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O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Tetsuya Kitsune
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    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Dez 01, 2015 3:23 am

    "-Preciso....de você.....não vá...fique comigo...." - o garoto de 14 anos falava, sua cintura sendo engolida lentamente pelo cristal na testa do leviatã, enquanto via uma belíssima loira se afastar. Os olhos dourados demonstravam um carinho imenso, sem remorso: era o olhar amoroso de uma mae que daria sua vida por sua cria infinitas vezes, se fosse necessario. Era como se o raposo estivesse vivenciando aquela cena novamente, tão logo escutara as palavras de Tetsuya, lá fora. Era uma tortura constante para o raposo ver aquelas cenas, mas não reclamava. Acreditava ser merecedor de tudo aquilo, e aceitava cada chaga que lhe cruzava o peito como um merecido castigo.Finalmente Fuyu pareceu se dar conta da presença de Artemia, e com um gesto da mão, a imagem sumiu, e ele se virou. A face era de quem fingia que nada tinha acontecido, coçando a nuca de forma despreocupada.

    -ah....desculpe, não vi que tinha visitas. Eu...estava...ajustando os canais a cabo...-e tossiu brevemente; era horrível em formular desculpar de ultima hora, como Tetsuya. Mas procurou mudar de assunto.

    -Acho que ter o cristal colado em seu corpo não é uma boa idéia quando você desmaia...sua consciencia foi sugada para cá; não se preocupe, você voltará para fora assim que se recuperar. Caso queira perguntar algo, fique à vontade! Afinal, talvez um dia eu seja quase um segundo pai, hm?hm? -e, brincalhão, ficava piscando à garota, realmente sugerindo a possibilidade de se tornar um sogro da ruiva algum dia. Fazia isso com o unico e exclusivo proposito de divertir-se com a situação, é claro.

    -Mas já que temos essa oportunidade, ensinarei algo novo. O que está passando agora....é como se fosse uma viagem astral, a qual inclusive acredito que você será capaz de fazer principalmente agora que seu corpo está exausto. Basta que imagine estar fora daqui. Lembre-se do ambiente onde estava, imagine-se vendo seu proprio corpo, descolando-se dele...e use a energia que o cristal lhe proverá. Agora que ele está em contato direto, procure canalizar a energia que o anel emana, e faça-o rodear seu proprio corpo, desvencilhe-se das amarras de seu corpo físico; ele é somente uma roupa temporária. Seu real ser está dentro dele, é sua alma, imortal, que já encarnou e reencarnará ainda muitas vezes. Mas ficará a seu critério se deseja ou não fazer isso; tem a liberdade para fazer o que quiser...

    Finalizava, sorrindo. Apesar de conhecer o vulpino há pouco tempo, e tê-lo visto "traindo" o grupo, aquela figura poderia ser a unica realmente confiável naquele grupo, agora que Axle estava longe. E parecia realmente querer se responsabilizar e dar apoio à Artemia, como de fato havia prometido.

    ----------------------------------------------------------

    Como se tivesse desenvolvido um dom para frustrar completamente Yumi e dizer a pior coisa possivel na face da Terra pra uma garota num momento daqueles, tão logo sentiu os labios da garota contra os próprios, o rapaz murmurou brevemente.
    -...zzz....ar...temia?....zz....

    E segundos depois, voltava ao sono anterior. Pelo fato do primeiro beijo ter sido com a ruiva e não estar consciente daquele segundo com Yumi, a primeira coisa que imaginou foi a ruiva fazendo aquele gesto. Pior; depois daquilo parecia estar sonhando com ela! Fazia caras e bocas, com um claro rubor na face. Algo que tambem poderia ser explicado pelo fato de Artemia te-lo curado, basicamente fazendo-o sentir sua energia percorrer pelo proprio corpo, acelerando as cicatrizes e bolhas restantes. Seu corpo estava agora completamente são, com exceção de algumas pequenas queimaduras de 1º grau que em pouco tempo provavelmente desapareceriam. Seu corpo estava perfeito novamente, curado. Perfeito; os braços não eram musculosos, mas cada um parecia ser torneado e definido, mesmo que apenas os braços e parte do torax da camisa rasgada por ele proprio estivessem visiveis, era possivel imaginar o resto por debaixo daquilo. A unica coisa que estragava tudo aquilo provavelmente era a lingua, que parecia relembrar de cenas com Artemia.
    -Zzzz....idiota....vou te....zz....proteger....zzzz....s-sua blusa....trasparente....zzz...

    E logo Tetsuya parecia completamente imerso, num sono quase comatoso, e ficaria assim por alguns segundos. Os olhos viravam para os lados, indicando um sonho intenso, agitado; com certeza não estava realmente descansando adequadamente. Parecia sonhar novamente com a cena anterior.
    -zzz....Preciso....de você.....não vá...fique comigo....não vá....mãe....zzzz....tire as mãos....dela...zzz...

    Era outra desilusão; o raposo parecia se referir à mãe, Iriel, e não propriamente à Yumi quando pedia que ficasse com ele. Não que estivesse fazendo aquilo por pura crueldade; era apenas sua mente torturando-o novamente, fazendo-lhe lembrar de cada segundo da eternidade que sentiu no instante em que viu sua mãe morrer em sua frente. Agora que seu corpo estava recuperado, o primeiro toque de Yumi fez Tetsuya reagir por reflexo, fazendo-o pegar seu pulso e torce-lo para o lado, literalmente forçando a garota a cair de lado para nao ter o pulso quebrado. Logo em seguida o rapaz passava uma das pernas sobre a cabeça de Yumi e outra acima do torax, enquanto apoiava o braço frágil da garota debaixo de seu proprio braço, fazendo uma horrivel e dolorosa alavanca que parecia estender cada musculo, numa chave de braço/estrangulamento com a perna sobre a cabeça da garota, que agora enlaçava-se pelo seu pescoço.E, curiosamente, parecia ainda estar dormindo!! Provavelmente teria treinado muito, muito tempo para fazer aquele tipod e coisa como um reflexo natural.
    -zzzzz....pai.....zzz....vou te...zzz.....matar aqui....

