Neo City Uol

O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    4° Círculo Infernal

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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Jan 14, 2016 6:58 am

    Artemia finalmente terminou de colocar para fora toda a verdade que escondeu durante tanto tempo. Tetsuya parecia estar confuso em um misto de emoções e sentimentos compreensíveis pela ruiva, que apenas o observava, trêmula e ofegante. Seus olhos lacrimejados ainda deixavam escorrer algumas gotas brilhantes de lágrimas, que ela enxugava lentamente, não se importando em deixar rastros úmidos pela extensão de suas bochechas.

    Tudo ficou quieto, deixando transparecer apenas o leve som de arrastar da lava que ainda escorria pelo chão. Artemia fechou os olhos, tapando-os com as mãos frouxas, hesitantes. Respirou fundo mais uma vez quando viu Tetsuya cambalear para trás e cair, sem fazer menção alguma de se levantar.

    A ruiva sentia-se o pior dos seres, naquele momento. Havia partido o coração do vulpino, destruindo a confiança que ele tanto demorou em adquirir. Toda a verdade havia caído como um peso de mil toneladas em seus ombros, aliviando os de Artemia, que agora sentia-se mal por ter tido tal atitude. Seu amor por ele não a impediu de dilacerar seu coração e acabar com suas esperanças.

    Ao menos, pensou, ele agora sabia tudo sobre Fuyu. Sabia que tinha como pai um bondoso Overlorde, digno de respeito e admiração. Sabia, também, que ela e Axle o protegeram durante todos os momentos, salvando-o de dentro do solitário cristal, moradia agora de seu pai.

    O coração de Artemia também estava dolorido, partido em mil pedaços. Ver Tetsuya naquele estado a deixava em um misto de infelicidade com frustração. Ainda assim, não se sentia totalmente culpada, afinal, tentou seguir os conselhos de Fuyu e Axle, dizendo a verdade a Tetsuya quando ele estivesse preparado: ou, nesse caso de agora, quando não houvesse outra saída, a não ser conta-lo. O que mais ela poderia ter feito?

    - Me desculpe, por favor. Acredite em mim, eu só queria te proteger... – suspirou ela, ajoelhando-se em frente a ele, ousando tocar levemente em seu braço. – Quando sairmos daqui, você pode ter a confirmação disso tudo com o anjo, Ryan. Infelizmente... infelizmente, Axle deve estar... m-morto. – Artemia fechou os olhos ao dizer essa verdade, que tanto doía em seu peito. Porém, continuou a tentar convence-lo de sua honestidade. - Se quiser como prova, podemos voltar ao Bunker, onde todos ali de dentro sabem de tudo. Todos viram o Doppelganger, e como minha flecha o matou. Todos ouviram Fuyu contar sua história, e todos presenciaram a nossa entrada no cristal, para te tirar de lá. Podemos até mesmo tentar voltar para dentro dele, para que você converse com seu pai...

    Ela dizia com toda certeza que havia em seu coração em chamas. As lágrimas agora escorriam livremente, descendo languidamente pelo seu maxilar. Seus olhos esmeralda refletiam um brilho desesperado, ansioso. A ruiva tentava alcançar Tetsuya, explicar melhor o quanto estava sendo sincera. Sabia que ele não confiaria mais nela. Droga! Estragou tudo!

    - Por favor, por favor... não contei porque você... você não acreditaria! Estava agressivo demais! Mal podia ouvir o nome “Fuyu” sem entrar em um estado automático de fúria. – Artemia perdia um pouco do controle que conseguira manter, até então. O desespero tomava conta de sua mente, deixando-a em um estado de nervos sem igual. Pensou em Axle, e o quanto queria que o reploid estivesse ali, sempre calmo o bastante para assegura-la de que tudo ficaria bem, embora soubesse que isso seria impossível.

    - Eu... eu... estava esperando você se acalmar sobre o Fuyu... ele próprio estava esperando isso! – e então lembrou-se repentinamente do que o casal havia dito antes. – Eu não sabia sobre Yumi ser sua irmã! Talvez nem ela própria saiba disso tudo. Preciso contar a ela também...

    Mais uma vez, o encargo de contar “verdades” ficava sob a custódia de Artemia. A ruiva abaixou a cabeça, passando os dedos da mão entre seus cabelos, jogando-os para trás. Ela respirou pesadamente: era como se suas energias estivessem diminuídas com tudo aquilo. O que aconteceu? Estava ficando cansada. Isso era normal?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Jan 14, 2016 8:33 am

    Pouco a pouco foi levando as mãos à cabeça enquanto envolvia as pernas dobradas, cobrindo os olhos, com os cotovelos apoiados sobre os joelhos.

    -E-eu....confiei em você. Achei que pelo menos você jamais...NAO ME TOQUE!

    E com um tapa, acertou o braço da ruiva tão logo sentiu seu toque. Não era algo forte, mas o gesto parecia reverberar de forma muito mais profunda, como um tapa na propria alma. Era possivel ver agora o rosto do mestiço avermelhado de raiva e angustia, os olhos vermelhos vertiam lágrimas copiosamente. E como da primeira vez que o viu, parecia extremamente arredio, erguendo uma muralha ao seu redor, afastando até mesmo ela.

    -DESDE QUANDO VOCÊ OU ALGUEM SABE O QUE É MELHOR PRA MIM!? MAS PREFERIRAM ESCONDER TUDO DE MIM!? VOCÊ, O ROBÔ, MEU PAI, ATÉ ALMAS CONDENADAS NO INFERNO SABEM MAIS A VERDADE SOBRE MIM DO QUE EU PROPRIO!SUA...MENTIROSA! EGOISTA! MANIPULADORA!

    o mestiço parecia alvejá-la com críticas e xingos, mas sua voz rapidamente foi abafada; uma névoa esbranquiçada saiu rapidamente do colar no pescoço de Artemia, que adquiria agora um tom de azul marinho profundo e sem brilho; ainda estava carregado em magia, mas a entidade que estava ali dentro havia saído.

    O ar parecia vibrar, como se um terremoto vibrasse através dele; apesar de Artemia não sentir a variação na temperatura, poderia ver à distancia que aquela magma que torturava as duas almas petrificava-se em gelo, congelando quase instantaneamente, deixando somente várias estalactites de gelo em seu lugar; o chão ao redor daquele salão parecia reluzir, tomado por uma fina camada de gelo. A unica area poupada realmente era aquela, num raio de uns 2m ao redor de Artemia. O ar parecia pesado, como se faltasse oxigenio a ser respirado. Fuyu transparecia, mesmo que por breves instantes, a presença de um overlorde de verdade, inteiro. Seu corpo espectral parecia cristalizar-se em um de gelo, como se possuísse um golem com exatamente suas formas. A primeira coisa que fez foi dar um tapa no rosto do filho. Ao contrário do de Tetsuya, aquele parecia realmente ter doído, jogando o raposo quase 3m para trás. A voz de Fuyu parecia até adquirir um tom autoritário, grave e seríssimo, que a propria ruiva jamais vira antes.

