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O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    4° Círculo Infernal

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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Dez 16, 2015 6:20 pm

    Sentia quase convulsoes de prazer percorrerem-lhe o corpo, como se desfalecesse a cada movimento sua da língua. Mordia o canto inferior do lábio, arfando, gemendo a cada expiração pesada; o membro mantinha-se rígido, desejando-a com mais e mais intensidade a cada gesto lascivo e provocante. Sentia a caricia da língua deslizar pelo corpo rígido, os testículos sendo chupados deliciosamente, e a língua novamente subir. Sentia uma ansiedade inexplicável, desejando o tao aguardado momento.

    -H-haaaahhnnn...!!

    Gemia alto, quando ela atendeu seu desejo. Sentia o calor dos lábios da succubus deslizarem suavemente pela boca, escorregando pela língua quente, úmida. E de alguma forma o prazer se intensificava mais e mais, conforme o vai-e-vem impudico parecia sugar-lhe mais e mais desejo, num turbilhão de prazer que envolvia-o e tomava seu corpo por inteiro. Teve que apoiar uma mão na parede, não por ter a energia sugada, mas pelo descontrole que sentia nas próprias pernas. O membro deslizava, o raposo gemia mais alto, intensificando o clima erótico que envolvia-os.

    Com a outra mão acariciava-lhe o rosto, sentindo o volume nas bochechas seu membro internalizado na boca,sendo devorado devassamente pela ruiva. Olhou para baixo, o olhar encontrando os da ruiva, completamente hipnotizado por seu feitiço; os lábios tremiam em regozijo, a mao estremecendo; vê-la daquela forma, com seu membro ereto na boca, os seios fartos à mostra lhe excitavam de uma forma indescritível; ele próprio começava a desconfiar que se transformaria num inccubus, tamanho vicio pelos atos sexuais progressivamente mais pervertidos com ela.

    -M-mia....a-assim e-eu vou....

    Dizia, com a voz tremula, seu corpo estremecendo; estava se aproximando do orgasmo, a se julgar pelas pulsações de seu falo firme, envolto pela boca faminta por sexo de sua amante. Com a mão fraca, tentava afastar-lhe o rosto; poderia engasga-la se não tivesse cuidado, mas o gesto seria totalmente dela no final das contas; envolto em um prazer incrível, não conseguiria afastar-lhe o rosto se ela não quisesse.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Dez 17, 2015 6:58 am

    Os lábios de Artemia deslizavam de forma atrevida pela estrutura ereta de Tetsuya; sentia a pulsação nos músculos do falo aumentar o ritmo principalmente quando a ruiva abocanhou toda sua extensão, para sugar forte até a ponta, chupando sua extremidade enquanto ela própria gemia ardente, repetindo o processo de introduzir rápido o membro e solta-lo lentamente, sugando-lhe vigorosamente até a ponta. Aquilo a excitava de um jeito intenso: sentir a textura do falo dele em seus lábios macios, os gemidos cada vez mais altos do vulpino, sua mão trêmula tocando seu rosto, cujas bochechas ficavam volumosas quando o membro entrava inteiro em sua boca...

    A ruiva o ouviu gemer mais uma vez, tentando afastar seu rosto para um possível orgasmo vindo. Ela o soltou ligeiramente, mantendo a ponta encostada nos seus lábios, sorrindo devassa enquanto passava a língua lentamente em sua extremidade pulsante:

    - Goza na minha boca.

    Sussurrou ela, ainda lambendo a ponta de forma provocativa, olhando-o nos olhos. Seu linguajar havia mudado de uma hora para outra: Artemia não sabia de onde tinha tirado tais palavras, mas sabia que causaram um efeito intenso no vulpino, que pareceu estremecer inteiro. Ela, então, acariciou com as mãos as coxas dele, subindo os dedos e deslizando pelo abdome enquanto chupava, sugando a ponta do falo e passando a língua vigorosamente em torno de sua extensão, até, finalmente, sentir o primeiro jato vir.

    O líquido espesso e esbranquiçado veio diretamente nos lábios dela, enchendo sua boca com seus fluídos intensos; Artemia rapidamente segurou o membro com uma mão e conduziu sua ponta, roçando-a em seus lábios e queixo, engolindo o sabor dele com prazer. Seu gozo escorreu pela boca, correndo por seu queixo, pingando em seus seios nus; a ruiva gemia junto com o vulpino, voltando a chupar seu membro com vontade, sugando-lhe até a última gota e a engolindo com deleite.

    A demonesa, no instante em que Tetsuya lançou seu jato, sentiu uma onda de prazer imensa a envolver: sua aura pareceu engolir a do vulpino praticamente inteira, trazendo tudo para a ruiva, que gemia sensualmente conforme sentia um orgasmo surgir em seu próprio ser. Não havia sido tocada, mas a excitação pelo vulpino, bem como o ato de ter sugado suas energias a fez vibrar em prazer, regozijando e sentindo seu corpo ser envolto em um calor e vivacidade sem limites.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Dez 17, 2015 9:57 am

    Não conseguia mais se conter, segurar aquela sensação de um prazer explosivo em seu sexo; o tronco curvava-se para frente, enquanto as escápulas e ombros iam para trás junto com a cabeça; o intenso orgasmo fazia-o gemer mais alto, numa expressão de deleite. Já vira, ou melhor, vivera no céu, mas o lugar para onde a ruiva o levara era um lugar muito melhor, um prazer que arrebatava-lhe o corpo todo, como um relampago do mais suculento e pervertido gozo.

    -A-aaaaaAAAAHHH!!

    Sentia cada celula do corpo arrepiar, os cabelos e pelos eriçando, as orelhas vulpinas jogadas para trás enquanto fechava os olhos com força, sentindo o membro latejar eternamente enquanto jorrava pelos labios carnudos e vermelhos, devorado com gula. Sentia-se também mais fraco, mas de que importava? faria aquilo denovo e denovo e denovo sem parar se pudesse.

    Arfava quase sem folego, a mão agora acariciando-lhe os cabelos ruivos, os dedos ainda tremulos, como se seu orgasmo inicial intenso como uma tsunami fosse sucedido por pequenas ondas cada vez menores, reverberando o prazer inicial.

    O membro, satisfeito, pouco a pouco reduzia a frequencia e intensidade das pulsações, a musculatura relaxando lentamente como se ainda estivesse atordoada por tudo aquilo; talvez pela intensidade da atração o membro nao retornava completamente ao tamanho original, ainda com um bom resquicio da ereção. Até ele era orgulhoso, não se curvaria em derrota; apenas recuperava o folego, talvez. Mas repetir mais um ato sexual com o raposo poderia ser perigoso, pelo menos até ele se recuperar um pouco. Fosse ele um humano ou mesmo um kitsune com menos caudas provavelmente ja estaria a 70 pés abaixo da terra a uma hora dessas. Com cuidado ele também se ajoelhava, as pernas tremulas, e ficaria de frente à ela, passando os braços em torno de sua cintura. Admirava-a por alguns segundos, parecendo um pouco atordoado, se recuperando da eletrocutação orgasmica do qual passara.

    -Mia....você....promete que...será sempre minha..?

    Ele dizia, sem folego, as bochechas vermelhas. O pedido era uma espécie de declaração com um tom levemente enciumado, até um pouco bobo e pueril pelo timbre de voz, mas que lhe dava uma graça única e bem diferente de seu mau-humor usual. O olhar era um pouco timido agora, mas vibrava por um sentimento enorme, que parecia querer envolve-la com a mesma intensidade que ela fizera com seu membro. E aproximou o rosto, tocando a testa e a ponta do nariz no dela, fechando os olhos, num gesto afetuoso e curiosamente puro, a despeito de ambos estarem praticamente nus.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Dez 17, 2015 10:47 am

    Conforme Tetsuya ainda sentia as sensações únicas de seu orgasmo abrasador, a ruiva continuava sugando a ponta do falo, deixando sua língua explorar as sensações do líquido espesso que agora jateava por dentro de sua boca. Artemia engolia tudo com apetite, como se aquela fosse uma fonte a qual ela bebia intensamente para matar sua sede. Então, sentiu que o vulpino diminuía os gemidos; o membro o qual ainda estava imerso entre os lábios de Artemia perdia um pouco de sua rigidez, deixando de pulsar como antes; até que ela segurou sua estrutura com a mão, dando uma última e vigorosa lambida, como se limpasse todos os resquícios do licor de Tetsuya.

    Sentia ainda o torpor causado pelo orgasmo e a absorção das energias de Tetsuya. Ainda que tenha chupado vigorosamente o falo do vulpino, não se sentia cansada: era como se seu corpo estivesse completamente vívido, brilhante e novo. Sorridente, a ruiva continuou seu serviço de limpar os fluídos que se espalhavam eroticamente em torno de ambos.

    Saboreava cada gota, e até mesmo depois de ter, relutantemente, separado seus lábios do membro, a ruiva passou os dedos no líquido remanescente em seu queixo, pescoço e busto, traçando o contorno de sua pele com sensualidade, trazendo o dedo para seus lábios e lambendo até não sobrar mais nada.