    E a chave de braço iria piorando, caso não fosse realmente acordado daquele sono pesado. E pior, agora que o dragão negro havia chegado, observava tudo como aquele rapaz de aparentemente a mesma raça de sua protegida parecia querer "matá-la". Ali dentro daquele lugar havia mais jarros como aqueles, além de mesas e cadeiras banhadas a ouro e pedrarias, com um garboso estofamento vermelho. Muitas estavam sujas com um cheiro de óleo queimado, mas talvez pudesse dar um jeito naquilo...


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    Mensagem  Artemia em Ter Dez 01, 2015 10:50 am

    Por alguns segundos, Artemia esteve imersa em um mundo de escuridão. Não via, não sentia, não falava. O tempo passou como um sono profundo, até que finalmente uma luz acendeu à sua frente, como um túnel. Seu interior era puro gelo: camadas congeladas de estalactites e estalagmites permeavam teto e chão, causando uma névoa branca e gelada resfriar o corpo da jovem maga que se aproximava cada vez mais da entrada.

    Deu um passo a mais e entrou, caminhando novamente pelo túnel conhecido pela ruiva. Estaria ela sonhando? Continuou a andar até chegar a uma sala com um sofá e, no seu centro, o demônio Fuyu assistia a cenas tristes passadas em grandes espelhos à sua volta. A maga, então, assim como ele, observou a cena reproduzida: a mãe de Tetsuya partia ao longe enquanto o vulpino dizia as mesmas palavras que havia dito para Yumi. Seria coincidência? Artemia ainda estava na dúvida quando deu um passo a mais à frente e pareceu despertar Fuyu de sua distração. Os espelhos apagaram as cenas e o raposo deu atenção total à ruiva agora.

    - Ah... Fuyu... – disse ela, fracamente. Não estava com seu corpo físico ali, mas sua mente se encontrava exausta e triste. A ruiva sorriu levemente para o demônio, afinal, estava contente de tê-lo encontrado. Porém, sua expressão mudou quando o raposo sugeriu a possibilidade de ser “um segundo pai” para a ruiva, como se ela e Tetsuya fossem, de alguma forma, um casal. Ao invés de ter a mesma reação de sempre, tendo sua face ruborizada e a fala gaguejante, Artemia simplesmente abaixou a cabeça. Em seu rosto não era encontrado rubor, tampouco desconcerto: apenas uma profunda tristeza.

    - Segundo pai? Acho que deveria dizer isso à Yumi... – ela disse, erguendo apenas os olhos para ele, mantendo a cabeça baixa. Ainda assim, sorriu sem graça, sacudindo a cabeça e partindo para outro assunto mais importante. Teria ali uma oportunidade ótima para perguntar todas as dúvidas que pairavam na sua cabeça, e certamente faria de tudo para não desperdiçar o tempo precioso que lhe restava.

    - Fuyu, tenho algumas perguntas, sim. – ela caminhou um pouco mais e sentou-se no sofá. Era estranho o contato com o material gelado: apesar de estar sentada, não conseguia sentir totalmente a textura da superfície. – Red se foi. Estou sozinha agora para cuidar do Tetsuya, e... bem, não sei se algum dia ele estará preparado para ouvir a verdade. Os anos em que ele passou aqui no cristal e a partida traumatizante da mãe pode ter deixado marcas irreparáveis em seu coração...

    Ela ia dizendo com a cabeça baixa, enquanto mantinha os cotovelos apoiados nos joelhos. Quando ergueu os olhos para Tetsuya, haviam lágrimas escorrendo calmamente pelas suas bochechas.

    - É realmente muito triste pensar que ele jamais aceitará a verdade. Ainda assim, me mantenho otimista. Minha dúvida é: quando, exatamente, eu poderei contar a ele? Como farei isso? Vou encontrar Red, nem que tenha que ir ao fim do mundo. Até tudo ser esclarecido, prometi cuidar do seu filho, e o farei, apesar de ter minhas dúvidas se ele realmente necessita tanto assim de mim...

    Ao dizer esta última frase, a maga abaixou a cabeça novamente e secou as lágrimas. A dor em seu coração era visível, mas saberia que o demônio nada poderia fazer para ajuda-la. Teria de caminhar ao lado de Tetsuya, sabendo todas as verdades, e sem poder contar nada. E teria de fazer tudo isso com ele e Yumi ao seu lado...

    Ergueu-se do sofá, inquieta, apoiando uma mão na sua têmpora. Então, com um movimento delicado, passou as pontas dos dedos nos cabelos, alisando-os e os colocando para trás de sua face. Respirou fundo e continuou:

    - Você tem alguma ideia de onde Red possa ter ido? Podemos confiar na Yumi? Eu... eu vou envelhecer enquanto fico aqui falando com você?

    Não perguntou de Jasor, no entanto. Sabia que o rapaz havia arriscado sua vida para salvar a todos, e só isso, para ela, foi algo além de suas expectativas. Lembrou-se do sorriso fraco que ele havia lhe dado assim que acordou. Lembrou-se de seu corpo nu e sentiu suas bochechas arderem novamente, juntamente com seu coração acelerado. O que era isso que estava acontecendo com ela? Estava confusa. Precisava voltar e ver se estavam todos bem. Tetsuya era seu protegido, afinal!


    ##########################


    Do lado de fora do cristal, Artemia manteve-se desmaiada e quieta no colo de Jasor. Seu rosto havia se apoiado no pescoço do rapaz. Ainda que estivesse inconsciente, seu braço, apoiado no ombro dele, o apertou como num abraço. A maga não dizia nada, apenas emanava de si mesma uma luz cinza que se misturava levemente com prata: sua aura poderia ser percebida melhor com a sua inconsciência, podendo ser vista até mesmo a olho nu por qualquer um.


    Última edição por Artemia em Ter Dez 01, 2015 5:32 pm, editado 1 vez(es)
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    Mensagem  Jasor Messast em Ter Dez 01, 2015 1:13 pm

    Então Artemia estava inconsciente pelo cansaço de ter ajudado todos. Ela era uma garota de bom coração. Com a cabeça dela apoiada em seu pescoço conseguia ver bem de perto se rosto. Os traços delicados desenhavam um semblante belissimo que fazia Jasor ficar abobalhado. Seus cabelos ruivos só adicionavam aquele aspecto unico e inigualavel a ela.

