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O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    4° Círculo Infernal

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    Artemia

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    4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Dez 03, 2015 3:33 pm

    Aos poucos, a maga foi perdendo seus sentidos. Os ouvidos já não escutavam as vozes ao longe e os olhos estavam desfocados e escurecidos. E então, a escuridão surgiu enquanto Artemia dava seu último suspiro.

    Porém, não durou muito: repentinamente, a maga se levantou. Voltara a enxergar e a escutar. Viu Jasor abaixado, gritando. Observou Yumi se aproximar, pesarosa. E então notou Tetsuya se ajoelhando sobre o corpo de alguém. "De quem seria?", a ruiva se perguntou.

    Assim que acompanhou o olhar de todos, percebeu o corpo deitado, estático. Se parecia com ela... mas, espere um minuto. Era ela! Como isso seria possível? Ergueu as próprias mãos e as observou. Estavam translúcidas e enevoadas.

    - Não pode ser...

    Disse, baixinho, olhando seu próprio corpo deitado ao chão. Se aproximou de Jasor e tentou apoiar uma mão em seu rosto: não conseguiu; a mão entrou direto na pele dele, como uma luz forte em dias claros. Se afastou, temerosa.

    - Jasor! Jasor! - chamou, ajoelhada ao lado do barman. Se aproximou de Tetsuya e tentou toca-lo, falhando miseravelmente. Ainda assim, sentiu-se aliviada em ve-lo recuperado. Seu esforço havia valido a pena, afinal...

    Se levantou ao sentir uma energia cálida vinda de cima. Ergueu a cabeça e observou uma luz forte, e ainda assim calma, se aproximar de seu corpo. Aquela luz era só para ela? Os outros não estavam vendo. Não queria deixa-los, mas sentiu-se compelida a ir na direção daquela cidade bonita acima. Algumas pessoas de branco abriam os braços para ela. Quem eram? Mas, de qualquer forma, parecia ser tão bom...

    Artemia esticou os braços e sentiu seu corpo translúcido flutuar na direção da luz. Até que, estranhamente, essa mesma luz começou a se afastar... e se afastar...

    A ruiva olhou para baixo. Algo pesado a puxava, como um imã. Criaturas bestiais e um deserto aterrorizante a chamavam, a obrigavam a ir. E a luz de cima estava cada vez mais distante.

    - Não!!!

    Exclamou assim que sentiu seus pés pousarem no piso arenoso. Estava com uma estranha sensação pesada e uma tristeza sem explicação tomou conta de seu ser. A maga viu os urubus virem à sua direção e fechou os olhos, tapando o rosto com as mãos. O medo deslizou pela sua pele em forma de arrepio e deu lugar ao desespero.

    Mas, quando pensou ser atacada e mutilada pelas criaturas, ouviu a voz de Fuyu. Ele estava ali com ela! Abriu os olhos e ergueu a mão: o anel de cristal continuava em seu dedo. Sorriu, esperançosa. Não estava sozinha!

    Caudas a envolviam agora. As estacas de gelo protegiam seu corpo e afastava os animais para longe. Passou a mão pela sua cabeça, claramente aliviada, e sentiu algo rígido ali. Franzindo o cenho, deslizou os dedos da mão na estranha forma em seu crânio; incrivelmente sentia como se fosse um membro de seu próprio corpo. E era: a ruiva finalmente notou que estava com um par de chifres pontudos em sua cabeça.

    - Fuyu?! Eu... Eu... Demonesa?!

    Disse apenas, aturdida e confusa. Virou seu corpo ao sentir algo balançar nas suas costas. O que seria? Passou as mãos e sentiu a textura firme de uma cauda vinda direto de seu bumbum. COMO ASSIM?!

    Girou o corpo duas vezes, tentando enxergar a cauda, até que se deu conta finalmente de que conseguia movimenta-la da mesma forma que movia um braço ou uma perna. Tinha controle sobre ela! Lembrou-se das caudas de Fuyu, Tetsuya e Yumi. Agora ela era um deles, porém, notou que sua cauda não era peluda, e sim rígida e com uma ponta afiada em forma de seta.

    - Que tipo de demonesa eu virei? Não consigo ver... - perguntou ao raposo, enquanto tentava segurar sua cauda. Não conseguia, ela escapava de suas mãos como se tivesse vida própria e fugisse de sua própria dona!

    Sentiu a cauda vir dar uma espanada em seu próprio rosto e tentou afasta-la, irritada. Ainda demoraria até se acostumar...

    Reparou, ainda, em algo se movendo em suas costas. Parecia ter vida própria também. A ruiva virou um pouco o corpo e então algo inédito aconteceu: um par de asas negras, de tamanho médio, se abriu por inteiro nas suas costas. Artemia observou e tocou as mãos na superfície rígida das asas: não eram plumas como as de anjos, e sim duras e negras como de morcegos.

    Aquilo a assustou mais do que o esperado. A ruiva deu um grito, tentando fechar as asas a qualquer custo; porém, a cada movimento novo, elas pareciam se abrir ainda mais. Decidiu ficar parada e esperar fecharem sozinhas.

    E então, finalmente largando as mudanças de seu corpo para lá, se deu conta de observar onde estava. Os refúgios ao longe pareciam ser menos seguros do que onde ela estava. Sabe-se lá o que encontraria naquele fim de mundo!

    - Para onde vou? E por que vim parar aqui?! Eu parecia estar indo para outro lugar bem diferente desse...




    (Essa imagem é só pra visualizar como são as asas, chifres e cauda da Artemia. No mais, ela continuaa mesma coisa, ruiva e tal.)
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Dez 03, 2015 7:43 pm

    -Me desculpe por isso, é que....achei que seria mais sua cara. Sabe, você me surpreendeu, e mostrou um certo talento para esse tipo de coisa; conseguirá fingir ser uma succubus melhor do que qualquer outra espécie de demonesa...são a encarnação da sensualidade, da sedução e tentação.

    A voz de Fuyu falava calmamente, mas num tom brincalhão, e ria um pouco. Parecia envolver constantemente a garota em sua propria aura demoniaca, simulando uma transformação perfeita. Mas logo disse, num tom mais sério.

    -Mas atenção; estar exposta o tempo todo ao inferno poderá deixar marcar irreversiveis em sua alma, e acabar realmente te transformando nisso. Mas acredito que é melhor isso a se tornar uma alma condenada aqui, por isso o porque do que fiz a você...o tempo para isso é variável, mas imagino que talvez tenha...12 horas? De qualquer forma, vá para o ponto mais alto do 4º circulo infernal o quanto antes, na Torre da Casa sem Janelas. Ainda nao sei porque veio para cá, mas suspeito que alguem tenha lhe puxado à força....mas lá em cima, um anjo ou alguem com poder de purificar poderá pelo menos te tirar daqui a salvo, para que consiga ressucitar em seu corpo novamente. Anjos nao costumam vir aqui muito, como deve imaginar, mas acho que isso será resolvido em alguns instantes...

    A voz de Fuyu logo sumiu, e voltava para o anel. A aura continuava, porém.

    Do céu, outro raposo vinha caindo vertiginosamente na direção de Artemia. Empunhava uma Yari - uma espécie de lança - para baixo, na direção da garota, conforme caía.

    -Demonio....maldito!!!

    Ele gritava do alto, acelerando na direção da garota. Será que via Artemia como realmente uma demonesa? nao conseguia identifica-la? será que ele realmente pretendia ataca-la com aquilo? o que aconteceria se morresse denovo, e isso era lá possivel? Nao havia mais nenhuma criatura viva ali perto; a ruiva realmente parecia ser o alvo! Várias perguntas e duvidas lhe inundavam a mente, somadas à apreensão, medo...e Fuyu havia ficado em silencio, sem fazer nada. Talvez ele a tivesse abandonado, enfim...

    Tetsuya continuava descendo, já estava a poucos metros, e então arremessava a arma, de gelo dourado, na direção da ruiva. A energia sagrada daquilo agora parecia ameaçadora; talvez agora pelo fato da garota ter aqueles chifres e asas. Talvez por parte de sua energia vital ter se transferido ao mestiço, parecia conseguir sentir o que pensava, o que sentia. Era raiva, agressividade, e nela. Que ironia, ser morta pelo homem pelo qual ela dera sua vida...

    E então, a lança cravou no chão, passando a um palmo do corpo de Artemia, afundando na areia. Um grito surdo foi ouvido, conforme uma daquelas tênias com espinhos saía da areia, se contorcendo e definhando em torno da energia sagrada daquela lança. Então....seu alvo era aquela criatura, e não ela! Tetsuya caiu logo a seguir, sobre Artemia, abraçando-a, provavelmente um gesto que a surpreenderia.

    E apertava o abraço, levando uma das maos à nuca da ruiva. Parecia aliviado em vê-la; pensava que tinha-a perdido para sempre. Odiava demonios, odiava o inferno ainda mais, mas desceria a ele novamente se fosse preciso para ver Artemia novamente. O fato dela ter dado a propria vida por ele parecia tornar tudo muito mais dificil para que ele conseguisse esconder o que sentia por ela. Nao queria soltar-se, senão para beijá-la de alivio, de alegria, felicidade...e ela sequer precisaria usar daquele "link" da energia vital, era claro demais nos gestos. Mas como sempre, era cabeça dura demais para admitir verbalmente, orgulhoso demais para dizer abertamente o que sentia por ela.

    -Sua idiota...idiotaidiotaidiotaidiota!! Por que fez aquilo!? - dizia, agora dando cascudos na ruiva. Que sequer chegavam a doer muito, na verdade; era quase um gesto de carinho. Mas esbarrou a mão num dos chifres, e se afastou um pouco, olhando-a de cima à baixo.

    -M-m-mas o q-que...

    Só agora notara a transformação pelo qual ela passara,de fato. Não só as asas, a cauda em seta, os chifres, mas até mesmo seus trajes haviam se transformado em algo extremamente chamativo e sensual, exibindo muito mais pele do que ele estava acostumado a ver. Era uma peça que Fuyu pregara na ruiva, aparentemente, ao mudar sua forma; mudara também suas roupas para aquelas que uma succubus usaria no cotidiano! O rosto do mestiço ia corando violentamente, embora nao fosse capaz de desviar o olhar. Parecia hipnotizado, paralisado com a vergonha...e as palavras de Fuyu voltariam à cabeça da garota; agora parecia uma demonesa cuja raça "são a encarnação da sensualidade, da sedução e tentação".
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sex Dez 04, 2015 10:24 am

    Com o comentário de Fuyu a respeito de ter um certo “talento” para os fins succubus, Artemia sentiu seu rosto arder de vergonha; deu um berro zangado com o demônio ao estapear o cristal:

    - Oras, seu...! – vociferou, rangendo os dentes. – N-não sei nada sobre isso de s-sensualidade ou tentação... – continuou, resmungando. A maga claramente não se sentia a vontade sobre o tema, e isso parecia divertir ainda mais o demônio.

    Porém, sua expressão se tornou mais séria conforme ele falou sobre o perigo de sua transformação: ela possuía apenas doze horas para ressuscitar, ou então permaneceria ali como demonesa para o resto de sua eternidade...

    O pensamento causou um calafrio imediato na ruiva. Sua cauda desobediente não parava de sacudir; Artemia se perguntou se aguentaria esse novo “corpo” por muito tempo. Principalmente quando Fuyu terminou de transforma-la: a maga agora olhou para baixo e viu seu corpo inteiro com outras roupas – ou melhor, quase sem roupas.

    Passando os dedos pela cabeça, sentiu suas orelhas pontudas logo abaixo dos chifres, como as de um elfo. Usava um top negro decotadíssimo que inflava ainda mais o volume de seus seios. Não vestia mais suas calças de couro envelhecido; haviam sido substituídas pela parte de baixo de um biquíni fio dental igualmente negro. Suas pernas nuas foram tampadas apenas por uma bota que ia até um pouco acima dos joelhos. A maga estava vestida inteiramente de forma provocante e se sentiu, pela primeira vez, contente por ter um par de asas que tapava grande parte de seu bumbum de fora.

    Com tais vestimentas, era possível ver as curvas torneadas da maga. Apesar de sempre ter tampado seu corpo com vestes largas, Artemia possui um corpo delineado e esguio. Agora, vestida de demonesa Succubus, a maga parecia estar ainda mais adulta, elegante e sensual. Porém, sentia-se obviamente constrangida pela vestimenta: se enrolou com o par de asas, a fim de tampar o corpo de si mesma. A maga havia ultrapassado seu limite de vergonha e agora seu rosto ainda parecia mais vermelho do que antes.

    - Não precisava exagerar... – ela resmungou, mais uma vez rangendo os dentes. E então parou para ouvir o que ele tinha a dizer a respeito de onde ela deveria ir. “Quarto Círculo Infernal...”, pensou consigo mesma, distraindo-se e soltando as asas para trás do corpo. Estava no Quarto Círculo Infernal!!! Tudo bem que ela não era nenhuma santa, mas para quê iria parar justamente nesse lugar se havia feito algo considerado altamente altruísta?

    Observou ao longe, procurando algum tipo de pista sobre a Torre da Casa Sem Janelas.  E se não encontrasse anjo algum? Ficaria fadada naquele local por toda sua eternidade, tendo que vestir essas roupas e lidar com esses monstros...

    Não terminou de concluir seu pensamento: logo notou alguém caindo do céu, empunhando uma espada na sua direção. O rapaz loiro possuía uma expressão de ódio no rosto; Artemia sentiu um tremor inteiro no seu corpo quando notou os olhos dele, sendo um dourado e outro azul-gelo...

    A ruiva se afastou, pálida. Ele queria mata-la. Não conseguira cura-lo, algo deve ter dado errado: ele morreu e foi lá para mata-la de novo, se é que isso é possível! Dando mais um passo para trás, pensou em correr o mais rápido possível para longe.

    A arma de gelo foi lançada na direção dela: como instinto de proteção, a maga tapou seu corpo com as asas, que agora a cobriam por inteira.

    - Ah!!

    Soltou um grito fino e reparou que não era ela quem ele havia acertado, e sim uma das tênias escondidas na areia. Uma onda de alívio perpassou sua pele; abriu novamente as asas e as colocou para trás do corpo, principalmente agora: Tetsuya vinha correndo na sua direção e se jogou em cima dela. A maga caiu na areia com ele por cima, abraçando-a com força.

    Se havia algum momento na sua vida em que havia considerado ser feliz, não chegava aos pés desse. Artemia riu, apertando-o em um abraço mútuo. Passou as pontas dos dedos no rosto dele, alisando suas bochechas e orelhas, sorrindo intensamente. Algumas lágrimas começaram a brotar de seus olhos conforme notava sua alegria duplicada pelo fato de sentir também o que ele sentia. Não se controlou – não havia motivos para se controlar ali! -, passou os dedos na nuca dele e aproximou seu rosto ao dela, beijando-o levemente nos lábios com toda ternura que possuía. Pensou que ele iria morrer com todo aquele sangue saindo de seu braço, mas agora estava ali, abraçada, com seus lábios colados nos dele...