    -Não me importa que seja meu filho, que me odeie, que me amaldiçoe o quanto quiser por tudo o que houve. Mas nunca, jamais ouse dizer ou fazer o que fez a Artemia denovo, ou da próxima vez não será apenas um tapa. Pois ela arriscou-se, fez o possivel e o impossivel para te proteger, e jamais te abandonou. Ela deu sua propria vida para que você mantivesse seu braço, inferno!! Ela deixou de lado a busca pelo proprio pai em favor de você, e carregou um fardo imenso que alguem de sua idade jamais deveria carregar, e se ela te escondeu algo, foi a meu pedido. Pois você não tinha maturidade ainda para saber, e vejo que ainda parece não ter. Então deixe de ser orgulhoso e mimado, pois suas atitudes não são condizentes a alguem que a mereça! Está ouvindo!?

    O raposo-pai apontava o dedo ameaçadoramente na direção do filho, que observava tudo boquiaberto e sem palavras. Sua face franziu, o punho cerrou, e certamente iria atacá-lo, até ver os flocos de neve que começavam a cair dos olhos do golem de gelo, o corpo "emprestado" que ele proprio criara. Apesar de ser apenas um constructo, era possivel ver que aquele forte tapa, praticamente um soco, doera muito mais em Fuyu do que em Tetsuya. O raposo-pai começava a falar, num tom mais calmo, respirando fundo. Pouco a pouco, aquela aura ameaçadora que ele esboçava ia se desfazendo.

    -Eu só....peço que pare de culpá-la. Por favor.... É tudo culpa minha. Um sábio humano uma vez disse "Seja a mudança que você quer ver no mundo", e eu tentei mudar este lugar infernal. Achei que poderia criar um refugio de paz e justiça para as almas amaldiçoadas pelo pecado, dar-lhes uma segunda chance. Dar oportunidade para que demonios mais fracos progredissem na vida. Pensei que poderia até ter uma familia aqui, e minha ingenuidade custou a vida da mãe de Yumi e a paternidade dela. Tentei fazer algo diferente, acertar pelo menos com você, deixando esse lugar seguro para que você e Iriel viessem...e novamente, tudo deu errado. Tudo o que lutei, tudo o que conquistei, até mesmo a fé num amanhã melhor para muitos do 5º circulo infernal, tudo se foi...não tenho sequer mais meu corpo! A unica coisa que me restou foram meus filhos e pessoas em que posso confiar, a quem incluo Artemia. Então eu te imploro, não me faça perder isso também...não quero mais ver meus filhos isolados de tudo e todos. Se ainda lhe resta ódio e vingança, termine aqui com o que resta de minha alma, mas pare de descontar isso nos outros...

    Fuyu abaixava-se, ajoelhando no chão, abaixando a cabeça, como se a colocasse numa guilhotina. Os pais de Yumi finalmente recobravam as forças, não mais atormetandos pela lava. Finalmente conseguiram se levantar, flutuando rapidamente na direção de Fuyu, envolvendo-o, como se tentassem protegê-lo. Era em vão; nao tinham corpos fisicos, ainda que artificiais como Fuyu.

    O homem e a mulher embolavam-se em vultos espectrais em torno da estátua de gelo de Fuyu, agora imóvel, e diziam:
    "-Milorde, por favor não...muitos ainda aguardam e tem fé no sr.!"
    "-Seu sonho ainda irá se concretizar, meu Senhor. Não desista agora!"
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Jan 14, 2016 10:35 am

    Ao que Artemia tocou o braço de Tetsuya, recebeu instantaneamente um tapa que a fez perder o equilíbrio e cair para o lado. A expressão de choque era visível nos olhos pasmos da ruiva: seu corpo parecia estar mais frágil que antes, principalmente agora, ao ouvir os gritos e xingamentos do vulpino que ela tanto ama, que pareciam cortar sua alma em mil pedaços. O que tinha acontecido com os dois? Estava tudo acabado. Seu choque deu lugar a uma mágoa que a ruiva não se sentia digna de ter, mas ainda assim, seu coração apertou de dor. Ela se esgueirou para longe dele, visivelmente assustada com a mudança brusca de atitude do vulpino.

    Claro que ela esperava esse tipo de reação. Especialmente vindo de Tetsuya, que sempre demonstrou agressividade e um alto índice de emoção, extrapolando a dignidade, às vezes. A ruiva, porém, não estava preparada para isso. Quem estaria? Há uma hora, ambos estavam aos beijos! Artemia fechou os olhos, tapando o braço com sua mão trêmula, abaixando a cabeça para os joelhos.

    Então, com uma rapidez estupefata, a névoa de gelo pareceu cobrir todo o ambiente, livrando apenas Artemia, que ergueu a cabeça para observar o que acontecia. O cristal já não brilhava com a mesma intensidade: seu brilho parecia ter sido libertado, emanando em todo ambiente, dando lugar ao ar pesado que agora criava uma forma espectral do que parecia ser Fuyu, cristalizando-se em gelo entre Tetsuya e a ruiva.

    Para mais um choque de Artemia, Fuyu logo deu um tapa forte no rosto de seu filho, fazendo-o ser fortemente lançado para trás. Com isso, defendeu a demonesa com suas palavras firmes e autoritárias, revelando o quanto ela havia se esforçado para manter o vulpino vivo e bem. De fato, ela havia dado a própria vida: não pelo braço dele, como Fuyu mencionou, e sim porque pensou que Tetsuya morreria. Ainda assim, o defendeu e o protegeu até mesmo da verdade que agora vinha à tona. Ver o Overlorde agora, em frente ao seu tão amado filho, defendendo-a e enfatizando o quanto sua ajuda fora indispensável, fez Artemia sentir as lágrimas voltarem aos seus olhos. Seu braço ainda estava vermelho, devido ao tapa, mas o que mais doía agora era seu peito, imensamente contraído ao ouvir a conversa se acalmar levemente, com Fuyu ajoelhando-se e dando a Tetsuya a escolha de tirar ou manter sua vida.

    - Fuyu...! Não!

    Artemia se levantou e tentou tocar no espectro de gelo, não conseguindo: a repulsa pelo elemento gelado era tanta, que ela foi forçada a chegar para trás e cair igualmente de joelhos. As lágrimas agora rolavam cada vez mais pelo seu rosto, em uma expressão clara de dor e frustração. Ela passou uma mão pelos cabelos, jogando-os para trás.

    - Tetsuya, por favor... ele fez tudo por você! Droga!

    E então, levantando-se novamente, a ruiva correu para a frente de Fuyu, permanecendo estática, de pé, cobrindo um pouco do corpo gélido do raposo. Apesar das lágrimas rolarem pelo seu rosto desesperado, Artemia possuía agora uma expressão decidida: mesmo com o incômodo ar frio que vinha de Fuyu, ela se manteve de pé, de punhos cerrados. Embora seus olhos implorassem para ele não fazer nada, estava claro que a ruiva defenderia Fuyu, ainda que custasse sua vida. Esse pensamento causou um sentimento raivoso na demonesa, que agora sentia o peso da ingratidão de Tetsuya.

    - Se quiser fazer mal a alguém aqui, então faça a mim! Fui eu que não te contei antes. Não é?! Ele não fez nada, a não ser te proteger. E tenho Deus e o mundo como testemunha de que fiz de tudo para te proteger também!
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Jan 15, 2016 12:02 pm

    Talvez pelo fato de Fuyu ter ficado dentro do cristal, sendo atormentado por aquelas imagens e memórias, as paredes cristalizadas de gelo daquele grande salão pareciam trazer a mesma "maldição", revelando flashes das memórias de Fuyu, que atormentavam-lhe enquanto ficava dentro do cristal. Mostravam cada cena, desde o nascimento de Yumi, passando pelo do proprio Tetsuya, mostrando como seu exercito era destruido, seu corpo absorvido pelo Doppelganger, a agonia de ver o clone assassinando sua esposa e quase fazer o mesmo com o filho, como o demonio era morto por Artemia, a viagem para dentro do cristal...eram imagens que queimavam profundamente a memória do filho, que parecia atordoado, vendo cada peça se encaixar com as memórias que sua mãe lhe deixara.