    - Você tem um sabor inebriante... – murmurou ela enquanto lambia o dedo, sugando levemente sua ponta da mesma forma como havia feito com o falo do rapaz. Ela sorriu em sua forma sedutora. Parecia que a ruiva agora adquirira um dom especial de cada movimento seu ser afrodisíaco, lânguido, sensual.

    Tetsuya abaixou o corpo e ficou frente à frente com ela, a observando atentamente. A ruiva fixou seus olhos nos dele; voltaram a ser o verde esmeralda, porém com uma leve pitada apimentada. Ele abraçou sua cintura, trêmulo e ofegante. Artemia sorriu, passando os braços por cima dos ombros dele, a uma distância de tocar os narizes. Ouviu o que ele disse sobre ela ser dele, e o pensamento eriçou seus poucos pelos na pele, deixando-a ofegante.

    - Tets... – disse ela, pegando a mão dele e a trazendo para seu próprio coração, abrindo sua palma para que tocasse na pele quente da ruiva. - ...meu coração vai ser sempre seu. Minha alma vai ser sempre sua. Eu, inteira, sou sua eternamente... não se esqueça disso...

    Sussurrou, se aproximando e beijando lentamente os lábios dele, absorta pelos sentimentos que ardiam em seu peito, pelo amor intenso que sentia pelo vulpino.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Dez 17, 2015 6:27 pm

    O raposo estremecia diante da voz tentadora da ruiva, cuja lingua tambem se adaptara a toda àquela perversão; parecia deliciar-se nos fluidos do rapaz, e cada gesto seu excitava-lhe, como se fosse projetado para seduzi-lo, aproveitando ao máximo o potencial daquele corpo delineado. Mas o corpo do rapaz provavelmente nao suportaria algo do tipoem tão curto espaço de tempo, e o obrigava a manter-se ajoelhado.

    Agora que os desejos carnais de ambos haviam sido saciados - ao menos temporariamente pelo menos - sobrava o enorme sentimento que agora nutria por ela. A sensação totalmente nova a ele parecia arder em seu peito, num êxtase apaixonado. Olhou a mao ser levada em direção ao lado esquerdo do peito, e estremecia diante das palavras da ruiva.

    -Não acha arriscado dar sua alma pra mim? afinal ainda sou meio demonio.... - ele brincava, rindo um pouco - mas já que propôs este trato, tambem ofereço tudo isso, e prometo te proteger, te amar e fazer de tudo para torna-la feliz...e prometo tambem te "alimentar", por maior que me seja o sacrificio...

    Falava brincando, deixando a ultima frase carregada de ironia; nada lhe daria mais prazer - literalmente falando - do que aquilo, e aproximava o rosto, colando os labios docemente aos da ruiva, num beijo mais lento. Sentia-lhe os labios, quase numa caricia, levando a mão ao seu ombro e...as orelhas ergueram-se subitamente e puxou-a rapidamente com força, quase derrubando-a para o degrau abaixo, enquanto ele saltava para o lado. A resposta do gesto viria se tornaria nitida logo a seguir: um enorme ferrão de quase 1m havia impalado o espaço onde os dois amantes antes ocupavam, cravando no chão, deixando uma poça corrosiva de veneno ali.

    -Mia!! Você está bem!? cuidado, ele está ali!

    E apontava na direção da parede, onde uma espécie de iguana do tamanho de um crocodilo de uns 5m de comprimento caminhava na parede. Varios espinhos brotavam de suas costas, brilhando nas pontas um amarelo radioativo, corrosivo. E silenciosamente, a criatura parecia começar a se mesclar ao ambiente, tornando-se invisivel em sua camuflagem. Parecia uma espécie de criatura ótima em assassinato, afinal nao haviam percebido sua aproximação até agora, e provavelmente nao teriam caso a audição do raposo não fosse tão sensível assim.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Dez 17, 2015 8:03 pm

    O olhar da ruiva demonstrava o quanto ela realmente havia sido sincera em suas palavras. Era uma promessa; Tetsuya fez o mesmo, então, acrescentando detalhes que Artemia absorveu ao máximo, prestando atenção enquanto ele falava.

    - Bem... eu vou cobrar. Tá? - e riu, apaixonada, puxando-o para um beijo mais enérgico. Então, falando com os lábios colados nos dele, acrescentou:

    - Também vou cobrar o seu "sacrifício"... - sussurrou, sedutora, o encarando com olhos brilhantes. De fato, sabia que o vulpino ajudaria ela sempre que sentisse fome. O pensamento do que poderiam fazer invadiu sua mente, distraindo a ruiva de qualquer aproximação sorrateira na área.

    Então, rapidamente o vulpino a puxou, fazendo a demonesa quase cair do degrau. Um ferrão enorme invadiu o pouco espaço que antes ambos estavam, deixando Artemia em um estado de alerta máximo. Ao ver o crocodilo, levantou-se e ergueu uma mão, estalando os dedos rapidamente.

    A ruiva, que antes estava completamente nua, teve suas roupas substituídas por novas. Eram as mesmas de antes, com a singela diferença da cor: o couro agora era marrom escuro, e não mais preto.

    Como ela havia feito isso, jamais saberia. A rapidez do momento a fez agir num impulso, como se a informação estivesse ali o tempo todo! Correu as mãos para a frente, mentalizando o fogo que antes havia ardido em suas mãos durante a transformação.

    Então, da ponta de seus dedos começou a surgir uma chama esverdeada que aumentou a intensidade aos poucos, se transformando em uma perigosa chama verde, crepitando à sua volta. Artemia ergueu as mãos e lançou uma esfera dessa chama na direção do crocodilo. Será que funcionaria?!
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Dez 18, 2015 6:45 am

    As chamas esmeraldas vibravam e crepitavam em ritmo consonante aos veios negros da aura da ruiva. Ainda que não a ferissem, sentiria um surto de adrenalina correr-lhe pelo corpo;a mesma sensação de ter em mãos uma espada afiadíssima ou uma arma de grande calibre: era clara a noção do quanto aquilo era perigoso e ameaçador. Quando as chamas se concentraram numa esfera, seu nucleo negro fazia revoluções internas, ardendo em volta ao verde, que ao ser arremessada deixava um rastro de corrupção demoníaca.

    O grande ser réptil parecia quase imovel enquanto desaparecia na parede, conseguindo mexer apenas a cauda, usando-a para tentar rebater aquela bola de fogo esverdeada. Soltava um guincho agudo e surdo, conforme as chamas envolviam a longa cauda; as chamas envolviam-na, sem queimar a carne. Mas a aura demoniaca daquele ser parecia agonizar; as chamas verdes pareciam consumi-la, profanando e devorando a vida e alma daquele ser, que ao notar o perigo destacou a propria cauda, como muitos lagartos fazem. A cauda cairia ao chao, retorcendo-se, envolta pelas chamas verdes, lentamente se tornando enegrecida: não o negro chamuscado do fogo, mas o negro da necrose e gangrena, que consumiam toda a vida daquele membro destacado, que logo parava de se mecher, deixando o som crepitante do fogo esverdeado, enquanto a criatura desaparecia por completo na parede, deslocando-se silenciosamente.

    Tetsuya observava aquilo num misto de admiração e temor; kitsunes eram uma raça naturalmente aversa à fogo, assim como a energia profana era o oposto dos sanjos. Aquela chama demoniaca parecia ser a antítese perfeita do raposo! E apesar do efeito visual belíssimo como a dona que o originara, nâo pode deixar de sentir um calafrio percorrer-lhe o corpo...se por algum efeito do destino se encontrassem de lados opostos no campo de guerra, Artemia provavelmente teria o potencial para ser sua pior inimiga! Mas o amor que nutria por ela o impedia de pensar muito adiante naquela linha de pensamento, e logo o temor dava lugar apenas à admiração do raposo.

    -Nossa...como....quando aprendeu isso?

    As orelhas voltavam-se para os lados, quase como radares na busca ativa pela criatura agora invisivel. Tetsuya cristalizava 4 kunais em cada mão entre os dedos, de um gelo metálico, dourado, com inscrições divinas no interior do gelo; ironicamente a sensação da succubus sera a mesma do raposo: a de que aquela conjuração de gelo sagrado era algo realmente perigoso à ela. Afinal, era a primeira vez que ela vivenciava aquela magia como uma demonesa completa...

