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O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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    Nova-Kinetic

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Nova-Kinetic em Sex Mar 25, 2016 11:46 am

    Kinetic notava tudo que acontecia ao seu redor. Tudo muito rápido. A aproximação de Artemia, o fogo sendo redirecionado, Jasor pulando na pira onde jazia o corpo morto de Artemia, Axle sendo levemente ferido pelo calor daquela chama colossal que ela agradeceu não ter ido em sua direção.

    _ Artemia você assim como todos aqui tem a minha total aceitação. Eu já sofri muitas rejeições, desprezo, medo e horror a minha pessoa. O que as pessoas não entendem eles tendem a temer, ou a rejeitar. Saiba que eu não te rejeito, assim como também não rejeito você venkar. Para mim vocês sao seres incríveis e eu acho ambos fasciantes!

    Kinetic sorria enquanto sentia que seu eu estava esvaindo para dar lugar a um ser um pouco menos amigavel por assim dizer. Os cabelos de Kinetic começavam a mutar a cor para um cinza mais opaco e sombrio. Seus olhos verdes esmeraldas começavam a piscar em cinza a medida que sua barreira de telecinese estava se esvaindo com sua energia. Nova logo despertaria e ela estaria faminta. A unica certeza que Kinetic tinha é que ela ainda estava sã, e não entraria em berserker, ela ainda teria algum tempo sã.

    _ Jasor, Esta que está aqui é Artêmia por mais que sua mente não queira aceitar por causa de uma troca de corpo. Eu devo ter sido meio rispida demais com você. Voce não deve ter vivido muito do mundo. Ele possui tantas coisas belas e tantas coisas horrendas para ver. Não deixe seus medos e receios superarem sua curiosidade...uma das maiores qualidades ao meu ver dos seres.

    Kinetic pousava no chão colocando a mão na cabeça a medida que fazia uma poça negra ser redirecionada ao chão em direção de Axle ficando aos pés dele.

    _ Isso pode ajudar a "estancar" as queimaduras até poder se recuperar. Eles estarão sob seu controle para reparos se desejar e apenas isto. Ugh...Acho que alguém esta com fome...hehe opps...gasto excessivo de energia...Oh por favor vai me dizer que seu escroto é ruivo ou moreno? Quer dizer que você descolore? Bom...desculpe fui bem rispida, mas apenas tomei as dores de Artemia.


    Dizia para Jasor ao sentir que seus cabelos se esvaiam o verde ela pode dizer apenas uma coisa antes de seu ser por completo ser tomado por nova

    _ Você não precisa ir, na minha opinião e hey se precisar de companhia me chama eu sou ótima de papo. Podemos caçar comida juntos não precisa se isolar se precisar é só chamar...agora...preciso...dormir....e mais uma coisa....Cuidad...


    Os cabelos se transformavam por completo em um cinza meio mórbido e sem brilho e era possível ouvir uma respiração um pouco mais pesada. A cabeça pendia para baixo e aos pouco era erguida. Nova estava acordada, mas seus olhos pareciam um pouco menos amigaveis, pareciam olhos de um predador que estava com fome. Ela olhava todos que estavam alí presentes e estralava o corpo de leve enquanto se endireitava.

    _ Não devia ter usado tanta energia...mas não é tão ruim assim, eu só preciso comer e ficarei bem...


    Os olhos de Nova olhavam a todos alí e ela dava um sorriso de leve de lado. Olhos opacos como se desejasse devorar cada um daqueles presentes. Apesar de sua aparência humana, nova emitia uma aura predatoria, e apesar de seu tamanho, todos sentiam que ela poderia devorá-los, de alguma forma que não sabiam explicar, principalmente Venkar tão grande tão imenso, era dificil achar algo que pudesse dar a impressão que poderia comer ele.

    _..Preciso comer....mas não posso comer vocês...não ... não é seguro...

    Ela levava a mão na cabeça como se algo a estivesse incomodando e ela fazia uma expressão de " Cala a boca" com a face e respirava fundo. Erguia sua face com os olhos começando a ter um brilho de "excitação" pelos pratos alí presentes.

    _...Preciso me retirar por um momento...Por mais que aqui esteja bem...mais....tentador..
    .

    Nova levava a mão aos lábios e sorria de leve passando os dedos sobre eles. Virava-se de costas e começava a andar para fora da sala com um sorriso de leve enquanto suas mãos se mexiam de leve como se tateasse o ar.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Seg Mar 28, 2016 10:10 am

    Assim que Venkar ergueu sua enorme cabeça e expeliu o fogo para o alto, Artemia apenas observou o quanto as chamas do dragão eram quentes até mesmo para ela. Pareciam ser quentes como o próprio inferno onde estivera. Assim que terminou de expelir o fogo para o alto, Venkar abaixou a cabeça e pareceu estar genuinamente arrependido por sua explosão anterior. A ruiva acariciou mais uma vez seu focinho e voltou a dizer, com palavras doces:

    - Venkar... Todos nós fazemos coisas as quais nos arrependemos. Não ache que todos aqui nesta sala nunca erraram. Mas cabe a nós estarmos dispostos à mudança. E saiba que... para onde você for, eu vou. Você não está sozinho...

    E então observou Axle descer e pousar entre ela e Nova, que agora demonstrava o quanto a entendia e respeitava. Artemia havia ficado surpresa com toda aquela admiração que Nova nutria por ela e Venkar. Aquilo jamais seria esquecido. Sem ter palavras, a ruiva a olhou e sorriu tímida, antes de reparar que Axle parecia ter se ferido por causa de suas chamas infernais, que ainda ardiam flamejantes em volta deles.

    - Axle, você está bem? – perguntou ela, preocupada, se aproximando. Quando viu a poça negra abaixo dos pés do reploid, a demonesa deu um passo para trás. O que era aquela coisa? E então olhou novamente para Nova, entendendo que aquilo vinha dela. Lembrou-se instantaneamente de alguns momentos em que vivenciaram juntas no Bunker, do quanto ela parecia ser íntima dos tais nano robôs.

    Então, rapidamente Nova pareceu mudar de aparência. Uma aura soturna podia ser vista por Artemia, que franziu o cenho enquanto observava a mudança. A Nova alegre de antes não estava mais do mesmo jeito. Parecia ter mudado não só de humor, como também as cores dos cabelos. O que aquilo significava?

    - Não pode nos comer? O que isso significa? Nova... Nova, está tudo bem com você? – perguntou, ansiosa. Não entendia aquela mudança. Teria sido culpa de suas chamas infernais, que ainda chamuscavam à sua volta? Aquelas chamas haviam ferido Axle e agora Nova. Artemia não pensou duas vezes: abaixando a palma da mão, a ruiva fez as chamas abaixarem no mesmo momento, até desaparecerem por completo no piso, deixando nenhum rastro.

    Assim que sua chama verde esmeralda sumiu de vista, Artemia pôde ver Jasor dentro de uma pira de fogo. Sem entender, aproximou-se vagarosamente, podendo enxergar, então, o barman segurando um corpo imóvel. Quando Artemia piscou os olhos mais uma vez, constatou que aquele corpo era o seu próprio, antes de ir ao inferno, antes de se transformar em Succubus.

    Seu coração batia furiosamente em seu peito. Ver a si mesma morta era algo absolutamente incomum. A dor nos olhos de Jasor era visível, palpável. As palavras de Nova agora se repetiam em sua mente: “Jasor, esta aqui é Artemia, por mais que sua mente não queira aceitar por causa de uma troca de corpo...”

    - Jasor...

    Disse fracamente, enquanto caminhava. Assim que parou próxima à pira, ela respirou fundo antes de entrar totalmente e parar em frente ao barman.

    O interior da pira era confortável. Apesar de não sentir o calor do fogo, Artemia notou que o ambiente fechado por um fogo crepitante era como uma toca a qual Jasor parecia ter ido se esconder. A demonesa engoliu em seco quando observou seu próprio corpo: os cabelos ruivos bem cuidados e penteados. Os olhos fechados, as sardas espalhadas por suas bochechas. Os lábios ainda vermelhos. Sua pele alva por baixo do kimono branco emprestado por Tetsuya...

