamos dar a volta no lugar, ver se encontramos alguma entrada secundaria enquanto aprendemos mais sobre o que esta acontencendo nessa entrada principal.....Artemia ? Artemia !

    Não era possivel. Agora era a ruiva que agia sem responsabilidade nenhum se colocando em risco. O porquê daqueles jovens fazerem aquilo o tempo todo lhe era um misterio. Até parecia que faziam de proposito para lhe dar mais trabalho. Axle tocou no ombro do raposo e respondeu

    - Não temos mais escolha. Vamos

    E assim seguiu atras da garota, com uma enorme vontade de amarra-la dentro de um quarto para que ela deixasse de se por em risco. Depois daquilo, era mais seguro que ficasse todos juntos quando entrassem no lugar.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Nov 03, 2015 4:36 am

    O vulpino ouvia a história da garota ser contada, em silencio. Pelo visto nao era o unico a ter problemas com a familia. A diferença, porém, era que ainda buscava alguem vivo da sua. Tambem perdera o unico parente que tinha - ou que considerava, pelo menos - aos 14 anos, e tambem procurava pelo pai, embora pelos motivos opostos aos da ruiva. Ainda assim, mantendo uma "distancia segura" de Artemia, murmurou com o canto da boca.

    - Aethro, huh? nao me soa um nome estranho....Vamos achá-lo, é tudo uma questao de tempo. Eu mesmo farei de tudo para encontra-lo.... N-Nao porque me importo! So nao quero ficar te ouvir choramingando por aí! - dizia ele, procurando corrigir-se, como se nao quisesse demonstrar nenhum lado mais "fraco" de si aos dois.

    Tetsuya inicialmente apenas observava ao longe, mexendo as orelhas.

    -O robo disse algo sobre trazer mais uma pro rebanho...talvez seja uma espécie de seita? Vou procurar uma entrada por cima, enquanto voc....uh...?

    Ficou ali observando como a ruiva ia caminhando diretamente para a entrada principal. Nao fazia ideia do porque estava fazendo aquilo, entrando num lugar desconecido sem qualquer tipo de precauçao. Deu um pequeno tapa na testa de indignaçao.

    -Sinceramente, por que humanos sempre sao tao idiotas....urgh....

    E como Axle iria junto, na direcao do lugar. Tao logo se aproximaram da entrada, dois dos 4 seguranças descruzaram os braços, analizando Artemia de cima a baixo, e depois para Axle. Um deles esboçou um pequeno sorriso, exibindo os longos e pontiagudos caninos.

    "-Excelente reploid, estavamos em falta de ruivas! E uma bem conservada, nada como esses trapos humanos que temos visto por ai...quem sabe nao recebe ate o virus Delta do Sr. Carmiglioni como pagamento? Podem entrar..." - ele dizia, afastando-se para que entrassem, enquanto o segundo segurança abria a porta. Um som de batidas freneticas e som eletronico logo inundava para fora da porta.

    Tetsuya iria entrar logo com eles, mas foi barrado quase imediatamente.

    "-Eles podem ir, voce nao. Sinto algo ruim em voce....algo puro demais..."

    O raposo franzia a testa. Era com certeza a aura angelical que tinha. Levou a mao a calça, tirando uma adaga de gelo dourada, enquanto ele proprio invertia a polaridade de sua energia; ocultava a propria e finalmente deixava sua aura demoniaca assumir, a um extremo contragosto, que visivelmente deixou-o irritado - mais do que o comum. Entregou a adaga a um dos vampiros, que quase imediatamente deixou o objeto cair, temeroso que fosse ferido pelo objeto. Olhou denovo para Tetsuya, e notou a aura demoniaca.

    "-Hmpf....demonios...ande logo, entre ai. Espero que tenha algo para contribuir para os negocios,, pelo menos. E trate de se vestir!" - dizia um terceiro seguranca, que pegava uma camisa velha e meio rasgada de dentro de uma especie de caixa ali perto, jogando para Tetsuya.

    -Hm...haha....um som de bate-estaca, tem certeza que nao é perigoso pra voces? Bate-estaca....

    Dizia o raposo, fazendo sinal de "entenderam o trocadilho?", com um sorriso sarcastico. Estava claro sua irritação pelo fato de ter que se revestir daquela parte de si que tanto odiava, e o comentário parecia quase um desafio pra uma briga. Realmente tinha aquela atitude de provocaçao sem um minimo de senso comum. Os seguranças logo torceram o nariz e fechavam os punhos, enquanto Tetsuya vestia a camisa e entrava; Axle poderia notar que por pouco nao atacavam o raposo imprudente. E...ali estava ele, agora tendo que vigiar duas crianças inconsequentes.

    Tao logo entrassem, veriam um grande salao completaente escuro, com dezenas de pessoas dançando ao som e luzes freneticas, estroboscopicas, com um grande bar central. No fundo mais seguranças pareciam guardar uma espece de entrada para um comodo aos fundos, enquanto mulheres dançavam em jaulas, com apenas tiras de couro cobrindo-lhe as intimidades. Os cheiros variavam; haviam odores humanos, de demonios, vampiros principalmente, entre outros seres que visivelmente nao deveriam jamais estarem num mesmo local. O reploid de antes estava nos fundos, ainda segurando a garota com asas de morcego, e parecia conversar com os seguranças das portas ao fundo. Uma névoa artificial cobria todos do tornozelo para baixo, adquirindo as multicores das luzes eletronicas do dedo. Não havia uma janela sequer, apesar do teto parecer ter um sistema de ventilação razoavel que nao deixava fazer tanto calor ali dentro, principalmente se considerar o frio que fazia de fora.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Ter Nov 03, 2015 10:30 am

    Antes de avistarem o galpão, Artemia havia visto a expressão incrédula de Axle, praticamente adivinhando o que ele pensava. Ela soltou uma risada alta e ficou levemente vermelha nas bochechas sardentas.

    - Oras, Axle the Red. Os humanos se reproduzem um bocado quando não têm nada para fazer. E não só humanos... – e olhou para Tetsuya ao dizer a última frase. Para Axle, ela claramente estava se referindo ao fato de Fuyu se reproduzir com a Anja. Porém, somente depois de dizer, caiu em si que a frase poderia ser dúbia, e Artemia formulou na sua cabeça que Tetsuya poderia pensar que ela estava se referindo aos dois se reproduzirem, e aquilo a deixou absurdamente envergonhada. Seu rosto agora era um pimentão vermelho, ainda mais quando o vulpino mencionou que faria de tudo para encontrar seu pai.

    - Eu... uh... n-não preciso da sua ajuda... – dizia ela, baixinho, obviamente sem graça. É claro que não queria dizer isso, mas disse mesmo assim para não parecer ser tão frágil. Com isso, continuaram a caminhada até que ela chegou finalmente ao galpão, adentrando no seu interior de forma acelerada.

    Ela nem sequer reparou no homem pálido que a conduzia para dentro do galpão, que se revelou como um nightclub underground, repleto de seres das mais variadas espécies. Não havia parado para pensar no perigo que a cercava, simplesmente era levada pela batida da música que ecoava pelo salão. As luzes em néon disparavam para todos os lados, e a escuridão não a amedrontou: muito pelo contrário, aquilo parecia estimular algo dentro de si que não tinha conhecimento até então.

    Jamais havia estado em um local como aquele, com tantas pessoas de diferentes personalidades e aparências. Suas pupilas dilataram para acompanhar todas as informações que surgiam à sua frente. Várias bebiam um líquido azul-néon dentro de taças de cristal, enquanto outras apenas dançavam. As mulheres semi nuas nas gaiolas não pareciam estar descontentes em estar presas, apenas dançavam como os outros. Porém, tudo que se via eram sombras, e somente quando a luz passava, apareciam seus corpos. A curiosidade bateu no peito de Artemia como um pássaro pronto para fugir de seu cativeiro.

    Caminhou lentamente na direção das pessoas, misturando-se entre elas, absorvendo seus movimentos sensuais e lentos como seus próprios. Havia se esquecido de Axle e Tetsuya, que certamente encontrariam dificuldade em encontra-la em meio à toda aquela escuridão infestada de pessoas. Uma mulher pálida havia se aproximado, seus longos cabelos negros caíam aos ombros. Ela pegou a mão da maga, que cedeu facilmente: era como se não possuísse mais o comando de seus próprios membros, naquele momento. Tudo que fazia era observar a dança da mulher, que se abaixava e se levantava lentamente, mexendo os quadris enquanto se segurava no ombro de Artemia, a olhando profundamente nos olhos. Quando menos percebeu, estava acompanhando os movimentos da mulher, mexendo sensualmente seu corpo em frente ao dela, enquanto a música tocava e levava sua mente para outros lugares, deixando-se levar pelo ritmo, pela dança, pela escuridão.


    Última edição por Artemia em Ter Nov 03, 2015 5:12 pm, editado 1 vez(es)
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Ter Nov 03, 2015 5:04 pm

    Por causa de Artemia, teve que se mover rapido, entrando as cegas naquele lugar misterioso. Por isso quando os guardas olharam para eles, estava preparado para agir. Por sorte, alguma coincidencia os levou a acreditar que ele tinha negocios ali. Todos os reploids que passavam ali era mercenarios que sequestravam garotas para as criaturas nefastas do interior ? O pior era que lembrava de si mesmo, um ladrão a beira do fim do mundo, um aproveitador. Não queria acreditar que sua raça toda se tornara oportunistas baratos.

    Apos olhar longamente para o rosto dos dois seres que acreditava serem vampiros, Axle embarcou no papel que lhe vestiam. Uma entrada sutil era muito melhor do que a confusão da violencia.

    - Tsc, espero que seja mesmo. Essa ruiva não é qualquer coitada. É uma humana especial, e por isso muito valiosa. Se Carmiglioni não me oferecer no minimo o virus Delta faço negocios em outro lugar.