    As orelhas se fixaram num ponto acima, na parede vários metros acima do degrau em que estavam, fazendo-o arremessar uma na direção; o gelo sagrado zuniu pelo ar e cravou. Atirou mais duas ao longo da parede, como se estivesse perseguindo com a audição a trilha do réptil, que fugia dos ataques. Acabava por arremessar as 5 kunais restantes, ao que apenas uma pareceu atingir algo móvel, que também guinchava em dor; era possivel ver aquela arma "flutuando" no ar, cravada na carapaça invisivel do demonio, percorrer curtas distancias rapidamente em pequenas "explosões" de corrida pela parede. Mas a kunai agora denunciava sua posição, enquanto estivesse ali. E como se percebesse que o disfarce havia falho, vários pontos amarelados e brilhantes começavam a brilhar ao seu redor, como se preparasse para arremessar os espinhos invisiveis, cujo indicio de existencia era apenas aqueles pontos corrosivos que agora brilhavam como vagalumes em torno da kunai de gelo dourada.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Seg Dez 21, 2015 2:05 pm

    Assim que disparou as esferas de chama esmeralda, Artemia parou um segundo para reparar na beleza assustadora de seu feito. Ardilosamente perigosa, a esfera atingiu a cauda do animal, devorando sua aura, sua energia, sua vida. O réptil espertamente arrancou a própria cauda em prol de manter o restante de seu corpo vivo, adquirindo uma forma invisível em seguida. Assim como Tetsuya, Artemia também vislumbrou-se com o fogo que saiu de suas mãos, admirando sua capacidade mortal de sugar a vida de qualquer superfície tocada.

    Assim que o animal desapareceu, a ruiva apontou rapidamente a mão para Tetsuya, estalando seus dedos e realizando a mesma magia que havia feito em si mesma: no corpo do vulpino agora surgiram rapidamente calças novas, de um tecido branco e leve. Sabia que o rapaz estava com suas intimidades expostas por sua culpa, portanto tratou de resolver o problema para facilitar seus movimentos.

    Tetsuya, então, fez surgirem kunais de gelo que fizeram Artemia arrepiar-se inteira em um enjôo repentino: era como se repelisse aquele tipo de energia, deixando-a atordoada enquanto ouvia o réptil ginchar de dor. Percebeu que ela e o vulpino agora eram praticamente opostos, já que ela era fogo, e ele gelo. O que fariam se brigassem algum dia? A ruiva sabia que jamais o machucaria, mas esperava que nunca precisasse se defender dele. A vida dá voltas, afinal...

    Assim que as kunais acertaram a couraça do animal, deixando visível sua posição, Artemia ergueu as mãos e atirou mais esferas do mesmo fogo mortífero de antes, atingindo o mesmo local onde estavam as armas de Tetsuya. Esperava que, assim, acabasse com a vida do réptil da mesma forma que sua cauda fora dividida de seu corpo.

    Então, atirando as esferas juntamente com as kunais do vulpino, Artemia agarrou a cintura do rapaz e ambos saltaram mais dois degraus acima, afinal não sabia quais outros perigos poderiam surgir onde estavam.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Seg Dez 21, 2015 4:00 pm

    As chamas novamente começavam a consumir a vida daquela criatura, ainda invisivel; as chamas rapidamente se alastravam, engolindo o réptil, as chamas verdes delineando-lhe o corpo enquanto grunhia uma dor excruciante, numa necrose corrupta que lhe devorava de dentro para fora, consumindo sua alma, vida e deixando somente a casca vazia de seu corpo invisivel ali. Mas enquanto as chamas devoravam-lhe, os vários espinhos eram arremessados em todas as direções, tão logo Artemia segurou-o pela cintura, agora com as calças integras novamente.

    Tetsuya estava esgotado, praticamente toda sua energia angelical havia sido sugada pela ruiva ou aplicada naquele demonio, mas precisava fazer algo para proteger a ambos; uma parede de gelo era então formada, semicircular, envolvendo os dois enquanto a succubus puxava-o consigo para cima. Vários espinhos cravaram naquele gelo, emanando aquele veneno corrosivo que agora envolvia boa parte do gelo que os protegia, rapidamente derretendo aquilo, perigosamente se aproximando...

    Pelo contato próximo de Artemia e Tetsuya, o raposo provavelmente não notaria que alguns veios negros de Artemia começavam a envolver o raposo, quase como se entrassem em seu corpo, originando-se do anel. Tetsuya novamente procurava reforçar aquele gelo, mas o resultado agora era outro.

    Da mesma forma que o fogo esverdeado de Artemia, a versão demoniaca daquele gelo que se formava agora era de um azul escuro profundo, enegrecido em vários pontos, emanando uma energia muito, muito semelhante à de Fuyu, embora eram claros os traços de energia pertencentes ao filho. O gelo negro tinha um aspecto muito mais robusto e resistente, parecendo inclusive absorver o ácido dos espinhos e integrá-lo a si mesmo, passando agora a corroer os proprios espinhos...mas tão logo o perigo passava e Artemia se aproximava do solo novamente, o gelo se desfazia numa nuvem azul escura, tão corrupta quanto as chamas da ruiva.

    O mestiço parecia novamente surpreso, e olhava-a, como se imaginasse que ela fosse a responsável por aquilo. Sequer desconfiava do auxilio do pai para salvar a ambos naquele instante; afinal te-lo ali perto o tempo todo não passava nem perto de sua imaginação mais delirante...

    -Erm...obrigado, eu não sabia que podia fazer isso...salvou minha vida novamente! Talvez essa história de "opostos se atraem" nao seja assim uma idéia tão distante...

    Brincou, conforme saltava junto a ela para os ultimos degraus, finalmente chegando ao andar superior. Novamente era um amplo e largo corredor com móveis em ambos os lados, o carpete tão grande que suas fibras pareciam gramas aos pés de ambos, subindo até o tornozelo. Ao fim do enorme corredor havia um gigantesco espelho, tão alto quanto a soma de todos os degraus que acabaram de subir. Em ambos os lados, ao fim do corredor, haviam novas portas de madeira enormes, completamente abertas, embora pela distancia fosse dificil ver para onde davam.
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Dez 22, 2015 2:33 pm

    Com o ataque de Artemia e Tetsuya, utilizando suas habilidades unidas, o réptil foi aniquilado com sucesso, porém expelindo espinhos para todos os lados, inclusive na direção de ambos. Assim que saltaram mais dois degraus, Artemia não teve tempo de impedir o ataque dos espinhos, ficando vulnerável. Rapidamente, os veios negros que pareciam ter vindo dela própria pareceu expandir e misturar-se aos do vulpino; a ruiva olhou para baixo e visualizou a energia vir de seu cristal. Fuyu, que estava ali o tempo todo, intercedeu por eles e os ajudou, expandindo a proteção de gelo de Tetsuya, aumentando seu poder.

    Quando chegaram ao topo, Tetsuya comprovou o que Artemia desconfiava: ele não tinha ideia de que os veios haviam vindo não dela, mas sim de seu pai dentro do cristal agora pendurado no pescoço da ruiva. Porém, ela nada poderia dizer sobre isso agora. Como explicaria a verdade? Não havia ainda encontrado um bom momento para contar. Também não sabia como ele reagiria... Preferiu ignorar o agradecimento dele e seguir em frente; no tempo certo explicaria tudo.

    - Esse lugar não tem fim! Vamos, precisamos escolher uma das portas para entrar...

    Disse ela, apressada, puxando-o pela mão e caminhando na direção do grande espelho. O caminho parecia ser longo demais; a ruiva se perguntou quantos andares ainda teriam de subir para chegar na tal torre. E mais: o que encontrariam lá?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Dez 23, 2015 1:25 pm

    O raposo parecia estar pensando exatamente no mesmo; ainda que caminhassem rápido, levaram quase 10 minutos até chegarem no fim do longo corredor. O cansaço dele era perceptível pela discreta falta de ar que parecia sentir, ao chegarem naquela interseção. Agitava a cauda unica lentamente, aos poucos iam tornando-se em numero de 5, como se aquilo lhe ajudasse a usar mais da energia que tinha. Afinal, nao havia mais motivos pra ficar disfarçado, kitsune ou não seria atacado naquele lugar à primeira vista. Ficou a alguns metros do enorme espelho e olhou para as duas portas abertas, em lados opostos.

    A porta da esquerda dava numa sala ampla,que parecia ser uma espécie de depósito: haviam centenas de jarros de barro marrom escuro enfileirados em prateleiras gigantes, mas com escadas de madeira no tamanho "normal" conduzindo até cada andar de prateleira. Cada prateleira estava ou disposta contra as paredes ou no meio da sala, como se fosse uma espécie de sala de armazenamento de condimentos diversos. Cada jarro, porém, tinha o que parecia ser uma pequena fresta aberta, por onde uma pequena luz parecia sair ou por onde alguem poderia olhar para dentro daquilo. Por sorte, não parecia haver nenhum guarda ali,e o lugar era relativamente bem iluminado por candelabros posicionados em varios lugares nas estantes, deixando a sala entre uma espécie de semi-penumbra e uma iluminação amarelo-avermelhada das chamas.

    A porta da direita dava para uma sala completamente escura, de onde soprava uma brisa fria e úmida - algo inesperado naquele inferno - além do som constante de algo pingando lentamente. Uma negritude completa tomava aquele lugar, e uma espécie de piche denso parecia se estender pela parede, escorrendo num ritmo muito devagar. O breu pegajoso não fazia muita distinção da escuridão daquele quarto, de forma que algum desavisado poderia pisar naquilo facilmente confundindo o piche com a escuridão.