    Tetsuya apenas observava as almas e Artemia protegerem a figura gelada de seu pai. Seu corpo tremia num ódio quase irracional, embora já não soubesse mais para onde direcionar aquela raiva. Nas seu olhar voltou-se brevemente ao de Artemia, e ali ficou fixado. O tapa do pai parecera ter-lhe recobrado algum juizo, ao menos o bastante para que escutasse suas palavras, e pensar de forma mais racional. Nos olhos da succubus via a dor que ela sentia, quase tão grande quanto a dele própria, além da marca de sua propria mao vermelha em seu braço. E pouco a pouco, a raiva que o mestiço demonstrava antes parecia esvair-se como chamas soterradas por um mar de água gelada, convertendo-se numa profunda tristeza. Não fora o pai que lhe trouxera tantas amarguras, mas era ele agora quem estava trazendo-a ao pai e Artemia.

    -M-me perdoem, eu...

    E o rapaz ja nao conseguia mais dizer mais nada, apenas começou a chorar. Apesar de realmente sempre tentar mostrar um lado mais rabugento e áspero, ficava claro que lá no fundo realmente era muito diferente daquele raposo mal-humorado e desconfiado que sempre demonstrava a todos. Mas Artemia e Fuyu provavelmente já sabiam disso antes. Apenas provavelmente nunca viram-no totalmente despido de todas as suas defesas, como estava agora. Apenas encolhia-se, com as mãos no rosto, procurando esconde-lo, como se tivesse vergonha de si mesmo, das palavras e gestos que fizera contra todos ali.

    Fuyu apenas se ergueu, dando dois tapinhas nos ombros de Artemia, com um sorriso sem graça e um pouco abatido, mas era claro o alívio que sentia. Apesar de ser apenas um corpo de gelo, era quase como se aquele homunculo glacial estivesse muito mais leve. O raposo-pai se aproximou do filho e o envolveu com os braços de gelo, pousando a cabeça sobre a dele.

    -Você nunca estará sozinho...nunca esteve. Eu e sua mãe estaremos sempre contigo, além das companhias que você está adquirindo em sua vida. Cuide de sua irmã e de todos o que o cercam. Não tenha vergonha de errar e cair, desde que sempre se erga a seguir. Não posso ficar aqui com você agora, pois preciso guardar minha energia para quando mais precisarem de mim. Mas estarei...ou melhor, estaremos sempre ao seu lado, certo?


    Fuyu dizia, piscando bem-humoradamente para Artemia, e logo seu corpo se desfez em neve; o vulto que estava ali dentro pareceu ser sugado de volta para o colar da ruiva. As duas almas dos pais de Yumi reestruturavam-se nas duas figuras fantasmagóricas, de pé ali perto. O homem abraçava a mulher com carinho, e sussurrava-lhe:

    -Eu disse para não perder as esperanças...ainda veremos esse lugar melhor para nossa Yumi. Sinto que ela está não muito longe daqui.

    A mulher por sua vez sorria, e dizia para Artemia e Tetsuya, que ainda chorava ajoelhado no chão.
    -Obrigada por nos salvarem. Terão nossa eterna gratidão!
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Jan 18, 2016 9:59 am

    Artemia observou Fuyu produzir diversos espelhos iguais aos de dentro do cristal, mostrando todas as cenas do passado que ainda atormentavam seu presente. Com isso, não restou dúvidas sobre a veracidade de tudo que falaram ali; eram claras as fases que mais marcaram o raposo, desde o nascimento de seus filhos, até sua entrada definitiva no cristal. Após Tetsuya finalmente cair em si, aos prantos e inconsolável, Artemia sentiu as gélidas mãos do espectro de Fuyu em seus ombros, assustando-se brevemente e sorrindo em seguida. Não esperava um desfecho como aquele; muito pelo contrário: a ira de Tetsuya parecia que se estenderia para além de outras vidas.

    Seus olhos esmeralda agora caíam em um Tetsuya desesperado, curvado e chorando. Fuyu estendeu os braços e abraçou seu filho, suspirando palavras bonitas; Artemia ajoelhou-se e estendeu igualmente os braços, em um abraço grupal cheio de significados. De seus olhos caíam lágrimas de alívio; o gelo não mais a incomodava da mesma forma. Até que, repentinamente, o que restou de Fuyu era apenas uma névoa que se dissipou aos poucos, deixando a ruiva com os braços envolvidos nos ombros de Tetsuya, em um abraço caloroso e ligeiramente trêmulo. Ela própria não sabia se deveria ousar estar ali, afinal, não sabia como o vulpino se comportaria com ela agora, que sabia de toda a verdade.

    Então, lentamente Artemia desfez o abraço, porém permanecendo com um braço ainda envolvido no ombro de Tetsuya. Ela estava sem graça, enrubescida e de cabeça baixa, obviamente envergonhada por todas as revelações e toda ira que o vulpino havia tido de tudo e todos, especialmente dela. Erguendo a cabeça para o lado, observou o casal de almas se abraçarem e suspirar aliviados. A ruiva sorriu para eles com seus lábios vermelhos e olhos ainda lacrimejando.

    - Yumi está por perto? Se ela estiver, por favor, aguardem. Tenho certeza de que ela gostaria de falar com vocês, ainda que por um curto momento... – insistiu Artemia, ainda na mesma posição, meio abraçada a Tetsuya, os observando com intensidade.

    Ela sabia o quanto Yumi gostaria de ver seus pais. Além disso, ela própria gostaria de ver os seus, caso estivessem vivos. Mas isso não era possível. Sua mãe – nem sequer a conheceu. Não sabia quem era, ou de onde vinha. A única informação que tinha era de que sua mãe possivelmente seria uma maga, como ela. Estaria ela em algum inferno? Sabe-se lá. Artemia agitou a cabeça, procurando se concentrar nos problemas reais que surgiam agora: precisava encontrar Yumi. Precisava trazê-la até seus pais!
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Jan 19, 2016 6:36 pm

    As duas almas gesticulavam a cabeça negativamente.

    -Fora do jarro, nao podemos ficar sem um corpo por muito tempo. O inferno absorve as almas demoniacas para que renasçam. Não queremos ir sem antes ver nossa Yumi, mas precisariamos de um... - O homem dizia
    -...um lugar para armazenar nossas almas, como este cristal...será que podemos? -a mulher complementava.

    Tetsuya abraçava a unica figura que ainda havia ali, Artemia, até que lentamente o desfez. Ao mesmo tempo, o gesto pareceu ajudá-lo a se recompor na figura mais "independente" que normalmente era, de forma que endireitou o corpo, secando as lagrimas. Ainda parecia um pouco abalado e perdido, mas era claro que pouco a pouco ia reerguendo a barreira que sempre mantinha erguida, ocultando os sentimentos reais pouco a pouco. Para quem nao o conhecesse, imaginaria que estava se recuperando rapido demais; mas era claro que aquilo tudo deixaria cicatrizes em sua personalidade por muito, muito tempo. De uma forma que nem mesmo ele imaginaria como agiria a partir de então.