    Tetsuya se afastou com uma expressão incrivelmente aterrorizada em seu rosto, logo após dar uns cascudos brincalhões nela. Artemia se afastou igualmente, sentando-se na areia e o encarando.

    - O que foi?

    Perguntou, franzindo o cenho. O momento de alegria havia escapado de seus dedos como um band-aid retirado à força da pele. O rapaz a olhou de cima em baixo, e somente então Artemia lembrou-se de seu disfarce e suas roupas absurdamente provocantes. Com um impulso, a ruiva se levantou e tapou o corpo com as asas, extremamente envergonhada. Seu rosto agora assumia novamente a cor vermelha que deixava suas sardas nas bochechas ainda mais aparentes.

    - E-eu posso explicar... – murmurou ela. O que diria a ele?! Que Fuyu, seu tão odiado pai, estava ali o tempo todo, protegendo-a e criando um disfarce para que não seja atacada pelos demônios reais do inferno? Jamais diria isso; ele não estava preparado ainda para ouvir a verdade.

    - Criei esse disfarce para me proteger dos demônios daqui. Tenho até doze horas para ressuscitar, ou permanecerei sendo demonesa por toda eternidade.

    Foi tudo que conseguiu dizer. As palavras saíam de sua boca sem pensar exatamente como. Sabia que Tetsuya não era burro e que desconfiaria dela na certa. A maga se aproximou, procurando pegar em sua mão em uma tentativa de acalma-lo.

    - Sou eu ainda. Esse disfarce é para me proteger. Preciso... preciso chegar até a Torre da Casa Sem Janelas o quanto antes, ou ficarei assim para sempre. Entendeu? – dizia pausadamente. Esperava, do fundo de seu coração, que o rapaz acreditasse nela.




    (Exemplo de roupa da Artemia)
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Dez 04, 2015 11:52 am

    O rapaz fora pego de surpresa com o beijo da ruiva; novamente sentia-se estremecer. Mas....se a primeira vez fora para enganar Carmiglioni, qual o motivo daquele segundo? nao era uma estratégia para algo; sequer havia outro alguem ali perto para justificar o gesto. Talvez fosse porque ela sentia o que ele tambem estava sentindo naquele momento, com aquele gesto? e o que era aquilo, na verdade, que parecia quase arrancar-lhe o coração do peito? após os cascudos, acabava se entregando ao gesto e, ao contrario da primeira vez em que tremia os labios, começava a move-los lentamente, contra os de Artemia. Quase que instintivamente, um dos braços começaria a envolvê-la pela cintura,até notar que...nao havia nada ali! o que acontecera com suas vestes? apesar da enorme mudança fisica da ruiva, só agora que se acalmava em vê-la bem é que notava todas aquelas mudanças.

    A pouco menos de 1m de distancia dela, os olhos percorriam cada detalhe da nova aparencia dela, conforme ela tentava se explicar. Levou uma das mãos à boca, procurando dissimular o queixo caído e o rosto ruborizado; se o coração fisico da garota parara há instantes atrás, o de Tetsuya parecia bater 2x mais rapido.

    -M-m-minha nossa...não f-fazia idéia que você era tão inc...

    ...crível? Linda? As palavras pareciam ter saído sem querer por entre os dedos que lhe cobriam a boca; fazendo as pupilas do rapaz se dilatarem, virando-se pro outro lado. Era óbvio que estava prestes a fazer elogios sobre seu corpo, mas ainda era resistente em deixar o lado rabugento, orgulhoso e cabeça-dura de lado. Por mais que odiasse demonios, sentia algo forte pela ruiva agora, de forma que entrava em um certo conflito. E não podia negar que aquela aparencia, por mais infernal que fosse, lhe atraía tanto. Talvez fosse o meio-sangue demoniaco dele proprio falando? de qualquer forma, nao iria conseguir olhar com ódio para ela, como olhava praticamente todos os demonios. Era um caso especial...

    Ainda virado para o outro lado, sentiu-a segurar-lhe a mão, e com o efeito que realmente o acalmava. E num tom estranhamente calmo, ele dizia:

    -erm...eu....sei que você nao seria capaz de fazer isso sozinha. Recem-chegados ao inferno ou se transformarao em condenados para servir como escravos ou matéria bruta, ou serão moldados por outros demonios para virarem novos demonios...então tenho certeza que algum demonio te transformou desse jeito, e provavelmente lhe contou sobre essa Casa Sem Janelas. Humanos jamais descobririam sobre isso sozinhos em tão pouco tempo aqui, até porque esse tipo de conhecimento é bem incompleto até para anjos...eu mesmo sei muito pouco sobre este lugar...

    Tetsuya dizia, suspirando. Era desconfiadissimo, e tal desconfiança lhe guiou os instintos perigosamente para perto da verdade, que ainda nao estaria preparado para saber. Mas surpreenderia a ruiva logo a seguir, ao virar-se novamente para ela. Os olhos azul-gelo e dourado fitavam os dela com serenidade, ao contrario do que ela esperaria, e logo dizia:

    -Mas sei que tem seus motivos pra nao querer me dizer agora, e....digamos que....talvez eu confie em seu julgamento por agora, e não farei mais perguntas. Já me basta saber que está sã e salva. Sua aparencia realmente vai ajudar muito a tirá-la daqui, e não....ficou....t-tão mal assim em você.

    Fechou os olhos, novamente sem graça com o proprio comentário, franzindo a testa.

    -Só prometa que nao fará algo idiota denovo como dar sua vida por mim...veja que dor de cabeça está causando!humpf...

    O grunhido rabugento era a forma que achava para agradece-la pelo que fizera, do jeito rabugento dele. Ainda assim, a ruiva conseguiria sentir a gratidão, preocupação e afetividade por trás daquelas palavras, que davam até uma certa graça ao jeito sisudo do mestiço. Tetsuya nao era muito com palavras, e parecia ainda estar numa fase de adaptação para conseguir dizer à ela o que realmente ela lhe fazia sentir. Apontou na direção de uma espécie de vilarejo ali perto, aquele cujas muralhas eram feitas de pessoas empilhadas entre ferros e arames.

    -Eu nao faço idéia de onde esse lugar seja, mas parece que poderemos obter informações por lá. Seja como for, procure agir de forma natural, apesar de tudo o que ver, e não se preocupe; nao está sozinha.

    Ele dizia, apertando um pouco a mão da garota, como se tentasse lhe convier mais confiança. Sua propria aura novamente ia adquirindo o mesmo aspecto demoniaco de antes, causando um pequeno suspiro de desanimo por parte dele; afinal ja nao bastasse ter ficado a boate inteira com ela. Mas por algum motivo nao parecia tao aborrecido assim como da primeira vez; era talvez um sinal que estava um passo mais perto de aceitar aquela sua metade.

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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sex Dez 04, 2015 5:45 pm

    O singelo beijo que ela deu ao vulpino se transformou em algo maior do que o esperado. O fato é que não havia pensado sobre, simplesmente fez! Seu estômago revirou quando os lábios dele começaram a se movimentar suavemente – A ruiva não entendia o que aquilo significava, mas sabia que era extremamente excitante e lhe provocou sensações inquietas em seu corpo.

    Artemia tentou arduamente disfarçar o constrangimento que sentia quando notou o olhar de Tetsuya percorrer pelo seu corpo semi nu. Ainda assim, não se sentia apenas constrangida; havia um misto de excitação e vergonha, resultando em uma ansiedade sem tamanho na jovem maga. Apenas o fato de estar tão próxima de Tetsuya fazia seu coração disparar acelerado. Sentiu sua respiração pesar quando seus olhos pousaram nos lábios dele, os quais ela acabara de beijar tão suavemente, e desejou, secretamente, poder repetir o ato.

    Mas ele virou o rosto. Virou! A maga, por reflexo, fez o mesmo, dando as costas para ele. Então, como um baque em seu coração, Tetsuya arrancou da ruiva sua máscara, revelando saber que ela não havia executado o disfarce sozinha e que não tinha como saber sobre a Torre da Casa Sem Janelas. Artemia levou uma mão ao seu coração. Tetsuya sabia. Seria mais fácil se ela contasse tudo agora e se livrasse do peso que carrega desde que saíra do cristal.

    Respirando fundo, a maga se preparou para contar e, antes que pudesse dizer a primeira palavra, foi surpreendida pelo vulpino, cuja atitude foi completamente contrária ao que ela esperava. Havia sido compreensivo e respeitoso, além de demonstrar confiança nela. Artemia se perguntou o motivo daquilo, já que o vulpino era sempre mal humorado e ranzinza, mas largou de lado tais questionamentos para virar seu corpo para ele novamente:

    - O-obrigada... - abaixou a cabeça, envergonhada principalmente por conta do último comentário dele, acerca de sua aparência. A maga sorriu timidamente e deu um passo para frente. Ele havia pego sua mão e agora emanava uma energia parecida com a que usou na boate. Artemia não deixou de notar o esforço do rapaz em aceitar, ainda que aos poucos, seu lado demoníaco. A isso, ela sorriu largamente para ele e começou a caminhar na direção do vilarejo à frente. Estar protegida a deixou mais tranquila, mas não poderia deixar de se esquecer das poucas horas que tinham até encontrar o local recomendado por Fuyu.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Dez 04, 2015 8:17 pm

    Tetsuya caminhava ao lado da garota em direção ao vilarejo, sem desvencilhar os dedos da mão dos dela. Ao mesmo que sentia-se mais calmo, tinha uma certa segurança de que poderia fazer algo desta vez, e nao deixar que algo lhe acontecesse. Dizia um pouco sem graça, olhando com o canto do olhar para as maos.

    -N-não me entenda errado, isso é só uma...medida de segurança! Se acontecer algo, posso reagir mais r-rápido. - dizia, ainda sem graça. Como se tentasse enfatizar sua desculpa, continuou - assim, por exemplo! - e puxou-a pela mão, nao com muita força, mas o suficiente para puxá-la em sua direção, rapidamente passando o braço por sobre seu ombro, contra seu torax, num gesto de proteção. O gesto, porem, saíra mais embaraçoso do que imaginava; podia sentir o corpo tão exposto com mais clareza daquela forma, e para piorar, as asas da garota cobriram-lhe completamente a visão. Era como se a simples presença da ruiva embaraçasse-lhe mesmo as manobras de combate mais simples; como ela tinha aquele efeito desestabilizador nele, pensava. E aquele rosto tão perto, sabia que seus labios nao estariam tao longe, bastava virar um pouco e...o que estava pensando!? Parecia um viciado, se tornando um adicto pior aos encantos da ruiva. Procurando reduzir o nervosismo que sentia, voltou a dar uma distancia "segura" da garota, sem ainda soltar-lhe a mão, antes que aqueles pensamentos lhe dominassem.

    -Erm....t-talvez seja melhor que tente aprender a controlar as asas e a cauda enquanto isso...embora talvez nao seja necessário. Logo estará de volta à Terra  ficará livre delas! Não que tenham ficado ruim em você...digo, quando voltar nao as terá mais, certo?...o que quero dizer é que apesar disso você nao ficou mal com elas...mas não que eu....

    Dava uma batida leve na testa, gesticulando negativamente. Aquela aparencia tão chamativa de Artemia parecia fazê-lo se embolar em pensamentos ainda mais do que na sua forma humana, que ja era bem atraente. Mas talvez pelo fato de estar sozinho agora, sem outras pessoas para distrai-lo, tornava sua atenção praticamente toda voltada à ela. E várias vezes se via olhando-a com o canto dos olhos, como se fosse impossivel desvia-los por muito tempo. Sentiu-se um pouco culpado; provavelmente estava deixando-a desconfortavel...mas realmente estava sendo dificil manter-se normal ao lado da ruiva que lhe despertava tantos pensamentos e desejos.

    E assim, de forma embaraçosa, iam se aproximando da extensa muralha de condenados. Eram pessoas, humanas, empilhadas de qualquer forma entre estacas e arames de aço enferrujado, que cravavam entre suas carnes, sangrando-as eternamente. Multiplos lamentos baixos poderiam ser ouvidos vindo daquelas pessoas, nuas, mas tão cobertas em barro, areia e sujeita que pouco lembravam sua humanidade perdida. A entrada era uma simples descontinuação da muralha, onde o raposo e a "succubus" chegavam agora, podendo ver melhor o interior da cidade.

    O vento árido soprava constantemente, dando a impressão de ser mais quente do que aquele sol realmente esquentava. Era um sol alaranjado, num céu sem nuvens, cinzento de desolação. O que pareciam montanhas se erguiam ao fundo - na verdade imensas dunas de areia, de um deserto interminável que parecia estar se iniciando ali. Tetsuya parecia coçar os olhos algumas vezes no trajeto, Artemia provavelmente tambem sentiria o mesmo devido ao ar seco. A garganta começava já a arranhar um pouco, e era fácil pensar no sofrimento das pessoas da muralha: era o castigo da seca constantemente atuando sobre toda alma naquele circulo infernal. Uma aridez que a principio apenas incomodava os olhos, mas que trazia desesperança e desolação a quem ficasse ali por muito tempo; afinal poucas coisas destróem mais a alma do que o desejo por coisas básicas, como água.

    Por trás da muralha, algumas edificações mais proximas poderiam ser vistas, parecendo com uma arquitetura vagamente lembrando algo do oriente médio: várias partes eram forradas com tendas, com edificações simples de barro escuro amontoado, embora muitas partes eram "ornamentadas" com lanças com cabeças empaladas de outros demonios, provavelmente uma advertencia aos que fugiam da lei que regia aquele lugar. Cada casa era ordenada de forma aleatória e caótica, como um grande cortiço, de forma que nao era possivel ver todo o vilarejo apenas daquele ponto, a não ser que Artemia erguesse vôo para uma visão panoramica.

    Da entrada haviam duas edificações maiores mais próximas; uma delas possuia uma espécie de forja onde queimava um fogo negro, com uma bigorna de ossos e algumas lanças de um metal negro rustico ao lado; provavelmente uma ferraria. Do lado oposto, uma edificação cuja porta era constituida somente por um pano rasgado, por onde saíam muitas vozes, uma musica desafinada tocada por um instrumento de corda e algumas risadas grotescas.

    Provavelmente uma taverna, ou algo do tipo. Não havia uma rua principal devido à desorganização daquela vila, apenas becos que se formavam entre uma construção e outra. Nenhum demonio aparentemente visivel ali, devido à configuração do local, mas era possivel ouvir passos e vozes aleatórias entre os corredores, levando seu dia-a-dia indiferentes ao sofrimento dos inumeros corpos empilhados nas muralhas que protegiam aquela vila.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sab Dez 05, 2015 9:16 am

    Conforme foram caminhando, a ruiva sentiu o olhar constante de Tetsuya em seu corpo. Normalmente, se sentiria desconfortável com isso, porém, estranhamente havia aquele misto de excitação e embaraço. No final das contas, a ruiva desejou bater em si mesma ao constatar que gostava de ser olhada pelo vulpino. A dualidade que havia nela parecia entrar em conflito cada vez mais. Sentiu um medo repentino. E se ele reparasse? Seus olhos se encontraram rapidamente e uma sensação de choque tomou conta da maga. Será que ele notaria apenas com um olhar?