    -Se tivéssemos que te resgatar a tempo para nao se transformar, eu realmente não sei se conseguiriamos...tudo aqui dentro parece ser longo ou grande demais, e realmente nao sei se existe um elevador aqui. Mas teremos que continuar subindo, ainda que isso demore...


    Suspirou, com certo desanimo. Talvez fosse pela energia sugada que se sentisse assim desgastado? De qualquer forma, ainda que nao houvesse mais o problema do tempo, ainda assim precisariam sair daquele lugar.Ao que tudo indicava, sair do inferno não era tão facil quanto sair dele.

    Tetsuya olhou para ambas as direções, e apontou para a porta que conduzia à sala das prateleiras.Levou a mão que segurava a dela à boca, dando um pequeno beijo, como se procurasse encorajá-la

    -Mas não se preocupe, logo estaremos de volta à Terra! Eu acho que...talvez aqui seja mais seguro. Ou prefere tentar a outra?
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Dez 24, 2015 1:31 pm

    - Aqui está ótimo. - disse Artemia, encarando longamente a sala das prateleiras.

    A outra parecia ser muito assustadora para entrarem. A maga, então, reparou no suspiro cansado de Tetsuya. Teria ela causado aquilo nele? Só de pensar, um calafrio surgiu em seu corpo. Não queria machucá-lo! Foi egoísta em querer satisfazer-se em prol da energia dele, mas sabia que não conseguiu parar para pensar nisso na hora! Teria de aprender a se controlar por bem, antes que seja por mal.

    Sendo assim, a ruiva se aproximou do vulpino e o abraçou carinhosamente. Passou as mãos nas costas dele, acariciando sua pele: tentou fazer algo que não sabia se funcionaria, mas não custava nada tentar. Os veios negros de sua aura vermelho-vivo se espalhavam languidamente entre ambos, misturando-se à própria aura dele. Artemia apertou o abraço, concentrando-se em doar um pouco de sua própria energia para ele.

    "- Fuyu... Pode me ajudar aqui?"

    Perguntou mentalmente ao raposo, ainda quieta no abraço. Sentia sua energia envolve-lo por inteiro, mas não sabia se ele a absorveria. Era tudo uma questão de tempo.

    - Talvez, nesse outro quarto... talvez a gente encontre algum lugar para você descansar?

    Perguntou ela, separando-se brevemente do corpo do vulpino e olhando-o nos olhos. A preocupação era clara nos olhos verde esmeralda da nova demonesa, que apesar de estar envolta em uma aura demoníaca luxuriosa, ainda demonstrava, no olhar, o amor puro que sentia por Tetsuya.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Dez 26, 2015 9:03 am

    A aura vermelha, vibrante, começava a desprender o que pareciam ser pequenos "flocos" de si mesma, em formato oval irregular e angulado em seu centro, alguns curiosamente adquirindo formato de feijões e muitos adquirindo a forma de "coraçãozinho" da forma idealizada, muito distante do formato real do órgão com ventriculos e átrios. Quem sabe nos primórdios da humanidade aquilo não tivesse sido a inspiração de um humano sob as influencias de uma succubus, e que tornara aquele o simbolo do amor? De qualquer forma, enquanto aqueles flocos iam se desprendendo de sua propria aura, a ruiva notaria que uma parte de sua energia estava sendo depletada. Mas ela havia absorvido tanta, tanta energia do raposo que o gesto praticamente nao teve tanta repercussão em si mesma, ao passo que a respiração do rapaz se tornava mais profunda e calma; seu corpo parecia recuperar uma quantidade razoavel de energia, como se estivesse sendo curado por aquilo. Não parecia ter sido influencia de Fuyu, mas uma habilidade intrinseca da raça que ela acabava desvendando por si só.A voz do raposo-pai ressoou num tom baixo, de forma que Artemia ouviria apenas algumas palavras:

    "-agora que....demonesa, minha influencia sobre você....caindo, demonios nao podem "possuir" outros, portanto...ainda poderei te auxiliar por algum tempo, mas em breve...mas estarei sempre perto, apenas não mais mentalmente como até agora."


    Tetsuya, por sua vez, pareceu sem graça com o abraço carinhoso, e abraçou os braços da ruiva que cruzavam-lhe o torax, retribuindo o gesto. Tombou a cabeça para trás, colando o rosto ao dela, com um sorriso abobalhado, embora fosse possivel ver o quanto estivesse lutando para nao mostrá-lo, orgulhoso como era. As orelhas vulpinas fariam um pouco de cocegas no pescoço de Artemia, uma vez que os pêlos eram realmente macios. Parecia abrir-se completamente àquela transferencia de energia e cura da garota, como se já não tentasse lutar contra a energia demoniaca dela. Como se confiasse plenamente no que ela fazia, ainda que fosse a primeira vez.

    -Erm...quando te conheci, você me disse que havia me resgatado de uma especie de cristal...eu realmente nao me lembro de nada disso, mas eu também nunca te agradeci. Me desculpe e....erm....obrigado. Por desde o começo ter me ajudado e ficado ao meu lado, embora eu ainda não entenda porque você tenha feito tudo isso por alguem idiota como eu...

    Dizia, rindo um pouco, deixando-a se afastar dele. Facilmente os olhos heterocromaticos se perdiam e se deixavam hipnotizar pelo esmeralda de Artemia, fixando-se por alguns segundos, mas um pouco sem graça desviou-os para o lado. Talvez fosse uma certa timidez que jamais iria completamente embora, mas que dava um certo charme a alguem geralmente rabugento como ele. A succubus sempre lhe arrancaria suspiros e o faria se envergonhar por mais episodios da mais extrema devassidão passassem; o que sentia por ela perpassava o simples carnal. Com o rosto corado, cruzou os braços, fazendo bico, olhando-a com o canto dos olhos com um ar discretamente orgulhoso e rabugento, mas de uma forma doce e até divertida.

    -e-eu não preciso descansar, já estou bem! Veja, estou pronto para outra! D-digo, outra batalha, não para outras....coisas....digo, não que eu nao goste, mas provavelmente voce acabaria me matando assim e...t-talvez eu morra feliz, mas ainda assim preferiria não para ter mais oportunidades de...d-digo...enfim, v-vamos logo!

    E virou-se para o outro lado, agitando as caudas de forma nervosa.

    -Ugh...achei que isso fosse melhorar depois de tudo o que passamos, mas você tem essa habilidade de me deixar abobado e dizer bobagens...vamos logo, sim?

    E caminhou em direção a um dos jarros, procurando distrair-se da presença de Artemia, que embora lhe tranquilizasse, tambem parecia desestabiliza-lo um pouco. Era algo até divertido como ele realmente nao conseguia esconder o que sentia, e como eram visiveis os efeitos que ela lhe causava. Deu uma batida leve no jarro, que ressoava um som oco. Aproximou o rosto da pequena abertura iluminada e olhou dentro. Afastou alguns passos, gesticulando a cabeça negativamente.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sab Dez 26, 2015 1:42 pm

    A ruiva observou a mudança em sua aura, que se desprendia em formas irregulares de feijões e pequenos corações vibrantes. Ela sorriu, erguendo ambas as mãos às costas de Tetsuya, levantando suas palmas para que tocassem nos corações que caíam vagarosamente em torno do vulpino. Jamais imaginaria realizar tal feito, ainda mais poder ajudar dessa forma, transferindo sua própria energia para ele. E como era charmosa! Aqueles corações deixaram Artemia ainda mais vibrante do que a cor em si; sentiu o vulpino tocar as orelhas felpudas na sua face e sorriu ainda mais. Não havia reparado no sorriso bobo nele; estava distraída demais pelas mudanças que ocorriam à sua volta.

    Porém, captou um pouco do que Fuyu falava à sua mente. Não era possível ouvir tudo, mas conseguiu entender o bastante: sua conexão mental com o raposo desaparecia a cada minuto. O que faria sem ele? Sabia que continuaria dentro do cristal, auxiliando-a como pode, mas e depois? Seu dever era contar a verdade a Tetsuya e então sair à procura dos outros fragmentos de Fuyu, a fim de liberta-lo daquela prisão.

    Tetsuya, então, agradeceu a Artemia sobre sua saída do cristal, e por tê-lo ajudado desde então. A ruiva sorriu, sem graça, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, olhando para o lado. Suas bochechas sardentas estavam intensamente vermelhas agora. Teria de contar tudo agora. Agora!

    - Er... n-não precisa agradecer... n-nós recebemos essa missão de te tirar de lá e então... eu... eu fiz uma promessa de te proteger sempre... e... bem, foi até antes de te c-conhecer, mas depois que eu te vi, n-não consegui me imaginar sem você... n-não que eu tenha forçado a barra contigo! M-mas... depois eu te explico tudo...