    Embora a comportamento descontrolado de Artemia tenha os colocado ali, tudo corria incrivelmente bem, até barrarem o mestiço. Axle parou e olhou para trás, buscando uma forma de traze-lo para dentro sem chamar atenção

    - O que, esse ai ? Puro ? Ele deve estar com o cheiro de alguma virg...

    Pela primeira vez no pouco tempo que conhecia o rapaz o viu engolir o orgulho e revelar seu lado demoniaco. Sua inteligencia superou sua aversão e o guiou para uma saida simples. Se não fosse sua provocação final, teria sido uma cartada excelente.

    - Não provoque quem você quer enganar. Você acaba virando um alvo e eles lhe trarão problemas. Mas você se saiu bem, e estamos com sorte

    Disse baixo enquanto entrava do lugar. A primeira coisa que o atingiu foram os cheiros. Vieram a ele como uma onda se chocando nas pedras. A cabeça se inclinou rapida para trás, e então para frente, com a mão cobrindo a parte inferior do rosto. Havia tantos cheiros ali que por um momento esqueceu de onde estava, perdendo Artemia de vista. Foi necessario quase um minuto completo para conseguir filtrar os odores e se reestabelecer. Nada ali agradava ele: luzes inconstantes, musica alta, uma aglomeração de seres com os mais diversos propositos. E pelo visto não era dos mais altruistas. Axle apontou para o reploid ao fundo do lugar, e então falou a Tetsuya

    - Não perca Artemia de vista. Vampiros habitam esse lugar e ela deve brilhar como um farol para eles. Vamos nos manter juntos e entrar naquela sala ao fundo, parece que quem comanda isso precisa de escravas para alguma coisa.


    Assim que notasse onde Artemia parecia estar se moveria até ela em linha reta, empurrando as pessoas no caminho com seu corpo pesado. Os adornos nos ombros seriam especialmente intimidadores para quem observasse sua passagem


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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Nov 03, 2015 5:26 pm

    -Argh....que repugnante.

    Tetsuya parecia realmente muito, muito incomodado consigo mesmo. Fazia uma expressão constante de nojo, olhando para si próprio, como se a energia demoniaca da aura fosse uma carranca de sujeira cobrindo-lhe cada centimentro. Mas realmente seria arriscado demais livrar-se dela agora, não quando haviam tantos seres como aqueles. As orelhas pontudas recuavam para trás, conforme se adaptava àquele volume absurdo de som, deixando-o zonzo por alguns segundos. Tempo o bastante para que Artemia sumisse de vista, coincidindo com o tempo em que Axle tambem se distraía. Como sempre, não queria dar o braço a torcer, quando dizia ao Reploid.

    -Eu...uh....não vou perde-la de vista. Só estou dando um espaço para ver o que está havendo! Procure ver uma forma de ir aos fundos e descobrir o que está acontecendo, tenho certeza que algo muito sujo está acontecendo aqui...

    Era óbvio no olhar do vulpino que já a perdera de vista. Discretamente, cada cauda parecia ir se fundindo à outra enquanto se agitavam, tornando-se em numero de apenas 3; afinal, raposas de 9 caudas eram algo realmente raro, e caso encontrasse um demonio com certeza aquilo seria um aspecto chamativo.

    Foi caminhando na direção de Artemia tão logo Axle pareceu tê-la avistado. Não saía empurrando as pessoas como o reploid, mas com destreza desviava-se de cada uma sem que aquilo lhe atrapalhasse a marcha.A cada passo, deslizava entre as pessoas, em direção à maga. Os seguranças nos fundos olhavam como Axle praticamente atropelava os dançarinos na pista, gesticulando negativamente. Era possivel fazer uma leitura labial e ver que diziam "....reploids, sempre truculentos....". Provavelmente era sinal de que a raça não era tão rara assim como Axle pensava? àquela hora, o reploid em cores camufladas deixava a garota que trouxera entrar pela porta, e se afastava, indo em direção ao bar. Nao parecia ter ainda notado a presença de Axle ali.

    Tetsuya foi se aproximando da ruiva e sua nova "amiga", com aquela expressão mal-humorada de sempre. Deteve-se por alguns segundos, ao ver a forma como seu corpo serpenteava e rebolava ao som da musica, a cada movimento exacerbando as curvas já delineadas pela blusa branca aderida ao corpo, agora brilhando como um farol sob a luz negra. O raposo corava violentamente, e murmurava as palavras que tentara ignorar e esquecer ao entrar ali: "se reproduzem um bocado quando nao tem nada pra fazer, e nao só humanos.". Tentava balbuciar algo, completamente vermelho, e talvez Artemia escutasse algo como um "d-desavergonhada!". Uma das caudas de Tetsuya tocou o chão próximo à outra mulher, cristalizando uma camada fina pelo chão, que progrediu até para baixo dos pés da mulher, que provavelmente levaria um belo tombo tão logo fizesse algum movimento mais brusco. Parecia ligeiramente sem graça com sua dança também, claro, mas sua atenção parecia ser direcionada a tirar a ruiva dali. Ao mesmo tempo, tentava pegar Artemia pelo pulso, não com muita força, mas o suficiente para tentar puxá-la dali. Algo um pouco dificil, considerando tantas pessoas ali perto, e provavelmente não pensara sobre como realmente nao teria tanto espaço para manter sua "distancia saudável" da garota como havia fazendo lá fora.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Ter Nov 03, 2015 5:52 pm

    Artemia permanecia dançando sensualmente com a mulher quando Tetsuya e Axle se aproximaram. Seus cabelos ruivos estavam soltos, movimentando-se vigorosamente junto com seu corpo. Em seu rosto, alguns fios caíam sobre seus olhos, que não perdiam contato com os da mulher nem por um segundo. Seus lábios estavam vermelhos como suas bochechas, e suas mãos passavam pelos braços da aparente vampira sem pudor algum. Elas abaixavam aos poucos e logo tornavam a se levantar, seus corpos cada vez mais grudados em um ritmo sedutor.

    Tetsuya pode não ter percebido, mas assim que ele projetou o gelo abaixo dos pés da mulher, esta estava se preparando para dar um beijo em Artemia. Seus lábios estavam próximos dos dela, e os dentes afiados já davam mostra, juntamente com os olhos vermelhos. Porém, fora interrompida prontamente quando escorregou violentamente na camada gelada, retirando a maga momentaneamente do transe. Tetsuya havia tocado em seu pulso e puxado seu braço para que o acompanhasse, mas Artemia não estava em suas perfeitas condições lúcidas: seu corpo estava lânguido, e mesmo que o vulpino não tenha usado força ao puxa-la, a maga não conseguiu se manter em pé, caindo em seus braços em seguida.

    Aquilo, de certa forma, deveria fazer a ruiva despertar da estranha embriaguez que a acometera. Antes, a maga certamente o teria empurrado e dado um tapa em seu rosto. Porém, não foi o caso. Ela riu; uma gargalhada divertida, enquanto erguia o braço e puxava o pescoço de Tetsuya mais para baixo, aproximando-o de seu rosto. A proximidade era tanta, que a ponta de seus narizes encostou: Artemia sorriu travessa, mordendo o lábio, enquanto sua outra mão deslizava nas costas do vulpino, puxando-o para mais perto e o envolvendo na mesma dança carnal de antes. O perfume doce chamativo dela poderia ser sentido de forma sedutora; era como se espalhasse pela sala toda. Todo seu corpo estava aquecido, e enquanto ela dançava, ele poderia sentir seu hálito igualmente quente nos lábios dele. Sua dança a deixava com uma aparência mais adulta do que ela havia demonstrado antes; o sorriso maroto em seus lábios e seus olhos esmeralda brilhantes denunciavam a quantidade de desejo que havia ali, algo totalmente incomum para alguém como Artemia, que sempre se demonstrou tímida e pudica.

    No misto de luzes coloridas e escuridão que envolvia o local, além da música eletrônica constante, Axle poderia ver que a vampira ao lado se levantava e saía de perto, obviamente pensando que perdera sua presa para outro predador.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Ter Nov 03, 2015 7:57 pm

    Apenas espiou de canto para o raposo, vislumbrando sua tentativa mal sucedida de admitir que estava igualmente perdido ali. Depois, enquanto abria caminho a força no meio da multidão espiou por um momento os guardas ao longe e pode captar um pouco do que diziam. Foi o bastante para perceber que sua raça era comum ali. Mas como ? Em todos aqueles anos raramente havia visto outros reploids, e agora estavam tomando conta da região. Talvez tivessem sido atraidos pela destruição, ou talvez alguem estivesse brincando denovo de cientista. Enquanto seguia a ruiva, ainda pode notar o movimento do outro reploid. Lembrava muito um dos antigos, com aquele canhão por sobre o ombro....

    Finalmente quando chegou a Artemia ela fazia aquilo mais uma vez. Estava mechendo o corpo de maneira fluida e sensual, acompanhando o ritmo da musica e da estranha de maneira natural. Por que ela fazia aquilo ? Não parecia a garota que havia encontrado na floresta em apuros. Depois de sair do cristal, ela estava...daquele jeito. Axle esfregou os olhos, pausando a visão por um momento para que pudesse tomar uma atitude racional. Quando levantou a mão para retirar a ruiva daquele lugar, Tetsuya ja havia feito o serviço. No meio tempo viu a real natureza da outra mulher. Suas presas, a cor de seus olhos, a forma como se aproximara. Estava certo ao considerar a garota vulneravel ali, era um territorio de alimentação de vampiros. Sorte dela que os dois estavam ali, pois parecia ter caido direitinho na armadilha sem se dar conta.