    Artemia ergueu uma mão e tocou nos cabelos da jovem morta no colo de Jasor. Não parecia ser ela mesma, afinal, havia passado por tanta coisa até chegar ali. Era absolutamente estranho tocar a si mesma, visualizar a si mesma assim.

    Erguendo os olhos para Jasor, Artemia parecia ter perdido o fôlego. Ela viu o quanto era ruim para ele não tê-la com aquela forma, a qual ele havia esperado por tanto tempo. Havia sido egoísta em ter se transformado sem pensar nele, sem pensar no que ele diria. Talvez, por um breve momento, ela pensou que ele não se importaria. Ledo engano. Porém, o que ela via agora era que o barman havia cuidado do seu corpo, protegendo-o como algo precioso. Não havia palavras para expressar o quanto estava surpresa em ver aquilo. E o quanto estava se sentindo mal por ter voltado diferente.

    - Jasor, me desculpe. Ainda que eu passe a eternidade tentando te falar que continuo sendo a mesma de antes... você não vai acreditar enquanto não ver. Com o tempo, você verá que não sou diferente desta que você segura com tanto carinho. Apenas tenho novas necessidades, novos poderes. Meu coração... continua o mesmo. Me desculpe se te magoei. Me desculpe se... se não sou mais assim.

    E, pela primeira vez, Artemia se sentiu arrependida em ter mudado. O choro preso em sua garganta saiu com toda força, fazendo-a soluçar enquanto tapava os olhos, virando-se de costas para que ele não a visse quebrar desta forma.
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    Venkar

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Qua Mar 30, 2016 10:09 am

    Mal notou quando Axle desceu em um salto do topo de sua cabeça. O dragão continuava a olhar para baixo, para Artêmia e Kinetic.

    Tudo o que Venkar queria era proteger sua querida amiga Yumi... e no final acabou causando a morte da agora ex-humana Artêmia e causado esta situação. Ela havia ido para o inferno porque seu amigo, ou companheiro, o dragão não mais sabia, estava confuso, havia perdido muito sangue e ela em sua tolice usou magia demais para salvá-lo... mas a sabia: tudo aquilo havia sido causado pelo seu ato impensado, sua fúria descontrolada. Ainda estava em sua memória as palavras do loiro "só é uma desculpa para queimar e esmagar". Fechou os olhos, talvez com isso ou seu estado emocional não percebeu muitas mutanças na feiticeira que estava á sua frente. Notou sua mudança de voz e seus modos... mas como já tinha lidado com outros feiticeiros antes, imaginou que era algo normal.

    Viu a demonesa andar na direção da pira funerária que Jasor havia criado, e assim que ela entrou, perdeu o interesse pelo que acontecia naquele canto. Voltou a fitar Kinetic e estranhou a forma como ela falava "fome" e "comer os outros" .... quem ela estava pensando que era? Quem era o maior predador ali era o dragão, sem sombra de dúvidas... começou a se irritar novamente mas logo balançou o focinho para os lados. Não iria se descontrolar por um motivo mundano novamente... estava confuso, cansado. Queria a companhia de Yumi e seu tesouro, nada mais.

    Assim que a feiticeira também se afastou, Artêmia dentro da pira com Jasor, e o homem-planta também afastado, o dragão saltou de repente para o ar, usando as enormes asas em uma forte batida, subindo para o céu claro. Uma vez lá no alto, planava em grandes círculos, pois lembrou de ultima hora que a succubus tinha dito que iria embora com ele. Então esperava sua resposta.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qua Mar 30, 2016 2:45 pm

    As palavras de Kinect confirmaram as suposições de Axle. Mesmo falando da liberdade de pensamento sem preconceitos, ela invariavelmente punha de lado um fator importante: instinto de sobrevivencia. Temor e rejeição são reações naturais a algo desconhecido, algo que não se sabe se vai lhe ferir ou não. Sua amizade relampago com o dragão provava que ela não entendia esse conceito, mesmo declarando estar tanto tempo na Terra. Talvez confiasse demais em seus poderes a ponto de se achar imortal. Não sabia qual era o pior.

    Artemia, por outro lado, era uma conhecida. Axle a aceitara rapidamente por estar acostumado ao sobrenatural. A base de sua forma fisica, voz e atitudes eram as mesmas, embora houvesse diferenças por cima destes. Testemunhara anjos e demonios por tantas vezes que não sabia mais contar, e saber que ela estava de volta era um alivio, mesmo que como uma demonia. Acima disso, sabia que tinham ido busca-la em outro plano, e por isso ja esperava seu retorno. Sabia que um demonio muitas vezes apenas era "uma raça diferente", embora muitos casos era literalmente o que se esperar de um. Experiencia propria ditava isso.

    Deu um passo para trás quando a massa negra se aproximou. Não era novidade que o reploid tinha uma certa aversão a nanorobos externos, semelhante a portais dimensionais. Olhando para Kinect, ele falou:

    - Não é necessario Nova, guarde sua energia, você parece precisar muito...

    Inconscientemente segurou o braço ferido, deteriorado parcialmente pelo fogo do dragão. Sentia uma dor especial por se tratar daquele elemento em particular. Não era a primeira vez que iria se manter danificado. Antes estava bem pior, conseguiria lidar com aquilo. Ficou ainda mais desconfiado de Kinect quando ela sofreu sua metamorfose, e dessa vez sua personalidade não parecia ser nenhuma das duas que conhecia. Seu olhar era frio e violento, arrogante e sarcastico, nada parecido como o que ja tinha visto. Não gostava de ver aquilo em Nova, nem naquela situação acontecer logo depois do incidente do dragão. As mãos se aproximaram novamente das armas, mais uma vez relutante em ter que agir.

    - Artemia, estou bem, foi apenas um dano superficial.

    Acenou em agradecimento quando as chamas infernais sumiram. Estava tenso com aquele fogo esverdeado ao ser redor. Mas o olhar dele indicava para a ruiva não se aproximar, ainda profundamente serio. Ouviu tão bem quanto a demonesa o que Nova tinha dito. Queria comer, mas eles não eram seguros. Havia considerado consumi-los, mesmo que por um momento. Isso era o bastante para deixar Axle em alerta. Parecia ainda ter algum autrocontrole sobre si mesma, e felizmente optara por não ferir ninguem ali, embora não parecesse ser exatamente pela amizade ou empatia com qualquer um ali. Da primeira vez que a encontrou, havia depositado confiança naquela moça autruista. Agora,  considerava que ela uma hora ou outra poderia se tornar uma ameaça as costas de todo mundo.

    Para seu alivio ela se retirava pacificamente em sua fome desconhecida. Não significava que alguem mais não estivesse em perigo. Infelizmente Axle tinha um dever com Jasor, e principalmente Artemia. Não interferia na conversa deles, mas não poderia deixa-los por vontade propria expostos daquela maneira. Ja era bem claro que a cidade continuava a ser perigosa, agora de maneira ainda mais corriqueira que antes.

    O dragão se moveu de maneira abrupta logo a seguir, e antes que o rosetto se preparasse para ataca-lo, percebeu que tinha se retirado do lugar com uma forte batida de asas. O vento levantou a poeira e cinzas do lugar de uma vez, preenchendo o ar com pesadas particulas dançarinas. O sol ja havia avançado bem desde que o vira pela primeira vez, mas seu brilho tinha que passar pela cortina de pó, deixando com uma tonalidade marrom-acizentada. Mais ao longe a silhueta alada planava em circulos ao redor da boate. Podia estar preparando uma nova ofensiva, embora achasse improvavel. Uma caça, talvez, ou algo que lhe chamou mais atenção. Talvez Yumi estivesse por perto. Será que as coisas agora iriam se acalmar ?

    Calmamente caminhou para proximo dos dois ultimos que restaram. Manteve sua presença longe da atenção deles, não queria interromper o momento confuso dos dois jovens.
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qua Mar 30, 2016 7:27 pm

    Dentro da pira todas as cores tendiam a mesma tonalidade de laranja, com algumas pequenas diferenças. Viu que o cabelo e os olhos de Nova se alteravam, mas não sabia qual era a mudança. Não que isso trouxesse qualquer alivio para ele. Pelo contrario, agora ela falava com o loiro novamente. Ja esperava que ela o chingasse muito mais, e seu rosto fechado mostrava claramente isso. Agora ela tentava ser compreensiva. Agora era tarde, ja tinha mostrado o que realmente pensava. Trocas de corpo para ela deviam ser algo corriqueiro, afinal com tantos espiritos indo e vindo o tempo todo.