    Gaguejou ela, sem saber realmente como se portar. A vergonha agora disparou seu coração como fogo: Artemia precisava continuar contando a história, explicar o motivo de tê-lo tirado do cristal, mas não conseguia! O rapaz logo fez aquela pose rabugenta-fofa de novo, dizendo um monte de coisas tão atrapalhadas quanto ela, que sempre derrete por dentro ao vê-lo desse jeito. A ruiva riu ao ver o desespero dele na sua presença: era visível o quanto Artemia parecia desestabiliza-lo, deixando-o altamente vulnerável. A percepção deixou a ruiva totalmente à vontade; como se assuntos libidinosos fossem mais confortáveis do que falar sobre sentimentos profundos, principalmente os que ela nutria pelo vulpino.

    Aproximando-se lentamente, ela sorriu maliciosa, mordiscando um dedo e deslizando a outra mão no tórax dele. Parecia se comprazer cada vez mais com esse tipo de brincadeira, deixando-o atordoado com as atitudes lascivas dela.

    - Fique tranquilo... nós vamos ter todo tempo do mundo para fazer tudo aquilo de novo, e muito mais.
    – disse a ruiva com aquela mesma voz tentadora de sempre, exalando luxúria e desejo em sua própria aura. Então, retirou rapidamente a mão dele e caminhou à uma curta distância para frente: sabia que se mantivesse contato com o vulpino, não conseguiria se segurar para ataca-lo novamente.

    Artemia caminhou até um outro jarro na outra extremidade de onde Tetsuya estava. Não entendia o que era aquilo, nem seu objetivo. Apenas deslizou a mão em sua superfície e parou em frente à fresta com a luz intensa vinda de dentro do objeto. O que teria ali dentro?
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Dez 26, 2015 4:46 pm

    -Missão...?mas quem iria dar uma missão dessas....ou melhor, se isso tudo for verdade, como alguem saberia que eu estaria num cristal? E-e o que seria m-muito mais!? - os olhos do raposo se dilatavam; o que ja fizeram nao era já o "muito"? havia mais alem daquilo!? A aura luxuriosa da ruiva o deixou ainda mais envergonhado.

    O mestiço ia se aproximando perigosamente, tangenciando a verdade de forma que tornava esconder aquilo mais e mais dificil. Mas tão logo o rapaz se debruçou sobre o jarro, aquela pergunta pareceu ficar em segundo plano, assim como a vergonha pelas palavras da ruiva. Afastou-se, deixando que Artemia observasse ali dentro também.

    Havia o que parecia ser um homem - a alma de um na verdade - brilhando fantasmagoricamente, encolhido num espaço diminuto. Apesar de não ter um corpo, sua forma fisica deixava a mostrar um perfil extremamente emagrecido, sendo possivel ver os contornos das costelas e ossos da pelve, como se num grau de desnutrição gravíssimo. O espaço só permitia-o ficar numa só posição, com a cabeça entre as pernas raquiticas, abraçando-as, enquanto pequenas esferas brancas e brilhantes pareciam circulá-lo, como se fossem partes de sua propria alma xingando e acusando-o em lamentos, gritos e berros, que apenas se tornavam audiveis quando próximo o bastante do jarro.

    "Papai, porque você me deixou...porque?" "Vovô, isso não...isso dói....isso dói!!" "SEU CANALHA! BANDIDO! MOLESTADOR!" "Aqui se faz, aqui se paga...você vai morrer agora!" "Seu merdinha de nada...está com medo? você não serve nem como esfregão...seu ridiculo, covarde...

    As vozes eram perturbadoras já nos breves instantes em que Artemia ouvia; mas quanto tempo aquela alma estava ouvindo aquilo? E xingavam, acusavam todas ao mesmo tempo, como um esquizofrenico a ouvir as vozes de sua propria mente perturbada. E ao olhar para o arredor, Artemia notaria que aquele era apenas um jarro entre as centenas que estavam ali, acumulando-se em várias prateleiras nas paredes, ou centrais na sala. Apesar disso, tudo era muito limpo e organizado. O clássico "almas ardendo em chamas" não parecia se adequar tanto àquele lugar, mas era claro que se tratava de uma espécie de câmara para tortura de almas condenadas. Artemia poderia muito bem ter sido uma delas ali, enclausurada, atormentada a cada instante pela eternidade. Mas ja nao era mais humana, entao nao havia motivo para se compadecer daquele sofrimento...ou havia?

    O olhar de Tetsuya se voltou a dois jarros diferentes do resto, não muito longe dali; eram feitos de um barro mais amarelo-alaranjado, e uma espécie de liquido parecia circular rachaduras por todos os lados naquele vaso, parecendo uma espécie de lava borbulhante, que subia e descia pelas rachaduras, torturando de forma especial as almas naquele lugar. Gesticulou a cabeça negativamente, suspirando.

    -No céu, nos diziam para não ter piedade das almas atormentadas no inferno, pois mereciam ter o castigo que recebiam. Mas ainda assim, por pior que tivessem sido, não consigo imaginar ninguem que mereça passar por isso por toda a eternidade...

    O cristal na mão de Artemia pareceu brilhar discretamente, e embora Fuyu não dissera nada, a mão da ruiva pareceu quase ser puxada na direção daqueles dois jarros em especial.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Qui Jan 07, 2016 3:00 pm

    Com um sorriso malicioso, Artemia ignorou os questionamentos de Tetsuya e continuou observando o local, em especial o jarro que agora o vulpino liberava espaço para que ela também visse seu interior.

    O senhor abatido, diminuto e humilhado parecia não possuir mais qualquer resquício de esperança em seu ser. Há quantos anos estava ali, ouvindo vozes lhe torturando a alma a cada segundo de sua existência? Artemia aproximou-se ainda mais, tocando o jarro com as mãos e apertando sua superfície com força, de forma que até as pontas de seus dedos se tornassem brancas com a pressão. Por pior que aquele homem pudesse ter sido um dia na Terra, de que adiantaria permanecer a eternidade sendo torturado, perdendo sua própria sanidade onde não havia mais vida sequer? A ruiva questionou os métodos do inferno em receber as almas impuras, deixando sua cabeça quente de tantas dúvidas.

    - Tets... não vejo motivos desse homem sofrer a eternidade assim. Ele não há de aprender nada. Não há como ser alguém melhor sentado aí, ouvindo xingamentos e sendo humilhado a cada segundo de sua existência! Alguma chance precisa ser dada para que ele mude. Para que ele faça o certo. Não existe compaixão por aqui?!

    A ruiva estava claramente indignada com aquela situação. Seus olhos esmeralda disparavam por todos os jarros na sala; seu cenho franzido em uma clara demonstração de chateação e preocupação. Ainda que tenha se tornado demonesa, não deixou de ter sua essência preocupada com o bem estar do próximo. Isso era algo dela, de sua existência. Artemia sentiu-se aliviada ao perceber que ainda permanecia a mesma, apesar das claras mudanças em sua aura e aparência física. Ainda assim, não deixou de se chatear com o fardo daquele homem, cuja esperança havia sido arrancada lentamente, dia após dia, ano após ano.

    Em meio ao clima triste do ambiente, a demonesa sentiu o cristal vibrar levemente em seu peito, pendurado por um colar. Ela abaixou o rosto e contemplou uma luz fraca, apontando na direção de dois jarros diferenciados ao longe; Tetsuya já parecia caminhar na direção deles.

    Então, dando uma mão ao vulpino, Artemia caminhou ao seu lado até pararem frente a frente com ambos os jarros, encarando suas superfícies e esperando ver algo notável vir dali.

    - Por que será que esses dois são diferentes? - perguntou a ruiva, com a voz mais baixa do que já era normalmente.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Jan 08, 2016 2:34 pm

    O raposo pareceu um pouco surpreso com o que ela dizia. Ficou piscando algumas vezes, como se ainda estivesse processando a informação. O aspecto físico da demonesa e aquelas palavras pareciam ser algo completamente opostos, impossiveis de se encontrarem num ser apenas. E novamente, Artemia parecia comprovar a ele que o maniqueismo imposto pelo ensinamento que teve no céu - com anjos bons e demonios maus - era uma enorme farsa. O aspecto cruel de demonios parecia ser algo muito mais culturalmente imposto do que algo intrinseco da espécie, e a ruiva parecia ser a peça final do quebra-cabeças que sempre lhe atormentou a mente. Era a prova de que não deveria necessariamente odiar sua parte demoniaca - era tão somente algo diferente, mas que não o tornava pior. Tudo se processou em apenas alguns segundos em que ficou a fitá-la, e aberto como um livro, parecia deixar transparecer tudo aquilo que pensava e sentia nos gestos, olhar e expressões. Por fim finalizou com um discreto sorriso.

    -Exatamente...não há chance de redenção, de arrependimento, de melhoria. Claro, deve haver um preço a se pagar, mas esse pagamento perde o sentido quando não existe mais chance alguma de quitar a dívida. Esta é a diferença básica entre a justiça e a simples tortura.....e....obrigado, Mia...