    "Notaria o que?", se perguntou, desviando os olhos envergonhados para longe. Oras, ela sabia o que. Só não possuía coragem o suficiente para admitir. Riu consigo mesma: teve coragem para subir nas costas de um dragão e depois dar sua vida por Tetsuya, mas não conseguia admitir o quanto seu coração estava cheio por ele. O quanto sua cabeça só tinha ele em seus pensamentos. Lembrou-se de Jasor e sentiu um aperto no peito repentino. Será que ele estaria bem? Precisava voltar para a Terra. Precisava dizer a Jasor que tudo estava bem...

    Ao chegarem no vilarejo, Artemia observou os corpos pútridos estranhamente vivos. Se perguntou se eles realmente mereciam tal fardo: o que os levou a passar a eternidade assim?

    - Existe alguma forma dessas pessoas se recuperarem? - perguntou ela, baixinho, apertando seus dedos no dele. Estava apreensiva em ver tudo aquilo. Que tipo de monstro faria isso com alguém? Continuaram caminhando até entrarem mais ao centro da vila. As casas pareciam estar abandonadas. Não havia ninguém nas ruas, e aquilo parecia ser preocupante o suficiente para saírem dali o mais rápido possível.

    - Melhor sairmos dessa rua. Está tudo muito quieto... - murmurou. Olhou para o lado e observou a construção de onde vozes saíam, misturadas com barulhos de garrafas. Uma taverna, certamente. Artemia olhou para Tetsuya e apontou para o local.

    - Tem pessoas ali. Será que nos dariam alguma informação? - perguntou a ele, apreensiva.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Dez 05, 2015 10:38 am

    Tetsuya agitou as caudas, até que somassem apenas em 3; talvez chamasse menos atenção assim. Embora provavelmente Artemia já chamaria atenção o bastante para ambos, pensou, ao vê-la novamente naqueles trajes tão provocantes. Era dificil saber se o raposo teria notado; cada encontrar de olhares o deixava igualmente nervoso e sem graça. Sentia-se angustiado de que deveria dizer algoa ela, mas não parecia saber direito quais palavras usar ou quando. A mera idéia de dizê-las deixava-o inquieto e ansioso; ele proprio nao fazia idéia de que tinha uma timidez tão grande assim...

    Por sorte, ela lhe desviou a atenção para os condenados ali. Tetsuya suspirou, gesticulando negativamente.

    -Existe, mas...essas pessoas cometeram graves pecados em vida para virem para cá. Seria necessário purificar suas almas disso, além de remover toda a energia infernal de longos anos, e então enviar suas almas ao céu...é algo muito mais facil a se fazer em pessoas recem-mortas, como você ja me viu fazer uma vez. E considerando o numero de pessoas aqui, eu gastaria alguns meses e muita energia para fazer isso...tempo que não temos. - disse, suspirando brevemente, gesticulando negativamente.

    Observava ao redor, a forja de esqueletos, as casas amontoadas adiante, e aquela taverna de onde saiam tantas vozes. Era um lugar arriscado, mas nao via outra opção mais prática ou mais rápida que aquilo. Olhou novamente para Artemia; a aura demoniaca, os chifres, asas, a cauda, tudo parecia realmente muito realista para ser uma ilusão; provavelmente conseguiria passar desapercebida. Ele proprio, circundado tambem pela aura demoniaca kitsune, conseguiria entrar desapercebido.

    -Acredito que sim...talvez consigamos informação de forma rápida, inclusive; parecem estar comemorando algo...vamos. E procure agir naturalmente...digo, naturalmente pra uma succubus...o que nao quer dizer que precisa ficar se insinuando para todo homem que ver, especialmente se forem loiros ou barmans!- ele dizia, com um ar ligeiramente rabugento, deixando claro o ciume que tinha, embora ele proprio nao parecesse perceber isso. E finalmente entraria, sem soltá-la, apertando levemente sua mão.

    O lugar era amplo, fechado, e iluminado por uma espécie de lamparina feita de costura de faces humanas - na verdade apenas a pele e cartilagem - onde exibiam caretas de dor que se mexiam discretamente. Pareciam estar vivas! e dentro de cada lampada, uma chama avermelhada iluminava o local. Parecia ser uma espécie de lampada festiva, o que era complementado pelas 8 mesas com 4 cadeiras cada ali dentro. Um balcão estava encostado num canto, onde um demonio verde-escuro parecia preparar no balcão um prato com uma tênia espinhosa assada. Sua face lembrava a de um polvo, com vários tentaculos no lugar da boca e grandes olhos negros, além de ventosas saindo de seus braços, como enormes verrugas.

    Nas outras mesas, várias outras raças de demonios conversavam e brindavam com taças de sangue; uma mais afastada continha, ironicamente, uma voluptuosa succubus como Artemia, mas de cabelos morenos e asas em tons marrons; apenas finas fitas de couro cobriam-lhe as intimidades e seios, e parecia rir de um demonio pequeno, de pouco mais de 1m de altura, semelhante a um gárgula. O pequeno parecia completamente submisso, oferecendo elogios e declarações, enquanto ela ria desinteressada, afastando-o com o pé descalço, enquanto forçava-o ainda mais em submissão sob seu pé.

    Duas mesas centrais estavam unidas, e um demonio vermelho, semelhante a um homem com asas de morcego e um par de chifres ficava de pé, encenando histórias de batalha, que todos ali pareciam prestar alguma atenção ocasional para os feitos - a maioria deles claramente ficticia. Parecia gabar-se de uma suposta grande batalhade anos atrás.

    Outro demonio de 4 braços e trajes de um barbaro, com 4 espadas nas costas parecia discutir negócios com outro, que parecia curiosamente muito proximo a um humano de terno e gravata, com exceção de uma cauda em seta. Pouco a pouco Artemia notaria que nao havia apenas um tipo, mas uma variedade absurdamente enorme de aparencias e espécies.

    -Vamos nos dividir por enquanto, assim obteremos mais informações e mais rápido. A qualquer sinal de perigo me chame, e daremos um jeito no problema, juntos...

    Ele dizia seriamente mas transmitindo confiança, embora o "juntos" parecesse soar com uma ênfase estranha, que novamente o deixava ligeiramente sem graça. Era como se realmente quisesse fazer tudo junto a ela, estar constantemente ao seu lado.

    Tambem queria fazer aquilo de forma rápida, e talvez estivesse arriscando Artemia naquela missão, mas por algum motivo parecia confiar mais nela agora, em suas habilidades, em seu potencial e em suas escolhas. Não a tratava como uma princesa de vidro a ser protegida de tudo, e deixava-a praticamente numa situação de equidade com ele. Aquilo vindo do raposo que dificilmente confiava em outra pessoa e que provavelmente sempre agira sozinho era um avanço enorme.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Dom Dez 06, 2015 5:58 am

    - Então tem como eles saírem daqui...

    Comentou Artemia à resposta de Tetsuya sobre os corpos agonizantes amontoados. Havia esperança naquele lugar, ainda que pequena.

    Então o vulpino a olhou com uma estranha expressão embaraçada ao que ela comentou sobre entrarem na taverna. A garota franziu o cenho e deu um tapa no braço dele, obviamente constrangida:

    - Eu não fico me insinuando para barmans! - exclamou, revoltada. E então, fazendo um bico irritado, olhou para o lado, cruzando os braços. - Vê se VOCÊ não fica se engraçando pra qualquer raposa que vê por aí!

    Sua irritação enciumada era uma clara referência à Yumi. Lembrou-se da kitsune e sua estranha amizade com o dragão, e se perguntou de que lado, afinal, ela estava. Fuyu havia dito que poderiam confiar nela, mas será que ele manteria essa opinião mesmo após os últimos eventos com o dragão?

    Assim que adentraram na taverna, Artemia perdeu o fôlego por alguns segundos. Era um lugar bizarro, algo que ela jamais havia visto igual em toda sua vida. Abajures feitos de pessoas vivas, demônios de toda espécie e a música desafinada compunham um local inundado de índole negativa. A maga observou cada um momentaneamente, parando seus olhos observadores por mais tempo na Succubus e sua forma de tratar o pequeno demônio submisso.

    Apertou os dedos nos de Tetsuya quando o vulpino ofereceu de se separarem. Não esperava isso dele, já que sempre demonstrava uma falta de confiança nas pessoas. O que será que o fez mudar?

    De qualquer maneira, soltou a mão do mestiço com certa resistência. "Juntos", ele havia dito. Com isso, percebeu o quanto sentia-se segura com a presença do vulpino. Olhando para seus olhos com uma expressão inquieta, Artemia notou que não conseguia fixar muito o olhar no dele sem querer beija-lo. Era como se perdesse seu controle a cada olhar que cruzava. O que era isso que estava acontecendo? Foco, Artemia, foco!

    A ruiva analisou as possibilidades à sua frente. Poderia ir até a Succubus e aprender algo mais sobre suas atitudes, mas, em contrapartida, poderia ser desmascarada facilmente. O demônio de chifres em cima de uma mesa parecia estar distraído demais em suas próprias histórias que mais pareciam inventadas. Artemia se perguntou se ele inventaria, também, a localização da Torre da Casa Sem Janelas.

    O demônio de quatro braços e o de terno pareciam estar compenetrados em suas negociações. A ruiva pensou ser perigoso tentar convencer dois de uma vez, então partiu para seu alvo mais próximo, o único aparentemente mais seguro: o barman cheio de tentáculos.

    Artemia caminhou até ele da forma mais discreta possível, embora não fosse fácil: percebia o olhar de todos para seu corpo, naquela taverna. Ainda assim, chegou até ele e sentou-se em um banco, apoiando suas mãos na superfície do balcão. Reparou, então, que havia feito exatamente o que Tetsuya havia comentado anteriormente: estava indo seduzir um barman, afinal.

    A maga travou por alguns segundos. Como deveria se comportar? O que dizer? Reparou que a Succubus atrás de si parecia falar com uma certa propriedade e arrogância com o pequeno demônio. Será que falava assim somente ao seu submisso ou a todos que encontrava? Deveria, certamente, bancar a sensual. Lembrou-se das sábias palavras de Fuyu: "São a encarnação da sensualidade, da sedução e tentação". Então, a isso, a maga se ajeitou no banco de forma a apoiar seus volumosos seios no balcão - os homens pareciam gostar; Tetsuya havia feito isso com Jasor e o rapaz quase enfartou!

    - Está quente aqui ou é só você?

    Ok, péssimo. A ruiva não tinha a menor ideia de como seduzir alguém! Observou a Succubus novamente e a forma com que inclinava o corpo para frente, demonstrando o quanto era fatal e o quanto o demônio precisava dela, tocando em seu corpo brevemente para depois se afastar. Era como se o presenteasse com pequenas e esdrúxulas atitudes, sempre deixando um "gostinho de quero mais".

    Artemia, então, se inclinou ainda mais, apertando seus seios contra o balcão. Esticou uma mão e deslizou os dedos nos tentáculos do demônio de forma tentadora, enquanto que levou a outra mão à própria boca, mordendo levemente um dedinho.

    - Eu imagino o quanto esses tentáculos podem fazer por mim...

    Mal acreditara no que havia dito assim que as palavras escaparam pela sua boca. Não sabia exatamente o motivo, mas a frase parecia ser dúbia o suficiente para despertar o interesse de alguém. Será que funcionaria?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Dom Dez 06, 2015 1:23 pm

    O barman acabava de fazer seu prato, as ventosas depositando um cacto estranho ao lado da tênia. Era um prato artisticamente espinhoso, de certa forma. Ao que Artemia começou suas tentativas de seduzi-lo, suspirou, como quem demonstrava uma ligeira irritação. Os olhos negros não continham sobrancelhas para demonstrar com clareza o que sentia, mas o semi-cerrar dos mesmos deixava claro um certo tédio, conforme ele falava:

    -Succubus...quão tipico. Diga logo o que quer, algo pra comer? beber? ou se quer trabalhar aqui, veja com Loslette.

    Tão logo o barman falava aquele nome, a succubus levantou de onde estava; Artemia notaria a cauda pontuda cravar sobre o ombro do pequeno demonio como uma afiadissima adaga, que começava a secar, desidratar, como se sua vida e alma fosse sugada por ali. O pequeno infeliz caia ao chão, deixando tão somente uma casca vazia e seca de seu ser, que talvez pesasse apenas 1/3 do peso original naquele estado. E ninguem ali parecia dar a minima pra um demonio a mais ou a menos morto, realmente. A mulher se aproximaria, rebolante, jogando os cabelos por sobre os ombros, enquanto se posicionava ao lado de Artemia, e fazia o mesmo com outro tentaculo do barman, enrolando-o. Passou a lingua entre os labios de forma provocante, dando uma pequena mordiscada no canto dos lábios.

    -Chamou, Gaudium? ainda estou com fome...que tal se eu devorasse cada um desses seus tentáculos mais tarde, hm? e não falo em usar a boca... - e piscava, sem nenhum escrupulo ou vergonha. O barman suspirou novamente, resmungante, e respondia:

    -Seu horario de descanso acabou. Vá logo servir os convidados, quero dinheiro, sexo nao paga minhas contas nem me enriquece!

    A mulher ria, divertida,e voltava a atenção à ruiva, explicando-lhe:

    -Não se esforce com Gaudium, ele é um demonio assexuado, nao gosta deste tipo de coisa. Só pensa em enriquecer, esse maldito ganancioso...mas se quiser tentar algo diferente, sou toda ouvidos...! - ela dizia, piscando e dando um beijinho no indicador, enquanto estendia-o e tocava com delicadeza nos labios de Artemia, uma espécie de beijo indireto. Era como Fuyu dissera, cada gesto, girada do corpo, tudo esbanjava uma sensualidade enorme, como se tudo fosse pensado e planejado com cuidado para exibir ao máximo cada curva daquela mulher, que agora pegava a bandeja com a tenia assada e ia na direção da mesa do homem de 4 braços, indo servi-los. AO que deixava o prato na mesa, curvava-se excessivamente, erguendo os glúteos numa posição bem convidativa.

    A maioria dos demonios machos dali acabavam por ver aquilo e visivelmente se entusiasmavam por alguns segundos, e logo voltavam a seus afazeres. Apesar de chamativa, talvez fosse algo comum por ali esse tipo de cena de luxuria, uma vez que não ligavam taaanto assim. Só Tetsuya, que se sentia extremamente incomodado com a presença de qualquer mulher parecia inconformado com a cena, ruborizado, com a mão na boca. Embora não a olhasse esboçando um desejo por ela, olhava-a e imaginava Artemia fazendo o mesmo, o que o deixava muito vermelho. Mas era muito mais facil para Artemia imaginar que o olhar do raposo era para a succubus ali do que uma sobreposição de imagem de si propria naquela demonesa.


    Tetsuya por sua vez foi para as duas mesas centrais, onde o homem teatralizava. Perguntou a um demonio ali, mais afastado e menos empolgado:

    -O que ele está fazendo e contando?aliás, de que se trata essa festividade?