    -.....você estava com ciumes, não é ?

    Afastou com gentilmente um fio de cabelo avermelhado do rosto dela. Não disse abertamente, mas dava para se tirar do tom de sua voz que ele tambem tinha sentido ciumes naquela hora. Lembrou-se imediatamente daquela cena torturante: Tetsuya e Artemia esfregando-se quase a ponto de chegar nos finalmentes. Um enorme pesar tomou seu coração, que so conseguiu escapar com a nova duvida da raposinha

    - Eu perdi não foi ? Achei que talvez alguem tivesse tirado...de mim...

    Ao imaginar alguem retirando suas roupas sem que ele estivesse consciente a vergonha veio a tona.

    -Mas acho que elas queimaram mesmo na explosão. Eu...eu não sei como sobrevivi. Só lembro de tudo ficar branco, depois preto, ai acordar no colo da Artemia.

    Disse com um sorriso de canto olhando para ela em seus braços. Agora que ela passava o braço pelo ombro dele, ficava ainda mais sorridente.

    - Vamos deixar eles descansando então. Eu coloquei uns encostos ali no tapete para eles deitarem melhor.

    A aura que ela emanava era forte, e de uma tonalidade que ainda não tinha visto ela utilizar. Nunca foi perito naquela area, na verdade nem entendia o que era uma aura. Supos que tinha utilizando algum encantamento para se recuperar enquanto descansava. O balbuciar de Tetsuya passava incompreensivel para ele, mas sua atitude violenta não. Quando aconteceu todo o movimento para a chave de braço, Jasor ficou impressionado a tecnica, mas alarmado com o que poderia resultar para Yumi.

    - EI SEU IDIOTA, PARE COM ISSO AGORA ! É ASSIM QUE VOCÊ TRATA UMA MULHER ?!

    Berrou para despertar o mestiço de seu sono. Teria alguns segundos para acordar antes que o barman se aproximasse o suficiente para dar um chute nas costelas dele. Aquilo certamente doeria o bastante para acorda-lo. Mas quando estava se aproximando ouviu aquele rugido temivel nos ceus. Um abalo estranho tomou o teto com se estivesse sobre um terremoto, e então se revelou um dragão. De onde é que tinha saido um dragão ?!

    - Mas que porra !!! Porque diabos tem um dragão aqui ?!

    Não havia como sentir nada além de medo. A criatura era enorme, uma besta carnivora arrancada das lendas para a realidade. Jasor começou a dar varios passos para trás, se afastando do monstro, apertando aflito ruiva contra seu peito. Quando o dragão fez menção de cuspir uma baforada o loiro imeditamente virou as costas para ele, em um esforço para proteger Artemia. Mas nada aconteceu. E mais: o dragão falava o nome de Yumi como se fossem conhecidos. Percebendo isso, começou a se aproximar da raposinha. O unico lugar imediatamente seguro ali parecia ser perto dela.

    - Yumiiiiii !
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    Mensagem  Yumi Hayashi em Ter Dez 01, 2015 1:38 pm

    - Fiquei sim!

    Ela falava e sorria sem graça, levando uma mão a nuca. Mas voltava os olhos para o rapaz quando ele começava a balbuciar aquelas palavras.

    - Tetsuya....

    Yumi levava a mão a boca, com os olhos lacrimejando. Cada palavra que o raposo dizia era como uma facada em seu coração. Ele não precisava dela afinal, não estava pensando nela..não a queria. O coração dele já tinha feito sua escolha.

    Foi pega de surpresa quando ele pegou o seu punho e torceu, ela caiu de lado para tentar evitar de ter o seu punho quebrado.

    - isso dói, para com isso!

    Yumi berrava sem entender porque ele precisava machuca-la fisicamente, já não bastava suas palavras? Caída de lado, ela achou que ele já tinha acordado e que fazia aquilo, talvez por ela ter beijado-o? Yumi não conseguia compreender nada do que estava acontecendo. E antes mesmo que pudesse reagir, ele imobilizava ela com as pernas e prendendo o seu braço.

    -ahhhhhhhh

    Yumi gritava de dor, nunca tinha sentido nada parecido em toda sua vida. Não era de combate corpo a corpo e não estava acostumada aos treinamentos que Tetsuya havia passado. Aquela dor era intensa e a desconcentrava por completo. Tentou se transformar na pequena raposa e fugir, mas não conseguia se concentra para isso. Então viu o teto ser arrancado e seu amigo surgir. Mas viu que ele pegou o tesouro primeiro. Ele preferia o ouro antes dela? Quanto mais iriam feri-la naquele dia?

    - Ven..kar..

    Falou ela com dificuldade, entre lagrimas de dor e decepção dos dois. O enforcamento estava cada vez pior. Ela tentava se mover, mas parecia que doía mais.

    - po-porque...

    Estava começando a ter dificuldade de respirar, se continuasse daquele jeito iria perder a consciência.
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    Mensagem  Venkar em Ter Dez 01, 2015 6:48 pm

    Vendo que sua mera presença foi o suficiente para paralisar o homem com a mulher nos braços, o dragão se voltou á Yumi e o macho que estava com ela. O ... o que ele estava fazendo?... arregalou os olhos reptilianos e abriu a bocarra horrorizado quando viu sua querida companheira ter o pulso quase torcido e depois ser envolvida pelas pernas dele, causando dor e fazendo ela gritar!!

    Aquilo foi o suficiente para ficar fora de si. Levantou o focinho e rugiu alto mais uma vez. Furioso fez uma parte do teto desabar, quase atingindo Jasor e a mulher, a parte de concreto bateu no chão e espalhou detritos para todos os lados. Olhava para o jarro de ouro e pedras preciosas e depois de volta para Yumi, de volta para o jarro... e então... fez o que muitos dragões jamais fariam... jogou o jarro com as riquezas para um lado a esmo, atingindo os corpos e espalhando todo o seu conteúdo no carpete sujo de sangue e gordura queimada. Logo a seguir avançou para cima do agressor de sua companheira com a bocarra escancarada, decidido á fazê-lo em pedaços com seus dentes enormes e afiados.