    A total aceitação dela não mencionava o detalhe que restringia a qualquer um ali menos Jasor. Não era apenas ela ali que tinha sido rejeitada ou temida. Mas ela mesmo não via o quanto ela ERA assustadora. E isso foi demonstrado logo a seguir. Seja qual fosse a alma que estava possuindo a garota agora, não era uma agradavel. Era obvio pelo seu olhar sinistro que ela não estava de brincadeira quando disse que "não iria se alimentar de ninguem pois não era seguro". Logo, se fosse seguro para ELA, comeria todos. E isso não era no bom sentido. Nem mesmo a piada dela podia ofuscar o que todos viam hora apos hora. Igual a Venkar, aquela sutil ameaça involuntaria não gerou temor em Jasor, mas o odio defensivo de um animal pronto para lutar com tudo.

    Felizmente Nova se retirava sem ameaçar ninguem, ao mesmo tempo que via que a coluna de fogo tinha desaparecido, e nova Artemia o olhava. Teve a sensação de que seu coração tinha parado, e não sabia como faze-lo voltar a bater. Por um momento sentiu-se no passado, vendo-a deslizar quase sem tocar o chão. Mas o peso que sentia nos braços era mais que fisico. Era um peso que forçava seus ombros como se a gravidade tivesse triplicado.

    Ouvir seu nome o deixou novamente estasiado. Olhou-a fixamente quando entrou na pira, e o fogo mudou com a sua presença. Não por seu toque, mas pela reação que gerava no proprio Jasor. A fogueira ficou maior, mais tremulante, e ao mesmo tempo perdeu alguns graus. Ela observava a si mesma, tocava em si mesma. Uma situação tão bizarra que os olhos arregalados do loiro quase não piscavam. Quando sentiu o olhar da succubus para si, olhou nos olhos dela mais uma vez. Então ela chorou. E isso ele não esperava, e era o pior de tudo. Uma lagrima desceu pelo seu rosto do rapaz. Uma lagrima invisivel, que por onde passou deixou um rastro acizentado. Parecia que a pele naquela região tinha secado e rachado, e por baixo havia uma pele queimada, cinza.

    - O que...eu...o que eu faço...o que eu faço com...você ?

    Ergueu o corpo humano dela em seus braços. Ele não tinha ideia do que fazer naquela situação, era mais inconcebivel do que seu piores sonhos. Alguem de fora poderia ate dizer que é um privilegio escolher o fim de seu proprio corpo depois da morte.
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    Nova-Kinetic

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Nova-Kinetic em Sex Abr 01, 2016 10:59 am

    Nova andava enquanto escutava as perguntas e logo sentia um enorme vento passar pelo seu corpo  e viravaa face por cima dos ombros olhando o dragão voar esplendoroso. Ela sorria observando aquela refeição que um dia talvez pudesse provar. Levava a mão no rosto levemente corada e empolgada com tamanha possibilidade e ria de leve ouvindo as palavras de Artemia.

    _ Nossas alimentações são semelhantes Artêmia, porém o produto final da minha alimentação pode ser a inexistência do ser.... com licença...meu controle está se esvaindo...

    Nova via Jasor apegado a um pedaço morto de carne. Para ela não fazia sentido o apego com o corpo morto sendo que a própria Artêmia esta alí. Talvez fosse a restrição da mentalidade "humana" ou de sua criação. Ela olhava para ele com certa pena e dizia enquanto saía.

    _ Para honrrar guerreiros em batalhas,antigamente seus corpos eram queimados embebidos por bebidas e óleos especiais...Talvez assim se desapegue da casca e foque mais no espírito livre que esta a sua frente...

    Nova erguia uma das mãos em direção a um dos corpos e a outra para a poça negra. A poça negra se recuava e juntava-se a seu próprio corpo, E o corpo putrefado que estava alí perto parecia se desfazer como se virasse pó. Este pós circulava o corpo de Nova enquanto ela saia.

    _ Axle me afastarei de vocês até me recuperar um pouco se precisar me contacte por comunicador...Friedrich não voltou e estou preocupada...

    Sorria de lado e saia da sala em direção a rua. Espreguiçava-se erguendo os braços soltando os cabelos recebendo o vento daquela cidade distruida no corpo.

    _ ...fome....é muito perigosa....mas a curiosidade é bem pior...huhuhu

    Nova seguia em direção que o dragão havia voado e esperava achar algo mais macio para comer, quem sabe conversando não conseguiria provar o dragão.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Seg Abr 04, 2016 4:24 pm

    Artemia virou seu corpo novamente para encarar Jasor e seu corpo intacto em seus braços. Era possível ver a confusão que havia no olhar do barman, que franzia o cenho e a encarava amedrontado. Com a pergunta dele, a ruiva abaixou a cabeça, tapando o rosto úmido de lágrimas com as mãos.

    - Você precisa... você precisa se desconectar desse corpo. Ele já não terá mais vida. Não terá mais nada, entende? Eu estou aqui, viva. Não mais pertenço a esse corpo.


    E então se aproximou perigosamente dele, mesmo sabendo que ele poderia rejeita-la de uma forma ainda pior do que antes.

    - Trate este corpo da mesma forma como você trataria um sem vida. Enterre-o, queime-o. Mas não chore por ele. Não pense que ele perdeu sua vida para o nada, pois ela está bem aqui à sua frente...

    Com uma lágrima rolando por sua bochecha, a ruiva continuou, persistente, ainda mantendo o olhar fixo no loiro.

    - Jasor, por favor... eu sou essa que está no seu colo. Eu sou a mesma. Você se lembra de quando compartilhamos aquele fogo? Foi a coisa mais mágica que já vivenciei. Nem sequer essa transformação a qual fui submetida tem como ser comparada com aquele nosso momento. Eu ainda sou a mesma. E nunca me esquecerei de você e do que fez por mim.

    Disse, olhando para seu corpo sem vida. Sua voz estava falhada, entristecida. Assim que ergueu o olhar para Jasor, ela sorriu fracamente para ele, mantendo seu olhar fixo por algum momento. E então virou de costas e saiu da pira.

    Assim que saiu, notou o dragão já no alto e Nova fora do ambiente: sua fome a fez sair de cena rapidamente. Artemia também sentia suas energias enfraquecidas, mas não poderia fazer nada por isso, no momento. Teria de aguentar por mais algum tempo.

    Caminhou até Axle e deu um abraço repentino no reploid. Encostou sua cabeça no peitoral dele e sentiu seus olhos lacrimejarem novamente.

    - Venha comigo, Axle. Preciso ir até a minha cabana. Venha comigo e Venkar... ele pode nos dar uma carona até lá. Não quero me separar de você.

    E então, ela ergueu a cabeça para o alto e gritou para o dragão alado.

    - Venkar, me espere! Quero ir com você.
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    Venkar

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Seg Abr 04, 2016 5:42 pm

    Lá no alto enquanto planava em grandes círculos o dragão pensava em toda a situação que se meteu.

    Não adiantava nada se sentir culpado pelo que houve, pensou consigo mesmo, irritado. Yumi o chamou pois estava em perigo... e naturalmente ele demoraria um pouco para chegar. Portanto desconsiderou as palavras de Jasor neste sentido "eu estava aqui para protegê-la, e você?". Venkar estava dormindo... é verdade, mas mesmo assim chegou á tempo apesar da distância... e o que o maldito humano fez? Nada...! Deixou o próprio irmão de Yumi quase a estrangular usando as pernas. Foi o dragão quem arrancou Tetsuya do seu ato violento... o que aconteceu depois...