    O outro dizia, entediado, desviando o olhar ao raposo.Tomou ar e foi contando a história, que seria ouvida mesmo por Artemia, que estava a poucos metros dali:

    -Hoje fazem 2 anos desde que nosso overlorde invadiu e tomou para si o 5º circulo infernal. Quer dizer, 2 anos para nós que vivemos aqui; nossa contagem de tempo é um pouco diferente: contamos 6 meses para que o sol se mantenha sobre o céu, e 6 meses para que a lua esteja a pino. De qualquer forma, o sol estava exatamente nessa posição quando tudo aconteceu.......resumindo a longa e tediosa história, um demonio babaca um dia pensou "ei, vou mudar toda a hierarquia do inferno e acabar com a lei da seleção natural protegendo demonios pentelhos e fracos e fazer uma sociedade harmoniosa e colorida da Barbie". E dai começou a derrubar um feudo de cada vez no 5o circulo, reunindo os pentelhos oprimidos e foi fazendo um exercito de bichinhas....e com o tempo o infeliz conseguiu derrubar Hel, overlorde do 5o circulo e tomou o lugar para si. Até aí tudo bem, certo? quem é mais forte toma o lugar, sempre foi assim. Mas a raposa babaca começou a implementar leis, impedir que almas condenadas fossem exploradas e usadas como matéria prima, estimulou rotas de comercio entre feudos que antes estavam em guerra, e foi apaziguando todo o caos que levamos milenios para construir. COnsegue imaginar o estrago? E porque diabos alguem iria querer proteger alma de condenados? quer dizer, vieram pro inferno por um motivo, certo? até o céu entende que humanos que vem pra cá devem sofrer. Mas não, o retardado quis que todos os demonios e condenados vivessem em paz aqui. E travou batalhas com outros overlordes para manter o seu estilo de vida...tem idéia de quantos demonios pentelhos quiseram sair de outros reinos e ir pra lá para serem alguma coisa na vida? o exercito dele iria aumentar! a gota d'agua foi quando, dizem rumores, ele foi pro céu estabelecer contatos amigaveis. Se fosse para atacar a cidade de prata, tudo bem, muitos tentaram antes dele, mas...ir lá para conversar? isso é falta de bolas no saco! Por sorte o plano do babaca nao foi para frente, e tudo voltou ao normal depois. Final feliz para todos! Quer dizer, menos para os pentelhos fracos que viviam lá...ah, esses sofreram!

    Tetsuya ouvia cada detalhe da história com seriedade, cruzando os braços, e levando a mão ao queixo. Aquele tal overlorde de que falava tentara salvar as almas até mesmo de condenados que o proprio Tetsuya nao pensava em salvar naquele instante...e parecia ter liderado uma especie de revolução de paz e igualdade no inferno, ainda que fracassada no final das contas. Parecia surpreso, e incrédulo; será que a figura no qual estava pensando era o mesmo que o demonio falava? Decidiu perguntar.

    -E qual o nome desse...infeliz overlorde derrubado?

    O demonio arqueou a sobrancelha, incrédulo. Virou-se de lado da cadeira, olhando para o rapaz e explicando-lhe novamente.

    -Fuyu, oras. Era da mesma raça que você. Deveria saber disso melhor do que eu, não? ou esteve longe por esse tempo todo e não soube?

    As pupilas do mestiço se dilataram; como seria possivel? o dono daquele nome era um miserável, um covarde que matara a propria mãe na sua frente. Jamais faria algo altruista em sua vida, muito menos tentar mudar toda a estrutura infernal para proteger os mais fracos. Simplesmente eram figuras opostas! Aquele demonio poderia estar mentindo, claro, mas por que motivo faria isso? Não havia vantagem ou beneficios para ele mentir sobre aquela historia, que ele proprio contava tão casualmente, como se fosse um fato conhecido por qualquer um e sem tanta importancia agora. Os olhos do rapaz viravam-se para cada lado, buscando explicações, e a confusão era nitida. Sentou-se num banco mais próximo, e respondeu vagamente ao demonio ali:

    -Estive longe nos ultimos 14 anos...em planos mais altos. Digo, circulos infernais mais altos...
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Dom Dez 06, 2015 5:00 pm

    Com a rejeição óbvia do barman, Artemia chegou seu corpo para trás, preocupada. Será que havia feito algo de errado? Então a outra Succubus se aproximou, esbanjando sensualidade da mesma forma que ela própria havia tentado fazer antes, recebendo a mesma rejeição.

    A demonesa, então, virou-se para Artemia e lhe deu um beijo indireto. A ruiva sentiu toda sua pele se arrepiar no mesmo instante, praticamente hipnotizada pela sensualidade da morena. No mesmo momento, voltou seus olhos para Tetsuya: o rapaz parecia estar ainda mais aturdido, observando o corpo da Succubus boquiaberto. Artemia sentiu como se houvesse um fogo dentro de seu coração; a raiva se estendeu ao ponto de a ruiva pegar uma outra bandeja com mais vermes que havia no balcão e ergue-la por cima de seus ombros.

    - Começo a trabalhar agora. - disse ela à Succubus e ao barman assexuado, que parecia ter apontado a mesa a qual ela deveria servir, sendo esta justamente a que Tetsuya agora havia se aproximado.

    Ainda com a raiva tomando seus sentidos, a ruiva repetiu os trejeitos da demonesa, inclinando seu corpo para frente da mesa e arrebitando seu bumbum para cima. Parecia querer provar um ponto a Tetsuya, que por acaso estava logo ao lado e teria a visão privilegiada do corpo da maga, que não era tão diferente de uma real Succubus. Sua cauda em seta se agitava de forma lânguida conforme ela deslizava os dedos de suas mãos propositalmente nos ombros dos demônios ali sentados. Toda sua forma de agir indicava ser uma verdadeira e perigosa Succubus, pronta para ganhar seu pão.

    Artemia, então, serviu a todos na mesa, cortando os vermes em pedaços e servindo nos pratos dos demônios sentados. Foi contornando a mesa conforme haviam outros pratos para preencher, e acabou esbarrando em Tetsuya, inclinando seus seios fartos para frente, encostando nele conforme servia o demônio ao lado. A princípio, não havia feito de propósito, mas acabou gostando do toque e permaneceu próxima a ele o máximo que pôde.

    Com isso, acabou ouvindo a história do demônio sobre um Overlorde supostamente bonzinho tentando estabelecer paz no inferno. Ela conhecia aquela história e sabia de quem se tratava, por isso virou-se para encarar Tetsuya no segundo em que ele perguntava o nome, para então descobrir que era seu pai.

    Artemia prendeu a respiração. Então, ainda próxima a ele, abaixou ainda mais o corpo e falou ao pé do ouvido do vulpino:

    - Cuidado com esses vermes que estão servindo, ou você pode acabar tendo uma dor de barriga.

    Sussurrou ela, sorrindo, em uma tentativa de distrai-lo daquele assunto perturbador de Fuyu. Após dizer isso, a maga serviu o último prato e retornou até o balcão. Esperava encontrar a outra Succubus e descobrir mais informações - não havia muito tempo para permanecerem ali, então precisavam se apressar logo...
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Dom Dez 06, 2015 8:13 pm

    O mestiço ficou ali, confuso, pensativo ainda sobre aquele assunto, e ouvia o homem contar mais alguns detalhes a ele sobre o que acontecera anos atrás, mas as palavras ja nao lhe entravam mais à mente. Estava num conflito visivel; o Fuyu do relato era uma pessoa completamente diferente do que ele viu, e parecia muito com o pai relatado por Iriel, sua mãe, quando lhe perguntava sobre ele. E só pareceu conseguir sair de dentro da propria mente, e voltar à realidade ao sentir o toque no braço. A principio imaginou se tratar de algum demonio mal-educado esbarrando nele, até que olhou para o lado e lateralmente, deparando-se logo para o decote de Artemia. E ao olhar para cima confirmou que se tratava realmente dela, o que quase lhe causou um infarto; o coração fora de 60 batimentos por minuto a quase 120 em segundos, e o sangue fluiu para as bochechas imediatamente. Parecia que naquela forma de succubos "eles" haviam até crescido! Ou talvez era a exposição e o traje que lhe enfatizavam a beleza natural? Como que para conferir se era realmente a ruiva, observou-lhe a aura que a cobria. Curiosamente, a aura de Artemia parecia até mimetizar à da succubus; parecia emanar suavemente, como um doce perfume, como um feromonio mágico, em veios negros serpenteando languidamente; mas ainda assim era ela. O sussurro dela nas orelhas vulpinas, pontudas, que já eram sensiveis demais, fazendo-o arrepiar quase incontrolavelmente. A boca do rapaz ficava entreaberta, piscando algumas vezes, olhando cada gesto que fazia, praticamente enfeitiçado. Depois de longos segundos admirando aquilo, uma singela gota de saliva pareceu começar a querer escorrer do canto de sua boca; estava literalmente babando por ela! Deu um pequeno tapa a si mesmo, para despertar.

    Ao mesmo tempo, começou a tomar consciencia de que nao era o unico a estar daquele jeito, muitos outros daquela mesa eram até menos discretos em observar a ruiva, arregalando os olhos. O raposo cerrou os dentes e punho, dando um peteleco no ar; uma brisa rápida e fria voou contra os olhos de alguns demonios ali mais entusiasmados, causando uma irritação que os forçou a coçá-los sem parar, alguns xingando e reclamando de um suposto cisco nos olhos.

    Discretamente levou a mão à boca para tentar esconder todas suas manifestações de admiração, principalmente de Artemia; não queria deixar transparecer que estava sentindo ciumes, ou que estava tão caído por aqueles encantos. O orgulho continuava, claro, e nao daria o braço a torcer. A tentativa de disfarçar o gesto era na verdade até mais divertida que todo o resto, e transparecia claramente no raposo, como um livro aberto. Voltou sua atenção ao demonio ao lado, o rosto ainda vermelho, procurando voltar a focar-se para o que viera fazer ali.

    -E-erm...certo, mas...o que ganharam com esta batalha afinal?

    O demonio respondeu, esboçando um sorriso.

    -Ora, além de milhares de escravos, acabamos com uma revolta infernal das piores que poderiam ocorrer. Chega a ser ironico, sabe. E pensar que tudo isso aqui se originou da revolta de Lucifer, mas atualmente se tolera tão pouca revolução entre os proprios overlordes...mas enfim, nosso estilo de vida se mantem protegido. Boa parte dos espólios de guerra se encontram atualmente na Casa sem Janelas, a mansão de nosso overlorde Belphegor, o Senhor da Areia.

    O kitsune observou atento às palavras do demonio, estava começando a chegar aonde queria. Aquela tal Casa sem Janelas...estava sendo citada novamente.

    Quando Artemia retornou ao balcão, o barman fora até os fundos, pegar algumas garrafas, pelo som de vidro tilintando. A succubus permanecera ali ao balcão, com aquele sorrisinho caracteristico e provocativo.

    -Não é muito comum encontrar succubus apaixonadas....geralmente induzimos isso em homens, e não o contrário. E não tente negar meus olhos experientes, estão óbvios demais. Dizem as lendas que nao existe absolutamente nenhum ser que resista aos encantos de uma quando está assim...mas talvez isso esteja em nosso sangue; pegamos o que queremos e ponto final. E veja o pobre coitado, acendeu como as labaredas do castelo de Effrul!

    A demonesa ria, parecendo divertir-se como nunca com a situação. Talvez o bom humor causado pela ruiva lhe deixasse mais aberta à perguntas? Seja como fosse, a morena parecia mais à vontade perto de Artemia, como se realmente a reconhecesse como outra de sua raça. Sua atuação somada ao suporte de Fuyu pareciam ter forjado o disfarce perfeito.

    -Você nao veio aqui para trabalhar ou para aproveitar as festividades...o que procura?

    Loslette dizia, apoiando a mão na cintura, novamente numa pose um tanto erotizada, como se fosse algo natural. Parecia ser realmente perspicaz...talvez fosse melhor contar a verdade a ela? ou quem sabe apenas...partes da verdade? afinal, ela parecia ser um detector de mentiras vivo, e contar uma poderia ser realmente muito arriscado.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Dez 07, 2015 7:09 am

    Artemia, observando Tetsuya de solsaio, notou brevemente o efeito que causara. O rapaz parecia ter, momentaneamente, focado suas atenções na maga, deixando de lado os possíveis questionamentos sobre seu pai. Além disso, parecia ter abandonado os olhares à outra Succubus, e isto pareceu ter deixado a ruiva ainda mais satisfeita, liberando a estranha sensação de algumas borboletas voarem livremente em seu estômago. Artemia sorriu largamente, virando-se para o balcão e dando de cara com a Succubus que parecia ter reparado em tudo tanto quanto a maga.

    "Não é muito comum encontrar Succubus apaixonadas" foi a frase que funcionou como uma dolorosa martelada no coração de Artemia, fazendo-a perder a respiração por vários segundos. Como ela poderia dizer aquilo?! Sentia o coração disparado em seu peito; era como se a demonesa tivesse arrancado à força da ruiva seu maior segredo, aquele que nunca, jamais, sob hipótese alguma ela diria a qualquer ser vivo...ou morto.

    Diria o quê?! Que está apaixonada? O que é estar apaixonada, afinal?! Não entendia aquela gama enorme de sensações que Tetsuya a fazia sentir: algumas eram boas, como o toque de seus lábios pela primeira vez na frente do  vampiro-verme; outras sensações eram terríveis, como quando o ouviu dizer que precisava de Yumi...
    Ainda assim, algo daquele tamanho havia sido revelado a ela como uma caixa de Pandora aberta, pronta para fazer o mundo da ruiva se tornar ainda mais caótico do que já era.

    Os ouvidos de Tetsuya eram muito bons, lembrou-se. Será que ele teria ouvido seu segredo sendo escrachado tão livremente pela Succubus? A essa altura, seu rosto estava mais vermelho do que um pimentão: deveria se acalmar; Succubus não se comportam assim!

    Observou Tetsuya novamente. Deveria vestir a máscara de Succubus e agir como tal antes que colocasse seus disfarces sob risco:

    - Bem, é para isso que eles servem, não? Quanto mais apaixonados, melhor. - disse Artemia, sorrindo brevemente, embora seu coração estivesse quebrando naquele instante. Não acreditava que Tetsuya estava apaixonado por ela. Sabia que aqueles trajes que usava provocavam algumas reações engraçadas no vulpino, mas imaginou ser por conta do efeito da aura Succubus que a maga agora adotara, até porque ele olhava da mesma forma para a outra... Ainda assim, nada em seu corpo havia realmente mudado, além do par de asas em suas costas, a cauda, chifres e as orelhas demonesas em sua cabeça. Teria ele reparado nela se não fosse por seu corpo estar quase completamente exposto, ainda mais com as características de parte de sua raça?

    Apoiou um braço no balcão e agora tamborilava a superfície com os dedos, conforme pendia a cabeça levemente para a direita, observando a morena com interesse mútuo.