    Agora sairiam daquela pista de dança infernal e poderiam planejar melhor o que fazer. Estava curioso quanto a sala dos fundos, mas tambem queria uma brecha para olhar em seu comunicador se houvera alguma resposta. O momento de alivio foi breve, pois foi seguido de uma nova atitude erotica exatamente para com quem ela mais reclamava ! Agora o termo "lasciva" tornava-se bastante apropriado na mente de Axle.

    - O que esta acontecendo ?!

    Muito mais que aquele lugar caotico, com uma pessima iluminação e abarrotado de pessoas que seguiam a batida da musica que ignorava, o que realmente deixava Axle confuso era o modo como Artemia se comportava e se revelava nos ultimos tempos. Não sabia o que pensar ou sentir daquilo.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Nov 03, 2015 8:36 pm

    -Vamos sair daqui robô-reploid, vou levá-la a um lugar seguro, procure encontrar o que est...

    O raposo fechava um dos olhos e esboçava uma careta ao ver como ela se jogava contra ele, recuando o rosto; era quase uma premonição de que levaria o segundo tapa na cara. Mas não; a risada que veio a seguir lhe deixou completamente confuso a principio.

    Olhou com o canto dos olhos para Axle, sinalizando que prosseguiria a fazer o que havia dito, e de fato começava a dar discretamente alguns passos embalados pela musica, tentando leva-la pra longe dali.

    Quando teve seu rosto puxado, os olhos dourado e azul-gelo se dilatavam na mesma medida em que aproximavam o rosto, e paralizava no lugar. O rubor tomava-lhe conta por completo. Os pêlos das orelhas felpudas, das caudas, mesmo os braços pareciam arrepiar-se de uma forma única. A soma do aroma, da respiração próxima faziam os batimentos de Tetsuya quase se tornarem audiveis a ela. Ficou completamente atordoado, balbuciando alguma coisa, sem conseguir formar uma frase completa; os olhos esmeralda pareciam ter prendido os dele.

    O chão coberto pela fumaça artificial parecia formar um pequeno redemoinho, conforme o ar ali perto reduzia alguns graus; flocos de neve numa curiosa mistura entre o dourado de alguns e o negro de outros parecia ser um efeito da iluminação do local, pareciam estacionar e girar lentamente ao redor dos dois.

    A aura demoniaca e a angelical fluiam de forma um tanto desgovernada, e estava clara que aquilo tudo que a ruiva lhe fazia estava descontrolando cada gota de autocontrole que tinha. Não que fosse seu propósito, mas a mistura dos flocos de gelo e a aura pareciam ter interferido um pouco com o som do lugar - pelo menos na percepção da maga, que parecia exercer menos controle sobre ela, que se veria um pouco mais lucida e controlada, menos ébria, mais próxima do que normalmente era. Embora talvez o momento fosse péssimo para retornar à lucidez; Tetsuya nao conseguira se mexer de onde estava, roxo de vergonha, o rosto ainda próximo ao da garota. Ainda era jovem e timido demais pra entender o que era aquilo que sentia e tomar uma atitude, mas adulto demais para conseguir se afastar e deixar aquilo passar, mas decidiu nao fazer nada; afinal ela provavelmente estava fora de si, e jamais tiraria vantagem daquele tipo de situação por mais tentadora que fosse.

    Provavelmente precisaria de um tapa ou algo do tipo para ser desperto daquele transe. Por sorte, talvez pela mescla de auras opostas ninguem parecia ter percebido ainda, num frágil equilibrio que poderia ser quebrado a qualquer momento.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Ter Nov 03, 2015 9:45 pm

    A dança envolvente havia se tornado uma só, já que Tetsuya permanecera parado. Era Artemia quem se mexia, descendo levemente o seu corpo grudado no dele; o atrito era visível enquanto suas roupas roçavam entre si. Era notável a sensualidade exacerbada que a maga possuía naquele momento, e não seria possível saber se era dela mesma ou apenas um dos efeitos ludibriantes que a boate exercia, provavelmente, em humanos.

    Quando ela passou os dois braços em volta do pescoço dele, trazendo-o mais para perto, seus lábios quase se tocaram, faltando apenas alguns milímetros para que isso acontecesse. A intensidade da dança havia aumentado, e a jovem o puxava cada vez mais, como se quisesse que eles se fundissem e se tornassem um só, praticamente. Ela permaneceu assim por um tempo, com os lábios partidos quase encontrando os dele, porém aquilo parecia ser demais para o vulpino, que agora exalava suas características demoníacas e angelicais, com flocos de neve e névoas se misturando à fumaça ao chão. Aquilo, de certa forma, alterou o som do local levemente, deixando-o mais baixo para os ouvidos de Artemia, que piscou os olhos instantaneamente, como se estivesse acabando de acordar.

    A sua expressão mudou rapidamente. Seus olhos brilhantes piscaram em confusão, e no instante seguinte, ela franziu o cenho. Demorou cerca de três segundos até ela reparar que estava com os lábios a um milímetro de encostarem nos de Tetsuya, que aparentemente estava paralisado. Seus corpos eram praticamente um só: Artemia jamais se vira abraçada a alguém daquela forma.

    - O que...? - piscou mais uma vez, mas não se afastou. Olhou para a boca dele e então finalmente se apavorou, tanto de confusão, quanto numa fuga de si própria para admitir que gostaria, no fundo, de terminar o caminho que aparentemente havia começado antes.

    Então, em um pavor óbvio, ela o soltou e deu um passo para trás. Colocou a mão na própria cabeça e jogou seus cabelos para trás. Olhou para o lado e viu Axle ali, parado, os observando. Artemia estava boquiaberta, literalmente, pois não se recordava sequer de ter chegado ali. Olhou mais uma vez para o vulpino, ainda parado a encarando. Seu rosto estava tão vermelho quanto o de Artemia, agora.
    Não conseguindo segurar tamanha vergonha e embaraço, a maga ergueu a mão, rapidamente, e deu um tapa no rosto do rapaz, seguido de vários socos no peitoral dele, exclamando:

    - M-MISERÁVEL!! COMO PÔDE SE APROVEITAR DE MIM!! - sua fúria era clara, o rosto vermelho denunciava uma ira incomum na maga. Virou-se para Axle, caminhou tempestuosa até ele.

    - E VOCÊ AÍ! COMO FICOU PARADO OLHANDO E NÃO FEZ NADA?! - cerrando os punhos, atacou seu corpo metálico também, distribuindo vários socos que provavelmente seriam como cócegas para o Reploid.

    As pessoas ao redor pareceram não se importar com a briga, mas assim como Artemia saía do transe por conta da diminuição do volume da música, vários outros pareciam "acordar" também, aparentemente confusos em primeira instância. Com certeza aquilo não atrairia uma atenção positiva ao grupo, que ficaria visado rapidamente caso nada fosse feito.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qua Nov 04, 2015 11:53 am


    Ainda estava perplexo testemunhando a cena, que parou no ultimo segundo possivel. Agora ja não via mais auras, e por isso não sabia que fora por causa de Tetsuya que o encanto que havia se quebrado na garota. Por isso pareceu a ele que Artemia tinha recuperado sua consciencia por vontade propria. Na verdade ainda estava certo de que ela fazia aquilo porque queria.

    Isso mudou quando viu sua reação. Como se tivesse despertado de um sonho, a ruiva se revoltou quando percebeu o que estava acontecendo. Estapeou mais uma vez o raposo e então jogou sua raiva até mesmo em Axle ! Felizmente, a "paralisia" que tinha tomado o reploid era mais simples do que o do mestiço. Quando ela começou a bater em seu peito, agora sentia como se estivesse falando com a Artemia que conhecia novamente. Segurou firme, mas com cuidado, nos ombros dela e disse em meio a seus protestos

    - Artemia, me escute. Foi você quem se aproveitou dele. Não se lembra que entrou aqui na frente de todos e começou a dançar com aquela mulher ? O que estava sentindo ?


    Com a atenção dada a jovem, não podia notar que outras pessoas se livravam do dominio sobrenatural daquele lugar tambem. Inclusive, só agora começava a suspeitar que havia algum tipo de influencia mental na boate, pois ele mesmo nada sentia.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Nov 04, 2015 2:56 pm

    -E-EU M-M-ME APROVEITAR DE VOCE!?S-sua....idiota!!!

    O raposo estava vermelho de vergonha, raiva, devido ao tapa, devido ao nervosismo que sentia dos pés à cabeça, devido a um misto de sensações que experienciava. Pelo menos o tapa lhe ajudara a se recompor, notando quão descontrolada sua aura se tornava. O que lhe deixou em alerta; estava num antro de criaturas que podiam notar algo chamativo como aquilo com facilidade. E estava certo. Olhou na direção da entrada, e notou como alguns seguranças olhavam para ele através dos oculos escuros e murmuravam em comunicadores. Era óbvio que estariam atrás dele agora.

    Sem olhar diretamente para Axle ou Artemia, dizia rapidamente:
    -Robô-reploid, não foi....culpa dela. Existe algo aqui afetando as pessoas, principalmente humanos.Não sei o que é, mas acho que algo em auras demoniacas é capaz de bloquear isso. Mas acabaram de me descobrir, provavelmente não desconfiam de vocês ainda, não devem nos ver como associados.... Vou simular uma fuga, me disfarçar e já me reencontro com vocês. Procure um jeito de se infiltrar nos fundos daqui, vou buscar informações com essa...humana irresponsável e i-idiota!