    Dizia, fechando os olhos brevemente, conforme sentia o toque da mão da ruiva na sua.O sorriso que dava era diferente dos anteriores, parecia de alívio, de tranquilidade. Não era mais segredo que se sentia bem ao lado dela, mas as palavras da ruiva pareciam subliminar a paz interior que sempre lhe faltava. Buscara sempre a resposta no céu para seus anseios, e só agora percebia que foi preciso uma demonesa no inferno para ensinar-lhe a verdade sobre aquela raça. A única duvida que ainda pairava e lhe atormentava o coração era a figura do pai, que supostamente assassinou sua mae diante de seus proprios olhos. Mas ainda estava inseguro quanto àquilo, depois dos boatos que ouviu a respeito do pai vindo dos demonios da taverna. Mas não podia negar as imagens que seus proprios olhos viram.

    Foi caminhando em direção aos dois potes, e aproximou o rosto. Fez menção de tocar com a mão, mas a vibração quente que o jarro emanava era uma advertencia para que nao tocasse e se queimasse. Os jarros eram altos, e a abertura para visualizar era um pouco alta, de forma que nem na ponta dos pés poderia ver direito. O raposo abaixou a cabeça, enclinou o tronco para os lados, procurando alguma abertura, em vão.

    -Não sei, mas parece ser quase uma tortura especial....como se a tradicional já não fosse o bastan...

    E interrompeu a frase no meio do caminho, agitando as caudas vulpinas, direcionando as orelhas pontudas para frente.

    -Ouviu isso?

    Ele dizia, os olhos pareciam dilatados. E fez silencio. Segundos se passaram, até que um par de vozes muito, muito baixas pudesse ser ouvida. Pareciam pertencentes a um homem e uma mulher.

    "-Yumi.....Yumi....é você...?"
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sex Jan 08, 2016 3:05 pm

    Artemia observava Tetsuya enquanto ela própria divagava sobre as condições em que o inferno deixava seus habitantes. Eles permaneciam, dia após dia, sozinhos, envolvidos em uma corrente de humilhação sem fim. De que isso adiantava, ela jamais saberia. Apenas abaixou a cabeça, sentindo suas mãos atadas diante àquela situação. Assim, o ouviu responder seus argumentos anteriores, tão indignado quanto ela. A ruiva pendeu a cabeça levemente para o lado enquanto procurava ler aquele olhar tão cheio de significados. Havia tanto naquele mar azul e dourado; provavelmente jamais conseguiria desvendar todos os segredos ali dentro.

    - Não há o que agradecer, Tets. Se eu pudesse fazer algo para ajudar qualquer alma que está confinada aqui, eu faria. – disse ela, apertando os punhos, decidida. Caminhou lado a lado com Tetsuya até chegarem aos jarros diferenciados. Eram ainda mais estranhos vistos de perto: altos e sem abertura. De onde estava vindo aquele barulhinho?

    O vulpino confirmou sua dúvida ao tocar na superfície e se perguntar o mesmo. Então, o barulho vinha dali. Era tão baixo...

    Como um baque no coração, alguém exalou o nome de Yumi, demonstrando um certo desespero. Artemia ergueu as sobrancelhas e tocou seus próprios lábios com as pontas dos dedos. Não era possível! Seria a mesma Yumi que eles conheciam? Como?!

    - Y-Yumi?! Estão chamando por ela? mas... mas por quê?! – suspirou Artemia, subindo a mão para sua testa, afastando levemente seus cabelos ruivos para trás. Então, aproximando-se ainda mais do jarro e tocando sua superfície, a demonesa se inclinou para frente e suspirou para o jarro, praticamente tocando seus lábios na textura fria.

    - Quem são vocês? Quem chama por Yumi?
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Jan 09, 2016 8:59 am

    Os dois jarros pareciam vibrar em calor, com veios vermelhos brilhando como se lava estivesse percorrendo cada rachadura daqueles jarros amarelo-alaranjados. Tetsuya fez menção de segurar Artemia para que ela não tocasse naquilo, não queria vê-la queimada. Mas estranhou quando a ruiva parecia tocar aquilo como se o calor não a incomodasse. Talvez pela afinidade da succubus pelo fogo a tornasse particularmente resistente a ele? O raposo voltou à posição original, mantendo certa distancia dos jarros, desconfiado. Como era de se esperar, dificilmente confiaria em alguem, ainda mais de vozes vindo de um jarro no inferno. Nao precisaria manter a curtissima distancia que Artemia mantinha para ouvi-las, pelo menos.

    -Pode ser uma armadilha, Mia...tenha cuidado...

    As vozes agora nao falavam mais em uníssono;cada qual trazendo sua propria mensagem.A voz feminina limitava-se a chamar por Yumi, desabando em choros fracos. A voz masculina, porem, parecia mais controlada; a voz era igualmente fraca, porem.

    -Somos...Hayashi...os pais...Yumi....por favor....

    Tetsuya apenas ouvia aquilo, levando a mão ao queixo. As caudas se agitavam, inquietas, passando agora a olhar para Artemia. Apesar de desconfiado, parecia pedir pela opinião da ruiva sobre o que fazer. Ao mesmo tempo, o cristal parecia dar leves puxões em direção aos jarros, como se Fuyu tentasse dizer algo. Mas agora parecia ja nao conseguir mais se comunicar pela mente da garota.

    -O que fazemos? Devemos tentar quebrar o jarro ou deixar para lá? Não sei se são quem realmente afirmam que são, mas...não parecem estar fingindo essa dor...

    Parecia indeciso quanto ao que fazer. Mas acabou por julgar que talvez não estivessem mentindo. Afinal, ainda nao deveriam saber que estavam ali; as unicas testemunhas, como o demonio invisivel, estavam mortas.

    -Mia, consegue absorver essa energia do jarro de alguma forma? Podemos aproveitar que está quente, e se eu resfriar causar um choque térmico para quebrar.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sab Jan 09, 2016 1:20 pm

    - Eles parecem estar sofrendo muito... E chamam pela Yumi. Que estranha coincidência...

    Suspirou Artemia, de ouvidos colados em um dos jarros. A ruiva se separou da superfície, então, e apenas fitou Tetsuya encarar pensativo, com a mão no queixo. De fato, o vulpino é de natureza desconfiada. No entanto, a dúvida nos olhos dele tomaram uma forma mais certa, como se algum tipo de certeza entrasse no lugar. Ela olhou novamente os jarros; seu calor misturava-se ao dela própria. Era como se não sentisse realmente diferença, até ver a lava escorrendo e notar o quanto aquilo deveria estar quente. Então, isso significava que ela é resistente ao fogo? Que estranha afinidade! Quantas mudanças em tão pouco tempo...

    - Sim, vou tentar!

    Exclamou ela, tocando novamente com as mãos em ambos os jarros. Artemia fechou os olhos, sentindo o calor ameno passar das superfícies para as suas mãos, subindo seus braços e alcançando todo seu corpo em uma perfeita harmonia e sincronização. À sua volta, sua aura vermelha se intensificava, pulsando levemente, como se realmente absorvesse a energia vinda dos jarros. Conseguiria ela fazer isso caso não fosse maga? Ainda que se questionasse, Artemia continuou a absorver o calor, passando para si mesma, aumentando sua própria energia. Até mesmo suas bochechas se tornaram mais rosadas que o normal.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sab Jan 09, 2016 5:01 pm

    Tetsuya se aproximou, pouco depois que Artemia tocou o jarro. Sendo bastante sensivel ao calor, o raposo conseguia praticamente sentir na pele que a temperatura estava mais amena - pelo menos do lado externo - e tocou os jarros, do lado oposto ao da ruiva. A temperatura na região onde tocava caia rápida e drasticamente, e como ele previra a brusca contração, somada à dilatação causada pelo calor interno fez com que rachaduras reais começassem a se espalhar por ambos os jarros. As rachaduras iam criando o som característico, propagando-se em todas as direções como teias de aranha; Tetsuya tratou de se afastar logo; o perigo maior era muito provavelmente apenas para o rapaz. Afastaria-se pelo menos uns 10m dali, mas observava com cautela para a ruiva.

    -Mia, cuidado. Não fique tão perto, o calor aí dentro pode ser maior do que você consegue suportar...não conhecemos bem seu corpo ainda! Venha!