    - Preciso chegar à Casa Sem Janelas, mas estou um tanto perdida. Será que alguém como você me indicaria o caminho? - a ruiva sorria de lado para a Succubus, mordendo o lábio inferior. - Estou cansada de lugares pequenos, quero um desafio. Sabe como é...

    Disse, conforme se aproximava lentamente da morena. Sabia que seus truques de sedução não funcionariam com a demonesa, mas achou que uma Succubus se comportava assim independente da pessoa. Não sabia se poderia confiar nela, portanto manteria uma certa distância e sutileza até ter certeza em que território estaria pisando.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Seg Dez 07, 2015 1:40 pm

    A morena parecia divertir-se com aquela pequena tortura; típico da raça, claro. Mas gesticulou negativamente.

    -Não fique assim, nem se culpe. Eu também já estive em seu lugar. Sabe o que fiz? 1 semana de sexo ininterruptamente com o demonio que o amava, e fui drenando-lhe cada gota de fluido, energia, de alma a cada vez. Fui apreciando e devorando-o pouco a pouco, até que fosse tudo meu e não sobrasse mais nada...deveria tentar fazer isso, vale a pena! - e levou a mão à boca, dando pequenos risos contidos. Talvez aquela fosse a idéia da raça para resolver aquele tipo de "problema"? Afinal, considerando-se a fama da raça jamais ficariam monogamicas e compromissadas por muito tempo. Mas logo mudava de assunto para algo mais sério. Cruzou os braços sob os seios, fazendo-os quase saltarem por detrás das fitas de couro que cobriam-lhe tão pouco, em mais um gesto sedutor, e murmurou:

    -Bom, isso confirma minha hipótese de que você nao é deste circulo, certo? todos sabem onde fica a Casa sem Janelas. Mas se quer se aventurar por lá, é sua escolha. Você é livre para ir e vir, afinal nao é uma alma humana amaldiçoada a ficar aqui pela eternidade! Bem, vou contar como as coisas funcionam por aqui.

    E sorria, olhando para o raposo que entrara junto com Artemia. O rapaz virara o rosto para o outro lado, para não olhar direto para o rosto de Artemia, mas a orelha pontuda de raposa estava claramente virada na direção de ambas. Estava claro que ele ouvira em alto e bom som a declaração da morena sobre ambos. Ela parecia divertir-se ainda mais com aquela reação; ver outros demonios apaixonados por uma succubus era sempre uma visão refrescante para ela.

    -No centro deste circulo, é um grande castelo, ou seria uma torre? de qualquer forma, é a maior edificação deste circulo, e a unica forma de contato direto entre a superficie regida pelo sol e pela lua. Sim, o 4º circulo tem essa peculiaridade: trata-se de dois planos interconectados num só. Imagine que o mundo seja achatado: na parte de cima, o sol permanece alto por 6 meses, enquanto embaixo, a lua rege por 6 meses.E assim vão mudando. Mas os dois mundos, do sol e da lua não estão isolados; o que acontece nessa superficie é um reflexo de muita coisa do lado oposto, e vice-versa. Então novatas como você podem estranhar um pouco...podem tentar abrir a porta de uma casa, mas a fechadura se encontrar apenas no lado oposto, e necessitar ser ativada do outro lado para que entre aqui. Muito disso foi proposital, como medidas de segurança, ou para esconder tesouros, para punir condenados, enfim, a criatividade dessa peculiaridade por aqui é enorme. Gaudium por exemplo acessa seu cofre apenas em conjunto com seu irmão no lado oposto, e seu cofre possui duas chaves. Entao ja tentaram assalta-lo varias vezes, mas para ter sucesso precisariam abrir dos dois lados ao mesmo tempo...todas as coisas cujos correspondentes reais se encontram no lado oposto parecem chamas espectrais, como um vulto fantasmagórico.Você ainda vai ver muita coisa assim no caminho até a Casa...ah, e para chegar lá, basta andar sempre mantendo o sol à sua frente. Nao tem como errar!

    A succubus ria, como se lembrasse de alguns casos de assaltos. Ter descoberto o "segredo" de Artemia parecia tê-la deixado mais aberta, de forma que contava até mesmo informações adicionais, que poderiam ser de enorme valia aos dois...e para ela, nao parecia estar contando nada de valioso demais; ao que tudo parecia todos os residentes dali estavam acostumados a esse tipo de coisa.

    Tetsuya mantinha-se com o rosto virado para o lado e virou um gole enorme de qualquer bebida que estava ali sobre a mesa; o liquido descia quase fervendo em alcool por sua gargante. Mas pelo menos assim poderia disfarçar o enorme rubor no rosto, fato este que se comprovou quando o demonio ao lado riu.

    -Não está acostumado com Mijo de Effrul, hein garoto? essa desgraça queima até na alma, ótimo para essas festas!

    O raposo gesticulava em afirmação, ainda em fase de digestão das palavras da succubus. Provavelmente ela estava enganada, certo? Tinha certeza que a ruiva nutria algum sentimento pelo barman, ainda que a proprio contragosto; com certeza eram apenas provocações de um ser cuja raça consistia em fazer aquilo a cada minuto. Agora estava em constante taquicardia, ainda mais após beber daquela coisa horrivel. Teria que explicar à ruiva que nao estava apaixonado coisa algum...ou será que realmente estava? Ah, maldita morena e suas palavras afiadas! socou a mesa, parecendo indignado na forma que ela contava aquela coisa que ele estava escondendo tanto, principalmente de si mesmo, ao léu e de qualquer forma! Esfregou os olhos turvos pela bebida com força com a mão, e ainda enrubescido, voltava a atenção ao demonio.

    -Que tipo de espólios de guerra, você quer dizer?

    -Principalmente escravos, almas humanas, artefatos....dizem rumores que existe até mesmo a alma de uma poderosa serafim morta em combate! Dá pra acreditar? Quero dizer, serafins são a mais alta patente do céu entre anjos não? É ironico que tenham conseguido aprisionar uma entre tantos demonios lá...me faz pensar o que ela estava fazendo no lugar e na hora errada. Bem, tomara que a moda pegue e comecemos a abater passarinhos assim com mais frequencia! hahah!

    O demonio falava, e ele proprio agora tomava um gole daquela bebida. Tetsuya ouvia aquilo com atenção; serafim morta? E se fosse....seria possivel? O raposo levantou-se, tropeçando na propria cadeira, só não caindo pelo equilibrio que as 3 caudas lhe davam, e seguiu na direção da porta em pano rasgado daquela taverna. Precisava de ar, era muita coisa para engolir e pouco ar para respirar. Escutara pistas de que sua mae poderia estar ali naquele inferno, que seu pai fora na verdade um demonio que tentou mudar e melhorar o inferno, e ainda ouvia a succubus falar tão claramente do que ele sentia por Artemia, e ainda detalhar o "castigo" que ela propria fizera ao seu amado; Tetsuya era virgem, apenas a menção de sexo por 7 dias direto lhe deixava completamente sem graça, e tivera sorte de nao ter dado tempo a succubus para contar os detalhes. Sentia-se esmagado com tanta coisa ao mesmo tempo. Sentou-se ao lado da porta, encontando as costas na parede, respirando fundo e buscando se acalmar. Por sorte, aquela forte bebida parecia ser metabolizada rapidamente. Talvez fosse sua parte angelical neutralizando o alcool demoniaco? só o que deixava para trás era o rubor persistente no rosto.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Dez 07, 2015 5:14 pm

    A demonesa parecia se divertir com a reação ruborizada de Artemia, pois acabou lhe revelando que já havia passado por isso antes, e até mesmo lhe deu a dica de fazer sexo sem parar durante uma semana com o amado, drenando-lhe a vida aos poucos. Apenas a menção da palavra "sexo" fez a ruiva viajar quilômetros dali, imaginando a cena de ela própria na situação, com Tetsuya, porém sem sugar-lhe a vida no final das contas.

    Sentindo todos os membros de seu corpo pulsarem, a ruiva não suportou o embaraço e tapou a boca lentamente, deixando seus dedos escorregarem pelos lábios aos poucos. A cena em sua cabeça passava como um filme enquanto a demonesa falava, e Artemia, extremamente ruborizada, notou uma falta de fôlego tão grande, que a fez virar seu corpo para o outro lado, para não ver o vulpino nem com os cantos dos olhos. Como olharia para Tetsuya depois disso? Jamais havia se imaginado em uma situação como essa, afinal nem sequer sabia como era feito sexo. Possuía uma ideia, claro: talvez algo parecido com o que fizera na frente do vampiro-verme? Ela sentada no colo do vulpino, lambendo-lhe o pescoço, mordiscando o queixo para então beijar seus lábios macios... o aroma dele era tão bom; conseguia se lembrar da sensação até mesmo ali; seu coração disparou alucinado ao imaginar como seria se Yumi não tivesse os interrompido naquela hora...

    Artemia virou novamente o corpo para frente da demonesa, tentando se recompôr. Porém, ao fazer isso, inevitavelmente seus olhos procuraram os de Tetsuya, encontrando-os por um breve segundo que pareceu causar uma explosão de sensações na ruiva: seu olhar envergonhado poderia denunciar o quanto ela havia pensado na hipótese. Porém, desviou os olhos dele e pigarreou, ainda mais vermelha, para a Succubus à sua frente.

    - Er... É uma boa ideia. Talvez eu faça algo assim com ele e me livre desse sentimento logo. Atrapalha os negócios, sabe?

    Disse, respirando pausadamente, deixando o nervosismo passar conforme a Succubus desviava de assunto e agora lhe dava informações essenciais a respeito de onde estavam. Então quer dizer que haviam duas realidades, dois lados funcionando igualmente para não haver erros. A ideia causou um nó na sua cabeça; não estava acostumada a estar em outras realidades se não a sua própria. Como fariam a partir dali, era um grande mistério. Mas o tempo estava correndo e já havia passado provavelmente quase uma hora de sua preciosa contagem.

    Artemia notou Tetsuya sair de seu lugar e caminhar até a porta, sentando-se ao lado da entrada. Era a sua deixa para saírem dali, agora que a Succubus havia lhe revelado o suficiente para saberem como prosseguir. A ruiva sorriu para ela, pegando sua mão e beijando sua superfície de forma sedutora.

    - Muito obrigada. Não perderei tempo, então. Espero nos vermos em breve.

    Disse a ela conforme soltava sua mão e dava-lhe as costas, caminhando lentamente na direção de Tetsuya, não exatamente o olhando nos olhos.

    Assim que chegou em frente ao vulpino, não sabia o que dizer, nem como se comportar. Seu segredo havia sido revelado de uma forma extrema e deu abertura a novos pensamentos em sua cabeça. Ao olhar o rapaz, Artemia não conseguia se esquecer do filme que havia passado em sua mente quando a demonesa lhe falou sobre sexo. A ruiva respirou fundo e deu mais um passo à frente, juntando ambas as mãos em frente ao corpo, claramente envergonhada.

    - V-vamos agora, s-sim? - gaguejou, já saindo pela porta sem esperar uma resposta.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Seg Dez 07, 2015 8:11 pm

    Tetsuya girou a orelha felpuda em sua direção quando ela saíra; parecia tão nervoso que até os pêlos dali pareciam eriçados. Davam-lhe um aspecto com ares comicos, como um bichinho de pelucia que havia acabado de sair do banho e fora exposto ao secador.

    -V-vamos...

    Ele dizia, com a voz ainda um pouco envergonhada, enquanto se levantou. Olhou para cima, levando a mão aos olhos, observando a direção do sol.

    -Pelo visto teremos que seguir naquela direção, certo? Pude ouvir no que a succubus disse, basta seguirmos com o sol adiante e chegaremos...quero dizer, eu...er...s-só ouvi algumas....p-partes...não ouvi nada que ela d-dissesse sobre você nem nada!


    Dizia gesticulando com os braços em sinal de negação, ainda sem conseguir olha-la nos olhos, para baixo. Loslette nao expora apenas ela, mas também o que ele sentia pela ruiva, de uma forma tão escancarada que ele proprio levaria muito tempo para admitir tao abertamente. E como a ruiva, parecia extremamente exposto com o fato de Artemia ter ouvido aquilo.

    Mas ao desviar os olhos para baixo, viu-se numa situação diferente.E fora pior ter feito isso; via-lhe os seios fartos, que há pouco roçaram-se em seu braço, de forma tao convidativa a agarrá-los e...abaixou ainda mais o olhar, e deparava-se com o abdome exposto e o fio-dental, que por tão pouco poderia afastar e..... E procurou desviar novamente o olhar, deparando-se com as coxas torneadas, tão convidativas da ruiva, sobre os quais poderia debruçar-se e.... E era inevitável que ele lembrasse do caso amoroso da succubus ali dentro com seu finado amado, e imaginava o prosseguimento da  atuação em que encenava com Artemia diante de Carmiglioni, desta vez no corpo masculino. Lembrava do toque suave que sentira em suas mãos enquanto deslizava-as por entre cada curva, do sabor dos lábios, do olhar que parecia envolver-lhe até a alma, do quadril sobre o seu, e de como aquele toque e fricção lhe fazia sentir arrepios de prazer e...puxou Artemia pela mão e começou a andar, ficando na dianteira, para que ela não visse nada, nenhum volume "diferente" na calça do raposo, que procurava adquirir seu aspecto rabugento de sempre.

    -N-não temos tempo a perder, droga. Vamos logo,ou vai querer ficar aqui o dia inteiro!?


    E seguiria na direção da saída da cidade, por onde atravessariam aquela muralha de corpos novamente. O sol estava adiante, e apontava para as grandes dunas de areia que se estendiam até o horizonte...teriam mesmo que caminhar pelo deserto!? Do lado oposto à areia, o solo rachado de terra, abrindo grandes rachaduras na terra e alguns canyons ao longe...eram cenários diferentes, mas marcados pela mesma aridez. Até então nenhum ser vivo parecia estar andando entre as areias, pelo menos não até onde a vista alcançava. Como desejava ter asas para poder ver mais além e ter uma idéia se estavam perto ou não! Asas...olhou na direção da maga, olhando o par de asas que agora ela tinha. Seria capaz de voar?

    -Uhm...essas dunas de areia são bem altas. Será que você conseguiria voar e ver o que há além delas? Não sei o que houve com você, mas nao parecem ser mera decoração...parecem ser realmente funcionais...

    E estendia a outra mão na direção de uma das asas. Artemia poderia senti-lo tocar como se realmente fizesse parte de seu corpo! E apesar do aspecto de couro, a sensação estava mais para uma espécie de veludo suave e macio ao toque, como uma pele muito bem hidratada - aspecto este que se estendia também à pele da garota. Era uma sensação estranha,sentir o toque em uma parte do corpo que sequer ela tinha antes; talvez fosse uma sensação semelhante quando alguem pegava as caudas de Tetsuya?

    -Mas talvez seja melhor não...você nao conseguiria fazer isso, só está a 1h com esse corpo..........er...demoniaco.E também seria arriscado se algo te atacasse no céu. Muito bem, pronta para andar no deserto?