    Mordeu na altura do ombro e lateral do corpo do rapaz, fazendo todo o seu outro braço que não estava ocupado ficar dentro da bocarra da fera! Assim que fincou os dentes em sua carne, o levantou do chão e balançou a cabeça, na tentativa de fazê-lo soltar Yumi e também de arrancar-lhe um pedaço. Estava cego de ódio e fúria totalmente primal. Suas duas patas dianteiras estavam no chão da boate, as unhas enormes fazendo rasgos no carpete e no piso conforme o dragão fazia força para arrancar o que estava entre os dentes!

    Era a primeira vez que se descontrolava completamente em fúria destruidora diante de Yumi. O seu amigo e companheiro de lar, normalmente calmo e quieto, que brincara com ela no lago parecia não existir naquele momento. Apenas um monstro assassino determinado a matar. Todo o seu olho estava em um vermelho-vivo e brilhante, sem pupilas, e brilhava de uma forma maligna como ela jamais tinha presenciado antes.


    Última edição por Venkar em Ter Dez 01, 2015 7:21 pm, editado 1 vez(es)
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    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Dez 01, 2015 7:17 pm

    Fuyu percebeu que a piada nao tivera o efeito esperado, e desde já deduzia o ocorrido. Afinal, estava vendo tudo lá fora, e conseguiu encaixar as peças e perceber o que a ruiva tinha interpretado daquilo. Apenas deu um riso baixo, gesticulando negativamente com a cabeça.

    -Adolescentes...-o raposo riu novamente, e se aproximou. Estendeu a mão, bagunçando-lhe os cabelos. Sim, desta vez conseguia tocá-la, muito provavelmente pelo fato de nenhum dos dois ser de fato de uma matéria fisica e tangível, consistindo ambos de matéria semelhante.

    -Uma pérola de sabedoria, se me permite.Jovens tem esse grande defeito; agem muito impulsivamente, e complementam cenas incompreensiveis com seus proprios julgamentos e conclusões, na maioria das vezes forjados pela propria imaginação. E tornam complexas coisas simples,coisas que no intimo do coração já sabem, mas deixam a mente obscurecer suas certezas. Muito do que vê e pensa ser o que é, se torna algo diferente na realidade...então antes de sofrer e frustrar-se com antecedencia ilusões de sua mente, veja com seus proprios olhos o que a realidade lhe propõe.Não faça deduções, simplesmente veja os fatos como são e formule hipóteses, sem fechá-las....

    Fez outro gesto com a mão, e voltou a observar a imagem na tela; era exibida a imagem de Tetsuya sendo beijado por Yumi, enquanto o raposo chamava pelo nome da ruiva. Fuyu apenas ria, gesticulando novamente negativamente; imaginava a surra que sua mae lhe teria dado por falar algo daquele tipo naquele momento. O raposo falava de forma meio enigmática; suas palavras somadas à imagem não deixariam fixa a certeza de que o filho de fato só pensava em Yumi, ou em Artemia, mas parecia focar-se em deixar claro que Artemia nao deveria chegar a conclusões precipitadas, e sim investigar mais a fundo.

    -Mas, falando com sinceridade, eu me abstenho de minhas proprias opiniões ou opções quando às escolhas de Tetsuya; isso é algo entre vocês, e não eu. A unica coisa que talvez eu possa dar são conselhos, embora...uhm...talvez eu seja melhor dando conselhos sobre magia do que amorosos, mas estarei aqui sempre que precisar de um ou de outro. COm relação a Yumi, tenho certeza de que é confiável; lutei ao lado do pai dela algumas vezes, no inferno, assim como também lutei ao lado de seu pai, na Terra.

    E observou-a ir ao sofá-divã, e ficaria caminhando em circulos onde Artemia antes estava, com as mãos para trás. Calmamente agitava as caudas, que pareciam emitir um leve brilho azulado pulsante, deixando rastros de ar gelado; era claro que Fuyu estava bem mais fortalecido do que da ultima vez em que o vira; ficar dentro do cristal estava de fato lhe fazendo bem.

    -Axle não se foi, e não deve estar longe ou muito ferido; é um cachorro velho de guerra, dificilmente algo assim o mataria. Nao disponho de um meio de localiza-lo, já que reploids nao emitem qualquer sinal detectável por magia, mas tenho certeza que está fazendo de tudo para retornar brevemente, não se preocupe. Quanto ao trauma, tudo a seu tempo; eu realmente já achei um enorme avanço que ele tenha se imantado de sua aura demoniaca por tanto tempo; isso já é um primeiro passo, um passo enorme na verdade. Isso prova que apesar do ódio, ele nao deixou que isso ofuscasse sua visão sobre o bem maior...apenas dê mais tempo, e continuem fazendo o que fazem; está surtindo efeito. Ele jamais irá admitir que precisa de ajuda, mas posso te garantir que o que ele mais precisa é de apoio, de gente que esteja ao seu lado - e piscou de forma fraterna, como se procurasse dar esperanças e incentivo à ela.

    -Ah, e não se preocupe com o tempo aqui. Desta vez seu corpo nao está aqui dentro, logo não envelhece, já que sua consciencia e alma sao imortais. O que pode ocorrer, já que aqui o tempo é mais rapido, é que muito tempo se passe aqui dentro enquanto apenas minutos se passem lá fora. Então aproveite para tirar a duvida que quiser; afinal não irei a lugar algum - dsse ele, brincando.

    -------------------------------------------------------------------------------------

    Talvez pelo cansaço fisico e sono, mas motivado pelo odio pelo pai, Tetsuya não "finalizava" a técnica enquanto dormia; aquilo poderia ter sido muito pior, a sensação era que a tecnica poderia executar uma pessoa muito mais rapido caso quisesse, mas o rapaz nao estava realmente consciente quando fazia aquilo. Os gritos de Jasor pareceram superficializar o sono dele, porem, de forma que a força se afrouxou no pescoço de Yumi e em seu braço, e afrouxaria ainda mais diante do rosnado do dragão, que parecia finalizar de despertar o rapaz do sono pesado.

    -ZZZzzz....uh....uhnn......o que...?