    Quando acabava de dizer, era possivel notar como pelo menos 5 seguranças começavam a se infiltrar entre as pessoas. Tetsuya recuava sua aura angelical e demoniaca, cristalizava uma esfera de gelo e atirava-a no chão, erguendo uma breve nevasca que faria-o desaparecer por alguns segundos ali dentro. Dali, saltava uma figura idêntica a Tetsuya, mas com uma cauda lupina, além de orelhas levemente menores e semelhantes a de um lobo. Parecia ser feita de gelo, mas de tal forma detalhada que, em meio àquele show de luzes, mal notariam a diferença. O sósia de gelo do raposo se transformava num grande lobo, como se imitasse um lobisomem, que saltava na direção da entrada da boate e começava a correr para fora, derrubando 2 dos 4 seguranças na entrada que acabaram de entrar pra ver o que acontecia. Nisso, os 5 seguranças começavam a correr atrás, saindo do local atrás do suposto lobisomem. A aura de Tetsuya desaparecia dali, e logo as pessoas começavam lentamente a voltar a seu transe, sua hipnose sob a musica frenetica.

    Quando a nevasca sumiu, o raposo já não estava mais ali. Apesar de descontrolado e impulsivo, parecia realmente ter muito jeito para causar distrações e se infiltrar; realmente parecia fazer jus à tal divisão de agentes especiais celestiais...

    Artemia também logo começaria a se sentir levemente zonza, embriagada pelo ritmo daquela dança sedutora, dos flashes psicodélicos, mas subitamente uma mão esguia e delicada se deslocava por trás da ruiva, tocando-lhe o ombro. Uma aura demoniaca envolveu-a como uma finissima camada, afastando o efeito hipnotizante daquela musica mais uma vez...uma presença identica a de Tetsuya. Seu cheiro também era o mesmo, mas a figura que surgia por trás da ruiva era completamente diferente.

    Era uma jovem de aparentes 20 anos, com orelhas pontudas, os cabelos no mesmo loiro de pontas platinadas que Tetsuya. Os cabelos eram longos, até a cintura, e o busto farto pressionava e erguia a camisa que Tetsuya usava, exibindo um pouco da barriga. Demonstrava apenas uma cauda de raposa, que se agitava de forma inquieta, envergonhada. Os olhos eram cada um de uma cor; dourado e azul gelo. Parecia ser uma versão feminina de Tetsuya, que embora carregada de traços do rapaz, estava irreconhecivel a outros olhares...e não atraia o olhar dos seguranças, embora provavelmente chamasse atenção de homens ali, para seu imenso desgosto. A garota parecia profundamente irritada, envergonhada consigo mesma.

    -U-urghh....e-eu n-não tinha tanto...e-excesso de carne inutil...antes....arghh....!!!!N-não ousem....dizer uma palavra! E v-você, ruiva idiota, não deixe de encostar em mim. Assim posso t-te....manter lúcida.V-vai me dever p-pelo resto de sua vida p-por isso!!!

    Tetsuya se sentia no limiar da irritação e vergonha. Tinha dificuldades em lidar com mulheres  atraentes. Pior, agora estava dentro de um. Estava completamente deslocado de sua zona de conforto; tinha que suprimir a aura angelical, exibir a demoniaca, manter-se numa forma feminina, e ainda manter contato proximo e constante com Artemia....realmente seu dia não poderia estar pior.

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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Nov 04, 2015 4:01 pm

    Os golpes fracos de Artemia foram pausados pelas mãos firmes de Axle em seus ombros, obrigando a jovem maga a olha-lo nos olhos e parar de gritar, ainda que o que ele dizia soava totalmente absurdo aos ouvidos dela. Dançar com uma mulher? Dançar! Ela só dançava com um cabo de vassoura como companhia, em sua choupana, há alguns anos atrás – mas é claro que isso era segredo. E que história era essa de se aproveitar do Tetsuya? Justo ele? Será que havia enlouquecido, ou estariam mentindo para ela...?

    Tais questionamentos passaram pela sua cabeça em grande escala, confundindo seus pensamentos até formarem um nó, sendo apenas desatado quando Tetsuya, absurdamente nervoso, explicou a situação aos dois. A maga ouviu tudo com cautela, tampouco o encarando também: agora encontrava uma extrema dificuldade de olha-lo sem que seus olhos caiam diretamente nos lábios dele, e por isso achou mais seguro olhar para o nada enquanto ele falava.

    A verdade caiu como um baque duro em seu estômago. Era certo, então, que ela havia dançado com uma estranha e se “aproveitado” de Tetsuya. A perspectiva de tal fato fez Artemia tampar o próprio rosto quente; a vergonha era de um tamanho desmedido. Gostaria que aquilo não fosse verdade, mas o nervosismo do mestiço denunciava o que ela mais temia.

    - Eu... eu não me lembro disso... q-que horror... – dizia, trêmula, com o rosto ainda tampado pelas mãos. Apenas retirou quando ouviu o plano de Tetsuya sobre uma suposta fuga dali e Axle descobrir como se infiltrar nos fundos do clube. Ao menos a mudança de assunto veio em boa hora; Artemia imaginou que não teria tempo para prolongar sua vergonha, erguendo a cabeça e tentando encarar Tetsuya novamente – falhando miseravelmente quando voltou a sentir seu coração palpitar fortemente – “certamente devido ao embaraço da situação”, imaginou.

    Seus pensamentos voaram para outro lado quando viu toda aquela cena dos seguranças se infiltrando entre as pessoas, a névoa repentina de Tetsuya e a criação do clone de gelo, que correu para o lado oposto do clube, saindo em seguida. Tão logo tudo isso aconteceu, o mestiço desapareceu e Artemia voltou a sentir-se lânguida com a batida da música novamente alta. Estava voltando a sentir a atração que as luzes e a música causavam em seu corpo, praticamente implorando para que dançasse. Porém, o efeito foi quebrado em estilhaços quando a mão feminina tocou em seu ombro.

    Artemia mal teve tempo para pensar. A princípio, não entendeu quem era, franzindo o cenho como se fosse para um estranho. No entanto, as semelhanças eram óbvias, e ao junta-las, tudo começou a fazer sentido: os olhos com cores diferentes, o cabelo loiro platinado, as orelhas felpudas, aqueles lábios, ah...

    - ......T-T-T-TETSUYA?!?!?! – exclamou, pondo uma mão na boca. Porém, o espanto não durou muito: logo a maga observou melhor as curvas femininas que o vulpino havia adotado, além da irritação caricata que estava em seu rosto. Artemia não conseguiu se segurar e começou a rir freneticamente: sua gargalhada era alta; seus olhos lacrimejavam e ela apontava para “ele” enquanto curvava seu corpo levemente para frente, com as mãos na barriga, fazendo força para não cair no chão e rolar de rir.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qua Nov 04, 2015 6:18 pm

    Aqueles dois jovens pareciam ficar com vergonha de tudo ! Pelo menos dessa vez havia motivos suficientes para a ruiva ficar bastante vermelha com o que tinha feito. Axle mantinha sua voz placida para passar a ela alguma tranquilidade, tentando faze-la entender que o que tinha feito não era nada tão grave. Uma tarefa quase impossivel no meio daquela baderna

    - Não foi sua culpa. Você estava sob influencia de alguma coisa, era perceptivel a mudança de comportamento. O pouco que te conheço sei que não é a sua conduta, Artemia. Por isso temos que sair daqui antes que aconteça novamente.

    Quando ouviu o raposo falar, finalmente teve certeza que havia alguma coisa errada não só com os frequentadores do lugar, mas com o proprio lugar. Disfarçadamente espiou a entrada, e viu os guardas se mobilizando. Com um aceno de cabeça ele confirmou

    - Ja tenho uma ideia sobre isso, mas tentarei extrair mais informações. Fiquem juntos, vão para perto dos banheiros. Logo encontrarei com vocês. Não podemos nos separar por muito tempo, estamos em territorio desconhecido

    Falava igualmente sem olhar para ninguem. A vantagem de Axle era que alem disso ele não tinha uma boca para se mover, e portanto de longe ninguem saberia que ele estava falando qualquer coisa. O movimento de distração de Tetsuya ele ja conhecia. Usava o gelo como uma nuvem de fumaça para ocultar suas reais intenções. O construto de gelo que surgiu para distrair os guardas o fez lembrar de uma tecnica que o proprio Fuyu usava, e que provavelmente o garoto não sabia, ou se recusaria a usar.

    Quando a mulher estranha tocou Artemia, já considerava ser outra vampira querendo se alimentar. Axle deu um passo a frente para se impor diante da criatura, mas pouco a pouco foi notando coisas familiares. A cor dos olhos, dos cabelos, a cauda...era o garoto ?! Não tinha como comprovar sua identidade atraves do cheiro dentro daquele ambiente, mas sua aparencia não enganava.

    - Você...Tetsuya ?! Um otimo disfarce..... embora...lascivo hm ?

    Dizia observando especialmente os peitos volumosos. Curiosamente aquilo não influenciava Axle da mesma maneira que antes, pois saiba que aquilo era uma ilusão. Embora não houvesse comentado mais, lembrava de cada vez que o havia chamado de robo-reploid, e essa era uma otima oportunidade que não podia deixar passar. Mas sabia tambem que o controle do rapaz era muito curto. Toco nas costas de Artemia e se abaixou para falar com ela. Tentava encontrar os argumentos certos, mas conseguia entender porque ela ria, tanto que quase começou a rir tambem.

    - Artemia, vamos ajuda-lo. Ele...pfffhehe....ela, esta nos ajudando muito com esse disfarce, ninguem vai reconhece-lo. Cada um precisa olhar as costas do outro enquanto estivermos aqui. Irei falar com aquele reploid, e encontro vocês no lugar combinado.

    Apertou o nariz dela de modo fraternal para que ela pudesse se concentrar pelo menos um pouco no estavam fazendo ali. Olhou para o raposo, e apenas quando os dois estivessem preparados se afastaria deles. Na verdade não gostava muito daquilo, pois ainda os considerava sua responsabilidade. Longe dos dois as coisas poderiam sair do controle rapido, mas havia um de sua raça ali. A curiosidade era enorme.