    Sua raiva ia se reconstituindo, ainda procurando um foco sobre o qual jogar-se. O tal doppelganger, apesar de morto, muito provavelmente teria agido sob comando de algum outro demonio. O overlorde daquele inferno era realmente muito suspeito, e um alvo perfeito para a suspeição do raposo. Ao mesmo tempo, um sentimento de dualidade começava a se formar em torno da ruiva; mais do que nunca amava-a acima de tudo. Mas também era dificil confiar uma segunda vez em alguem que o enganara tão bem, por tanto tempo. Acostumado a jamais confiar alguem e tê-la traída justamente por uma das unicas pessoas em quem confiou era algo que dificilmente se repararia como antes. Um jarro quebrado, ainda que muito bem colado, sempre teria as marcas, afinal de contas.E tal conflito de sentimentos iria a partir de então se tornar algo crescente, lento, como uma bola de neve...

    O mestiço se levantou lentamente, cruzando os braços, com uma postura levemente rabugenta.
    -Eu...estou bem, não precisa se preocupar. E vocês dois, não podem "entrar" no cristal espontaneamente? como possui-lo ou algo do tipo?
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qua Jan 20, 2016 1:20 pm

    Artemia, ainda abraçada a Tetsuya, observou o colar de cristal acender languidamente sua luz, em sinal de aprovação do próprio Fuyu. Porém, o sorriso que calidamente surgia em seu rosto morreu no mesmo instante em que Tetsuya se ergueu, cruzando os braços. Artemia sabia que havia perdido seu amor e sua confiança. A verdade veio à tona. Sabia que não conquistaria o vulpino nunca mais...

    Seu coração apertou ao pensar nisso. Como era estranho estar ali, e ter tudo acabado com o vulpino, assim, de uma hora para outra! Voltaram à estaca zero, piorando o cenário com o fato de que ela havia escondido uma informação crucial a ele. Estava sozinha novamente, agora com um novo corpo e novas habilidades. O que faria de sua vida sem Tetsuya? Agora que havia sentido o doce sabor de seus lábios, o calor rico em amor de seus abraços; como faria para viver sem tudo isso? Jamais voltaria a tocar nesse assunto. No entanto, sabia que jamais conseguiria olhar para o rosto dele sem sentir vontade de beija-lo...

    A ruiva se levantou rapidamente. Assim como Tetsuya, não demonstraria suas fraquezas. Já havia chorado e até mesmo recebeu um tapa em seu braço, que ainda ardia. Agora, tudo que via pela frente era a busca pelos outros fragmentos de Fuyu e o paradeiro de seu pai. Fora isso, prometeu também proteger Tetsuya, e faria isso sempre, ainda que sinta que seu coração quebre constantemente de não tê-lo para si.

    - Eu não sei como enviar vocês para dentro... – ela ia dizendo, com a voz baixa, aproximando-se do casal. Em suas mãos, o cristal frio iluminava-se, como se quisesse se comunicar. Artemia aproximou-o de seus lábios e suspirou. – Fuyu, consegue envia-los para junto de você?

    E aguardou uma resposta. Certamente, ao lado do raposo-pai, o casal ficaria seguro até encontrarem Yumi. Se é que a encontrariam...
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Jan 21, 2016 4:51 pm

    -Eu...me lembro como se faz isso. Foi uma das ultimas coisas que vi antes que ela me enviasse pro cristal...-Tetsuya disse, evitando olhar para Artemia diretamente, mas observando as duas almas com atenção. Talvez fosse mais um sinal de que realmente o amor dele havia esvaido? De qualquer forma, o raposo-filho se aproximou da ruiva, levando ambas as mãos ao colar, no pescoço, ainda evitando o olhar esmeralda. Uma das mãos estendeu ao casal, começando a murmurar algumas palavras num idioma parecido com um latim. Parecia quase uma espécie de canção de ninar, em sons um pouco guturais; provavelmente ouvira a mãe recitar aquele encantamento daquela forma como uma forma dela acalmá-lo, e agora repetia-o. E como se fossem sugados pela mão do raposo, as almas iam sendo puxadas em direção ao cristal. Os pais de Yumi apenas sorriam e acenavam um "até logo", enquanto suas formas espectrais se distorciam num feixe branco-azulado espectral, sendo puxados para o cristal. Pensando bem, poderiam até mesmo fazer uma cerca companhia a Fuyu ali dentro, quem sabe até ajudá-lo tambem com seus problemas.

    E evitando o olhar de Artemia, Tetsuya pareceu notar a marca da mao ainda presente no braço da ruiva, ainda que quase já invisivel. Ainda mantinha o corpo próximo ao dela, segurando-lhe o colar na mão esquerda, e sussurrou em voz baixa.

    -Me desculpe, eu....não estava pensando direito na hora.


    E ainda procurava evitar-lhe os olhos. E olhando para baixo, era inevitavel que ambos caíssem no decote da ruiva. O rosto enrubescia quase automaticamente, acompanhado de um deglutir seco, indicando um pouco de timidez. E ao procurar desviar o olhar dali, finalmente caiu na "armadilha" de fitar os olhos da succubus. Curiosamente, apesar dos gestos anteriores de dissimulação do raposo, ainda havia aquele brilho apaixonado no dourado e azul-gelo em seu olhar, o mesmo brilho que existia sempre que ambos se cruzavam. Mas havia uma névoa de duvidas, incertezas, de retração, arrependimento, de alguma coisa que parecia ofuscar um pouco o brilho livre e ardente de antes. Era como um sol obnubilado por nuvens; vibrava ardente no topo do céu, apenas nao podia ser completamente contemplado devido ao nublado. O que poderia trazer algum alivio ou manter as incertezas da garota, a julgar como ela poderia interpretar aquilo.

    Mesmo o corpo do rapaz parecia dar indicios daquilo; demorava quase que inconscientemente a sair de perto da ruiva, ficando por longos segundo diante dela, segurando o colar na mão, o olhar fixo no dela, o rosto enrubescido. Os lábio inconscientemente começavam a se entreabrir, como se deixassem se levar por um magnetismo natural ao dela.E quase como se despertasse de um sonho, piscou algumas vezes e recuou um passo, procurando mudar o assunto; seu proprio comportamento ambíguo mostrava o que ela já havia visto no olhar. O rosto ainda manteria-se assim por alguns segundos

    -Pronto, está feito. Precisamos encontrar Yumi e sair logo deste inferno, a essa altura Axle já deve ter voltado...e se ele ver seu corpo lá, sem sua alma...


    Gesticulou negativamente com a cabeça. Nao o conhecia bem o suficiente para saber como reagiria diante da cena, mas com certeza não seria de forma tranquila e pacifica.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sab Jan 23, 2016 9:35 am

    Artemia sentiu sua respiração perder o passo conforme observava Tetsuya se aproximar, calmamente, e segurar em seu colar de cristal. Seus olhos buscavam os dele, ávidos, insaciados pela falta do contato. As almas se dissiparam, então, para dentro do cristal e Artemia as olhou por um breve segundo, retornando a fixar sua atenção a Tetsuya e sua intensa aproximação.