    A tecnica estaria quase toda desfeita, conforme ele abria os olhos, mas ainda zonzo de sono, até perceber o que acontecia, principalmente ao sentir a enorme pressão em seu braço da enorme boca draconiana. Nao teve tempo para raciocinar o que fizera a Yumi, nem de se desculpar. Quase que imediatamente, um gelo dourado metálico, brilhante, era formado envolvendo seu braço do rapaz; não iria resistir muito tempo à furça bruta da mandibula de um dragão, mas pelo menos impedia o decepamento instantaneo de seu corpo. Mas logicamente nao seria tão rapido ao ponto de fazer aquilo a tempo de impedir tudo; uma porção generosa dos dentes cravava na carne de Tetsuya, que despertava finalmente de seu sono profundo com uma injeção de adrenalina absurda, além da dor lancinante em seu braço.

    -ARRRRRGHHHH!!!O QUE É ISSO!?!MALDIÇAAAAARRRRRHHHHHHGGG!

    Com a mão oposta,se apoiou no focinho do dragão, para aproximar mais o corpo e reduzir um pouco da dor; assim pelo menos seu peso não pesaria para o lado oposto e não aumentaria a dor ou a profundidade da mordida devido ao proprio peso. Aquele gelo dourado emanava uma energia idêntica, inconfundivel àquela energia sagrada que ele proprio sentira há 3 anos atrás, da belissima mulher de asas. Mas era tão somente uma infima fração de seu esplendor, nem de perto exercendo aquela pressão horrivelmente poderosa a ponto de subjugar o dragão ao chão.

    O gelo sagrado apenas causaria uma dor local, queimando como frio e calor, mas que talvez nao fossem o suficiente para impedir que ele avançasse a mordida. Pelo contrário, estava obrigando o dragão a tomar uma medida rapida para que a dor nao prolongasse: ou largar definitivamente, ou finalizar a mordida e amputar de vez metade do rapaz, que parecia confuso pelo que acontecera. A ultima coisa de que se lembrava era estar curando Yumi e desmaiado, noutro encontrava-se atacado por aquele dragão...quão tolo foi por achar que estaria seguro naquela cidade!

    Sangue começava a escorrer do braço, em vários fios, de cada dente cravado. Realmente era um péssimo e interminável dia em UOLCity...que piorava seu humor para além dos limites que ele ja julgara um dia ter sido seu maximo.
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    Mensagem  Artemia em Qua Dez 02, 2015 8:01 am

    Após ter exposto suas dúvidas e receios a Fuyu, Artemia reparou que o demônio sorria e balançava a cabeça negativamente, especialmente ao que ela disse a respeito de seu filho estar se envolvendo com Yumi. A maga, até então, tinha certeza do que havia visto e sentido. Porém, o demônio agora se aproximou dela e disse palavras sábias sobre a impulsividade da juventude, e o quanto a paciência deveria ser levada em conta em qualquer situação.

    À isso, a ruiva abaixou a cabeça, pensativa. Ele estava certo; de certa forma ela havia sido explosiva e impulsiva em muitos momentos... mas, ainda assim, havia visto Tetsuya se aproximar de Yumi; seu coração claramente pertencia a ela! Mas o que isso importa? Por que será que ela não conseguia parar de pensar nisso? Suas confusões precisaram sair de cena quando Fuyu apresentou a ela um replay do que havia acontecido com o vulpino e a raposa no momento do beijo e do suave balbuciar dele, dizendo baixinho - pasme! - o nome de Artemia.

    A ruiva estava boquiaberta. Ele havia dito o nome dela mesmo ou estava confundindo com outra coisa? Como se estivesse escutado o pensamento dela, Fuyu repetiu a cena mais uma vez, como se fosse para ela ter certeza.

    Artemia nunca desejou tanto ser um avestruz para enfiar sua cabeça debaixo da terra para se esconder. Suas bochechas adquiriram a costumeira tonalidade vermelho vivo e seus olhos esmeralda se arregalaram de imediato. Ela tapou o rosto e deu as costas a Fuyu, extremamente constrangida.

    - Eu... Ah... N-não sei o que pensar disso...

    Dizia ela, baixinho, em um tom leve de desespero. De fato, jamais teria como saber o que realmente havia acontecido se Fuyu não tivesse mostrado. Estaria ele pregando uma peça nela? Não era possível que o senso de humor do raposo se estendia até em confundir os corações dos humanos. Será?

    Com isso, a ruiva virou seu corpo novamente para ele. Ainda estava extremamente ruborizada, mas escutou o restante dos conselhos dele. Especialmente sobre Axle ser velho de guerra e possivelmente estar bem, onde quer que estivesse.

    Artemia tinha outras dúvidas a serem perguntadas, mas uma pontada em seu coração a fez pousar uma mão no peito, com a dor. No mesmo segundo, a imagem de Tetsuya veio à sua mente. Era como um alerta, uma ligação desconhecida para com o vulpino. Estaria ele em perigo? Artemia não pensou duas vezes. Seu olhar para Fuyu agora era de uma profunda preocupação; a maga fechou os olhos e se concentrou em imagens do lado de fora do cristal. Tinha que sair dali, precisava. Aos poucos, sentiu seus membros adquirirem uma aparência translúcida, conforme ela se concentrava ainda mais...

    ######################

    Do lado de fora do cristal, a maga inconsciente repousava no colo de Jasor sem notar o que acontecia a Tetsuya ou aos outros. Em poucos segundos, a ruiva abriu finalmente os olhos, encarando a princípio o pescoço do barman; ela então se virou e percebeu que o rapaz agora vestia calças e se desapontou, intimamente, de não poder vê-lo da outra forma mais.

    - Jasor... - chamou ela baixinho, sem nem sequer ouvir a própria voz.

    A ruiva não conseguia ouvir nada com clareza. As imagens ainda estavam como um borrão, os sons eram longínquos e sem sentido. Até que ela virou mais a cabeça e viu a cena: um dragão imenso estava à sua frente com os dentes fincados no braço de Tetsuya.

    - Não!!

    Artemia se soltou dos braços de Jasor e correu o mais rápido que pôde, dadas as suas condições exaustas, até o dragão. A maga, sabendo que não conseguiria executar nenhum tipo de magia àquela altura, correu até as costas do animal. Se agarrando nas escamas, ela montou nele até chegar próxima à sua cabeça. Seu objetivo era o de distrai-lo o suficiente para soltar Tetsuya e concentrar seu ataque nela.