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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Nov 04, 2015 6:50 pm


    Uma veia quase saltava de sua testa; a raposa estava constrangida, iracunda, envergonhada, irritada.A cauda volumosa agitava-se para os dois lados, como se demonstrasse sua inquietação; exibia claramente seu humor.

    -N-não é nada lascivo!! Isso nunca aconteceu antes, sempre que me disfarçava era muito mais....reta! É t-tudo culpa dessa aura nojenta...e dessa ruiva idiota! Grmpf....vamos tentar conseguir informações com um barman ou alguem do tipo, reploid-robô.

    A loira respondia, cerrando o punho e exibindo os caninos pontudos. Curiosamente, parecia evitar olhar para baixo; o próprio busto lhe incomodava. O que era mais curioso era que não parecia ser uma ilusão, e sim de fato uma transformação total, da mesma forma quando mudara entre 14 e 20 anos. Ainda acreditava que permanecia com 14, e provavelmente ter mudado pro corpo de uma mulher adulta não estava em seus planos.

    Ao ver Artemia rir de uma maneira quase convulsionante, Tetsuya explodia.

    -Grrrr sua...s-sua pervertida!!!N-não fique rindo assim de minha desgraça! - e começava a dar pequenos cascudos em Artemia, não de forma a realmente machucar já que regraria muito a força. Tão logo Artemia começasse a reclamar, pegou-a pela mão para não perder o contato fisico e começava a puxá-la em direção ao bar. Apesar de estar na dianteira e evitar olhar Artemia de forma direta, a ruiva sentiria a delicada mão da loira tremer enquanto segurava a sua; parecia nervosa em simplesmente fazer aquele gesto. Ao mesmo tempo, levou a outra mão aos lábios, como se ainda estivesse assimilando a cena anterior. Sentia o halito rebater nos dedos, voltando aos proprios labios, sentindo mais tremores e arrepios pelo corpo. Novamente a cauda agitava-se, sem lembrar que Artemia estava logo atrás. Era provavelmente a primeira vez que sentia o toque da cauda de Tetsuya, e apesar da aspereza da personalidade, os pêlos pareciam ser de uma maciez singular, deslizando como uma fina seda. Apertar aquilo parecia ser algo tentador, quase terapeutico.

    -F-foi só c-culpa dessa mu-musica...-resmungava a loira, em tom de voz normal, parecendo falar consigo mesma. Um misto de desapontamento e desejo contido, talvez? considerava que não fosse aquela hipnose, Artemia jamais teria feito algo do tipo. Imaginava se devesse ter aproveitado a ocasião, prosseguido com aquilo e...não!O que estava pensando? a loira deu um pequeno tapa no lado oposto do rosto, para despertar. Agora com marcas de duas mãos das faces, Tetsuya finalmente sentada num banco vazio junto ao bar, respirando fundo e fechando brevemente os olhos. Sentava-se de forma desajeitada, de uma forma masculinizada que nao combinava muito com seu corpo atual.

    Do outro lado do bar, o reploid militar apoiava o rosto no punho e o cotovelo sobre o balcão. Parecia impaciente, conforme batia os dedos ritmicamente contra a superficie da mesa. Nao havia pedido nada, parecia apenas aguardar por algo. Um cristal amarelo no centro de sua testa exibia um simbolo triangular que frequentemente oscilava, cristal este também presente no dorso de ambas as mãos e nos ombros. Ficava de pé; provavelmente seu corpo pesado desmoronaria qualquer cadeira em que tentasse sentar.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Nov 04, 2015 9:51 pm

    A ruiva permaneceu se contorcendo numa risada infinita, até mesmo quando a loira segurou sua cabeça para dar uns cascudos. Com isso, levemente irritada, Artemia ainda assim continuou rindo, mesmo quando os cascudos pararam. Secando as lágrimas dos olhos, a maga foi puxada pela mão para sair dali, tendo tempo apenas de ouvir Axle dizer para o encontrarem na frente dos banheiros. Ela se perguntou, por um instante, onde encontrariam algum banheiro naquele mar de gente.

    Ainda rindo, porém baixinho, foi sendo puxada através da multidão pela vulpina que segurava a sua mão de um jeito trêmulo. "Deve estar muito irritado mesmo, está até tremendo", pensou, enquanto se desviava de alguns indivíduos dançando. Observou as costas da loira; seus longos cabelos platinados nas pontas. Lembrou-se do rosto de Tetsuya, próximo ao seu. Seu estômago revirou com a lembrança; sacudiu a cabeça para tentar afastar tais pensamentos. Foi quando viu a loira se estapeando que pensou que havia algo de errado.

    - O que você disse? - gritou ela, tentando se comunicar através da música alta que inundava o local. "Cara doido...", pensou depois de algum tempo, erguendo as sobrancelhas. Suas próprias mãos estavam suadas com a aproximação constante, e seu estômago não dava sinal de melhoras. Aquilo a irritou imensamente.

    A cauda macia da vulpina espanou frenética no rosto de Artemia, que espirrou no momento seguinte. Aquilo a fez tropeçar no pé de uma das pessoas no caminho - que pareceu não acordar do transe - e cair nas costas da vulpina, fazendo-a tropeçar igualmente. Por sorte, nenhuma das duas fora parar ao chão, simplesmente por falta de espaço. Porém, aquilo fizera com que Artemia praticamente abraçasse as costas de Tetsuya, fazendo com que todo aquele nervosismo de antes voltasse intensamente na maga, que mesmo se afastando ligeiramente, permaneceu com a mão dada à loira.

    Finalmente fizeram uma pausa, chegando até o balcão do bar. Tetsuya havia se sentado desajeitado; não parecia saber se portar como uma mulher, ainda que estivesse naquele corpo. Artemia sentou-se ao seu lado, igualmente trêmula e sem saber para onde olhar. Estar tão próxima e ainda de mãos dadas não facilitava em nada sua melhora, muito pelo contrário: era como se a cada segundo ela estivesse mais atenta a cada detalhe de Tetsuya, como a textura macia de suas mãos, os cabelos dourados e platinados nas pontas - como brilhavam na luz néon! -, os olhos diferentes, cada um de uma cor, e... "Espere, ele está me olhando?! Ah!", pensou rapidamente ao ver a vulpina a encarar brevemente. Desviou os olhos rapidamente. Aquilo causou calafrios em Artemia em lugares que ela nem imaginava ter.

    Precisava se acalmar. Aquilo estava saindo de seu controle. Ergueu um braço e fez sinal para um bartender, que veio em seguida, sorrindo para ambas as moças:

    - Em tantos anos que trabalho aqui, nunca tive o prazer de atender mulheres tão encantadoras. - disse ele, piscando o olho para Tetsuya e Artemia, que sentiu suas bochechas arderem. - Tanto, que o que pedirem será por conta da casa!

    E então ele se aproximou de Tetsuya; seus olhos focados no busto da loira. Chegou perto do ouvido dela e disse:

    - Eu também estou por conta da casa, loirinha... - e se afastou com um sorriso malicioso nos lábios. Artemia não ouvira nada, mas imaginou que algo daria errado com aquela aproximação do rapaz. Pelo pouco que conhecia de Tetsuya, sabia que o vulpino possuía um temperamento tempestuoso, e arrumar uma briga ali não seria interessante para eles.

    Como se adivinhasse a irritação da loira, Artemia fez o mesmo que o bartender, porém de uma forma mais suave. Aproximou-se e falou ao ouvido de Tetsuya, sussurrando. Ele poderia sentir novamente o hálito quente da ruiva, sua voz baixa e rouca, os lábios encostando levemente em sua orelha, falando:

    - Espere um pouco. Vamos ver se ele pode nos dar alguma informação.

    E se afastou novamente. Sorriu para o bartender, se aproximou dele e falou próxima, mas não muito.

    - Onde ficam os banheiros? - perguntou, franzindo o cenho para o rapaz. Esperava que Tetsuya não explodisse e encontrasse alguma forma de extrair mais informações do bartender, que aparentemente gostou de ambas as garotas.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qui Nov 05, 2015 9:04 am

    Assim a dupla se misturasse na multidão, Axle se viraria tomando um caminho diferente. Embora demonstrassem se odiar, agora sabia que era outra coisa que acontecia entre o casal. Iria se proteger caso fosse necessario. Ao contrario de momento antes, agora sua passagem pelas pessoas parecia ser fluida, quase imperceptivel, mesmo com as ombreiras pontiagudas que possuia em sua armadura. Com todos sob o encanto do lugar e com o notavel costume com que deviam ver reploids, não deveria dar importancia a ele. Exceto caso alguem lembrasse dele nos tempos antigos, mas não acreditava que isso aconteceria ali.

    Não demorou muito para se livrar da massa dançante e se aproximar do outro reploid, bem distante do ponto onde estavam a maga e o mestiço. Com um ar de despreocupado e cansado, assumia novamente o papel de sequestrador que tinha feito para enganar os guardas. Apoiou os ombros no balcão, e começou a puxar assunto fingindo desinteresse

    - Os negocios devem ter sido bons pra você hoje, uh ? Carmaglio nunca da uma brecha para que eu possa aproveitar um extra...

    Enquanto ali estava, observava o balcão e os atendentes, aqueles que estavam bebendo, e discretamente um pouco mais daquele reploid. Artemia não tinha bebido nada, logo a influencia do lugar não podia vir daquelas garrafas, nem mesmo dos copos. Mas talvez alguma atitude dos barmans pudesse dar alguma pista que levasse a verdade.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qui Nov 05, 2015 9:21 am

    (Só pra complementar a parte do barman)

    O sorriso da ruiva foi respondido com um outro, ainda maior e mais empolgado por parte do barman, que agora se focava inteiramente nela com um olhar explorador para suas curvas. Algo na atitude dele sugeria que tinha visto ela dançar na pista.