    O vulpino parecia constrangido e a ruiva não sabia o motivo, até que ele fitou seu olhar no braço dela, cuja pele esmaecia lentamente o tom roseado do tapa. Artemia não desviou o olhar do rosto dele. A aproximação causara um efeito entorpecedor em seus sentidos, deixando-a embebida em uma sensação desnorteada, como se estivesse levemente bêbada. Sua respiração novamente perdeu o passo assim que ele fitou seu seios, fazendo com que seus anseios de tê-lo em seus braços aumentassem ainda mais.

    Então, ele finalmente a olhou nos olhos. Artemia prendeu a respiração; seu coração batia velozmente, deixando seus músculos tensionados ao sentir o peso de seu olhar, preso no dela, como um imã. Fatalmente, seus olhos esmeralda desprenderam dos dele e caíram nos lábios partidos do vulpino, deixando os seus próprios partirem. Era como se a chamassem, a implorassem para serem tocados...

    E assim, estando tão próximos, Artemia percebeu o quanto estavam separados. Tetsuya recompôs sua postura e desviou o olhar, voltando sua atenção a qualquer outro assunto que não seja ela. A ruiva sabia, então, que não tinha mais volta: o ardor em seu peito, que agora batia dolorosamente, deveria se acalmar sozinho. Ela abaixou a cabeça e deu um passo para trás, passando uma mão em seus cabelos e os ajeitando de uma forma desajeitada. Em um suspiro longo, ela apertou em sua mão o cristal, desejando calorosamente que ele atendesse seus pedidos de ter o perdão de Tetsuya.

    - Axle está vivo? - perguntou apenas depois de recuperar sua respiração novamente, sem deixar transparecer o quanto estava ofegante. Artemia virou seu corpo e caminhou para o lado, observando os outros jarros. O clima inebriante de antes não passava agora de uma lembrança fantasmagórica em meio àquele local solitário.

    - Vamos, então. Jasor também deve estar preocupado... - lembrou ela justamente do barman, olhando rapidamente para o vulpino na esperança de ver alguma reação parecida com a que ele sempre tinha quando Jasor era mencionado.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Dom Jan 24, 2016 4:49 pm

    Tão logo o mestiço se afastou, levou a mao ao peito, quase como se procurasse avaliar a propria frequencia cardiaca. E percebia que o que o motivava a continuar em frente nao era mais o ódio, a busca incessante pelo pai, a vingança pelas proprias mãos. A revelação recente o havia despojado daquilo. E notava agora que algo muito mais forte lhe nutria; o amor pela ruiva, que ficara evidente com esta ultima aproximação. As memórias vinham como flashes, recompondo-se, reorganizando-se por uma nova óptica, que o desejo por ela agora reacendera: uma revisão de tudo pelo ponto de vista de Artemia. Quase que podia sentir a angustia de ser obrigado a esconder aquele segredo terrivel; os momentos em que quase contou, sofrendo em silencio, sem que ele percebesse. Os sacrificios, a doação da própria vida, a queda ao inferno. A transformação noutro ser, apenas para poder permanecer mais tempo ao lado dele.

    E assim, pouco a pouco a instabilidade de sentimentos do rapaz ia moldando-se de uma forma muito, muito diferente do que Artemia imaginava: sentia arrependimento pela forma como a tratara. A insensibilidade com o qual nunca percebeu a angustia interna e silenciosa de sua amada. A forma como depois de dar tudo o que tinha, ainda responder com um doloroso tapa no braço, que transpassava o mero contato doloroso físico. Sentia a dor na alma. Talvez fosse sua parte angelical, piedosa, que fazia-o se arrepender tão amargamente daquilo. Mas depois de tudo o que fizera à ela, o quanto a fizera sofrer, não teria sequer coragem de pedir perdão à ela. Não porque fosse orgulhoso, mas porque ja nao acreditava ser merecedor dele. Ou melhor, merecedor dela. A succubus que tanto amava precisava ter ao lado alguem melhor, alguem à altura de todo o sentimento que ela era capaz, que a tratasse como merecia. Ele já não era digno daquilo. Fora tolice imaginar que fosse merecedor de toda a felicidade que tivera. Afinal de contas, nunca a tivera, porque as coisas mudariam agora? Curiosamente, o ar melancólico se manifestava pelo corpo; as orelhas vulpinas pareciam agora levemente caídas, as caudas mais baixas. Era literalmente um livro aberto. Mas nada impediria que Artemia interpretasse aquilo de forma errada, imaginando que ele estivesse triste e decepcionado com ela, e não consigo proprio, como estava de fato.

    Os pensamentos pessimistas do loiro logo davam lugar ao ciume habitual ao ouvir o nome do barman.
    -Ele deve estar no minimo perseguindo algum rabo-de-saia por aí! hmpf...

    Dizia com o mesmo grau de rabugentisse e ciume que antes, isso realmente não mudara. Mas pensando bem, e se Jasor fosse de fato esse alguem especial que Artemia merecia? Por decerto que seria alguem muito melhor a ela do que o raposo, que se considerava indigno de sua companhia. O ar melancolico começava a retornar-lhe logo a seguir. Mas cerrou os olhos brevemente, fechando o punho com determinação: ainda que não pudesse estar ao seu lado, seria seu suporte, a protegeria de tudo e todos, lutaria com todas as forças para que ela fosse, de fato, feliz. Aproximou-se novamente dela, tomando uma de suas mãos, conforme envolvia-a com ambas as suas, apertando levemente. O olhar parecia determinado, e ainda demonstrava o brilho do amor por ela, embora novamente estivesse obnubilado. Desta vez, por uma nuvem de melancolia.

    -Vamos...precisamos sair deste inferno. E assim que voltarmos à Terra, nós procuraremos seu pai. Isso é uma promessa!

    As orelhas do vulpino pareceram reerguer-se, conforme um rugido alto de alguma criatura se fazia audivel, vindo de não muito longe dali. Direcionavam-se como radares para a sala do lado oposto, coberta pela escuridão de um pixe negro que parecia cobrir o lugar todo.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Jan 25, 2016 1:19 am

    Artemia não pôde conter um sorriso discreto ao notar a reação tão esperada de Tetsuya. O ciúme ainda era evidente, e esse pequeno e singelo sinal acendeu uma chama de esperança em seu coração, que ainda batia violentamente em seu peito. A ruiva virou o rosto para o outro lado; não queria que ele a visse sorrindo, poderia interpretar mais coisas erradas. Porém, antes de desviar o rosto, ela notou brevemente as orelhas caídas, o olhar nublado e a aura melancólica em volta do rapaz. A visão da tristeza óbvia de Tetsuya desestabilizou Artemia de uma forma impactante, arrancando à força o lapso de esperança que havia acabado de se aproximar de seu coração.

    Ele não a perdoou. E jamais o faria...

    Artemia suspirou fundo, afastando-se rapidamente para que o vulpino não visse novas lágrimas se formarem em seus olhos. Aquilo estava saindo do controle. Sair de perto de Tetsuya estava se tornando uma necessidade, uma obrigatoriedade para que ela recuperasse sua sanidade - Artemia sentia que enlouqueceria com a culpa de deixa-lo arrasado daquele jeito! Ainda assim, dentro da área mais profunda de seu coração, ela sabia que não conseguiria ficar separada do vulpino...

    Precisava ser racional. Precisava de um tempo para pensar sobre, para se organizar. Com certeza Tetsuya não a quer mais por perto: o leve ardor em seu braço falava por ele. De que adiantava lutar contra a corrente, que a levava cada vez mais para longe?