    - Solta ele! Solta!!!! - berrou ela enquanto dava pancadas com os punhos fechados no animal, que provavelmente as veria como meras cócegas. Quem sabe ele não se incomodaria e morderia ela ao invés de Tetsuya?
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    Mensagem  Jasor Messast em Qua Dez 02, 2015 1:28 pm

    Quando o teto veio abaixo com a furia do lagarto, Jasor teve um reflexo afiado. Saltou com toda força para trás, deixando que um pedaço de concreto caisse em cheio no lugar onde estava a um segundo atrás. O pouso foi mais dificil, pois carregava Artemia, mas ainda assim conseguiu se manter de pé. Aquele monstro não iria feri-la, não tinha a salvo da explosão para um dragão vindo dos infernos terminar o serviço. Não mesmo.

    Tetsuya porem entrara em uma situação que não podia evitar. O dragão realmente se importava com Yumi, tanto que arrancava o raposo de sua manobra marcial a força. A demonia estava livre enfim, mas para o mestiço parecia ser o fim da linha. Se queria se proteger da criatura gigante, só poderia fazer uma coisa. Aproximou-se da kitsune o maximo, de modo que o dragão não pudesse atacar o loiro e a ruiva.

    - Yumi ! Você esta bem ? Eu ia dar um chute naquela idiota pra te soltar, mas apareceu esse maldito dragão ai ! Você conhece ele, não é ! Faça-o parar !

    Artemia movia-se em seu colo. Quando chamou seu nome baixinho seu coração disparou, e sua pele ficou um grau mais quente. Com as pupilas dilatadas olhou para o rosto da moça, e a viu acordada. Então o momento de ternura se tornou terror. Praticamente tão enlouquecida quando o monstro, a ruiva se desvincilhou de seus braços e saltou para frente, mesmo Jasor tentando segura-la a todo custo ali. Olhava perplexo aquela atitude, com os braços erguidos segurando o vazio. Ela realmente queria morrer ? Não havia como salvar Tetsuya daquela maneira, o que ela pensava que estava fazendo ? O dragão mataria o raposo e depois seria ela a vitima. Começava a sentir frio.

    - Yumi, não quero te apressar, mas essa seria uma boa hora pra fazer alguma coisa !

    Abaixou-se ao lado dela para ajuda a raposinha, e nesse processo viu algo brilhante no chão. Um rubi, do tamanho da metade de seu punho, incrivelmente brilhante. Havia visto o quanto aquele bicho gostava de tesouro, foi a primeira coisa que fez ao chegar ali. Passou um dos braços ao redor dos ombros dela para apoia-la a se levantar, e o outro balançava a joia no ar.

    - OLHA O TESOURO AQUI DRAGÃO ! OLHA QUE VALIOSO !
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    Mensagem  Yumi Hayashi em Qua Dez 02, 2015 2:07 pm

    Yumi voltava a respirar aos poucos, conforme Tetsuya iria afrouxando o braço que estava em seu pescoço. Depois daquilo tudo aconteceu rápido demais. Ela escorregou para o lado mais próximo de Jasor, quando Tetsuya foi arrancado do chão, ao olhar para cima via seu amigo descontrolado abocanhando o braço do raposo e sacolejando ele. Ela sabia que ele só faria aquilo por crueldade, se tivesse com fome iria comer a pequena criatura de uma unica vez. Mas ele queria que Tetsuya sentisse dor pelo o que fez a ela.

    - eu...sim...eu estou...o que Venkar ta fazendo aqui!?

    Jasor a apoio e ajudou ela se levantar, estava um pouco confusa com tudo o que estava acontecendo. E como se a cena já não estivesse muito ruim, Artemia acordou e pulou dos braços de Jasor e escalou o dragão. Yumi deu um tapa na testa, "o que aquela maluca pensa que está fazendo!?" ela pensou.

    - eu sei..eu sei! nunca vi Venkar tão descontrolado assim! Ele é meu amigo.

    Ela reparava que ele havia soltado o tesouro para defende-la, ele realmente se importava com ela. O que aconteceu anteriormente foi só o seu instinto, afinal.

    - VENKAR! EU ESTOU BEM!!! PARA COM ISSO! SOLTA ELE. ELE É FILHO DE IRIEL, E EU PRECISO DELA PARA ENCONTRAR MEUS PAIS!!!


    Gritava desesperada para que o dragão o solta-se, se algo acontecesse a Tetsuya, eles teriam que enfrentar a fúria de um anjo. Não sobraria nem os ossos para contar historia. Sem falar que o rapaz era filho do overlorde que ela tanto gostava e respeitava. Mas pelo o que ele falou enquanto dormia, ele merecia passar por aquilo.

    Yumi balançava a cabeça, jogando para longe esses últimos pensamentos. Até ele não merecia perder um braço ou morrer por isso. Ela respirava fundo tentando se acalmar e pensar em como agir, gritar não parecia fazer efeito em um dragão cego de ódio.

    Ela fechava os olhos e respirava pausadamente, incrivelmente calma para uma situação como aquela. E falava mentalmente com ele.

    - Venkar...me escute...você precisa se acalmar, eu estou bem.


    E da demonesa se expandiu sua aura que apesar de fria, era aconchegante até mesmo para Jasor. Era o oposto de todo o ódio que ela sentia quando teve ciumes de Artemia e Tetsuya. Ela envolvia todo o dragão com aquilo, mas como os outros estavam perto, seriam envolvidos também. Aquele manto frio ajudaria a acalmar um pouco todos naquela situação delicada.

    Para o dragão, ela foi além. A pulseira que ela usava foi forjada por ele e continha parte de sua essência. Isso dava a ela, privilégios que nenhum outro teria ali. Ela era capaz de senti-lo, de compartilhar memorias e sentimentos.

    Ela compartilhava com ele as lembranças do dia em que brincaram no lago, das vezes que sentavam em frente a cabana e conversavam noite a dentro, o momento que ele forjou a pulseira e por fim a imagem de Iriel falando de seu filho e prometendo que ajudaria Yumi a encontrar seus pais. Compartilhou a esperança que ela sentiu por aquelas palavras, o primeiro beijo e abraço que ela deu em seu focinho.