    - Fica bem ali, gata. Caso esteja empolgado para um segundo round, devo dizer que sou um otimo dançarino

    Piscou maroto para ela, apontando a direção dos banheiros. Para chegar la teriam que passar novamente no meio da agitação, onde as luzes e o som eram mais intensos, onde as batidas e os flashs chegavam a mente muito facil. Ou podia dar uma longa volta encostadas nas paredes que tambem chegariam la (corrija minha arquitetura se tiver errada jaum xD)

    Assim que foi dada a informação olhou para Tetsuya. Existia uma regra feminina sagrada e inquebravel, e ainda assim nunca dita abertamente, que uma mulher nunca iria para o banheiro sozinha enquanto tivesse uma amiga por perto. O barman tinha visto aquilo centenas de vezes enquanto trabalhava ali, e ja era natural para ele aquela atitude.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Nov 05, 2015 9:59 am

    -w-w-w-ah!!

    A raposa endireitava o corpo quando era "abraçada" por trás, quase congelando no lugar. Sob a forma feminina, parecia ainda mais arisca e sensibilizada pelo toque da ruiva; provavelmente porque seu proprio corpo lhe incomodava.

    Olhando ao redor, parecia atento aos gestos e trejeitos de clientes do sexo feminino e, buscando melhorar o disfarce, endireitou a postura e cruzou as pernas. Era claro no rosto envergonhado da loira que estava detestando aquilo, mas parecia realmente levar jeito para se passar por outra pessoa, embora não no nivel perfeito como o Doppelganger. Ainda assim, tentava engolir o orgulho, para nao chamar mais atenção.

    Quando ambas eram abordadas pelo barman, Artemia notaria as orelhas vulpinas da loira se projetarem para trás, como um gato arredio próximo a avançar sobre o pescoço. Mordia o canto da boca de raiva, mas forçava - MUITO - um sorriso. Precisava das informações dele, afinal...

    -O-o-obrigado....digo, obrigada...mas uhn....- tentava pensar numa desculpa para evitar aquele tipo de cantada novamente, e o raciocinio lógico lhe levou ao que diria a seguir - mas....estou compromissada. E-E ela também!

    Não sabia porque dissera a ultima frase; de que lhe importava se o barman ficasse dando em cima da ruiva? Nao tinha nada com aquilo. Mas o fato de ambas estarem segurando as mãos - para manter a proteçao da aura demoniaca, claro, mas o Barman nao saberia disso - e a frase que acabara de dizer, além da vergonha de ambas, poderia fazê-lo chegar a muitas conclusões a respeito das duas.

    Sem saber onde enfiar a cara, a loira apoiou o braço sobre o balcão e apoiou a testa ali.Sequer conseguia conversar com o barman ou a ruiva naquele instante. Respirou fundo, e depois de longos minutos, reergueu coragem. Por baixo do braço, olhava furiosa para Artemia, o rosto corado, enquanto os olhos azul e dourado fitavam os esmeralda da garota.

    -s-só estou falando isso pra te proteger...idiota!

    Tetsuya falava em tom baixo de voz, mas de fácil interpretação labial. Interpretação que exigiria que a ruiva se fixasse bem nos lábios femininos da raposa, mas que ainda assim lembravam cada curva de sua versão masculina.


    -------------------

    O reploid ignoraria Axle a principio, olhando apenas com o canto dos olhos,mas pouco a pouco pareceu identifica-lo como outro mercenario. Era algo quase indissociável da figura de um reploid naqueles dias. Soltou um longo suspiro.

    -Nem tanto, apenas uma demonesa-morcego sem tantos dotes. Nada que vá saciar o apetite sexual daquela massa italiana tumoral e gorda do Carmiglioni. E você, teve alguma sorte? Soube que ele tem procurado por coisas mais exóticas ultimamente. Ruivas e loiras naturais são raras hoje em dia...

    O reploid resmungava, mas parecia claro o tipo de figura que o tal Carmiglioni era. E o risco que certas duas pessoas corriam...de qualquer forma, ainda demonstrava certa desconfiança quanto a Axle, de forma que começava a interrogá-lo.

    -Não me lembro de você. Também é um dos novos modelos da revolução de 17 anos atrás? Está buscando o virus Delta também? - ele perguntava, curioso sobre a forma de Axle. Aos poucos, o reploid dava informações sem perceber, que do ponto de vista dele parecia algo natural, informações nem tão valiosas assim de seu ponto de vista. Mas a cada informação dada, uma nova e preciosa dúvida surgia.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qui Nov 05, 2015 12:09 pm

    O rosto de Artemia praticamente pegou fogo quando o bartender sorriu para ela, piscando os olhos e obviamente convidando-a para dançar. Ainda que a ideia lhe parecesse absurda, a maga não pareceu rejeitar por inteiro, sorrindo de volta e encarando o rapaz com curiosidade. Por um instante, reparou que ainda existiam homens simpáticos por aí. “Diferentes de Tetsuya, que é grosseiro, mal educado, infantil, rude...!”, pensou, consideravelmente irritada, apertando a mão da loira que a segurava.

    - S-segundo round? Ah, sim... eu adoraria... – respondeu, com um pequeno sorriso tímido para o rapaz, ajeitando uma mecha de seus cabelos ruivos para trás de uma orelha, olhando para baixo: típica expressão de alguém envergonhado. Por um instante, quase soltou a mão da loira, que pareceu a apertar com mais força.

    E então ouviu Tetsuya, nervoso, dizer que era compromissado. E não somente ele: Artemia também! Olhou para suas mãos entrelaçadas e imaginou o que ele quis dizer com aquilo. A ruiva não teve outra escolha senão corar violentamente, arregalando os olhos para a loira que agora praticamente debruçava-se sobre o balcão.

    - H-hein?! M-mas, assim, do nada... – disse a maga, claramente desconcertada, observando os olhos de Tetsuya, descendo o olhar para seus lábios, que agora se moviam sem reproduzir quase som algum. Artemia prendeu a respiração por vários segundos, e mesmo quando a loira já havia terminado de falar, ainda assim permaneceu com os olhos fixos na boca dela. Dificilmente entendera qualquer coisa dita ali, já que se distraiu totalmente com a visão.

    Depois de cerca de quinze longos segundos, a maga conseguiu desviar o olhar para o bartender novamente, soltando a respiração que havia prendido esse tempo todo. “Ok, Artemia. Concentre-se. Isso aí vai passar.”, pensou, aflita, recompondo-se. Se ajeitou no banco, ficando em uma posição mais ereta, e de certa forma, mais altiva. Aproximou-se novamente do bartender:

    - Você não se cansa dessa música, não? – perguntou ela ao ouvido dele, rindo um pouco, tentando se distrair daquelas estranhas sensações que pulsavam em seu corpo. – Aliás... qual seu nome?

    De fato, Artemia não parecia perceber se o fato de dar atenção ao bartender pareceria que estava “dando em cima” dele.  Seu nervosismo em relação a Tetsuya era evidente, por isso a ruiva tentaria de todas as formas afastar isso dela, ainda que fosse se distraindo em uma conversa com outra pessoa. O seu cristal particular ainda flutuava ao seu lado, porém, estranhamente ele estava praticamente transparente. Quase não era possível vê-lo em meio à escuridão e às luzes néons.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qui Nov 05, 2015 2:22 pm

    Pela descrição que o outro fazia daquele que chamavam de Carmiglioni, este parecia ser um coisa desprezivel. Ainda era nebulosa a relação entre escravos e desejo sexual. Sendo um humano, provavelmente não teria folego para qualquer pratica com uma femea. Talvez fosse um demonio, mas não um vampiro. Nunca havia visto um vampiro daquela maneira, não que fosse um especialista, mas até os mais medonhos deveria ser incapazes possuir tumores no corpo. Lobisomens tambem tinham uma regeneração que deveria impedir esse tipo de doença. Ainda havia a possibilidade que este tal italiano estivesse enganando a todos, e seu proposito fosse muito pior.

    Foi quando ele relatou das preferencias atuais do italiano que Axle se preocupou. Era uma coincidencia bizarra demais, pois na outra ponta do bar estavam seu dois companheiros de viagem, uma garota ruiva e um demonio disfarçado de loira. Fingindo apenas olhar o movimento, conferiu o local aonde tinha visto eles seguirem, para certificar-se que ainda estavam bem.

    - Bah, para todas que eu encontro basta esfregar as mãos nos cabelos para descobrir que se trata de uma tinta vagabunda. Mas da ultima vez quase consegui uma. Na proxima ela não vai me escapar...

    Pelo menos o reploid não o conhecia, era um pequeno avanço. Mais uma vez foi citado o tal virus Delta. Calculava que deveria ser alguma variação do virus Sigma, algo que trazia algum beneficio ao infectado. Sua mente então começou a montar fatos rapidamente. Novos modelos. Revolução de 17 anos atrás. Virus Delta. Os lideres da cidade deviam ter descoberto o segredo de sua raça e começado a produzir reploids em massa para se defender das calamidades. Eles só tinham visto Maverick Hunters, mas nunca um grande numero de Mavericks. Não precisariam de muitos como Axle ou Zero para trazer a cidade ao chão em caso de um conflito entre eles. Expulsaram aqueles que defendiam a cidade só para criarem mais para defenderem eles, certamente com algum tipo de coleira. Apenas assim confiariam em reploids. Idiotas, o resultado foi ainda pior. Fechou os olhos, se concentrando em manter o disfarce de mercenario

    - É, realmente sou um dos recentes. Não sei se sinto falta daqueles tempos ou se hoje é melhor. Lembro quando tudo era novo, cada arma uma surpresa inedita. Tambem estou nessa busca camarada. Sempre tive uma curiosidade sobre o virus. Tudo o que me passaram até hoje foram dados superficiais. Você sabe detalhes de como ele funciona ?