    Respirando fundo mais uma vez e piscando de volta as lágrimas para dentro de seus olhos, ela se surpreendeu com a aproximação de Tetsuya, que surgiu sem que ela percebesse: ele pegou sua mão e deu um aperto significativo, prometendo ajuda-la a encontrar seu pai, seu maior e mais profundo desejo.

    Artemia não sabia o que dizer, naquele momento. Apenas o encarou, franzindo levemente o cenho. Então, a verdade caiu à tona, trazendo consigo a dureza da constatação que não poderia ser ignorada: Tetsuya, além de não perdoa-la, estava se sentindo endividado. Artemia não poderia se sentir pior; sabia que o vulpino apenas ofereceu ajuda por uma questão de sentir que devia a ela alguma coisa. Sabia que era um homem honrado, e tal orgulho o levaria a passar por cima da raiva para cumprir algum acordo.

    Com essa constatação, Artemia soltou a mão dele de uma forma um tanto brusca, dando alguns passos para trás. Isso foi no mesmo segundo em que ambos ouviram o rugido forte ao longe, indicando um perigo iminente. A ruiva aproveitou a distração para caminhar rapidamente até a porta, olhando brevemente para trás e acenar para o vulpino:

    - Vamos sair daqui logo. Vamos!
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Jan 26, 2016 4:07 pm

    O soltar brusco da mão de Artemia também seria interpretado de uma forma muito diferente para ele. Era um sinal óbvio de rejeição, de que ela não queria sua ajuda sequer para o que ela mais almejava! Aquilo desceu de forma ácida pela garganta, conforme engolia em seco, mordendo os proprios lábios por dentro da boca. Com certeza ela jamais lhe perdoaria pelo egoismo excessivo que demonstrou antes. Idéias de arrependimento lhe alfinetavam a mente por todos os lados, inflingindo-lhe uma dor física como um voodoo: "você tinha a felicidade na mão e jogou fora" "teve uma pessoa que deu tudo por você, e a perdeu para sempre" "como pôde ser tão cego a ponto de nao ver o fardo dela?". Suas proprias vozes e demonios internos vociferavam em seus ouvidos, e sentia-se cada vez mais diminuto. o rosnado do dragão pareceu-lhe agora ser o aspecto mais desinteressante do cenário, na verdade.

    Observou o acenar da ruiva como um cão abandonado a ver o aceno de adeus de um antigo e amado dono; não almejava sentar-se ao lado, mas uma breve caricia lhe faria abanar o rabo. E não poderia sequer se contentar mais com algo simples, como segurar-lhe a mão novamente. Afinal, não a merecia mais.Não depois de tudo o que a fez passar, sofrer, sacrificar, e no fim receber em troca um doloroso tapa. Castigo merecido o seu, pensava ele, conforme seu corpo estremecia. Apenas semicerrou os olhos brevemente, para baixo, conforme respondia-a:

    -Parece vir da outra sala...

    E começaria a seguir adiante com mais velocidade, rapidamente ultrapassando-a, de forma intempestiva. Era curioso como agora parecia agir como ela, jogando-se na frente do perigo sem sequer saber o que estava adiante, uma atitude quase auto-destrutiva. Conforme atravessou, agora correndo, o corredor por onde vieram em direção à sala escura, o raposo quase saltou na direção da escuridão, quando notou uma espécie de substancia gosmenta, negra, mexer-se no meio da escuridão, quase tocando-o. Por reflexo, Tetsuya cruzou os braços em frente ao corpo,congelando brevemente um tentáculo de pixe negro deslizando lentamente em sua direção;usou o proprio para apoio com o pé, para jogar-se para trás, mantendo uma distancia segura. Só agora ele percebia que a escuridão daquela sala que se estendia à sua frente parecia viva. Só não era mais amedrontadora que o vazio que Artemia lhe deixava no peito, que o fazia olhar para trás e certificar-se que nada lhe havia ocorrido. Estava mais preocupado com a segurança dela, com seu bem-estar, com sua felicidade. Estaria determinado a amá-la, ainda que não houvesse reciprocidade...
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qua Jan 27, 2016 11:21 am

    O olhar aparentemente enraivado e ao mesmo tempo entristecido de Tetsuya apenas confirmou o que Artemia pensava: a raiva dele se estenderia por muito tempo, até que não restaria saída para ambos a não ser se afastarem por completo. A ruiva sentia-se dividida, afinal havia feito uma promessa importante à Fuyu de que cuidaria de seu filho; ao mesmo tempo em que a vontade de sair de perto, de escapar para que não sinta o ódio de Tetsuya sobre seus ombros a atormentasse a cada segundo. Ainda assim, seu coração não permitiria. O desejo latente de permanecer ao lado dele, ainda que apenas para colher migalhas de momentos em que ele parecia relaxar, preenchia o coração de Artemia, que se enchia de esperança a cada olhar enrubescido que o vulpino lhe lançava.

    Ela permaneceria ao lado dele, ainda que ele a odiasse. Era a verdade crescente em seu peito; ainda que o medo e a tristeza pela rejeição existissem, seu amor por ele era grande demais para fazê-la desistir de protegê-lo, de estar ao seu lado ainda que ele não se importasse.
    E foi pensando nisso que motivou Artemia a puxa-lo pelo braço no mesmo instante em que ele pareceu tomar uma atitude autodestrutiva e praticamente se jogar frente a uma sala totalmente escura e perigosa. A ruiva soltou o braço de Tetsuya assim que percebeu a grande aproximação de ambos – seus seios colados nas costas dele; os braços entrelaçados. Ela deu um passo para trás e então o viu cruzar os braços, congelando um estranho tentáculo de pixe negro. Somente então Artemia entendeu do que se tratava toda aquela escuridão. A negritude estava viva, se aproximando silenciosamente. Do que era feito aquele material? De qualquer forma, parecia ser perigoso. A ruiva deu um salto para trás, bem como Tetsuya.

    - O que é isso? – sussurrou ela, temendo que o estranho elemento a escute. Será que... será que você pode congelar todo o piso para passarmos em cima?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Jan 30, 2016 7:27 am

    O rapaz arrepiou ao sentir o toque da ruiva, uma sensação que lhe passava segurança e calma, que lhe motivava a seguir adiante. Corava, derretendo-se internamente ao toque do busto farto da ruiva contra as costas, fazendo-lhe disparar o coração. Naquele momento de êxtase, mesmo diante de um gesto tão pequeno, tão logo ela entrelaçou os braços, o rapaz cruzou os braços sobre os dela, como se apertasse-os num abraço contra ele proprio. Um gesto curioso, quase como se estivesse pedindo por aquele abraço na verdade. O ar congelante que emanou dos braços não afetaria a ruiva; apesar de não ter herdado o pai em quantidade bruta de magia, havia adquirido um controle fino sobre o que tinha, para efeitos rápidos em bem localizados. Assim que recuou, saltaram ele e a ruiva para trás, mantendo os braços cruzados sobre os de Artemia, como se tentasse prolongar o enlace.

    Talvez...mesmo não sendo mais digno dela, talvez não fosse errado fazer aquilo, seria? Afinal, que mal teria só mais alguns segundinhos junto ao corpo dela? Egoísta, pensou. Deveria estar fazendo de tudo para que ela fosse feliz, e não para si. Artemia jamais o perdoaria pelo que fez; não deveria ficar se iludindo com pequenos gestos...