    - Não o machuque mais, não arranque o braço dele...o que ele fez foi errado, mas eu ficaria triste se o filho do homem que eu admiro for morto ou gravemente ferido pelo meu melhor amigo.

    Para Jasor, ele veria a raposa de olhos fechados, em silêncio e com uma aparência tranquila, como se estivesse meditando em pé.
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    Mensagem  Venkar em Qua Dez 02, 2015 3:55 pm

    Assim que sua vítima largou de vez Yumi, a deixando cair no chão, Venkar começou a sacudir a cabeça com toda a força, movendo o pobre mestiço de um lado a outro. O que o salvou da amputação imediata foi mesmo a sua pele se tornando metálica e gelo puro, porém a parte que seus dentes realmente fincaram na carne causavam um estrago horrível, pele, tendões e carne ameaçavam se romper a qualquer instante, dada á violência da sacudida. Ele não queria comer, como Yumi tinha percebido... ele queria causar dor, queria arrancar uma parte por vez do maldito que ousou ferir sua querida e amada companheira. Ela era a sua primeira e única amiga, a primeira criatura que um dia o chamou de amigo, que ficava com ele, mesmo decidindo a morar em um covil, ela ia se deitar com ele. Era algo muito mais especial do que um simples tesouro. E aquele macho... ousou a ferir... iria pagar por isso... o dragão estava decidido a lhe causar o máximo de dor possível... arrancaria um braço, depois uma perna... depois outra... por fim espalharia o seu sangue e vísceras por todas as paredes do prédio onde estavam... e depois... depois... ele mataria os outros, com certeza o homem e a mulher desmaiada tinham alguma culpa. Eles também pagariam... com a vida! Em sua mente só havia uma vontade, matar.

    Era isso o que Yumi sentia e veria em sua mente quando usou a pulseira, ao perceber que seus gritos e os de Jasor não pareciam surtir efeito na fera descontrolada. Várias imagens e emoções a inundaram ao entrar em sua mente, cenas dele atacando vilarejos e chacinando todas as pessoas, velhos, homens, mulheres e crianças, em um acesso de fúria muito similar ao que acontecia neste momento, causada por alguma dor terrível que o afligiu em um passado distante.

    A combinação de sua vítima ficar de repente gelada de uma forma dolorosa, á Yumi entrar em sua mente usando a pulseira que continha uma parte da essência do monstro e também á Jasor que acenava com um rubi incrivelmente brilhante resultou na fera abrir a bocarra quando moveu a cabeça para a direita de forma selvagem, jogando sua pobre vítima por sobre uma mesa forrada a ouro e jóias, e do outro lado havia o sofá meio rasgado que Jasor tinha preparado momentos antes. Assim que jogou o rapaz ferido longe, ele balançou a cabeça violentamente, se Artemia não se firmasse com as suas mãos e pernas, seria jogada para o lado oposto, caindo em alguns móveis ou itens de grande valor

    Sem a sua vítima e á "mosca" que estava lhe incomodando, o dragão negro mirou o focinho imediatamente no homem que balançava o grande rubi diante de seu nariz. Seu longo e musculoso pescoço balançava de um lado á outro, aparentemente hipnotizado pela beleza da jóia, o focinho acompanhando o movimento de sua mão... porém ele não enxergava apenas a pedra preciosa, e sim ao alvo que estava a segurando, um obstáculo que precisava ser ... removido! Recuou a cabeça um pouco, e novamente o brilho dourado e quente surgiu por entre as suas placas ventrais do pescoço. De sua bocarra parcialmente aberta dava até para ver um brilho amarelado vindo da garganta.

    Piscou uma vez, depois mais uma vez, ouvindo enfim as palavras tranquilizadoras de Yumi. Que conseguiram finalmente se embrenhar em sua mente, o acalmando aos poucos. Seus olhos avermelhados voltaram á cor normal, e piscou mais uma vez. O brilho de suas chamas pela segunda vez se apagou. Estava lentamente voltando á si. O frio mágico que ela conjurou sendo crucial para acalmar a fera.

    Finalmente Venkar olhou na direção de Yumi, vendo-a apoiada no braço do homem com o rubi, e rosnou com sua conhecida voz gutural e em tom baixo.

    - ..... Yumi.

    Então avançou mais uma vez, com a bocarra escancarada! Mas desta vez a cobria de lambidas carinhosas, provavelmente a fazendo cair para trás com Jasor junto, a menos que ele a segurasse com mais força. A encharcava de lambidas, que não eram ácidas nem a fariam mal, dava para ver que seus olhos estavam úmidos, sua amiga estava bem! Estava finalmente calmo e muito, mas muito preocupado ainda com o seu bem estar. Olhou para o homem que estava ao seu lado e falou, agradecido desta vez.

    - Obrigado por ajudar Yumi.
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    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Dez 02, 2015 4:33 pm

    O raposo agonizava de dor ao ser jogado para os lados; sentia o braço deslocar-se, clavicula, escapula e umero haviam perdido suas relações um com o outro conforme os ligamentos rompiam e tendões rasgavam; apenas o gelo sagrado dava algum alivio discreto em contato com sua pele, sendo o suficiente para mantê-lo ainda desperto. Fora arremessado com violencia sobre uma mesa, abraçando o braço quase decepado enquanto sentia ainda mais dor ao rolar. Jarros pesados de ouro, pedras preciosas com várias arestas, castiçais de ouro, turo parecia ir entrando naquela ferida enorme, que só não sangrava de forma absurda pelo congelamento da região. Tetsuya cairia por trás da mesa, de costas ao chão, cerrando os dentes e fechando os olhos com força; a dor era tamanha que imobilizava-lhe o diafragma, impedia-o de respirar.

    Nao conseguia manter o torax encostado no chão tamanha dor sentia; fazia um "arco" com a cabeça e a pelve, tentando evitar tocar o chão com as costas, e forçava-se a respirar fundo. Cristais de gelo avermelhados, de sangue, deixaram seu rastro por toda a mesa, como belissimos rubis...