    O que aconteceu depois também não foi sua culpa, raciocinou enquanto planava aproveitando uma corrente de ar um pouco mais aquecida. Olhou na direção do prédio, na parte que não havia mais a laje. Dava para ver que Artêmia ainda não tinha saído da pira que não queimava. Soltou um rosnado irritado. Porque a esperava? Seu covil estava o esperando... o monte de moedas e pedras preciosas que saqueou... desejava sentir sua radiação dourada... isso o acalmaria com certeza. Deu mais uma volta por sobre o edifício... se ela não aparecesse... iria embora sem ela, decidiu. Com certeza estava se explicando mais uma vez para aquele humano... aquela tola... porque se importava com ele? Ela agora era algo mais. Imortal, sua beleza física jamais iria se perder... podia voar... talvez apenas planar... pensava que talvez podia ensiná-la a usar as asas de forma mais eficiente.

    Balançou o focinho, como se afastasse uma mosca. Porque se importava com ela? Porque ... ela tinha sido gentil? Sua voz macia era agradável de se ouvir... como a voz de Yumi também o era. Até mesmo da misteriosa feiticeira dos cabelos que mudavam cor. Era curioso como as fêmeas deste plano o aceitavam abertamente. Com certeza o seu tempo ao lado de Yumi o tinha deixado mais.... calmo... ou frouxo? O que seus semelhantes iriam dizer? "Mate todos!" "Eles não são nada para você além de refeição!" Balançou a cabeça novamente. Não! Eles não eram comida... eles eram.... amigos? Sim amigos. Pelo menos Yumi era... e Artêmia... também podia a considerar uma amiga? Ela parecia gostar dele, de verdade... a forma que tentou acalmá-lo... mesmo em seu estado enfurecido ela se aproximou e colocou as mãos em sua bocarra... ela podia ter se afastado, mas preferiu ficar ao seu lado. Realmente... uma amiga.

    Foi quando pensava esse monte de coisas que Venkar observou a boate novamente e avistou a pequenina figura de Artêmia ficando visível e erguendo a voz, o chamando! Ela queria ir embora com ele! Seu coração se encheu de alegria e então planou suavemente até se aproximar do prédio em ruínas da boate.

    Diferente das outras vezes, que a fera pousou de forma selvagem e bruta, quase fazendo tudo desabar. Agora Venkar pousava suavemente. Relativamente. Batia as asas fortemente para se aproximar cuidadosamente, causando um vendaval do lado de fora da estrutura, levantando uma grande quantidade de poeira e detritos. por fim se apoiou com as patas traseiras e dianteiras sobre uma das paredes que ainda se mantinham de pé. Ainda batia as asas para sentir se a mesma iria aguentar o seu enorme peso. Satisfeito, ele se ajeitou, deixando a grossa e longa cauda do lado de fora, para se equilibrar e baixou o pescoço até o focinho ficar bem próximo da Sucubus.

    Rosnou, sua voz saindo baixa e calma. Bem diferente de a poucos momentos atrás que rosnava furioso e mostrava os dentes para Jasor. Baixava uma garra, a esquerda, na intenção de apanhá-la. Como havia feito no inferno.

    - Pensei que não iria mais querer ir embora. Vamos, estou ansioso em retornar ao meu lar.

    Olhou para Axle que estava próximo, não sentia raiva dele... mas não tinha gostado muito de ver sua lâmina brilhante muito próximo de seus olhos. Ele o ameaçou... todos que o tinham ameaçado estavam mortos... ele era a primeira exceção á regra. E Jasor... bem ele ainda estava em sua pira funerária e não tinha motivos para lhe dirigir a palavra. Com certeza ele teria mais coisas ruins para falar com o dragão.

    Faltava a estranha bruxa, ou feiticeira... gostaria de se despedir, a tinha visto sair do prédio mas não viu para onde ela tinha ido... com certeza a encontraria novamente, tinha tantas coisas para conversar, e perguntar... deste estranho mundo novo, desta cidade em ruínas... de ... possívels locais de caça, e se ela o acompanharia. Já que não se importava em fatiar carne humana. Talvez fosse uma boa companheira de caça.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Ter Abr 05, 2016 5:28 pm

    Ali estava uma rara coisa que ainda não tinha visto em sua existencia. Um morto encarando seu proprio corpo, uma situação incrivel incomoda. Como seria para Artemia testemunhar a si mesma morta, ver seu corpo sem vida, e ainda assim sentir vida em si mesma ? A unica experiencia que era algo similar era quando tinha seu poder de duplicação. Axle podia fazer clones de si mesmo, o que levava ao fato de que ele se via. A diferença é que o outro estava completamente sobre seu controle, um fragmento de sua consciencia sob seu comando. Definitivamente, não dava para compreender a situação.

    Antes que a ruiva pudesse erguer a voz com a resposta, Nova tinha dado uma sugestão: cremação. Em um primeiro momento, Axle ficou incomodado com a ideia de carbonizar o corpo de Artemia até virar cinzas. Mas ela estava viva ao seu lado, aquele era seu antigo "eu". Sua ideia foi se alterando, não era uma opção tão ruim assim, principalmente agora que não havia chance de volta. Isso impediria que criaturas sobrenaturais algum dia pudesse se aproveitar tambem enquanto seu corpo apodreceria lentamente ao longo das decadas.

    Similar ao que Nova acabara de fazer, embora em uma velocidade infinitamente superior. O morto deixara de existir em um piscar de olhos, consumido sem rastro. Ainda bem que era um corpo sem vida dessa vez. Parecia ainda estar no controle de suas ações, embora suspeita.

    - Entendido Nova. Veja se Friedrich esta bem, e tente não se alimentar de ninguem vivo....

    Ouviu claramente o ultimo comentario dela. Aquilo era algo que pertencia a Axle tambem, a curiosidade. Talvez nos tempos antigos ele pudesse exercer esse seu lado mais livremente. Agora, tudo o que conseguia fazer era lutar para sobreviver e defender aqueles ao seu redor, e com a lembrança do que ja tinha sido um dia. Quase como se o seu antigo "eu" tivesse sido cremado...

    - A curiosidade é o combustivel e o caminho para entender esse estranho mundo. Apenas não deixe que ela te consuma...


    Em meio a reflexão foi pego de surpresa por Artemia abraçando-o com força. Teve de colocar um pé para tras para evitar cair, e então percebendo sua tristeza, colocou uma mão sobre sua cabeça e afagou seus cabelos encaracolados. Era ao mesmo tempo um momento feliz e triste. Triste pela estado em que ela estava, feliz pela sua necessidade em ter Axle junto.

    - Claro que irei com você, não se preocupe. Mas...tem certeza que quer ir com o dragão ?


    Não demorou muito depois do chamado para o dragão se aproximar, e dessa vez de maneira cuidadosa. Talvez a convivencia dos dois no inferno tenha feito o dragão se importar tanto com ela. Olhou o dragão de volta, sabia que o proprio reploid não era uma compania que ele desejaria agora. Mas Axle iria com a succubus para onde ela fosse. Poderia ser ate mais seguro do que percorrer aquela cidade toda de pé. Não havia como saber o que encontrariam a mais ao longo do caminho. Seguiria junto a Artemia quando ela fosse rumo a Venkar.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Ter Abr 05, 2016 6:17 pm

    A voz de Nova atravessou novamente as chamas da pira, distorcendo-se no processo, mas podendo agora ser compreendidas mais facilmente. Ela sugeria queimar o corpo igual os vikings faziam para desapegar do corpo e focar no espirito...demoniaco que ela tinha se tornado. Ironico. Ela já estava em uma pira funeraria, feita para proteger seu corpo da deteriorização. De certa maneira, estava traindo o proposito da coisa.

    Olhou novamente para a Artemia sobrenatural a sua frente. Parecia haver tanta tristeza nela quanto a que ele mesmo sentia, ou seria seu estado desestabilizado que lhe pregava uma peça ? Seu olhar arregalado tentava focar em varias coisas ao mesmo tempo, o deixando ligeiramente tonto. Tentava focar em seus olhos para ter certeza que ela estava tão abalada quanto ele, na melancolia de sua voz, em seu jeito constrangido e suas lagrimas emocionadas, e na pessoa que segurava nos braços.

    - Desconectar...não terá mais nada...