    E a contragosto, lentamente foi soltando os braços da ruiva. Era possivel ver de lado que o rosto dele estava enrubescido, até com um sutil sorriso contido com o abraço por trás, mas o mesmo foi lentamente se desfazendo, junto aos braços do mestiço. O rubor levaria ainda mais algum tempo para se dissipar. Em questão de segundos o gelo se quebrou, libertando aquele tentáculo negro, que retornava lentamente à escuridão do quarto, desistindo de sua "presa".Por enquanto.

    -E-eu...-e pigarreou, notando o nervosismo bobo que lhe tomava - digo, eu não faço idéia. Mas parece ter consciencia propria...melhor não tocar nisso. E pelo visto, não conseguiria congela-lo tempo suficiente para passarmos...

    E levou a mão ao queixo, pensativo. Curiosamente não havia parado para pensar que, embora desfeito o abraço, ainda sentia o toque por trás da ruiva; seu subconsciente desesperadamente procurava fazê-lo esquecer disso, apenas para aproveitar um pouco mais o momento. Este, ao contrário da consciencia de Tetsuya, não fazia questões de complicar as coisas; amava-a e não se importava com mais nada.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sab Jan 30, 2016 8:25 am

    Notando o prolongamento do entrelace dos braços, a própria Artemia parecia ruborizar. Seu nervosismo aumentou quando percebeu o mesmo rubor no rosto de Tetsuya, cujos lábios formavam um pequeno e discreto sorriso. Com isso, o coração da ruiva acelerou a mil, sentindo um baque absurdo em seu estômago.

    "Por que ele está... sorrindo?"

    Pensou consigo mesma, assim que desentrelaçaram os braços. Até mesmo sua respiração parecia mudar o tom, se tornando mais ofegante conforme o observava. Porém, ao notar o quanto estava encarando, decidiu virar o corpo para o lado, a fim de esconder o próprio sorriso bobo que vinha em seus lábios agora.

    - Er... V-você tem alguma sugestão? - a ruiva não conteve o nervosismo, que já dava mostras até mesmo em sua fala. Ainda estava com o corpo muito próximo ao dele, sentindo seus seios ainda tocarem levemente o braço do vulpino. Ela se afastou lentamente, prolongando o toque ao máximo, deixando um rastro de perfume na pele dele.

    - Vamos ver o que ele acha disso...

    Disse, caminhando para a frente dele, ficando de costas e bastante o suficiente para quase toca-lo. Assim, ergueu os braços para frente e produziu da palma de suas mãos a mesma chama verde de antes, deixando uma labareda considerável atingir o elemento negro em uma parte do chão.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Jan 30, 2016 8:52 am

    Estava de costas para ela, e não pôde ver suas reações. Até porque procurava evitar olhá-la e enrubescer mais. O perfume da ruiva lhe impregnava o corpo, sedutor, mantendo o coração batendo num calor único, parecia eriçar-lhe novamente os desejos mais intimos. Talvez por tentar se manter longe, o feromonio da succubus parecia afetar-lhe com mais intensidade. Afinal, o desejo é maior quando não se pode ter o que quer. E sentia todas as alterações de seu corpo novamente, degladiando com sua mente que insistia-lhe que nao deveria fazer mais nada, que nao era digno mais dela. Que deveria lutar pela felicidade dela, e não a própria. Mas antes que aquela angustia continuasse por muito tempo, observou as chamas corruptoras serem lançadas por Artemia. Quase por reflexo o rapaz se afastou alguns metros; era provável que ele temesse muito mais as chamas verdes do que uma montanha daquele pixe negro.

    Tão logo era tocado, o pixe começou a se desfazer, tornando-se mais liquefeito, menos denso, e pareceu inicialmente começar a ceder, embora não recuasse como fizera com o gelo. Curiosamente, não parecia queimar, apenas derretia mais...e subitamente, numa velocidade espantosamente maior que antes, o pixe - ou melhor, o agora liquido negro saltou na direção do braço de Artemia como um chicote negro. A sensação de fraqueza começaria imediatamente, como se aquela escuridão liquida fosse capaz de sugar-lhe a energia, da mesma forma que suas chamas verdes faziam. A drenagem de energia seria ainda mais intensa caso novamente tentasse conjurar suas chamas, drenando a energia magica tão logo fosse canalizada para lá.

    Notando aquilo, o raposo gritou, em desespero:

    -MIA!!!

    Era estranho vê-lo chamá-la daquela forma novamente, carregado de uma preocupação sincera. Era como se nada realmente tivesse acontecido, como se nada tivesse se interposto entre os dois. Tetsuya saltou na direção do chicote liquido, segurando num ponto médio, enquanto emanava um vapor congelante, dourado, a partir de sua mão. O frio rapidamente se propagou na direção da sala negra de um lado, e na direção do tentáculo esguio no pulso de Artemia. O liquido parecia ir reduzindo sua viscosidade, ficando cada vez mais denso, e congelava. O gelo se desfazia pouco depois, mas ainda em contato com a mão de Tetsuya, re-congelava. Mas pelo menos o tentaculo soltou o pulso de Artemia, recuando pouco a pouco. Tão logo soltou o pulso da ruiva, Tetsuya também soltaria, deixando que o tentáculo recuasse, novamente denso, grosso, lento. Estava comprovado; aquele pixe tinha aversão ao frio, embora o gelo de Tetsuya não tivesse a eficiencia necessária para conter definitivamente o pixe. A energia sagrada parecia causar uma aversão adicional, mostrando as fraquezas daquela substancia. Mas também causaria uma queimadura superficial, de primeiro grau, deixando o pulso de Artemia vermelho e dolorido.

    Tão logo notava aquilo, e que o perigo havia passado, o raposo correu para a ruiva. Sentia o coração pesado; novamente havia a ferido sem querer! A dor no pulso da ruiva não chegaria perto do sofrimento que aquilo lhe causou. Tolo! Como podia ferir todo o tempo a mulher que amava? Era um tolo em achar que poderia tê-la novamente. Seria melhor para ela que se afastasse. Mas ainda nao tinha forças, nao conseguiria viver longe...

    E, pegando-lhe a mão com um cuidado até exagerado, observava as queimaduras. Iria curá-las a seguir, claro, mas parecia observar a nova marca que ele lhe havia deixado.O rosto do rapaz se contorcia em arrependimento, e nao ousaria olhá-la nos olhos tão cedo.

    -Me perdoe, eu não queria te machucar...só o que pude pensar foi tirar aquilo de você, e acabei te ferindo...mais uma vez...
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Fev 01, 2016 9:14 am

    As chamas esmeralda de Artemia não tiveram o efeito desejado. Ao invés de ser queimada e finalmente morta, a substância negra pareceu ganhar mais força, partindo para cima da demonesa, agarrando-se ao pulso dela e drenando grande parte de sua energia ganha graças às atividades íntimas com Tetsuya. No instante em que o tentáculo tocou seu corpo, Artemia sentiu suas pernas bambearem, caindo de joelhos em seguida. Sua visão se tornou lenta, turva; seus músculos enfraqueceram e sua mente pareceu voar quilômetros dali. Ouviu ao longe o grito de Tetsuya, que criou o gelo no tentáculo, retirando seu pixe da pele alva de Artemia. Porém, ainda que a tenha salvo de uma provável drenagem energética completa, o gelo a machucou, deixando seu pulso dolorido e queimado. Assim que o pixe foi expulso, a ruiva pareceu ganhar um pouco de sua consciência novamente.