    Apenas após dizer aquilo notava que sentido ambíguo tinha. "Conhecer bem o corpo" tomava várias interpretações, o fato dela ter se tornado uma succubus com gestos e aparencia tão provocantes apenas favorecia que o rapaz pensasse logo no sentido mais óbvio. E se o rosto da garota corava pelo calor, o dele corava pelos pensamentos numa hora tão imprópria quanto aquela. Ah, se pudesse conhecer ainda melhor seu corpo, ele pegava-se pensando. Mas gesticulou a cabeça negativamente, como se procurasse desprender aquele tipo de pensamento lascivo da cabeça, voltando a focar-se nos jarros. Do lado oposto, onde Tetsuya estava e onde as rachaduras eram maiores, alguns cacos começavam a se desprender dos jarros. Não era algo explosivo, e sim algo lento; cada fragmento parecia escorrer lentamente, conforme a lava interna deslizava pelos buracos de forma pesada, com baixa fluidez, mostrando quão denso era aquele liquido borbulhante, como um metal fundido. A claridade intensa daquilo impedia de ver, a principio, o que ou quem de fato estava dentro de cada jarro, o que deixava o mestiço ainda mais apreensivo e alerta, desconfiado ainda de que se tratasse de uma armadilha. Mantinha-se distante e cauteloso, agitando as caudas de forma ansiosa, estendendo a mão direita como se chamasse-a para perto; sabia bem o quão imprudente e impulsiva Artemia era, e cada segundo que a ruiva passava ali parecia deixá-lo mais angustiado. O cristal do leviatã parecia ter se acalmado, como se aguardasse o desenvolver daquilo, com muito mais serenidade que o raposo-filho.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Sab Jan 09, 2016 9:32 pm

    Com a aproximação de Tetsuya, tocando brevemente na superfície do jarro, Artemia se afastou lentamente, encarando os objetos com cautela. O ar gelado que vinha das mãos do vulpino incomodavam a ruiva, a ponto de faze-la se afastar ainda mais dos jarros: Tetsuya, então, conseguiu criar o efeito controverso que pretendia, causando rachaduras perigosas nas superfícies. Sendo assim, ele próprio se afastou, enquanto Artemia ainda observava o efeito, com os braços esticados. Uma pequena e rarefeita névoa vermelha formava uma linha dos jarros até as mãos erguidas da ruiva; ela conseguia estranhamente manter a absorção do calor ainda que não tocasse em sua superfície! Porém, ela própria não percebeu isso, já que seus olhos agora se distanciaram dos jarros e encaravam Tetsuya com uma expressão de intensa curiosidade. O que estaria ele pensando para estar tão vermelho? Ela própria enrubescia, por conta do calor. Mas...

    Artemia sentiu uma pontada em seu coração, assim como sempre acontecia quando sofria o olhar intenso do vulpino em seu corpo, estarrecendo seus sentidos e causando uma excitação crescente em cada nervo seu. Ela sorriu nervosa para ele; ainda não estava totalmente consciente de suas mudanças bruscas, que a faziam tomar a aparência constante de alguém confiante e sensual. Porém, Tetsuya a conhecia há algum tempo, e a viu antes de se tornar Succubus: ele provavelmente saberia que Artemia, por si só, ainda matinha algum resquício de insegurança ou timidez. Então, ela abaixou o olhar, retornando a encarar os jarros agora abrindo buracos e deixando a lava sair.

    Seus pensamentos logo flutuaram para o que parecia ser um casal preso nos jarros. O que teriam feito para ter desencadeado tal destino traiçoeiro? E qual seria sua ligação com Yumi?

    Eram muitas perguntas, e aumentavam a cada rachadura nova criada nos jarros. Artemia aproximou-se delicadamente de Tetsuya, ainda com as mãos erguidas, mantendo o fio de energia ligando diretamente aos objetos sendo destruídos aos poucos. Também possuía suas ressalvas em relação aos estranhos que ali habitavam, e por isso ficou levemente na frente do vulpino, buscando protegê-lo. Não sabia se explodiria gelo ou fogo, após a quebra total dos jarros. Mas sabia que protegeria o mestiço.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Dom Jan 10, 2016 12:17 pm

    O restante dos cacos foram se desprendendo dos jarros, deixando fluir o magma denso dali de dentro. Era algo lento, de forma que não oferecia perigo algum a nenhum dos dois; a lava simplesmente foi se despejando aos arredores, tornando-se cada vez mais escura, como se fosse se solidificando aos poucos, embora ainda fosse quente demais para Tetsuya se aproximar.Tão logo os jarros estavam desfeitos, duas figuras fantasmagóricas dali de dentro pareciam se levantar. Também pareciam fisicamente enfraquecidas, embora fossem apenas almas. Mas as orelhas pontudas de raposa e as caudas que ambos tinham deixava bem claro de que raça eram. Sem a tortura do calor intenso, ambas pareciam lentamente ter força o bastante para conseguirem se mexer, embora ainda permanecessem deitadas ao chão, em meio aos cacos e magma. Apesar de ainda estarem em contato com o calor - que aparentemente lhes afetava, mesmo faltando um corpo fisico - pareciam suspirar de alivio; como se a dor que sentiam agora nao fosse nada em comparação a estar dentro daqueles jarros.

    -Yumi...é você?Yumi...minha filha... - a mulher dizia, ainda prostrada no chão, deitada. Nao conseguia se mover ainda para ver os dois ali, mas sua voz soava com um pouco mais de folego e força do que quando dentro do jarro.

    -Não é ela...não é Yumi. Mas essa aura é tão...parecida...quem está aí? - o homem agora falava, igualmente deitado de bruços no chão. Faltava-lhe força para erguer o rosto do chão.


    Tetsuya apenas observava-os, à distancia, ainda desconfiado. Ainda nao estava convencido de que não era uma armadilha; alguem poderia ter colocado os dois ali para ganhar tempo ou atenção dos dois. Por isso, o mestiço percorria o olhar para todos os lados, pelo grande quarto, pelas centenas de jarros. Havia apenas silencio; não haviam outras pessoas além deles ali. Observava a ruiva, próxima,um pouco mais tranquilo; estando perto, poderia fazer algo para protegê-la, se necessário. Sem se convencer ainda das duas almas torturadas, o raposo disse à distancia:

    -Digam primeiro quem são vocês...o que fazem aqui, como conhecem Yumi?

    O magma ia se espalhando um pouco mais, reduzindo o contato com o corpo etéreo dos dois. As vozes de ambos agora iam falando, cada qual complementando a frase do outro, enquanto o outro se recuperava do folego perdido:

    -Somos os Hayashi...clã de kitsunes fiel ao overlorde Fuyu, do 5o circulo infernal. A nós nos foi dada a graça de poder cuidar de sua filha, como se fosse nossa. Por isso, a criamos e consideramos como nossa filha. Anos atrás um golpe de estado foi feito contra o overlorde. Armaram-lhe uma emboscada, destruiram seu exercito. Um Doppelganger assumiu sua forma e instaurou o caos em seu lugar...usou de sua imagem para destruir a confiança que ele conquistou entre os demonios. Destruiu os tratados de paz que estava sendo formada com o céu, ao matar uma serafim, também sua esposa. E perseguiu seus próprios filhos para que não restasse nada de nosso honrado senhor. E tortura até hoje todos a quem juraram fidelidade ao verdadeiro overlorde; muitos deles estão aqui...

    Tetsuya ouvia a fala arrastada e sem folego das pobres almas, estupefato, incrédulo. Filha? Mas ele não era seu unico filho? Então ele tinha uma irmã? Mas tinha certeza que sua mãe jamais dera luz a outro; mas nada impedia que fosse com outra mulher, obviamente. A confusão era óbvia no olhar heterocromatico do rapaz. Tinha pena de seu sofrimento, mas um ódio quase irracional queimava-lhe de dentro para fora quando começou a ouvir falar mais e mais do pai; lembrava vividamente a cena que vira, a estaca de gelo de seu pai tornando-se vermelha, conforme o sangue angelical descia, escorria por entre as arestas pontiagudas, penetrando o abdome de sua mãe. E num impulso de negação a tudo o que estava ouvindo, o mestiço bradejou em fúria.

    -MENTIRAS! EU VI CLARAMENTE O QUE AQUELE COVARDE FEZ COM IRIEL! ELE A MATOU SEM PIEDADE ALGUMA!
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    Artemia

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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Artemia em Ter Jan 12, 2016 1:13 pm

    Artemia permaneceu estática onde estava ao ouvir o testemunho do casal. Estavam fracos, porém seguros do que diziam. Os olhos da ruiva fixaram no rosto de Tetsuya ao ouvi-los dizer toda a verdade a respeito do Doppelganger e seus crimes contra seu próprio povo. Artemia prendeu a respiração, aguardando alguma reação vinda do vulpino, assim que o casal terminou de falar. A verdade veio à tona, então, finalmente. Um alívio surgiu no peito da ruiva, que suspirou tristemente ao ouvir o mestiço gritar a todos os pulmões o quanto eram mentirosos. Não era de se esperar menos; Tetsuya ainda permaneceria confuso por algum tempo, por mais que todos lhe contassem a verdade.

    Assim que Tetsuya deu vazão ao seu nervosismo, Artemia se aproximou dele, tocando-lhe as mãos. Seu olhar era pesaroso, sua cabeça estava baixa. Ela respirou fundo e começou a falar tudo que já devia ter dito há muito tempo...