    Repetiu quase involuntariamente. Estava tão mergulhado no choque que nada fez quando ela se aproximou, deixando que se aproximasse mais uma vez. "Não chore por ele", "queime-o". As palavras ecoavam em sua cabeça. Voltou a olhar para ela, a marca cinza em seu rosto como se tivesse rachado.  Ja havia chorado. Então ela mencionou sobre aquele momento unico quando tinham dividido o fogo. Ela tambem achava que havia sido algo especial. Maior do que virar uma demonesa. Se aquela conexão era tão profunda quanto ele pensou que era, por que ela amava o outro ? Por que ela tinha se transformado por ele ?

    ...ele tambem nunca esqueceria dela. A encarou de volta uma ultima vez, seus olhos inquietos tentando focar nos da ruiva. Não conseguiu rir, mas outro caminho de cinzas "rachou" ao longo de seu rosto

    - Eu tambem nunca me esquecerei de você.


    As chamas laranjas fraquejaram naquele momento. Uma lingueta amarela ascendeu na pira, seguido de mais um e mais outro. No momento que ela saiu o tom confortavel de laranja perdia seu espaço para a cor original. A viu sair de encontro a Axle, indo embora. Mas ainda estava olhando em seu rosto, aquele que não retornaria. Apertou o corpo sem vida contra si quando o encanto se desfez finalmente, e o fogo real rugiu na fogueira que habitava. A pira ergueu-se violenta para cumprir sua missão. Do lado de fora apenas a silhueta escurecida do homem segurando uma mulher podia ser vista, e o cheiro de carne queimada tomou o ambiente.

    Testemunhou sua pele arder e perder a forma, seus cabelos vermelhos iluminaram-se em um ultimo brilho voraz. Seus musculos deteriorarem-se consumidos pelo elemento impiedoso até enegrecerem. Ele não desviou o olhar uma unica vez.

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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Abr 06, 2016 2:17 pm

    O momento melancólico entre Artemia e Jasor não poderia ter perdurado muito. A ruiva sabia que enquanto não desse as costas e seguisse em frente, Jasor não faria o mesmo. Certamente ainda se manteria preso na ideia antiga de Artemia, ligado apenas à sua lembrança e não mais à sua realidade, bem ali na sua frente.

    Embora tenha sido chocante e perturbador ver a si mesma sem vida, o que mais chocou a ruiva foi vislumbrar seu próprio corpo ser queimado enquanto estava nos braços de Jasor, que não desviava os olhos nem por um segundo. A fixação que ele tinha por aquele corpo e a ideia antiga de Artemia havia mudado o barman. Ele já não parecia ser mais o mesmo. Não possuía mais o olhar pervertido e cheio de vivacidade de antes. E a maior pena de tudo é que a própria ruiva havia causado isso.

    O odor de carne queimada invadiu rapidamente o ambiente. Sentia o cheiro de sua própria carne queimando e o pensamento sobre isso era perturbador. Ao longe, via sua pele se desfazendo, dando lugar aos músculos que ardiam enquanto o fogo consumia seus membros.

    Precisava sair dali, ou enlouqueceria.

    O dragão havia pousado calmamente, dessa vez sem fazer grandes estragos no interior da boate. Seu focinho agora estava de frente para Artemia, que acenou brevemente com a cabeça com um sorriso melancólico. Assim que Axle confirmou que iria acompanha-la, a ruiva acariciou o peitoral metálico do amigo, em sinal de afeto. Ela estava quieta, afinal, todo aquele odor e a cena angustiante de Jasor vendo tudo a deixara em um estado chocado.

    Por que iria embora? Por que abandonaria Jasor ali, naquele estado? Não sentia que estava sendo companheira, mas precisava voltar para sua casa. Seu coração estava espremido, de tão apertado. Engolindo em seco, ela virou-se para Venkar e lançou-lhe um olhar significativo. Sabia que o dragão não apoiaria o que ela estava prestes a fazer, mas não conseguiria seguir em frente sem isso. Não sem uma última tentativa.

    - Venkar, confie em mim.

    Dito isto, a ruiva voltou seu olhar para Jasor e reuniu forças para gritar:

    - Jasor! Venha conosco! Por favor, seu lugar já não é mais esta boate. Nunca foi. Venha conosco para a floresta, para a minha casa. Ainda que não queira vir comigo... me prometa que sairá daqui. Sairá desta boate infernal... e tentará seguir em frente. Eu vou te esperar. Vou sempre te esperar.

    Ela correu até a frente da pira crepitante, parando a cerca de três metros de distância. Seus cabelos ruivos esvoaçaram para trás de suas costas, deixando a luz do fogo à sua frente se confundir com a coloração de alguns de seus cachos. Sua respiração estava ofegante, ainda mais após absorver tanto o odor de carne queimada que circundava o cômodo.

    Com a cabeça baixa, ela se ajoelhou e deixou um objeto preto no chão, pequeno, circular, com um visor no centro e alguns botões nas laterais. Já previa a resposta de Jasor, por isso teve essa ideia repentina. Parecia ter guardado ele durante todo aquele tempo com algum tipo de magia que somente ela conhecia. Jasor certamente não saberia o que era, mas parecia ser um pequeno auto falante.

    - Use-o para se comunicar comigo. Se precisar de qualquer coisa, ou se quiser apenas conversar. Não importa – e se levantou novamente, ainda observando o comunicador. – Eu irei ao seu encontro.

    Com isso, ela lançou um último olhar para o loiro. Seus olhos verdes brilharam com as faíscas do fogo. Não havia um sorriso, pois toda sua expressão dolorosa encontrava-se no olhar lançado para Jasor.

    E então, finalmente ela caminhou até Axle e segurou em sua mão, que parecia ser enorme em relação à dela. Caminhou até Venkar e subiu em sua pata estendida, pronta para abriga-la.

    Ainda aguardava uma resposta de Jasor.
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    Venkar

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Qua Abr 06, 2016 4:06 pm

    Venkar havia pousado pouco tempo após Axle falar se Artêmia achava boa ideia voltar para sua cabana com o dragão. Estava com a grande pata com a palma para cima, para que ela subisse nela da mesma forma que tinha feito quando a trouxe do plano infernal.

    Sabia que Artêmia gostava dos dois, mas não imaginava que ainda os tinha em tão alta estima, principalmente o humano após sua rejeição ao que ela havia se tornado. Ficou a esperando e pensou porque o homem-metal-planta se aproximava de sua pata junto com sua amiga. Claramente ele não estava esperando que ele o levasse também, pensou um pouco irritado.

    Não prestou atenção nas palavras de ambos, mas pôde ver que pareciam ter resolvido a situação quando as chamas laranjas se tornaram amarelas e douradas, consumindo finalmente o antigo corpo físico da ex-humana. O cheiro de carne queimada não o incomodava... afinal para ele era algo até já bem conhecido.

    Então ela se aproximou do dragão e ele acenou para ela, levemente com o focinho sobre confiar nela. Ele confiava, um pouco... porém seus grandes olhos em fenda se arregalaram quando ouviu o que ela estava falando para Jasor. Levá-lo junto? Depois de tudo o que ocorreu? E depois de todas as palavras duras que ele disparou para o dragão?

    Respirou fundo, fazendo das narinas saírem jatos de ar muito quente. Precisava se acalmar... não podia estourar apenas por causa... disso. Ele podia levá-los... afinal ela iria para a sua cabana, e depois Venkar iria para o seu lar. Inspirou, exalou, procurando se acalmar. Por fim colocou a pata dianteira no chão para se equilibrar pois ainda estava com a esquerda de palma para cima, a esperando... ainda... começava a pensar se valia a pena. Talvez era isso o que amizade significava..? Ter paciência para com pedidos simples... porém não tão simples dos que eram queridos?

    Piscou os olhos e enfim encostou a pata esquerda no chão, aquela posição de deixá-la para cima estava começando a incomodar mas finalmente ela decidiu subir em sua palma. Neste momento seus dedos providos de garras enormes e curvos se fecharam sobre ela, a levaria nesta pata, sozinha.

    - Se for para levar os dois... então terei que levá-los em uma e você na outra, Artêmia.