    Com sua visão lentamente voltando ao normal, ela observou Tetsuya se aproximar, hesitante, tocando-lhe o pulso com um cuidado extremo. Sua expressão era de grande rancor; Artemia logo pôde deduzir o óbvio para ela: a raiva dele era tanta, que mal podia toca-la. O singelo toque no pulso dela, trêmulo; a expressão de dor e raiva no rosto dele exterminavam qualquer dúvida no coração da ruiva, cuja dor era de um tamanho desmedido, sem comparação com a ardência da queimadura em seu pulso.

    A frustração da ruiva deu lugar a uma mágoa roubada, pois ela sabia que não possuía nenhum direito de se chatear com essa situação que ela mesma provocara. Ainda assim, a rejeição de Tetsuya era tamanha, que ela própria não conseguia controlar a mágoa e a ofensa de ele nem sequer poder toca-la sem tremer de raiva!

    - Estou bem.

    Disse ela, secamente, retirando seu pulso do contato com as mãos dele, erguendo seu corpo e ficando finalmente de pé. Era notável a mágoa na expressão em seu rosto, mas também uma certa determinação em sair dali.

    - Tente congelar todo o percurso até a outra sala... o que acha? - disse, com as mãos na cintura, virando o rosto para o outro lado. Não queria olha-lo, e isso estava óbvio.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Fev 04, 2016 4:49 pm

    O olhar do raposo abaixou-se, tão logo ouvia aquelas palavras tão secas quanto aquele inferno descendo-lhe pelas orelhas, dilacerando internamente cada órgão, até cair como uma ogiva sobre o peito. Quase que em desespero, a mão que lhe tocou o punho voltou-se ao proprio peito, como se tentasse segurar os cacos do coração, fazendo um sinal de Levine - um gestode aperto da mão sobre o coração - típico dos infartados. Que lhe lançassem para sempre dentro de um daqueles jarros, seria menos doloroso que ver a pessoa que amava tanto sentir tanta repulsa dele!

    Agora ela sequer suportava olhá-lo. Imaginá-la daquela forma por séculos e séculos era algo que lhe era infinitamente mais assustador que aquela sala negra, coberta de pixe. Suspirou pesarosamente.

    -Eu não consigo congelar tanto, numa área tão grande, por tanto tempo. Mas tentarei...


    E começou a se aproximar daquela negritude amorfa, rastejante, viva. De seu corpo, uma aura fina e gelada começou a circular-lhe a mão, o qual aproximou da escuridão. E foi aproximando mais, e mais. e angustiosamente próximo daquilo, até que sua mão pareceu quase começar a afundar. Mas era possivel ver a escuridão recuar, perigosamente perto de sua pele, mas ainda sem tocá-lo. Pouco a pouco Tetsuya foi cobrindo seu braço com aquela aura concentrada, e não parecia sentir nada. O pixe negro ia regredindo, a pouco centimetros de tocá-lo, mas ainda evitando contato direto. Por fim, afastou o braço, retirando-o do pixe aparentemente sem ter sido tocado.

    -Acho que tive uma idéia...

    E começou a esboçar um sorriso fraco. Era arriscado, mas era uma luz no fim do tunel.E era exatamente o estilo dele: um controle de magia mais apurado, meticuloso e fino, sem muitos gastos de energia. Mas ainda assim, era extremamente arriscado entrar no meio daquele pixe contando apenas com uma distancia de poucos centimetros.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Mar 01, 2016 8:08 am

    Dando vários passos para trás, Artemia parou quando viu ter tomado uma distância saudável de Tetsuya. É isso, estava terminado. Já começava a se acostumar com o aperto constante em seu coração, o que lhe dava uma expressão apática quanto à situação. Porém, algo estranho parecia ressoar ao longe: um som distante que parecia se aproximar aos poucos. A própria ruiva não entendia de onde surgira, e há quanto tempo estava ali. O fato de ter estado perdida em seus pensamentos sobre Tetsuya não a permitiram sentir melhor o espaço onde estava?

    - Está ouvindo isso?

    Perguntou ela, colocando uma mecha de seu cabelo levemente ondulado para trás da orelha. Artemia olhou para os lados com certa pressa – o som fino parecia aumentar a cada segundo. E o mais estranho era que, pela expressão de Tetsuya, ele parecia não ouvir nada...
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Axle The Red em Ter Mar 01, 2016 12:14 pm

    Capitulo secreto: Eclipse


    Estava ali o tempo todo. Aquele som agudo nos limites da audição estava ali desde que tinham entrado na torre, mas so agora puderam perceber. De onde vinha ? Das paredes, do teto, do chão  ? A respiração de uma criatura sinistra ? Ou o dialogo do piche negro entre suas massas amorfas em uma inteligencia alienigena ? Mas agora não era apenas um ruido de fundo. Sua amplitude cresceu em poucos segundo, tão rapido que os timpanos doeram com o choque subito, como se uma adaga tivesse sido cravada em ambos os ouvidos. Junto ao grito abstrato a realidade do lugar reagiu. Artemia pode ver as ondas sonoras reverberarem na superficie do piche negro como se fosse agua, e a natureza da coisa mudou. O que era algo liquido, denso, tornou-se não mais que uma sombra, uma fumaça negra que escorria em pleno ar. Ela ja tinha visto aquilo a tempos atrás, na casa maldita.

    A Escuridão não foi a unica coisa que mudou naquele evento. O chão ao seus pés vibrou como se um titã tivesse pisado ao lado dela. A ondulação que percorreu as paredes não era possivel de acontecer em algo solido, vindo do topo da torre, e descendo até seus alicerces. Podia ver os blocos realçados da construção da torre em uma luz prata-arroxeada, blocos de energia espectral, talvez almas transformadas em tijolos em sua agonia eterna.

    A Escuridão a encarava sem olhos. O ruido agudo agora era uma melodia. Algo como o ressoar de cristal imitando o canto das baleias. Tetsuya não estava mais ali, ninguem mais estava. Apenas ela e a torre, a Escuridão e o belo lamento.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Mar 01, 2016 12:47 pm

    O choque do ruído fino que havia se transformado em um completo terror auditivo agora assombrava Artemia, que procurava manter-se de pé ainda com aquela tremulação ao seu redor. Tudo o que a ruiva pôde pensar na hora foi em Tetsuya, e se ele estava bem. Porém, tão logo ela esticou o braço para alcança-lo, a escuridão a engoliu como um animal feroz e faminto, deixando-a perdida em um espaço agoniante e solitário.

    - Tetsuya!!!

    Berrou a demonesa, sentindo sua respiração ofegar com o desespero. Tudo aconteceu depressa demais. Onde estava?! O que vai acontecer...?

    Artemia sentiu seus braços finos gelarem de nervoso; seus poucos pelos eriçaram. A melodia melancólica que ressoava ao seu redor parecia agora envolve-la por inteiro, como se assegurasse que não estava sozinha. Ainda que não conseguisse ver nada – nem sequer seu corpo -, a ruiva era capaz de sentir a onda de lamento que a melodia proporcionava, o que a fez se perguntar ainda mais onde havia parado.
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    Axle The Red

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Axle The Red em Qui Mar 03, 2016 1:03 pm

    Artemia agora esta no 4° circulo:
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    Re: 4° Círculo Infernal

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