    Tinha de usar de todo seu raciocinio para continuar a se passar por um outro reploid sem entregar nada suspeito. Nunca fora treinado para disfarce e subterfugio. Seu lugar era entre as plantas, e com elas nada disso era necessario. A natureza vaga calma ou golpeia vingativa. Mas ja fazia mais de uma decada que essa conexão tinha sido cortada. Agora o que lhe restava era o seu lado inorganico, metalico e digital. Olhando para os diversos tipos de bebida nas prateleiras, pela primeira vez quis sentir como é estar bebado.
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qui Nov 05, 2015 3:09 pm

    Quem as atendia era um homem loiro, com 1,81m de altura, que não devia ter mais que uns 18 anos de idade. Seus cabelos lisos eram penteados para baixo, com varios fios caindo sobre sua testa, parando na linha das sobrancelhas grossas. O brilho de seus olhos profundamente negros transmitiam força e disposição de alguem cheio de energia. Abaixo da boca, que se curvava sutilmente nos cantos, estava um queixo quadrado com um furinho no meio. A estrutura de seu rosto era mascula, mas jovem, e por isso não tão pronunciada.

    Diferente dos outros barman ali que sempre estavam com um uniforme elegante que combinava colete almofadado com uma blusa mangas longas e uma gravata, ele vestia uma jaqueta de couro fechada, e apenas adicionava a gravata amarrada no seu braço esquerdo como um adereço quase satirico ao ambiente.

    O rosto da ruivinha ficava tão vermelho quanto seus cabelos com a cantada. Junto com aquele sorriso timido, o olhar baixo e o cabelo para tras da orelha, teve certeza que estava conseguindo conquistar-la. Apoiando o cotovelo sobre o balcão, inclinou o tronco para Artemia, ficando mais proximo dela.

    - Nesse caso vou adiantar meu horario de folga, porque dançar com você vai valer que qualquer coisa por aqui...

    Erguia a mão para arrumar seus cabelos do outro lado do rosto dela, afastando-os delicadamente para trás da outra orelha quando ouviu a revelação de Tetsuya. Compromissadas ! Imediatamente se afastou um passo para ter uma boa visão das duas, ja imaginando a pegação entre elas

    - Então... as duas beldades estão juntas é ?

    Apontava para as duas alternadamente. Os olhos escorregaram do rosto de Artemia, passando pelo seu busto apertado contra o quimono, seguindo viagem pelos braços unidos, terminando no que deveria ser o peitos vistosos da raposa, agora obstruidos por sua cabeça baixa. Ninguem conseguiria estar mais atencioso as duas do que ele. A troca de olhares e a reações envergonhadas, certamente estava rolando alguma coisa ali. Sua imaginação já ia longe com as duas se acariciando entre si encima de uma cama. Não sabia se a loirinha estava caida de bebedeira, cansaço ou alguma outra coisa. Mas talvez pudesse solucionar o problema dela,e com isso pudesse encontrar um meio de entrar naquela relação interessantissima.

    -Ja sei como resolver seu problema loirinha !

    Os olhos escuros voltaram devagar para Artemia quando percebeu que ela voltava a falar com ele. Balançando a cabeça para se livrar de seus animados devaneios, voltou a papear com a ruiva que lhe dava bola, aproximando mais uma vez para que pudesse lhe falar ao ouvido. Encostou o rosto no dela para lhe falar ao ouvido tambem, roçando de proposito em sua bochecha. Sua pele era quente.

    - Pra falar a verdade já estou meio cansado sim ! Mas ela muda de tempos em tempos, então dá até pra aguentar, principalmente com uma boa companhia ! Pode me chamar de Jasor, de Jay, de Jaz, ou de amor ! E você, com se chama ?

    Se afastou por um momento para buscar uma garrafa na prateleira atras dele, baixa e robusta, de uma coloração amarronada. Puxou rapidamente três copos e serviu cada um com uma dose, e voltou para ouvir a doce voz de Artemia em seu ouvido.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Nov 05, 2015 6:05 pm

    O reploid ria, dando um pequeno tapa nas costas de Axle.
    -Hahah...de que cápsula você saiu?você realmente deve ser MUITO jovem ou demorou muito para despertar. E posso ver que está fingindo que viu tudo isso...Imagino que sequer tenha presenciado a grande revolução? Não se preocupe, já vi um assim, como você; algo deu errado e levou muito tempo para que ele saísse de seu estado de suspensão criogênica. Ele também nao queria parecer inexperientee até inventava histórias de guerra...

    O "velho" reploid, ou pelo menos ele assim achava, virou de frente para Axle, falando com mais confiança. Acreditava ele estar na frente de um jovem inexperiente, talvez um protótipo estranho com plantas que não deu certo. Era certo por sua pose que ja nao considerava mais Axle como ameaça; subestimava-o. Explicava-lhe os ocorridos com o porte de um general que ensina um pobre soldado sobre o básico de segurar uma arma, com um claro sorriso orgulhoso.

    -Aqueles eram tempos sombrios, de escravidão em que humanos sentavam comodamente atrás de suas mesas de mogno enquanto nos mandavam para batalha contra hordas e hordas de criaturas. Estávamos perdendo a guerra, até que decidiram que instalariam o vírus Delta em cada um de nós para que pudessemos defeden-los melhor. Aprimorar era mais barato do que construir mais reploids. Nao entendo toda a baboseira tecnologica, mas parece ter sido inspirado em algum outro virus bem poderoso que já existia....de qualquer forma, apenas uma parte deste virus foi instalada e foi chamado Virus Delta. Além de força, nos conferiu sabedoria, discernimento....pudemos ver as coisas com mais clareza, ver como nos escravizavam. Éramos superiores, e finalmente viamos isso...e começamos a tomar nossos proprios caminhos. Aí começou de fato a queda do reinado humano. Hoje são gado de vampiros e demonios, escravos como deveriam ser. Estou atualmente a procura de mais partes do virus Delta que se nao me engano consiste de 3 programas, eu tenho uma parte e você provavelmente deve ter a mesma instalada como todos nós. Acredito que quando completo, teremos a verdadeira iluminação...e finalmente poderemos nos tornar tudo aquilo que deveríamos ser. Dominaremos todas essas criaturas orgânicas como o traste que são, rastejando-se sob efeito de hormonios, buscando prazeres supérfluos na reprodução e embriaguez...mas o dia está chegando, meu inexperiente amigo.

    O discurso do reploid parecia perigosamente semelhante ao dos antigos Mavericks, senão pior; muito provavelmente devido ao fato da origem do virus. Que grande ironia deveria ter sido quando o primeiro cientista instalou o tal virus no primeiro reploid...mas de toda forma, novas portas pareciam se abrir a Axle. O virus original estava em posse de Dark e provavelmente ninguem mais o teria, mas nada impedia que ele próprio conseguisse os tais programas e reconstruisse, ele proprio, o virus Sigma. Realmente parecia haver muito mais por trás daquela boate do que simples bebida e dança.

    -------------------------------------------------------------------------------------------------


    "Pare de ficar me olhando dessa forma...!", ele ficava pensando em silencio, conforme percebia aquele olhar de Artemia para os proprios labios. Estremecia o corpo diante daquilo, um tremos que parecia partir da coluna, descendo até a ponta da cauda felpuda, que também agitava-se de forma inquieta. Finalmente Tetsuya erguia o rosto, mas manteve a cabeça apoiada sobre a mão. A loira também evitava cruzar olhares novamente com Artemia. Mas olhava de canto,enquanto uma orelha vulpina girava em sua direção, ouvindo cada detalhe do dialogo, uma vez que a atenção da ruiva agora repousava no barman.

    -J-juntas!?n-não, não exatamente....s-só estou segurando a mão porque...uhn....pra nao nos perdermos! NÃO É O QUE ESTÁ PENSANDO, IDIOTA!!! - e dava um tapa no rosto de Jasor, ao ver o olhar malicioso de quem imaginava cenas eróticas entre as duas.

    Parecia irritar-se excessivamente como ela parecia dar em cima do barman, e de forma birrenta fazia uma careta, fazendo uma curvatura inferior com os lábios como um "C" com as pontas para baixo e baixava as bochechas, numa expressão de deboche, enquanto falava para um ombro e para o outro, como se ficasse imitando Artemia com desdém de seu discurso. Ficava falando baixo consigo mesma num muxoxo irritado, como uma criança emburrada imitando alguém.

    -bla bla bla quer dançar? bla bla qual seu nome? bla bla bla quer tomar um soco no meio da sua cara enxerida? bla bla bla sou uma pervertida dando bola pra alguem totalmente desconhecido...

    Tetsuya começava a ranger os dentes enquanto ouvia a apresentação do rapaz."Chamar de amor...". Que ousadia! Que perversão sem limites! Não que se importasse com Artemia, mas estava sendo desrespeitoso, tocando-lhe a bochecha daquele jeito. Não que se importasse! Era um pensamento que o raposo repetia a si próprio mentalmente. Mas não podia estragar seu disfarce novamente. E aquele parecia ser uma boa fonte de informações...tinha que buscar alguma forma de relaxar e rápido. Começou a contar de 1 a 10, inspirando e expirando, inspirando e expirando.

    Soltava o corpo sobre os ombros e se projetou para frente, dando um longo suspiro tentando se acalmar. O resultado foi péssimo; os seios apertados pela blusa branca velha que ganhou dos seguranças agora repousavam sobre o balcão, evidenciando-os ainda mais, enquanto as nádegas ficavam proeminentes pela curvatura, era uma pose não propositalmente mas extremamente sensual e insinuante. Um vampiro ali perto mordia o canto da boca ao ver a cena, e "sem querer" derramava o conteudo de sua taça sobre os seios de Tetsuya. O tecido branco rapidamente começava a absorver aquele liquido. Os olhos se dilataram. Ja tinha visto aquela cena perigosissima antes!!!!