    Aceitou por fim, pensava que talvez sendo gentil com o humano ele não abriria sua boca para falar aquelas coisas novamente. Levaria ambos... apenas se fosse presos em suas garras, jamais permitiria Jasor ou muito menos Axle em seu dorso... em seu local mais vulnerável, o homem com a lâmina brilhante? Jamais!

    - E só os levarei até sua cabana... diga para os dois ficarem um ao lado do outro que apanharei ambos e poderemos finalmente partir.

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qua Abr 06, 2016 5:55 pm

    Seus olhos se fecharam quando sentiu aquele cheiro. O fogo encantado tinha perdido as forças, provavelmente estava ligado aos sentimentos do loiro, e agora ao inves das chamas fantasma havia chamas reais. Naquele momento seu olfato era uma maldição. Ele sabia qual era o cheiro de Artemia, a humana, e conseguia distinguir a fragrancia dela lentamente se deteriorando na carbonização junto com outros odores mais desagradaveis, como o de cabelo e gordura. Precisou repetir varias vezes para si mesmo que ela ainda estava ali para não sucumbir a terrivel sensação.

    Quando Artemia tocou seu peito, fez questão de sorver varias vezes seu cheiro para sobrepujar a experiencia emocional do momento, ainda que agora seu cheiro fosse em parte diferente do original. Repousou sua palma sobre a dela, reforçando silenciosamente seu apoio a ruiva. Ela estava angustiada, e quando se dirigiu ao dragão sabia que tentaria fazer algo para se livrar daquilo. Um ultimo clamor a Jasor. O barman tinha aprendido a gostar dela quando era humana, em pouco tempo tinha passado por muita coisa com ela, visto muita coisa. Seu lamento era compreensivel, afinal uma morte nunca é algo leve. Deveria achar que a humana que amou nunca mais retornaria, que o demonio que voltou parecia e lembrava como a antiga maga, mas sua essencia se perdido para sempre.

    Espiou de canto ao ouvir a respiração pesada do dragão. E para isso não havia misterio, ele não gostava do humano e Artemia o tinha feito esperar ainda mais pelo loiro. O problema era se ficasse descontroladamente furioso mais uma vez. Axle o observou atentamente ate perceber que estava tentando se acalmar. A demonesa realmente tinha grande influencia sobre ele. E quando a mesma voltou, segurou em sua mão e a acompanhou até a pata do dragão. Mas as palavras de Venkar o fizeram parar antes de subir na pata. Não era uma situação confortavel, ter que se subjugar a ser capturado pela pata de uma criatura gigante. Mas se o dragão estava disposto a carrega-los, era justo que decidisse o modo mais confortavel para si mesmo. Caminhou na direção da outra pata e parou frente a ela. Acenou então com a cabeça para declarar que estava pronto.
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qua Abr 06, 2016 6:41 pm

    Em meio a fogueira a silhueta masculina permanecia praticamente inalterada, exceto que suas roupas pareciam estar sendo consumidas rapidamente. Mas a feminina se retorcia, enegrecendo-se, diminuindo, abrindo buracos onde a incineração atacava mais forte. A fogueira parecia intensa demais para o tipo e quantidade de combustivel que estava disponivel.

    Testemunhou com um fascinio morbido o fogo devorando sua amada. O elemento com o qual tinha tanta afinidade destruia a mulher por quem tinha se apaixonado. O fogo puro, original, selvagem, não perdoava nada. Qualquer coisa era sua vitima em sua fome insaciavel, prontamente carbonizado sem um momento de hesitação. Seres vivos habitavam a terra, a agua e o ar. Mas nada vivia no fogo. Ele não aceitava habitantes, não nutria invasores. Ele aquecia e iluminava, mas apenas para aqueles que pagassem seu custo e o respeitassem com temor. A Artemia que nasceu de uma mãe a dezoito anos atrás, que viveu sua infancia e juventude, que partiu solitaria em busca de seu pai. A maga que aprendeu sozinha seus poderes, a mulher timida e sexy. Suas lembranças mais fortes e as mais terriveis. Seus sentimentos. Incendiados sem a menor consideração. Irrelevantes para o fogo.

    Sua alma realmente tinha sobrevivido ? Ou o demonio que voltara apenas roubou as memorias e o corpo da humana ? Ela ainda era a verdadeira Artemia, timida e meiga, ou uma imitação para se encaixar na espectativa de Jasor ? Seu coração ainda era bom, mesmo depois de ser estrangulado e maculado pelo inferno ?

    Algo se movia a frente da fogueira. Não conseguia ver bem, seus olhos pareciam estar marejados, mas conhecia os contornos daquela pessoa. Parecia ser gradualmente acometido por uma surdez inexplicavel, mas la no fundo ouviu algumas palavras que ela gritava. Via a ruiva quase como uma pintura que se movia, deixando algo escuro no chão. Não conseguia raciocinar o que tinha visto ou ouvido. Ele via verde o encarando, brilhando como duas joias. Ela veria perdido no fogo um olhar perdido, vazio, soterrado pela dor.

    Não houve uma resposta falada. Artemia perceberia que ele estava em um estado completamente desligado do mundo. Ele não sabia que precisava responder algo, não conseguia pensar direito. Voltou a olhar a Artemia em chamas. Não havia mais beleza, sorrisos ou provocações. Tornava-se a cada segundo uma massa amorfa de algo humano. Sentia como se sua mente estivesse sendo incinerada junto. Irrelevantes para o fogo...
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Abr 06, 2016 6:57 pm

    A ruiva havia percebido a ira de Venkar crescer aos poucos. O que a surpreendeu foi a forma como ele buscou se acalmar, bufando e soltando baforadas pelas narinas. Ela suspirou aliviada ao ver Axle caminhar até a outra pata e estar preparado para ir.

    Porém, algo chamou sua atenção. Jasor não havia sequer respondido. Seu olhar vago não demonstrava nada além de perda. Como se estivesse oco, tanto por dentro, como por fora. O trauma em ter o antigo corpo de Artemia queimando lentamente em seus braços não o deixaria seguro. Ela precisava fazer algo. Precisava cuidar de Jasor da mesma forma como ele havia cuidado dela.

    Antes de terminar de subir na pata do dragão, a ruiva correu novamente ao encontro de Jasor, adentrando nas chamas e puxando seu braço lânguido para que ele a acompanhasse. No caminho, pegou de volta seu comunicador e o ocultou imediatamente. Não poderia deixa-lo ali, sozinho. Não faria isso. Não conseguiria.

    O rapaz parecia estar sem vida enquanto ela o puxava até a outra pata de Venkar. O olhar suplicante da ruiva poderia ajudar o dragão a entender o quanto ela necessitava carrega-lo naquele momento. Havia deixado as chamas para trás, bem como as cinzas que se acumulavam ao chão. Contava com a ajuda de Axle para acomoda-lo dentro das garras do dragão e não esperava grandes reações de um Jasor tão traumatizado.

    - Vamos agora, por favor!

    Urgiu Artemia, agora subindo na pata solitária. Ainda observava Jasor com extrema preocupação, mas agora seu coração parecia estar levemente aliviado em tê-lo ali.

    A ruiva faria de tudo para traze-lo de volta à lucidez. Faria de tudo para que ele voltasse ao normal e que sorrisse novamente.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Qua Abr 06, 2016 8:46 pm

    A paciência do dragão havia finalmente chegado ao fim.

    Vendo Artêmia quase subir em sua pata e logo depois literalmente escapar por entre seus dedos para buscar um Jasor que mal respondia ás suas suplicas, Venkar decidiu agir.

    Axle era o que estava mais próximo então talvez dificilmente ele teria como reagir e/ou pegar suas armas. Avançou com a pata direita e o pegou, como uma pessoa pegaria uma garrafa, deixando seus braços prensados sobre seu corpo. A força do dragão era suficiente para que talvez ele não conseguisse se mexer ou conseguir sacar alguma de suas armas. Não o esmagava, apenas o mantinha preso para que não o impedisse de fazer o que planejava.

    Avançava com a pata esquerda para impedir que Artêmia levasse o humano moribundo até Axle e a colhia da mesma forma que Axle, de forma firme, prendendo seus braços também, mas menos forte. Não desejava ferí-la, mas com certeza ouviria protestos aterrorizados vindo dela.