    Pensou em outros adjetivos a principio, mas voltou a focar-se. Apertou levemente sua mão, era uma proposta horrivel a se fazer a qualquer pessoa, mas procurava encorajá-la. Os olhos dourados e azul-gelo pareciam determinados, confiantes, e com uma espécie de...estranho carinho, que  cada vez mais, a cada olhar ficava mais evidente. Fora ao inferno por ela sem pensar duas vezes, e enfretaria qualquer deserto infernal se isso significasse salvar sua alma também.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Dez 07, 2015 10:46 pm

    Assim que saiu da taverna, Artemia sentiu o calor quente da falta de ventos que havia ali fora. Ainda estava extremamente envergonhada pelos pensamentos e ideias que havia formado com a conversa da Succubus, e por isso parecia estar com mais calor ainda. Olhou de solsaio para Tetsuya - não exatamente encontrando seus olhos - e sentiu sua pele se arrepiar inteira quando ele disse ter ouvido a conversa da Succubus.

    A isso, a ruiva olhou para os lados, sem saber o que dizer ou pensar. Seu coração batia veloz e a falta de fôlego só parecia fazer aumentar os batimentos. E então, o ouvindo negar sobre ter ouvido algo mais, a ruiva finalmente reparou no olhar do vulpino, que passeava pelo seu corpo com intensidade: era como se a despisse ainda mais do que ela já se sentia despida o suficiente. O que era aquilo? Desejo? O disfarce de Succubus estava indo bem demais, pelo visto.

    Porém, a ruiva não teve como negar a satisfação que sentiu ao vê-lo parecer deseja-la naquele instante, ainda que por causa de algo não real: seu disfarce havia enganado até mesmo ele! Mesmo que satisfeita, a maga sentiu uma pontada de tristeza por se dar conta de que ela não era daquele jeito, e que ele jamais a olharia assim se ela estivesse sem aquelas roupas. Ainda assim, o observou atentamente. Havia no olhar do vulpino uma chama de intensidade que ela havia visto duas vezes, em momentos distintos: lembrou-se de quando estavam no banheiro da boate e quando tiveram de encenar algo sensual à Carmiglioni. O olhar dele era exatamente o mesmo, como se possuísse algum tipo de sede e ao mesmo tempo hesitação, quase como um controle imenso do que ele, de fato, gostaria de fazer. Ela própria se perdeu por uns instantes nas lembranças, enquanto o observava, deslizando seus olhos através do corpo dele também, parando exatamente naquela área entre as pernas que sempre parecia sobressaltar de suas roupas quando ele exibia aquele tipo de olhar.

    "Por que fica assim? Não é a primeira vez, e eu nem estava vestida assim...", se perguntou, enrubescida e curiosa, ainda o observando. Não sabia o que era, mas sabia que gostava, pensou. Gostava de vê-lo assim. Por que? Sentiu uma vontade quase sufocante de toca-lo, senti-lo próximo de seu corpo que já começava a pulsar intensamente.

    E então ele pegou a mão dela e virou o corpo, como se quisesse esconder algo. A ruiva definitivamente estava notando mais as reações de Tetsuya e buscando maiores interpretações para isso. Deveria seguir o conselho de Fuyu e não se ater apenas às coisas que pensava, e sim que deveria parar para observar melhor os fatos.

    Seguiram mais alguns metros à frente. O sol batia forte em ambos; Artemia sentia seu corpo abafado de um calor quase insuportável. Gotas de suor escorriam pela sua pele, deixando-a brilhosa. A ruiva soltou a mão de Tetsuya e caminhou à frente dele, reparando também nas altas dunas e o deserto que os esperavam. Suspirando, Artemia ergueu seus cabelos ruivos em um coque, deixando apenas algumas mexas de fora, em uma tentativa desesperada de refrescar seu pescoço esguio agora à mostra.

    O vulpino havia mencionado algo que ela não havia pensado antes. Asas! A ruiva se empolgou no mesmo instante, aproximando-se dele e sorrindo, claramente ignorando as advertências do rapaz sobre ela ter as asas há menos de uma hora. Artemia pegou as mãos dele e o puxou para mais perto, ficando a apenas um palmo de distância de seu rosto.

    - Ótima ideia. Assim poupamos tempo. Eu sempre quis voar! Sonho com isso desde menina... vem comigo!

    Irredutível, a maga passou uma mão pela cintura até as costas do vulpino, segurando com a outra em seu ombro. E então, falou mais próxima e em um quase sussurro:

    - Segure-se... em m-mim... - gaguejou. Não tinha muito controle sobre suas asas nem cauda, mas havia sentido o toque de Tetsuya como se tivesse sido em um braço ou perna sua. Portanto, sabendo que era um membro de seu corpo como outro qualquer, conseguiria, eventualmente, dominar seu controle. Apenas estava com uma certa pressa agora, e teria que aprender mais rápido.

    Sendo assim, a maga tentou arduamente se concentrar - dadas às condições em que se encontrava, abraçada a Tetsuya - em imaginar suas asas se abrindo como se fossem braços. A isso, elas se abriram totalmente, revelando serem maiores do que pareciam ser. Sua extensão total devia ser de quase um metro para cada lado. A maga, ainda quase concentrada, agitou as asas para cima e para baixo, e então tentou algo que lhe parecia ser óbvio: como se fosse dar um salto, a ruiva pressionou os pés no chão e flexionou os joelhos. Com um impulso, lançou seu corpo e o de Tetsuya para cima, agarrando mais seu tronco contra o dele.

    Assim que seus pés deixaram de tocar o chão, Artemia e Tetsuya não permaneceram no alto por muito tempo. Haviam apenas feito um pulo de cerca de trinta metros à frente, pousando de forma desleixada em seguida: a maga perdeu o equilíbrio e caiu em cima dele, fazendo ambos rolarem pelas dunas e se misturarem com as areias.

    - Vamos tentar de novo!

    Gritou ela de repente, obstinada, procurando o corpo de Tetsuya em meio às areias. Ela própria estava coberta, seus cabelos novamente soltos até as costas. Não desistiria, sabia que conseguiria em algum momento!
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Dez 08, 2015 5:09 am

    E assim, ia dando os primeiros passos no começo do deserto. A areia fofa era enganadora: não proporcionava o menor conforto, e a cada passo era possivel sentir os pés sendo quase engolidos por ela, como uma espécie de lama, causando um esforço enorme para dar o passo seguinte, drenando as forças. Era fácil deduzir a armadilha daquele lugar: o deserto e a seca desgastavam rapidamente andarilhos do deserto, eos demonios à espreita se aproveitavam de vitimas enfraquecidas para seu banquete. Que lugar ardiloso aquele! Nunca fora além do 1º circulo infernal em missões com as falanges celestiais, e agora notava com clareza o quanto aquele lugar era muito mais perigoso. Sua propria aura demoniaca investia-se de uma fina camada de ar frio em torno de si, como uma espécie de "ar condicionado", que aliviava bem o calor e aridez daquele ambiente.

    Tetsuya parecia muito mais "sensível" aos olhares e toques da ruiva agora do que na boate, como se agora tivesse uma consciencia maior dessa desconhecida quimica que ia ficando mais evidente. Imaginou se seria o fato da aparencia de uma succubus? Ou seria devido às vestes reveladoras, ou o corpo por baixo delas? Claro, poderia colocar toda a culpa nos instintos, sobre os quais nao tinha controle, e se isentaria de qualquer culpa. Mas....lembrou-se da sensação que teve ao ver Artemia morrer ao seu lado; perdê-la fora mais doloroso no momento do que perder o braço. E apesar do corpo chamativo, o corpo sem vida da garota não lhe chamou o minimo de atenção, fazendo-o ir direto ao inferno. Pensando assim, talvez não fosse seu corpo que lhe atraía....ou pelo menos, não apenas ele.

    E a resposta, ou pelo menos uma dica viria a seguir, quando ela se posicionou diante dele, contando do sonho de voar. Os olhos azul-gelo e dourado do vulpino pareciam fitar o esmeralda dos dela, quase como se olhasse nas profundezas de sua alma. E era aquilo, pensava ele. Não se apaixonara pelo seu corpo mortal, que em poucos anos iria perecer como de qualquer outro humano. E nem pela aura demoniaca, o qual ainda estava aprendendo a lidar, ou pela aparencia de succubus. Era realmente a essencia, a alma, o que havia de eterno e individual na ruiva que ele queria só para si.

    E perdido naqueles pensamentos, só se tocou do que ela estava pretendendo fazer quando sentiu suas mãos envolverem-no.

    -S-segurar?m-m-mas aonde!?

    E extremamente sem jeito, mas vendo que ela tentaria alçar voo, passou os braços ao redor dela; um segurou-se firme em torno da cintura, enquanto outro subia-lhe as costas, por entre as duas asas. A brisa confortavelmente fria que o envolvia começou a se estender para ela também, aliviando o calor e a secura do ar. E então ela saltara. Imaginou que além da inexperiencia de voar, havia ainda o fato do peso extra que era ele, que iria dificultar ainda mais. Logo estavam caindo novamente, e rolando duna abaixo - mas pelo menos rolando na direção certa, em direção ao sol.

    Quando finalmente pararam de rolar, Tetsuya estava uns 80% do corpo enterrado na areia fofa, os olhos semicerrados naquela expressão mal-humorada tipica. Apenas a parte superior do rosto, do nariz para cima estava para fora da areia, além dos braços que a envolviam. Soprou um pouco de areia da boca.

    -Ugh....sua....d-desajeitada! Até eu que nao tenho asas sabia me virar melhor que isso em missões aéreas com outros anjos...se machucou? - dizia ele, levando uma das maos a seu rosto, percorrendo o olhar rapidamente por ela, buscando por alguma ferida. Só alguns abrasões na pele, como ele, pelo menos: a areia fofa poderia até ser o lugar ideal para que ela praticasse. Parecia tentar esconder a preocupação e carinho reais por ela atrás das palavras rabugentas e de provocação, algo que talvez Artemia ja estivesse começando a se acostumar e talvez já nem ligasse mais. E suspirou, cerrando os olhos brevemente.

    -Agora entendo porque na Terra propunham restrições e piadas sobre mulheres dirigindo, são um verdadeiro perigo.... Lá em cima, você só abre as asas para plainar, eu cuido do resto, ok?

    Ele falava em tom provocante, com certo humor por trás da cara ranzinza, enquanto se levantava e ajudava-a se levantar também. Novamente passava os braços em torno dela, num abraço firme que novamente lhe deixou desconcertado. E foi contando sobre o plano.

    -Aves que voam por longas distâncias não gastam energia batendo as asas; elas deixam as correntes de ar levarem-nas...já temos bastante ar quente aqui neste deserto, bastaria ar frio para colocá-lo em movimento. Deixe esta parte comigo, e se concentre em deixar o angulo das asas na direção certa para voarmos.

    Ele falava, com um discreto sorriso, como incentivo. E enquanto ele lhe explicava sobre o plano, ia readquirindo a consciencia de quão perto estava de seu rosto.E aqueles lábios convidativos novamente pareciam atiçar-lhe desejo, dando-lhe sede para tocá-los, sentir contra os próprios novamente aquele turbilhão de coisas inexplicáveis que arrancavam-lhe o coração do peito e remexiam seu estomago. E naquele instante de distração perdia brevemente seu auto-controle, dando-lhe um beijo na boca que acabou saindo mais demorado do que pretendia. E deixava, sem querer, mais uma amostra do que sentia por ela. Ainda não conseguia verbalizar o que era exatamente, mas pelo menos agora parecia nao negar mais também...ou talvez ja nao conseguisse mais negar com a mesma eficiencia que antes.

    -N-n-n-nao me entenda e-errado,s-s-sua...cabeça-de-morcego! É só um...g-gesto de boa sorte! pra n-não cairmos denovo!NADA ALÉM DISSO!

    Dizia desviando o olhar completamente envergonhado. Era óbvio que se pudesse estenderia mais aquele beijo, e a forma energetica com o qual tentava disfarçar o gesto evidenciava muito isso. Se era incapaz de se segurar e negar o que sentia, pelo menos se esforçaria ao maximo para disfarçá-lo, pensava ele.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Dez 08, 2015 10:41 am

    Assim que ambos tentaram alçar voo, para depois caírem nas areias e rolarem pelas dunas, ficaram praticamente enterrados. Artemia viu Tetsuya estar apenas com parte de seu rosto de fora, e ainda que ela estivesse na mesma situação, não deixou de achar engraçado o jeito ranzinza com que ele lidava com isso. A maga sentiu uma vontade enorme de rir, não se segurando: caiu na gargalhada e pela primeira vez Tetsuya a veria rir daquele jeito. Era uma risada calorosa e levemente rouca, e mostrava seus dentes brancos e certos, cujos caninos eram levemente pontudos.

    Então ele a ajudou a se erguer, resmungando sobre mulheres dirigirem na Terra e seus perigos constantes. A isso, Artemia apenas continuou a risada, porém mais calma. Já não se irritava mais com as provocações dele; muito pelo contrário, começava a achar divertido, como sendo uma característica positiva dele. Estranho?

    - Ah, para de reclamar, seu ranzinza. Quando ficar velho, não quero nem ver... - disse ela, em tom de implicância, ainda rindo.

    E então ele pareceu gostar da ideia de voarem, pois se aproximou dela novamente, explicando sobre o que deveriam fazer. Assim que passou os braços em torno dela, Artemia fez o mesmo e o abraço se tornou completo. Procurou se focar arduamente no que ele dizia, para não ter que lidar com as sensações extremas que ele a fazia sentir com essa proximidade toda. Não funcionou: a maga ergueu os olhos e fitou os lábios dele, que se moviam conforme explicavam como deveria abrir as asas e...

    Se perdeu na conversa. Apenas observava os lábios dele e se lembrava de como eram macios ao toque. Sua respiração voltou a ficar ofegante e sentiu seu estômago revirar, com a lembrança. Queria mais. Queria...

    Tetsuya parecia ter pensado no mesmo, pois havia parado de falar e seus olhos adquiriram aquelas faíscas que ela agora reparava tão bem. A maga aproximou seu rosto ainda mais, parando a cerca de milímetros de distância, quando Tetsuya veio ao seu encontro e a beijou.
    Ainda que soubesse o que aconteceria, sentiu-se surpreendida pelo beijo. Todo seu corpo agora respondia a isso; Artemia subiu uma mão até a nuca dele, afagando seus cabelos macios conforme movia silenciosamente seus lábios, até que se separaram. A maga continuava de olhos fechados ainda que ambos estivessem separados e o beijo terminado; ainda conseguia sentir aquelas sensações de prazer dominarem seus sentidos. Embora tenha ouvido ele resmungar que era "um beijo de boa sorte", ela não quis dar ouvidos. Sabia que ele havia feito isso apenas por ela estar vestida de Succubus, mas queria aproveitar o momento ao máximo: ergueu suas mãos no rosto dele e o puxou para mais um beijo.

    - Boa sorte também, então... - disse ela, com a voz rouca e baixa, assim que o puxou.