    - E-eles estão certos, Tets. Um Doppelganger usurpou a forma de seu pai e agia, com a aparência dele, fazendo mal a todos. Seu pai jamais faria mal a você, ou à sua mãe. Ele sempre zelou por você, fazendo de tudo para que você escapasse com vida. Infelizmente, apenas conseguiu salvar um de vocês. M-mas... eu não sabia sobre isso da Yumi. E-ela, então... sua irmã...?

    Artemia parecia estar mais surpresa do que nunca, após ter ouvido o relato do casal. Yumi era irmã de Tetsuya?! Eles pareciam estar certos. Ela precisava contar tudo o que sabia também. A ruiva, então, segurou as mãos de Tetsuya firmemente. Seu olhar era puramente honesto, embora estivesse absolutamente triste naquele momento.

    - Tudo o que você se lembra a respeito da morte dela... bem, aquele não era seu pai. Era o Doppelganger, disfarçado, querendo exatamente destruir tudo o que Fuyu conquistou. Por favor, me escute! É importante que você saiba de tudo. Vou contar desde o início, tudo que eu sei. Eu já... eu já deveria ter contato antes, mas... mas não consegui... você parecia estar muito raivoso para ouvir qualquer coisa...

    A ruiva olhou o casal novamente, fazendo uma pausa profunda para que respirasse fundo. Seus olhos voltaram aos de Tetsuya, reconhecendo o choque e a dor em seu olhar. Sabia que ele a odiaria para sempre, e que não confiaria mais nela. Mas não poderia priva-lo da verdade. Precisaria guardar seus sentimentos, embuti-los em seu peito. Tetsuya precisava saber de tudo.

    Artemia mordeu o lábio e começou a falar tudo o que sabia, desde o começo.

    - Eu vivia na floresta. Meu pai sumiu, você sabe. Fui procura-lo, e acabei encontrando o Axle, que me salvou de uns lobisomens. Entramos em uma casa abandonada, fugindo da neve intensa. Quando subi no segundo andar... me machuquei, e com meu sangue, libertei o que parecia ser Fuyu, seu pai. Ele estava fraco, mas pelo que dizia, parecia ser ele mesmo. Pelo que Axle disse, tinha a mesma aparência, falava igual e tudo. Então... ele ficou ao nosso lado o tempo todo. Até que encontramos um Leviatã morto e ele pegou o cristal no topo de sua cabeça. Ele deu o cristal para mim, dizendo que aumentaria meus poderes. Mas havia algo estranho...

    Ela suspirou e cruzou os braços, ainda olhando fixamente nos olhos dele.

    - Estávamos em um bunker subterrâneo no centro da cidade. Um anjo surgiu do nada e Fuyu começou a agir de um jeito estranho! Ele sacou a espada e... bem, a máscara caiu. Aquele não era Fuyu, e sim o Doppelganger. Não sabíamos do que se tratava até ouvir suas ameaças: disse que estava ao nosso lado, justamente para nos separar. Disse que havia nos enganado de propósito! Ele era muito vil...

    Mais uma pausa. Artemia agora apertava os punhos; havia descruzado os braços. Então, segurou em suas mãos o cristal em forma de colar, pendurado em seu pescoço. Ele brilhava, naquele momento, em uma luz azul tranquila.

    - Então... com a ajuda de Nova, uma pessoa que encontramos no bunker... e com a ajuda desse cristal em minhas mãos... eu soltei uma flecha explosiva no Doppelganger, o matando naquele mesmo segundo. Fuyu finalmente conseguiu se libertar ligeiramente daquela prisão, revelando a verdade: sua alma foi separada em diversos fragmentos, espalhados por aí. Um dos fragmentos encontrava-se na espada que o usurpador sacou naquele instante. Então, ele nos disse o que havia acontecido em seu reinado aqui no inferno. Explicou, também, que dentro daquele cristal estava seu filho, Tetsuya, adormecido durante anos para que escapasse com vida da tirania do Doppelganger.

    Artemia apontou o cristal para Tetsuya, para que ele observasse melhor. Haviam algumas lágrimas em seus olhos, que escorriam lentamente por suas bochechas. Ela passou uma mão em seus cabelos, tirando-os da frente de seus olhos. Estava levemente trêmula.

    - Axle, eu e o anjo, Ryan, nos oferecemos para entrar no cristal e te tirar de lá. Era tudo que seu pai queria. Então... nós entramos. E vimos tudo. Todos os espelhos lá de dentro mostravam suas lembranças, desde quando você era uma pequena criança, até o dia da morte de sua mãe, onde você via, erroneamente, seu pai a matando. Ficamos no encargo de contar tudo a você assim que estivesse preparado. Ryan saiu do cristal primeiro. Porém, assim que eu e Axle, segurando você no colo, saímos... fomos parar naquele beco sujo onde você nos viu pela primeira vez.

    A ruiva enxugou as lágrimas, que escorriam incessantemente em suas bochechas. Ela olhou para baixo, para o cristal.

    - Seu pai, Fuyu, se ofereceu de ficar no seu lugar, dentro do cristal. Ele sempre me ajudou. Nos ajudou... – ela suspirou, trêmula. Toda aquela história era mais pesada do que o próprio piso que a sustentava. – Ele sempre esteve aqui para você, e sempre vai estar. Ele me transformou em Succubus para me proteger aqui, no inferno. Ele me ajudou a progredir na minha magia. Eu jurei a ele que te protegeria, ainda que custasse a minha morte. E-eu.. acabei... me apaixonando por você... no meio do caminho... – disse, baixinho, essa última frase, como se a vergonha tivesse tomado conta de sua voz naquele momento.
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    Re: 4° Círculo Infernal

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Jan 13, 2016 8:25 pm

    A principio, parecia furioso com aquelas duas almas desconhecidas, que se diziam ser os pais – ou pelo menos os pais adotivos – de Yumi, que supostamente seria sua meia-irmã. Estava furioso por defenderem aquele ser cruel e vil que traumatizara-o para sempre na infância, que privara-o da única pessoa que realmente se importara com ele, sua mãe. Mas....aquele relato adquiriu proporções enormes, pois realmente jamais esperaria que Artemia começasse a lhe contar aquilo de forma tão sincera e verdadeira. Os olhos do raposo se dilatavam, quase como se seu próprio ser se desprendesse do corpo, deixando uma casca vazia em seu lugar que ouvia aquilo tudo de forma passiva. Não tinha qualquer reação – sequer tinha mais certeza de que tipo de reação deveria ter.

    Artemia sentiria as mãos de Tetsuya estarem frias, úmidas, os lábios descorados. Não um frio no sentido de sua magia de gelo, mas frias no sentido de falta de irrigação, de uma enxurrada de adrenalina percorrendo-lhe o corpo. Diversos sentimentos ambíguos se mesclavam:

    O ódio pela manipulação que sofrera, sendo ludibriado por todos aqueles anos.

    Amor que o compelia a secar as lágrimas da ruiva, que caía em prantos à sua frente.

    Decepção pelo fato da mesma ter escondido tudo aquilo, que pela sua narrativa, praticamente escondera o fato de ter o fragmento da alma do pai o tempo todo, desde o momento que se conheceram.

    Compaixão e pena por, no fundo, perceber o quanto fora doloroso a ela ter que esconder tudo aquilo pelo próprio bem dele. Os olhos esmeralda pareciam refletir uma dor semelhante à dele, conforme contava aquilo tudo.

    Revolta de si próprio, por ter se deixado enganar por tudo e por todos até então, além da perda de confiança novamente em cada pessoa que conhecera até agora. Todos pareciam saber da verdade, exceto ele próprio...

    Um sentimento misto de orgulho e alívio por saber que em seu sangue não corria o de um demônio cruel e sádico, mas de um que aparentemente lutara até o fim para proteger tudo e a todos, mudar um sistema tão antigo quanto o inferno em busca de um lugar melhor...

    ...

    ...Mas será que aquilo era verdade mesmo? E se não estivesse sendo enganado denovo? Mas Artemia falava com tanta sinceridade que era difícil não acreditar. Mas novamente, ela conseguira esconder aquele segredo desde o principio, quão difícil seria para ela esconder alguma outra coisa?

    E assim, a quantidade absurda de fatos e noticias lhe atingia o peito como uma marreta, fazendo-o recuar alguns passos, trocando os próprios pés de forma trôpega e instável. Com tantas caudas e o treinamento, era próximo ao impossivel perder o equilibrio, algo que estava acontecendo naquele instante, demonstrando quão abatido se encontrava. Acabaria caindo para trás, sentado. Poderia reagir de forma brusca, gritar, xingar tudo e todos numa furia implacável de raiva, mas...por mais estranho que fosse, não fez nada. Apenas ficou ali sentado, piscando, olhando para o nada, numa pose que demonstrava a extrema fragilidade em que se encontrava. Uma pose quase fetal, sentado ali no chão, semelhante à posição em que se encontrava dentro do cristal. Seu mundo havia desabado.

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    Re: 4° Círculo Infernal

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