    Estava cansado de esperar, e principalmente ter que levar os dois consigo... então avançava o longo e musculoso pescoço e para espanto e talvez horror de suas duas "presas" colhia Jasor entre os dentes afiados de sua bocarra mortal.

    Não o cortava ou perfurava seu corpo frágil. Tentava pelo menos... e assim que sentiu ter os três sob seu domínio, abriu as asas enormes e deu um salto poderoso, se lançando ao céu que começava a escurecer, e bateu as asas fortemente para manobrar o corpanzil e finalmente voar na direção da floresta.

    Não conseguia evitar, um corpo ou objeto entre os dentes de qualquer ser vivo o fazia salivar um pouco... encharcando Jasor com saliva fedendo á carniça... talvez isso o acordasse de seu transe... não que isso fosse uma coisa boa... acordar JUSTAMENTE entre os dentes do dragão que abominava.

    Ele podia, assim como os outros dois ver a paisagem da cidade destruída passar velozmente lá embaixo, e o ritmo constante e potentes das grandes asas da fera escamosa negra.

    Todos os três podiam sentir que suas vidas estavam nas mãos, ou garras daquela perigosa fera, ele os mataria ? Ou cumpriria a palavra de levá-los para a cabana?... Somente o futuro diria...
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qui Abr 07, 2016 1:07 pm

    Axle ja esperava que a conclusão fosse aquela. O homem teria que lidar sozinho com aquela situação, com aquele trauma. Enterrar um ente querido ja era algo dificil. Mas queima-lo e ver o corpo se desfazendo era algo completamente alem. Não achava que fosse fazer aquilo, e não esperava que se recuperasse rapidamente daquilo. Era um caminho que teria que trilhar consigo mesmo, até encontrar um rumo.

    Exceto se algo acontecesse antes. Se uma certa ruiva impulsiva voltasse pela segunda vez ! O que Artemia iria pedir dessa vez, o rapaz ja estava quebrado ! Ela o arrastou de volta, desesperada para ajuda-lo. Para Axle isso mostrava que ela ainda continuava ela mesma, o que não quer dizer que fosse algo a se louvar exatamente. Eram bom saber que ainda havia compaixão em seu coração, mas nem mesmo sua forma demoniaca a salvaria sempre que agisse sem pensar. Suspirou. Lembrou-se que não poderia protege-la todo o tempo.

    -Artemia...


    Não achava que era uma boa ideia traze-lo consigo, tanto por precisar de espaço quanto pela proximidade com o dragão. Mas afinal, era uma melhor ideia deixa-lo ali sozinho sem saber qual o estado dele ? Talvez se ele ficasse com o rapaz até que...

    Subitamente as opções acabaram. Sentiu algo enorme envolver seu corpo, e então viu que era a pata do dragão. Surpreso olhou para a fera e a viu pegar outra coisa, Artemia. Mas não havia um terceiro braço, so havia...a boca. Quando viu o focinho se fechando no corpo de Jasor Axle desesperou-se. Começou a requisitar toda a força de seu corpo na esperança de se libertar. Mas o que era aquilo pendendo ? Não tinha engolido o loiro ? Constatou então que o humano estava vivo, e que estava carregando-o como um animal recolhe seu filhote. Era um avanço enorme para a criatura que tentou mata-lo a poucos minutos antes.

    Que ideia de Artemia. Era mais seguro ter percorrido a pé todo o trajeto. Mas agora estava feito. Relaxou em sua prisão escamosa e esperou que o dragão cumprisse o que tinha acertado com a demonesa.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qui Abr 07, 2016 2:01 pm

    A temperatura estava...confortavel. Por que estava assim ? Sem tempo para respostas. Sentiu um solavanco em seu braço, algo que o puxava para frente. Fogo tinha a capacidade de mover coisas agora ? Não era o fogo. Eram mãos, macias. Tropeçou quando foi forçado para fora do "altar", deixando cair o corpo que segurava dentro da pira. Havia uma mistura enegrecida e quebradiça grudada em seus braços e seu peito. Olhava para trás, para o que tinha escapado de seu abraço, sem saber para onde estava indo. Estava frio. Por que estava frio ?

    Estava nu mais uma vez. As chamas não lhe causavam dano, mas o mesmo não podia ser dito de suas roupas, que nunca foram feitas para resistir ao fogo. Ele mesmo não tinha consciencia de como estava. Para onde estava indo ? Parecia um esforço descomunal para virar a cabeça para frente. A primeira coisa que viu foi uma bela e redonda bunda coberta por uma calça de couro. A segunda coisa que viu não foi nem de perto tão agradavel. Uma bocarra preenchida por uma infinidade de presas do tamanho de espadas aberta a sua frente. A imagem transposta da primeira vez que tinha visto o dragão acontecia simultaneamente a aquele ato. Por reflexo do medo antigo, Jasor cambaleou para trás assustado tentando se livrar do ataque, mas não conseguiu evitar que seu braço tivesse sido capturado.

    O universo era tão ironico, tão sadico, que repetia a mesma cena mais uma vez ? Um homem com seu braço preso nos caninos de uma besta gigante por causa de uma mulher. Erguido pelo membro, ele dobrou o cotovelo como se segurasse o dente por dentro, e então ganhou os céus. Saliva descia por metade de seu corpo, mas isso não incomodava. O que incomodava era que a gosma ficava mais fria com o sopro do vento, que por si so ja causava uma perda de temperatura. Por que estava tão frio ?
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qui Abr 07, 2016 2:20 pm

    Assim que puxou Jasor para fora da pira, a ruiva não reparou em sua nudez. Tudo que queria era retira-lo daquela escuridão entorpecida em que ele se encontrava. Quando conseguiu puxa-lo até o encontro de Venkar, teve uma mudança de planos que a pegou subitamente de surpresa.

    O dragão havia não só prendido Axle dentro de suas garras, como também a soltado de Jasor com violência, a forçando a ficar presa em sua pata. Desesperada, Artemia agarrou as garras do grande dragão e conseguiu vislumbrar sua bocarra abrir imensa, devorando um Jasor extremamente assustado e caído para trás.

    Com um grito alto e fino, a ruiva começou a dar chutes e socos nas garras de Venkar, ainda que soubesse que não passariam de meras cócegas ao dragão.

    - Jasor!! Jasor!! Não!! Venkar, não coma ele! Por favor!! Não!!

    Berrava ela, ensandecida, em meio aos pontapés agressivos na textura escamosa da pata de Venkar. Porém, com um último pontapé, ela finalmente conseguiu visualizar Jasor, pendurado em apenas um braço, salvando sua própria vida antes que fosse abocanhado pelo dragão.

    - Segura ele, Venkar, segura ele!! Não deixe ele cair, mas também não o coma!!!

    Gritou mais uma vez, aos prantos. O que o dragão planejava, afinal? Ela mal teve tempo para absorver a mudança de clima: os ventos dos céus agora rebatiam em seus cabelos, graças às frestas entre as garras de Venkar. Como poderia salvar o barman, se estava presa? A frustração era óbvia na ruiva.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Qui Abr 07, 2016 6:48 pm

    Maldito humano.

    Era a única coisa que o grande dragão pensava enquanto levantava seu enorme corpanzil pelo céu que se avermelhava cada vez mais que o sol descia pelo horizonte.

    Porque Jasor tinha que recuar bem no momento que ia colhê-lo entre os dentes? Por muito pouco não perfurou o seu braço com um de seus dentes inferiores. Porque Artêmia não parava de gritar? Ele não ia devorar o homem... havia aceitado levar ambos para a sua cabana... Ele não tinha três braços! Seus chutes e socos em sua pata de nada adiantavam... ele via o que ela fazia mas não a soltava, na verdade segurava mais firme, para que ela parasse logo com essa tolice.

    Sentiu o braço deslizar lentamente, a saliva apenas atrapalhava.. deixando seu braço mais escorregadio.... e .. bem.. mais saboroso. Tinha que tomar uma atitude logo, ou poderia ficar com apenas um braço entre os dentes e o restante de Jasor cairia no chão rígido da cidade láá embaixo. Estavam já há várias centenas de metros de altitude. Uma queda deste porte seria mortal. E Venkar também não queria pousar... Yumi tinha lhe dito que havia criaturas perigosas que andavam na cidade á noite. Então o local mais seguro, era o céu.