    Artemia pressionou seus lábios nos dele, movimentando ligeiramente, sentindo seu corpo todo começar a arder e queimar por dentro. Era como se não fosse o suficiente - ela precisava de mais! Não sabia fazer nada além disso, mas ao partir os lábios para respirar, acabou aprofundando o beijo: sentiu uma vontade tentadora de passar sua língua na boca dele, e foi o que fez, explorando seu interior até esbarrar na língua do vulpino e sentir todo seu corpo se arrepiar em resposta. Descolou seus lábios dos dele para olha-lo nos olhos, visivelmente estarrecida com a sensação do toque de suas línguas. Não durou muito, a maga voltou ao beijo, dessa vez com uma intensidade que só parecia faze-la querer mais, e mais, e mais...

    Ela, então, o puxou mais para perto, conforme explorava a boca dele com intensidade. Em meio ao beijo, não resistiu um pequeno gemido, agora que sentia todo seu sangue fluir intensamente pelo seu corpo, deixando aquela umidade característica surgir entre suas pernas. O que era aquela dor no seu coração, ruim e ao mesmo tempo tão boa? Suas mãos agora deslizavam pelo corpo dele, passando os dedos pelas costas, cintura, tronco, abdômen... queria abaixar mais, ansiava por isso, mas sentiu que não devia; aquela área ali embaixo parecia ser algo além dos seus limites...

    Constatou que queria toca-lo, senti-lo profundamente. Passou os dedos pelo rosto dele, sentindo seu maxilar firme se movimentar conforme se beijavam. E então algo veio à sua mente, algo que a fez o soltar de imediato e se separar do beijo, do abraço, do toque. Artemia se afastou e caminhou trêmula até cerca de um metro de distância, colocando uma mão em sua cintura e outra em sua boca extremamente vermelha. Seu rosto todo estava puramente enrubescido, talvez não só pelo beijo em si, mas também pela constatação que veio à tona em seu peito, com um peso de uma tonelada.

    Estava apaixonada. Apaixonada! Não podia. Não devia! Ele não a via da mesma forma. Jamais a veria: era apenas uma humana desengonçada, desastrada e sem grandes qualidades. Não era uma demonesa real, como Yumi. Lembrou-se do quanto ele e a raposa combinavam, e esse pensamento a deixou com as pernas bambas. Estava de costas a Tetsuya, não conseguia encara-lo. Pensava que se ele a visse agora, provavelmente saberia a verdade: o quanto ela o queria, o quanto ela estava apaixonada.

    - Eu... eu... acho melhor c-c-continuarmos... éé... ahm... o c-caminho... sabe... – estava hesitante. Sua vontade maior era de abraça-lo e dar continuidade naquele beijo que parecia tirar-lhe o chão. Porém, não havia tempo a perder, e ela tampouco gostaria de continuar se enganando; sabia que se apaixonar por ele era caminhar em um território perigoso: além de guardar dele um segredo que o faria odia-la pelo resto de sua vida, a ruiva estava certa de que o sentimento que ela nutria pelo vulpino não era recíproco.

    Com um suspiro audível e o rosto absurdamente vermelho, ela se aproximou novamente do vulpino, dessa vez com a cabeça baixa. Passou ambos os braços em volta dele e o abraçou, dessa vez de forma rígida e sem intimidade. Estava se forçando a não pensar em outra coisa além do voo que precisava realizar agora: com isso, esticou as asas e deu o impulso para cima, fazendo-os planarem levemente.

    - Solte a brisa agora na direção do sol! – exclamou ela, inclinando seu corpo e o pesando sobre o dele, fazendo-os planarem horizontalmente em direção às dunas à frente. Dessa vez parecia que ia dar certo.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Dez 08, 2015 1:26 pm

    Tão logo finalizara o primeiro beijo, rápido, e dera-lhe a boa sorte, abrira os olhos. E via a cara da ruiva, de olhos fechados e fazendo "biquinho" no ar, como quem realmente queria que aquilo demorasse mais. Então....então ela havia gostado mesmo do gesto? Como era tão inexperiente, ficou surpreso com isso. E claro, feliz também. Não conseguiu segurar o sorriso, por mais que mordesse com o canto da boca. Era uma felicidade estranha, de ver que de certa forma ele conseguia agradá-la, que talvez ele conseguisse fazê-la feliz, quem sabe? "Tira esse sorriso idiota do rosto, seu imbecil" ele pensava consigo proprio, como se sua propria voz rabugenta xingasse-o em sua propria mente. Mas não conseguia. E distraido com sua briga mental interna, mal ouviu o desejo de boa sorte da ruiva, e era surpreendido com o "bis" daquele beijo.

    Ainda mal havia se recuperado do primeiro, o coração novamente saltava dentro do peito. As mãos, quase que tomadas por uma força maior, subiam pelas costas da ruiva, acariciando-lhe a nuca, enquanto a outra puxava-a mais para perto de si pela cintura nua da garota. A sensação de tanta falta de tecido cobrindo-lhe o corpo atiçava-lhe a imaginação, que facilmente conseguia imaginá-la sem roupas. Mas...a sensação era diferente de quando, por exemplo, vira-a com a blusa molhada e transparente. Apesar de estimulante, nao era só o desejo fisico que lhe tomava a mente naquele instante. Era isso e algo além, algo que se somava ao desejo carnal, que parecia vibrar de dentro pra fora, que parecia abrir-se como....como sua boca fazia agora, ao sentir a lingua da ruiva contra a sua. E quase como num espelho, ele também abria levemente os olhos quando ela afastara o rosto. E aqueles olhos esmeralda, queria mergulhar dentro deles; não importava se ela se parecia uma succubus ou humana, só sabia que queria perder-se para sempre naquele mar esverdeado.

    E assim como ela, tornava a fecha-los, voltando a beija-la com mais intensidade. Enclinou o rosto para o lado discretamente, e novamente abria discretamente a boca, era a lingua dele que buscava a dela agora. Assim como o primeiro beijo, o gesto não era tão fluidamente natural; estava carregado com um pouco de nervosismo, que parecia compensar com um cuidado e carinho que realmente nunca demonstrava em palavras. O beijo se aprofundava mais, a mão que lhe acariciava a nuca começava a descer pelo pescoço, arranhando-a levemente quando ele ouviu o gemido; a respiração ficava pesada. Se estava começando a gostar dos beijos de Artemia, agora estava realmente enfeitiçado por seus labios. A mão que puxava-a pela cintura, quase que tomada por vida propria, parecia ficar pesada, e começava lentamente a descer, e começava ja a sentir os contornos dos quadris e da nova cauda da garota...e envolto pela tsunami de sensações que sentia, como a coragem dos embriagados, um pensamento quase suicida lhe passou pela mente: ora, se a succubus da taverna ja dissera à Artemia que ele estava apaixonado por ela, pra que continuar mentindo? Se admitisse logo, o peso daquilo poderia acabar finalmente! O coraçao disparava ainda mais, e afastando brevemente os labios, começava a dizer baixo, quase soprando em seus labios.

    -A-artemia...e-eu...p-por voce, eu...d-d-digo....eu realmente estou apaixon...

    E então, Artemia se afastava do abraço, do toque, do beijo, justamente no raro momento em que ele parecia ter conjurado toda a coragem de seu ser. E a sensação de quase ter saltado por uma ponte lhe abatia de imediato; quanta adrenalina nao passara por ele naquele instante em que quase, quase confessara um enorme segredo à ela? E que tipo de cara idiota ele faria depois, se ouvisse dela uma explicação que na verdade seu coraçao pertencia ao barman incendiario? Onde estava com a cabeça!? Provavelmente na lua, a se julgar pela sensação de leveza, quase de embriaguez em sua cabeça. Talvez fosse o sol do deserto...

    Nao tinha forças para ficar de pé naquele momento; caía de joelhos no chão e os braços para frente, afundados na areia. Ficou alguns segundos respirando fundo, evitando olhá-la nos olhos, até que se levantou, com dificuldade. Ainda estava inebriado por todas as sensações, mas já tinha alguma força para se manterde pé.

    -S-sim, claro....nao p-podemos perder tempo....

    Respirava fundo novamente. Será que ela teria escutado o que ele quase acabara de lhe dizer? será que iria deduzir a frase que dissera, já quase completa? Não, talvez ela nao tivesse ouvido nada. Nao tinha a ideia do quanto humanos podiam ouvir, apenas sabia que ouviam menos que ele; quem sabe ela nao ignoraria tudo? Mas se fizesse isso, quando teria a coragem de arriscar-se denovo e repetir aquelas palavras que ansiava tanto em dizer? Ainda evitando olha-la nos olhos, abraçou-a para que pudessem voar, assim como ela. O abraço mais rigido lhe dera mais força para fazer o mesmo, e olhava para as enormes dunas de areia ao redor.

    Ele também saltou, junto a ela, dando mais impulso à altitude que ganhavam. Rapidamente, estendeu as caudas para o chão, e Artemia poderia ver uma espécie de névoa branca descer, girando, congelante, fria. O ar quente parecia reagir de imediato, preenchendo as lacunas entre o ar frio, subindo com força que jogaria os cabelos da ruiva para cima, numa forte lufada de ar que a faria subir a uma altitude de quase 100m. De onde estavam, agora sim poderiam avistar adiante das dunas: uma edificação semelhante a uma larga torre, enorme, no meio do deserto. Estava rodeada de várias estruturas menores no chão, provavelmente cidades-satélites como aquelas em que acabaram de sair. Ainda estavam bem longe, e talvez precisariam de 1h de vôo até lá... novamente, Tetsuya enviava um as ondas de de ar frio, agora diagonalmente para trás, de forma que a lufada de ar agora sopraria para cima e para frente, para mante-los naquela altitude e impulsionar para frente.

    Curiosamente, algumas partes das cidades pareciam como um espectro fantasmagórico,formando enormes quarteiroes. Vários demonios do mesmo tom transparente e azulado pareciam voar em torno delas; alguns grandes como o dragão da boate. Talvez pertencessem ao "outro lado" daquele circulo infernal, como a succubus disse?
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Dez 08, 2015 2:15 pm

    Eles conseguiram, finalmente, altitude suficiente para planar. Tetsuya havia lançado jatos de ar frio, criando correntes de ventos o suficiente para lançar seus corpos para frente, na direção do sol. As dunas ficavam cada vez menores conforme finalmente visualizavam o que parecia ser uma cidade ao longe, repleta de seres fantasmagóricos flutuando pelos ares.

    Artemia, distraída, apertou o abraço, colando mais seu busto no torso de Tetsuya. Ainda sentia as sensações absurdas que ele havia provocado em seu corpo, bem como a revelação que ela havia constatado a si mesma. Porém, agora que voavam e sua cabeça clareava mais, lembrou-se de algo que pareceu ter escutado. Tetsuya ia dizer-lhe alguma coisa enquanto se beijavam. E ela interrompeu! O que era? Será que...? Não, não era possível. Como seria? Ainda assim, ergueu a cabeça para ele e o encarou de perto, enquanto planavam pelos ares na direção do sol.

    - Tetsuya... – começou ela, sem saber direito o que dizer. O que diria? Seria mais fácil se ela revelasse a ele a verdade de seu coração, mas o medo da rejeição era ainda maior. Ainda assim, o olhar dele carinhoso deixou a garota confusa a ponto de continuar sua frase.

    - V-você ia dizer algo... o que era? – perguntou, soltando a respiração, finalmente. Evitava olha-lo nos olhos. Sabia que se olhasse, não resistiria e o beijaria novamente. Então, continuou a falar, abaixando os olhos para o lugar em que menos deveria olhar, mas que ainda assim a atraía sem resistência: seus lábios. Ah, como eram macios...Eu... eu também.. t-tenho algo.. a d-dizer... m-mas tenho v-v-vergonha...

    Seu coração batia velozmente, causando-lhe uma dor no peito sem fim. Ela havia apertado os dedos nas costas dele, abraçando-o mais forte. Estava com medo de dizer-lhe a verdade, mas sentia que morreria se não dissesse! Ainda que já estivesse morta, é claro.

    - Eu... eu... – não aguentaria. “Sua fraca!”, pensava, brigando consigo mesma quando voltava a aproximar seu rosto do dele e sentir o hálito quente do vulpino na sua boca entreaberta. Por que sua mão voltava à nuca dele?! Tira ela daí! Tira! - ...eu.. estou... a-apaixonada por... – não conseguia dizer tudo e se interrompeu no mesmo instante. A palavra "apaixonada" havia saído tão baixo que ela própria mal escutara.

    Não achava que precisava dizer tudo, ainda assim. Estava entregue. Fechou os olhos e voltou a beija-lo, ali mesmo, nos céus. Os ventos frios que ele gerava deixava uma sensação de paz na ruiva, ainda que ela estivesse à todo vapor em seu nervosismo. Sentiu uma confortável  e excitante satisfação em tocar nos lábios dele novamente, sentindo tudo que havia sentido antes. Era como se estivesse viciada naquelas sensações e precisasse cada vez mais: assim que provou a primeira dose, buscaria outras com cada vez mais intensidade.

    E, assim, continuou a beija-lo com desejo, mordiscando seus lábios ligeiramente, como se fosse a última vez que faria. E talvez fosse: Os prédios já começavam a se aproximar consideravelmente. Havia passado tanto tempo assim? Então, a maga terminou o beijo com relutância. Virou o rosto e viu os fantasmas se aproximarem e aquilo a alarmou.

    - A gente... c-conversa... ahm... d-d-d-depois..
    . – riu ela, sem graça e baixinho. O nervosismo era intenso na maga; algo que ela não conseguia controlar. Então, algo azulado e fantasmagórico veio à sua frente, passando por entre seus corpos e assustando a ruiva, que perdeu o equilíbrio e fechou as asas, fazendo ambos caírem nas dunas de uma altura nada saudável: Artemia havia se soltado do vulpino, rolando pelas areias até finalmente voltar a ficar praticamente enterrada. Estavam próximos a uma vila, finalmente. Onde será que haviam parado?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Dez 08, 2015 3:11 pm

    Como se houvesse algum complô para impedir que ambos se declarassem, o raposo ia ficando novamente mais e mais ruborizado com o que ela dizia. Ela queria dizer algo e tinha vergonha? será que...seria o mesmo que ele? não, com certeza não era. Provavelmente se sentia com vergonha por causa das roupas, do disfarce de succubus que vestia. E quando ela lhe perguntou sobre o que ele queria dizer, não conseguia pensar numa forma de disfarçar. E começou a falar de forma nervosa, se tornando muito mais prolixo do que seu usual, como se tentasse fazê-la esquecer que ele quase dissera algo comprometedor.

    -E-e-eu disse? eu....er....quis dizer que....que....não precisa ficar com vergonha, sei que deve ser desconfortável se vestir desta forma como uma succubus mas nao se preocupe pois ainda que se vista assim ou tenha essa aura demoniaca eu não me importo apesar de geralmente demonios me deixarem inquieto eu ainda te vejo como uma humana mas não que isso importe de alguma coisa pois você é você mesma independente de que raça seja e nao te olharia de uma forma diferente independente de sua aparencia ou que roupas use ou...