    -KYAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!SOCORRO ARTEMIAAAA!!!!!

    Sem saber o que fazer, no desespero abraçava a ruiva, desesperada, tentando cobrir o proprio busto que começava a ficar transparente, colando-o contra o busto da ruiva. Aquilo ficava catastrófico de dimensões descomunais; o liquido agora começava a se alastrar e transparecer também a blusa branca e dourada de Artemia. Abraçava-a firme pelas costas e cintura, e em seu desespero até a cauda felpuda se enlaçava em torno da maga.

    Era uma cena mágica, divina, o nirvana secular idealizado por todos os homens que ja passaram pela Terra desde a era paleozóica; uma loira e uma ruiva de seios colados separados apenas por tecido branco molhado e semi-transparente se abraçando. Uma singela gota de sangue escorria pelo nariz do vampiro ali perto.

    Ao notar quão proximo estava da maga, e como a segurava, desviou o olhar pra baixo. Foi pior, o nervosismo fazia o coração quase saltar do peito; era inclusive possivel senti-lo bater com força no ictus cordis* (vide explicação no fim) devido à proximidade entre os dois corpos. Sentia como se fosse infartar a qualquer instante; queria sair correndo, mas nao podia tanto pelo fato de ter que manter sua aura cobrindo a maga, quanto as blusas molhadas. Nao podia congelar ali também; do contrario os dois tecidosem contato acabariam rasgando se estivessem em contato um com o outro. E não menos importante, mas ainda assim de forma subconsciente, queria tirar Artemia de perto daquele barman abusado.

    -BANHEIRO!BANHEIRO!BANHEIRO!!!AHHHHHHHHHHH!!!!!

    Morrendo de vergonha, começava a andar de lado como um carangueijo, colada com Artemia, rapidamente na direção dos banheiros.




    (*Ictus Cordis: região do torax em que se localiza no encontro entre a linha imaginaria do meio da clavicula e o espaço entre a 4a e 5a costela do lado esquerdo do torax, dá pra sentir o coração batendo contra a parede toracica nesse ponto ^^)
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Sex Nov 06, 2015 10:04 am

    O vermelho intenso no rosto de Artemia parecia ter aumentado consideravelmente com a última cantada de Jasor. A maga ergueu as sobrancelhas e se perguntou, várias vezes, o motivo de ele estar agindo assim. Foi então que notou o olhar dele para o corpo da ruiva, que ia passando pelas suas curvas, até as mãos entrelaçadas e depois subindo para o corpo de Tetsuya.

    Quando ele perguntou se as duas estavam juntas, Artemia arregalou os olhos, seu rosto queimando. Seu estômago parecia que ruiria a qualquer segundo, e a intensidade do que estava sentindo parecia deixa-la desconcertada: a ruiva deu, então, um murro forte na madeira do balcão, fazendo-a trepidar ligeiramente. Os copos que Jasor havia colocado ali deram um pulo, derramando um pouco do líquido.

    - N-NÃO!!! N-N-N-NÃO ESTAMOS J-JUNTAS..!!! – berrou Artemia, absurdamente vermelha e com os punhos fechados ainda no balcão. Aquilo estava sendo demais para ela, parecia que ia explodir a qualquer instante. Reparando nos três copos ali à sua frente; não pensou duas vezes: rapidamente pegou um deles, virou o líquido em sua boca. Não satisfeita, em menos de um segundo, virou os dois copos restantes seguidos, pegando a garrafa em sua mão e bebendo do próprio gargalo. Bebeu vários goles antes de bater a garrafa no balcão; sua expressão de fúria era quase cômica, fulminando Tetsuya com um olhar que parecia soltar lasers.

    E então a vulpina fez aquela pose extremamente sensual, tanto que Artemia mal conseguia respirar. Observou seus seios robustos prensados no balcão, sua cintura fina, seu bumbum empinado, a cauda balançando... A visão parecia hipnotizar a ruiva, que deixou o queixo cair, boquiaberta. Porém, toda a hipnose teve fim quando o vampiro ao lado, desajeitado, derramou o líquido no busto da loira, causando o maior alvoroço: logo Artemia estava sendo sacudida pela loira, que gritava socorro, mas a ruiva nada poderia fazer – estava começando a ficar com seus sentidos lentos e avoados; sua mente flutuava e a fúria de antes dava espaço a uma gargalhada exagerada. Artemia mal conseguia segurar o riso, e apenas quando Tetsuya a abraçou de um jeito intenso, que ela parou.

    A aproximação de seus corpos molhados, a respiração da vulpina muito próxima aos seus lábios deixou a ruiva arrepiada dos pés à cabeça: um desespero deu início a uma tremedeira que a ruiva não conseguia controlar; trincou os dentes e arregalou os olhos. Seus seios começaram a ficar rígidos com o atrito intenso de seus corpos. A ruiva olhou para baixo e sentiu que seu corpo agora pulsava de um jeito que jamais havia pulsado antes. A raiva deu lugar à vergonha, mas ainda assim não queria que a loira visse sua nova tremedeira; um misto de sensações absolutamente novas para  a maga.

    Andar com os corpos colados, como um caranguejo, no meio da multidão, parecia ser quase impossível. Artemia mal sentia suas pernas, tanto pela bebedeira, quanto pelas sensações que a loira provocava nela. Seu rosto afundara no pescoço de Tetsuya, e o aroma da vulpina era quase viciante para a ruiva, que tentava se desviar o máximo que seus sentidos embriagados conseguiam. As bochechas colaram: estavam quentes, ambas, e Artemia não conseguia se afastar. As pessoas dançando à sua volta pareciam grudar elas ainda mais. A maga pensou que fosse explodir a qualquer instante, até que finalmente avistou a placa do banheiro. Uma luz piscava ali, parecia estar quebrada.

    Quando finalmente conseguiram se desviar da multidão, Artemia jogou a vulpina contra a parede do lado de fora do banheiro. Sem notar, havia feito de uma forma um tanto bruta...e sexy para os vampiros que estavam parados ali perto. Seus rostos estavam mais uma vez perto, os lábios a um centímetro de encostarem. Artemia respirava rápido, seus olhos brilhantes fixos nos da vulpina. As sensações que antes sentia se multiplicaram ao triplo agora, com seus corpos pressionados à parede. As mãos trêmulas da ruiva estavam nas costas da loira, que parecia tremer tanto quanto ela.

    - S-s-seu pervertido... – sussurrou, em meio à respiração ofegante. – V-v-v-amos entrar no b-b-banheiro agora... – disse, pegando a loira pela mão e a arrastando para dentro do banheiro.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Sex Nov 06, 2015 12:20 pm

    Quando o outro começou a rir não entendeu qual era a graça. O tapa nas costas era como o lamento por um coitado. Os olhos sairam das prateleiras e lentamente ergueram-se para o rosto do outro reploid. Aquele individuo achava que Axle era um jovem de 17 anos ! Justo ele que tinha passado por seculos de batalhas, encarado X e Zero, atravessado o fim do mundo, se banhado em sangue de demonios e de seus iguais. Seus danos deveria ter sido analisados pelo outro como simples combates de rua onde ele tinha se dado mal. Incrivel como ele realmente não reconhecia sua imagem tão evidente: um reploid planta, com uma rosa de metal na cabeça. Talvez a ideia dos MH tivesse sido apagada dos registros da cidade antes da produção desses novos modelos. Era uma otima oportunidade de aprender mais, tinha que se manter no papel. Por isso a muito contra gosto engoliu seu orgulho e baixou a cabeça, fingindo ser um pequeno, jovem e humilde lutador

    - Er...me desculpe. Ninguem parece que respeita alguem que não viu tudo isso, me tratam como se fosse ferro velho. Mesmo que eu derrube todos em combate, ele continuam com isso...

    O pensamente que teve quando viu o reploid orgulho querendo dar uma lição para ele foi: "ridiculo". Mal sabia o quanto da verdade ele era inexperiente perto de Axle, e por isso que começou a ter pena do pobre ser. Por isso escutava atentamente, pois pelo menos naquilo tinha mais experiencia que Red.

    Tudo o que disse sobre enviar reploids para defender a cidade era o que já tinha previsto dada as poucas pistas. O assunto ficou realmente serio quando a conversa chegou no virus. Os olhos de Axle se abriram mais, pois sabia que virus antigo e poderoso ele estava falando. Sigma. O ciclo se repetia, mas dessa vez não existia hunters para proteger os humanos de Sigma. Agora eram seres oprimidos em meio a seres sobrenaturais e colossos metalicos. Aquilo o atingia como uma faca, e mesmo que negasse, não podia escapar. Havia falhado. Eles havia escolhido aquele caminho para eles, e sua promessa não pode se cumprida.

    Cabisbaixo, tentava refletir alem. O virus delta estava dividido em 3 partes, provalvemente por medida de segurança pelos militares e cientistas que o tinham desenvolvido. Pelo menos naquilo tinham sido inteligentes. Agora reploids não davam a minima importancia para seus criadores, queria apenas se mostrar supremos sobre toda aquela miriade de outras raças. Se podia extrair algo daquilo, era que poderia ganhar a confiança mais facil de outros iguais.

    - Oh, agora entendo. So precisamos de mais dois codigos para superarmos os limites que acharam que tinham quando nos fizeram. E quando isso acontecer, não so os humanos, mas todos esses seres bizarros poderão fazer frente a nós. Que parte o italiano possui ?

    Apontava com o polegar para os fundos da boate. Logo se desencostou, ja tinha considerado que tinha obtido informações o bastante por hora. Tinha que voltar para os dois irresponsaveis.

    - Alias, me chamo Red. Como você se chama ?

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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      Data/hora atual: Ter Nov 21, 2017 5:46 pm