    O braço, encharcado de saliva estava ficando cada vez mais difícil de segurar. Venkar tinha medo que em qualquer momento Jasor iria cair e então fez a única coisa que lhe veio á mente: jogou a cabeça para o alto em um rápido movimento do longo pescoço, fazendo o corpo do pobre homem girar em pleno alto e assim que descesse, o abocanharia novamente.

    Era exatamente o mesmo movimento que fazia quando engolia uma presa. Os dentes se fechavam todos ao redor do corpo de Jasor, sem nenhum o atingir. E o dragão precisou de MUITA força de vontade para impedir o movimento instintivo de empurrar o que estava em sua língua goela abaixo....

    O mesmo porém não significava para os seus dois "passageiros" que devido á estarem cada um preso em uma garra, podiam ver a grande fera mover o pescoço em um arco e a cabeçorra jogar um assustado Jasor para o alto.... e enfim fazê-lo literalmente sumir de vista entre os seus dentes afiados quando fechou a mandíbula. Logo após isso olhou de relance na direção de Artêmia, mas não respondia suas súplicas e prantos... não podia falar com Jasor deitado ou sentado sobre sua língua, e não abria a bocarra novamente por receio de sua "carga" cair.

    Caso Axle ou mesmo a sucubus se debatessem mais, veriam que estavam em uma altitude considerável e qualquer tentativa de ferir o dragão não era inteligente. Alguém quando sente dor tende a abrir as mãos e ambos podiam cair para a morte... talvez não Artêmia pois ela poderia planar.

    Enfim. O dragão seguia em seu vôo constante em direção a floresta que finalmente havia alcançado... mais um pouco e estariam por sobre o lago que separava a cabana de Artêmia de um lado, e a casa de pedra e caverna de Venkar do outro lado.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Sex Abr 08, 2016 7:56 am

    Ja tinha se arrependido de ter aceitado a ideia umas 30 vezes enquanto estavam voando. Observando bem, as ruas nem parecia ser tão perigosas. Comparado a estar capturado por um dragão sem poder se mover direito pareciam até o paraiso. Um dragão que perdia o controle facilmente. Até quando ia ser influenciado por Artemia ? Por causa dela estavam todos vulneraveis aos impulsos de uma criatura brutal, bastava apenas uma pequena vontade que ela não controlasse. Não era algo que repetiria mais uma vez se tivesse escolha.

    Mas ainda assim estava tranquilo. Não porque se sentia seguro, mas porque não havia o que fazer. Fechou seus olhos, sob os gritos de desespero de Artemia, e lembrou-se de sua impotencia. Quando sua conexão com a natureza desapareceu, sentiu-se perdido, frustrado e solitario. Era como se tivesse perdido um sentido ou um membro. Por um tempo achou que era temporario, mas logo a realidade veio. Aceitar a verdade era como ignorar uma chaga que não cura. Parecia ter passado uma eternidade.

    Quando abriu os olhos foi justamente no momento que o dragão jogava Jasor para cima e o abocanhava no ar. Testemunhou cada segundo como se passasse em camera lenta. Estava realmente comendo o barman ?

    - O que esta pensando dragão ?

    Não era uma pergunta indigada. Era ligeiramente acusatoria, mas completamente sem emoção. Estava praticamente "aceitando seus destinos" naquele ponto. Suas mandibulas não mastigavam nada, interessante. A garganta não moveu-se de forma a engolir algo. Não havia cheiro de sangue. As ações do dragão antes daquilo indicavam que pelo menos naquele momento ele não queria ferir ninguem, talvez para mostra a Jasor que ele não era apenas uma animal irracional esperando sua proxima refeição. Axle olhou para o vazio, e então de volta para Venkar.

    - Você o esta segurando dentro da boca, não é ? Pode responder balançando sua cabeça
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Sex Abr 08, 2016 9:57 am

    Os afiados caninos passavam perigosamente perto de perfurar o corpo do rapaz. Não atoa que seu braço exibia dois corte, um de cada lado, proporcionais a posição onde tiveram contato com as presas do dragão. Venkar talvez cheirasse ou talvez ouvisse, caso se concentrasse bem, o odor ou o som de algo como metal sendo esfriado em um balde de agua. Isso porque o que causava isso era os filetes de sangue que escorreram do braço de Jasor e entrava rapidamente em contato com a saliva do bicho, resfriando-se rapidamente. O sangue do rapaz era incompreensivelmente quente.

    Alguem gritava, era uma voz feminina. Porque estava berrando tão desesperadamente ? Sentia um  cheiro estranho, vinha do muco que escorria na sua pele. Lembrava defuntos, carcaças, morte. A boate tinha esse cheiro nas ultimas horas, quase que se acostumara a ele. Artemia. Nunca teve esse cheiro. Antes era um aroma jovem e enebriante. E ai pulou direto para o de carne cremada. Estava muito frio.

    De uma hora para outra foi jogado para cima, e se sentiu livre, voando sem contato com nada. Nem um dragão lhe carregando nem a terra para lhe sustentar. Estava apenas no ar, flutuando no ceu azulado como os passaros. Será que ele...sabia voar ? O ceu de repente sumiu, uma jaula de lanças fechou-se a sua frente. Havia caido em algo macio, e quando tateou não lembrou de nada que tivesse aquela textura. Estava escuro e frio, umido e estranhamente macio. Tudo o tocava diretamente sem proteção, ja que estava nu. A sensação desagradavel de suas partes roçando naquela superficie apertada se movia sorrateiramente no fundo de sua mente, escondendo-se e esperando a hora de ressurgir. Embora ao tocar o centro da coisa tivesse o tato de uma lixa muito aspera. Era dificil ficar de pé, a coisa se movia o tempo todo como se enviasse mais gosma na sua direção. Tentou se aproximar das lanças e se apoiar em uma delas, a que estivesse mais afastada das outras, sem o risco de se ferir se elas se movessem novamente.

    Aquilo...será que era o que estava pensando ? Não, não deveria ser. Era mais facil estar sem movendo na direção do inferno depois de ter sido cremado junto a Artemia. O "trem" para o inferno facilmente se encaixaria naquela descrição.

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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Sex Abr 08, 2016 10:25 am

    Como previra, de nada adiantava lutar contra o grande dragão. Porém, a ruiva ainda não estava pronta para cessar seus gritos desesperados, pois ainda havia a esperança de conseguir alcançar Venkar e faze-lo não engolir Jasor. Ainda em meio a chutes e socos, Artemia sentiu as garras do dragão se fecharem ainda mais contra seu corpo, a impossibilitando praticamente de se mover. Lágrimas furiosas escorriam pelo rosto da demonesa, que agora segurava firmemente as garras como se fossem barras de uma apertada jaula.

    Então, colocando sua cabeça em uma posição que a permitisse visualizar o lado de fora, a ruiva vislumbrou uma cena que nunca gostaria de ter visto. Se pudesse apagar da sua mente naquele exato segundo, ela apagaria. Mas não tinha volta, estava feito. O dragão jogou Jasor para o alto e o engoliu inteiro, em uma única vez, sem nem sequer mastigar!

    - NÃÃÃÃO!!! Jasor!!! Venkar, não acredito que fez isso, não acredito! – berrou ela, dando vários socos e pontapés na estrutura firme das garras do dragão, sem se importar em machucar a si própria no processo.

    No entanto, Venkar sentiria algo diferente acontecendo naquela área onde Artemia estava. Uma nuvem verde esmeralda começou a surgir em volta da maga, certamente em relação ao seu descontrole emocional do momento. A área da pata dele começava a esquentar gradualmente, causando uma ardência fina que atingia até mesmo seus músculos firmes por baixo das escamas. Ela estava chorando, em prantos, enquanto a névoa saía por entre as garras do imenso dragão. Caso não chegassem logo em solo firme, a névoa parecia aumentar perigosamente de temperatura, o que poderia ser perigoso, dado a altura em que estavam.
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    Venkar

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Venkar em Sex Abr 08, 2016 10:29 am

    [Postando a próxima na floresta!]

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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