    Falava praticamente sem pausas, e praticamente atropelava as palavras da garota em seu nervosismo. E sem querer acabava entregando que talvez nao fosse sua aparencia de demonesa que estava lhe deixando daquela forma. Mas as orelhas se mexeram um pouco; naquela voz quase muda, e soterrada pelas suas proprias palavras, ele não conseguiu ouvir com exatidão o que ela queria lhe falar. Droga! Porque nao ficara quieto?! Mas ainda que suas orelhas nao captassem direito a mensagem, o coração parecia sentir e deduzir o resto da mensagem. E disparava denovo, em uma sensação angustiantemente boa, que fora complementada com o abraço apertado, as caricias na nuca e voltava a beija-lo. Quantos já foram naquele breve periodo de tempo? Para quem até então nunca experimentara aquilo, cada beijo parecia jogar sua mente em outra órbita. E aos poucos ja nao conseguia mais imaginar desculpas para justifica-los; era de boa sorte? de boa viagem? de bom vôo? ja nao estava mais se importando, vivenciar aquilo estava se tornando muito mais importante...

    Cada tentativa de verbalizar o que sentia estava se tornando um fracasso após o outro, mas seus corpos não pareciam partilhar da mesma dificuldade: a cada vez os gestos, caricias, iam se tornando mais naturais, instintivos, como se a cada vez a mente consciente perdesse mais e mais o controle da situação, deixando tudo ao encargo das emoções. Retribuia os beijos, arrepiava-se, e também perdia a noção do tempo; só tinha uma vaga noção do vento gelado que as caudas emanavam diagonalmente e deixava o vento soprar sobre ambos, muito embora o furacão que lhe envolvesse fosse outro no momento. E...depois de anos sendo excluido por anjos, esforçando-se para destacar entre eles e ser reconhecido, em vão, e perder a unica figura em quem confiava para seu suposto pai, era talvez a primeira vez que estava feliz de verdade. E deixou escapar um sorriso, um riso sincero. Sem uma unica ruga de rabugentisse. E levava a mão ao rosto dela, como se dissesse sem palavras que...ela fosse a razão daquilo. Mas o riso duraria pouco; aquilo lhe fizera baixar a guarda, e nao notou o vulto azulado enorme voar na frente de ambos, atravessando-lhes. Nao sentia nada, mas era desconcertante da mesma forma, e logo caíam novamente. Por sorte, aterrisaram no topo de uma duna alta, embora devido a isso rolariam bastante até chegarem perto da vila. Novamente, Tetsuya estava soterrado na areia, deixando à mostra apenas as 3 caudas que pareciam "brotar" da areia como uma planta peluda, amarela e platinada nas pontas. Após alguns segundos o rosto emergia logo adiante da areia, olhando preocupado para os lados.

    -Artemia...? Artemia!! Mia!

    Chamava-a preocupado se ela estaria bem. E se tivesse sido soterrada pela areia? E sem querer soltava um estranho "apelido" à ruiva. Talvez no subconsciente tivesse banido "Arty" pelo fato do barman tê-la chamado assim, e agora criava um outro no desespero?
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Dez 08, 2015 3:56 pm

    Em meio ao beijo, a maga havia conseguido sentir a mudança de reação do vulpino: agora ele a abraçava firme e a beijava com a mesma intensidade que ela fazia. Por um instante, ela soltou seus lábios dos dele e apenas o observou sorrir livremente, sem demonstrar seu costumeiro mau humor: Artemia já havia notado antes o quanto ele era atraente, apesar de suas atitudes mal educadas. Pois agora o via como ele realmente era, sendo bonito e puro. A visão fez a ruiva derreter por dentro, sorrindo abobalhada igualmente, tocando-lhe os lábios levemente, enquanto o mordiscava e sentia sua pele toda arrepiar com isso.

    Artemia não havia escutado as desculpas esfarrapadas de Tetsuya, enquanto tentava arduamente dizer o quanto estava louca por ele. Havia captado, porém, um pouco do que ele lhe dizia, que “não a olharia diferente independente da aparência ou roupas que ela use”. Aquilo despertou um choque em seu coração, como se desmontasse todas as verdades acerca de sua paixão platônica por ele. Então quer dizer que ele não a olhava daquele jeito apenas por estar vestida de Succubus? Não estaria dizendo aquilo só para agradar? O pensamento a deixou estarrecida, aprofundando e intensificando ainda mais o beijo que agora a envolvia por inteira. Parecia que era impossível, agora, não beija-lo: a cada hora era como se ela precisasse mais sentir o seu toque, seu calor. Lembrou-se imediatamente do que a Succubus havia lhe dito, “fiz sexo initerruptamente por sete dias com ele”. A lembrança de tais palavras fez todo o interior da ruiva remexer por dentro, sentindo uma pulsação ainda maior entre suas pernas, cujo local já estava úmido o suficiente para sobressair pela calcinha fio dental que usava. Artemia apertou suas coxas, sentindo um pequeno prazer na área. Por que se sentia assim sempre que estava próxima a ele? Quanto mais sentia pulsar, mais ela queria toca-lo e o aproximar de si mesma, além de desejar, secretamente, que ele fizesse o mesmo com ela.

    O vulto azulado os atravessou e ambos caíram no solo arenoso, sendo enterrados. Por alguns segundos, houve apenas silêncio: Artemia havia sido soterrada por inteiro e agora conseguia finalmente soltar sua cabeça de dentro da areia, respirando ofegante. Havia escutado a voz de Tetsuya chama-la de “Mia”. Jamais alguém a havia chamado assim antes, e a possibilidade de o vulpino ter inventado um apelido exclusivo para ela fez seu coração palpitar de alegria em seu peito.

    - Tets... aqui! – exclamou ela, também “criando” um apelido para ele. Conseguiu soltar os braços do fundo da areia, mas sentiu algo bicar sua cabeça. O que era aquilo?

    A ruiva ergueu os olhos e viu o que parecia ser um flamingo desnutrido de duas cabeças bicando a sua fronte, como quem bicaria um monte de lixo à procura de comida. O animal possuía uma forma espectral parecida com a do vulto que atravessou ambos e os fizeram cair nas dunas agora há pouco. Artemia agitou os braços para cima, ainda com o corpo preso na areia.

    - Xô daqui! Sai! Sai! – reclamou ela, tentando afastar o bicho para longe.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Dez 08, 2015 4:41 pm

    "Tets"? ele pensou logo de inicio, corando um pouco. E novamente, o sorriso abobalhado começava a querer se formar. Era um...apelido carinhoso. E então associava ao que ele a chamara. Ambos se chamando daquela forma, quase parecia um...casal? gesticulou a cabeça negativamente, procurando concentrar-se no mais importante no momento; foi saindo da areia com dificuldade, retirando amontoados infindaveis de areia das roupas conforme se levantava. Olhava o flamingo bizarro, fantasmagórico, alçar um pequeno e curto vôo, indo na direção da vila parcialmente espectral. Parecia ter emitido um piado surdo, inaudivel, o que demonstrava que seria impossivel ouvir as vozes do outro lado. A ave nao parecia ser capaz de causar-lhe dano com as bicadas, e suas formas não eram completamente nitidas; pareciam uma espécie de névoa disforme, alterando rapidamente com o movimento. Provavelmente não conseguiriam reconhecer alguem do outro lado do circulo infernal com tanta facilidade...

    Era visivel que a jornada entre beijos e caricias no ar com a ruiva lhe causara sérios efeitos; novamente aquele suspeito volume na calça ainda teimava em sobressair. Virou-se de costas rapidamente, batendo a mão nos trajes e "adaptando" melhor as roupas para cobrir o sinal evidente de sua atração pela ruiva. Bateu a mao nos ombros também para ajudar o "disfarce"

    -Er....e-essa....areia entra em toda a roupa...!

    E logo se voltou para ajudá-la a sair da areia, dando-lhe a mão e puxando-a. Ela nao precisaria de tanto esforço para tirar aquela areia das roupas; mal as tinha! E o pensamento de que novamente ela ficaria exposta a muitos olhares lhe causou uma pontada de ciumes. A blusa branca que vestia, parcialmente rasgada no meio pelo decote forçado que fizera diante de Carmiglioni para seduzi-lo, poderia servir de algo! Facilmente acabara de rasgar a blusa, deixando-a como uma espécie de jaqueta, e se aproximou da ruiva.

    E como fizera antes, quando lhe deu a camisa que vestia, nos becos perto da boate, novamente exibia o tórax delineado.Para economizar energia gasta fazendo o ar gelado no céu, agora nao se imantava do ar refrescante, de forma que o calor lhe atacava, já fazendo algumas gotas de suor escorrerem por aquele corpo, descendo pelo pescoço no meio, deslizando entre a linha que separava a musculatura do abdome. Não era excessivamente forte, mas era possivel identificar cada contorno; o reto abdominal fazendo contornos individuais a cada "gomo", subindo até serem separados pelos peitorais. Os serráteis vinham pelos lados, como que abraçando a musculatura do abdome, os obliquos logo ao lado descendo pelas laterais, indicando um caminho desejoso para a virilha. Artemia pudera ve-lo lutar corpo-a-corpo, então era quase óbvio que tivesse um bom condicionamento fisico, um físico ágil e definido. Mas antes estavam num ambiente escuro, gelado, noturno....agora podia ver com clareza sob o sol quente.

    Tetsuya se aproximou e, vendo que a parte inferior era a mais desprotegida, ajoelhou-se próximo a ruiva, passando a blusa em torno de sua cintura, e amarraria-a numa espécie de saia improvisada. Antes de amarrar, porém, de forma quase inocente comentou a si mesmo. Deveria ter saído apenas como pensamento, mas fora verbalizado, parar terror da ruiva.

    -Uhm...molhado?

    E foi quando se recordou de quando seu corpo era feminino, e tivera aquela mesma sensação de umidade entre as pernas, no calor de suas caricias com Artemia.E deduziu o que poderia ser. Ou pelo menos seu corpo deduziu; novamente sentia o desconforto tomar-lhe entre as pernas, como se o membro tornasse rebelde, sedento de sede e desejo, e...e imediatamente amarrou a camisa - agora saia branca - na cintura de Artemia, levantando-se ruborizado e virando-se de costas. E agora poderia ver o trapézio descer-lhe pelas costas, os ombros largos, o latíssimo dorsal descendo sobre as escápulas até sua cintura, como setas a indicar-lhe os gluteos.

    -Erm....d-digo, isso é para que se sinta mais confortável....não que eu me importe que fique sem isso perto de mim, digo...a-acho que ficará melhor se usar isso!

    Ele dizia, constrangido, cruzando os braços, agitando as caudas de forma inquieta.

    -V-vamos agora, sim?
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Dez 08, 2015 5:30 pm

    A ruiva havia sido puxada, finalmente, para fora da areia. Observou, levemente carrancuda, o estranho flamingo se afastar, voando na direção da cidade. Então viu Tetsuya se ajeitar, tentando retirar a areia de suas vestes. Artemia não conseguia desviar os olhos do rapaz, por mais que tentasse. Ela própria sentia a areia pinicar em seu corpo, especialmente no busto. Mas nada fez, apenas o observou agora terminar de rasgar sua camisa e a retirar de seu corpo.

    Péssimo momento para ver o corpo delineado do rapaz, pensou. A maga deixou seus lábios entreabertos conforme permitia que seus olhos passeassem pelos gomos do abdome do vulpino, agora podendo ser vistos claramente à luz do sol. Artemia seguia com os olhos a pequena gota de suor escorrendo pela musculatura; sua própria boca ficava seca ao observar a cena, que parecia ocorrer em câmera lenta. Sua respiração estava pausada, e conforme a gota escorreu até por dentro das calças de Tetsuya, sentiu sua respiração acelerar consideravelmente, fixando seus olhos no volume excessivo que havia ali, que mais parecia querer sair de dentro daquelas vestes...

    Tetsuya se agachou em frente à ruiva, colocando sua cabeça em frente ao sexo dela, amarrando a camisa em sua cintura. Artemia arregalou os olhos, ainda respirando rápido e sentindo o local umedecer mais ainda com a proximidade, fazendo um pouco de seu líquido escorrer por entre suas coxas, como pequenas gotas que corriam lentamente para baixo. Inevitavelmente, a ruiva soltou um pequeno gemido involuntário, esticando uma mão e tocando a cabeça dele, puxando-a levemente mais para perto, como se quisesse que ele se aproximasse da área e, quem sabe... quem sabe toca-la? Era o desespero! Só podia ser. Então, o vulpino fez o pior: comentou acerca de o local estar molhado. Artemia não sabia onde enfiar a cara naquele momento; a vergonha inundou seus sentidos e a fez soltar a cabeça dele no mesmo instante, dando um passo para trás. O que estava pensando?! Viu, de relance, o volume entre as pernas dele aumentar e apontar para fora. O que era aquilo que tanto a excitava e a deixava úmida daquele jeito? Precisava conhecer, precisava ver. Mas ele se ergueu e virou as costas; agora tudo que a ruiva via era o contorno delineado de seu trapézio.

    - M-molhado de... de s-suor, é claro. Está muito q-quente aqui...- e então, abaixando o tom de sua voz em quase um sussurro, continuou. - eu mesma estou toda molhada...

    Disse ela, envergonhada, caminhando e ficando ao lado dele para começarem a andar o percurso até a cidade. Fato é que a ruiva não conseguia desviar os olhos do volume dele. E, sim, estava completamente suada agora: seu corpo esguio agora possuía uma tonalidade bronzeada, destacada pelo brilho do suor que agora deslizava por suas curvas desenhadas. Seus pouquíssimos pelos alourados agora pareciam brilhar em meio àquele tom amorenado de sua pele. Seus volumosos seios possuíam várias gotinhas de suor que desciam para dentro do top e saíam, deslizando pelo abdome fino e delineado da ruiva, descendo até sua calcinha e confundindo-se com o fluído molhado que já existia ali...

    Até mesmo a camisa que Tetsuya acabara de dar a ela agora parecia estar ligeiramente transparente. Todo aquele calor parecia fluir de dentro para fora da maga, que respirava cada vez mais forte conforme notava o olhar do vulpino percorrer seu próprio corpo.

    O que estava acontecendo? Precisava de água. Precisava se acalmar! Estava parecendo uma descontrolada perto dele. Ainda que seu coração e sua cabeça sentissem que precisavam do corpo dele junto ao seu, uma vez que o volume do vulpino parecia servir como um imã ao próprio sexo dela, a atraindo e a deixando cada vez mais desequilibrada, a ruiva lembrou-se momentaneamente da missão de ambos ali, e de sua extrema urgência em relação ao tempo.

    Observou à cidade à frente, suspirando profundamente, em uma tentativa fracassada de fazer seu coração voltar aos batimentos normais. Era como se, desde que conhecera Tetsuya, seu coração deixou de ser o mesmo! A cidade os esperava no horizonte, e ainda assim, tudo que a ruiva conseguia pensar era no vulpino ao seu lado.

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    Re: 4° Círculo Infernal

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      Data/hora atual: Ter Nov 21, 2017 5:40 pm