    O mestiço respirou ofegante algumas vezes, e com as mãos tremulas, levava à ferida, arrancando moedas de ouro e outros objetos que entraram ali pela mesa.

    -ARRRRRHHHHHHG!!!!!

    Sentia náuseas, a vontade de vomitar de dor lhe causava pequenas convulsoes, mas nada saía...não havia comido nada desde que saíra do cristal. Apenas o ácido, somado a saliva vinha-lhe à boca, com o sabor metálico de sangue, que o rapaz cuspiu para o lado. Porque aquilo tinha acontecido com ele? tudo o que se lembrava era de ter enviado à Yumi os resquicios que tinha de sua energia, para aliviar-lhe a dor das queimaduras. Yumi....a raposa parecia ser estranhamente amigável àquela criatura violenta. Era uma demonesa....talvez tivera planejado tudo desde então? afinal, parecia ter um certo tipo de controle sobre o dragão. A desconfiança logo se transformou em raiva, quando ela dizia "precisar de Iriel para encontrar seus pais". Ela profanava a imagem de sua falecida mãe, que viu morrer diante de seus olhos, para vantagem própria? Provavelmente ela tambem arruinara o disfarce com Carmiglioni propositalmente, para boicotar os planos do grupo. Era uma demonesa...e o preconceito que sofrera no céu e retransmitia à raposa retornava. Jamais deveria ter acreditado em uma. Como fora tão idiota, tão ingenuo?Era claro que ela e o dragão estavam planejando aquilo desde o começo! lágrimas de raiva e dor escorriam pelo rosto de Tetsuya, faziam-no estremecer. Viu seu braço quase solto, sua amizade com o dragão, e nao tinha mais qualquer duvida sobre Yumi. Desconfiado de tudo e de todos como era, começava até a imaginar se ela talvez nao fosse uma espiã enviada pelo pai para matá-lo.

    Mas talvez ele é quem fora o idiota. Sempre sofria nas mãos de outros anjos, ao ponto de aprender a se defender mesmo enquanto dormia, uma vez que várias vezes era atacado pelos proprios companheiros. Aprendera que jamais deveria confiar em outra pessoa...então porque tentara insistir no erro? A vida ja nao lhe provara o bastante em todos os 14 anos?

    Apoiou o proprio braço no chão e jogou o corpo sobre ele, pressionando a cabeça do umero de volta ao lugar. Mordera a propria lingua ao sentir aquela dor lancinante descer-lhe pela espinha até a ponta da cauda, novamente sentindo aquele sabor metálico na boca. A visão ficava turva; queria desmaiar, descansar, comer alguma coisa, beber...mas o ódio lhe impulsionava a ficar acordado. Levou a mão à ferida, e muito lentamente tentava se curar, com os restos de energia que conseguira recuperar com o breve sono; usava o maximo que podia sem que desmaiasse denovo com aquilo. Mas nao conseguia falar direito, enxergar direito; beirava a perda da consciencia, numa linha tenue.


    Última edição por Tetsuya Kitsune em Qua Dez 02, 2015 6:35 pm, editado 2 vez(es)
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    Mensagem  Artemia em Qua Dez 02, 2015 5:26 pm

    Artemia manteve-se presa o máximo que pôde em cima do dragão. O desespero tomava conta de seu coração, e quanto mais se esforçava para segurar-se nas escamas, mais via suas energias irem embora. Então, em um movimento brusco, o animal lançou Tetsuya para longe: a ruiva, dessa vez, não conseguiu se segurar, tendo seu corpo arremessado igualmente para o outro lado do vulpino. Assim que foi arremessada, Artemia bateu diretamente com as costas na parede e caiu ao chão, em um baque surdo, em meio aos objetos de ouro e rubi.

    Assim que caiu, sentiu o ferroso sabor de sangue dentro de sua boca, cuspindo-o para o lado. Havia batido o rosto no chão, e por isso sua bochecha direita agora doía intensamente. A maga passou a mão no local e sentiu sangue sair de seu nariz. A queda havia sido realmente brusca para a jovem garota: seu corpo era fino demais para suportar movimentos bruscos daquela forma.

    O sangue em seu nariz não parava de escorrer. A maga ignorou e, apoiando-se com os cotovelos para se levantar, sentiu uma dor dilacerante nas costelas: todo seu corpo agora estava dolorido, inclusive sua cabeça que não parava de latejar. Ainda assim, seu foco era nos outros e no dragão, por isso virou-se para ver uma cena chocante: o animal agora se aproximava de Yumi e, ao invés de transforma-la em comida, a lambeu com alegria. O que estava acontecendo?! Jasor parecia estar bem, o que pareceu ser um alivio à maga. Quando virou seu rosto para o restante do salão, encontrou finalmente Tetsuya, caído em meio às riquezas de Carmiglioni.

    O vulpino não poderia estar em uma situação pior: seu braço estava a um fio de ser separado de seu corpo; moedas entravam pelas cavidades da pele, misturando-se ao sangue contínuo que jorrava de sua pele. Mesmo à distância, a maga conseguiu observar tudo, boquiaberta. Ignorando sua própria dor, ela cerrou os dentes e se levantou cambaleante, com um braço em seu abdômen, e caminhou às pressas na direção do vulpino caído.

    O que pareceu ser uma eternidade para a ruiva levou, na realidade, apenas trinta segundos até ela chegar ao rapaz. Notou a expressão de dor no rosto dele, e um aperto em seu coração surgiu como sendo mais uma dor em seu corpo. Artemia ajoelhou-se em frente a ele e esticou suas mãos ensanguentadas na direção do braço do vulpino. Apesar de estar terrivelmente enfraquecida e dolorida, a maga precisou reunir forças de lugares desconhecidos por ela para conseguir produzir algum feitiço.

    Sua preocupação com Tetsuya era tanta, que ela não pensou em mais nada, a não ser na dor dele. O anel de cristal em seu dedo agora brilhava intensamente em uma luz branca; Artemia arrancou de seu coração todas as forças que possuía, incluindo aquela que tentava incessantemente ignorar – seu sentimento crescente pelo vulpino, que agora servia como um alimento para estimular o feitiço. Sua força de vontade e o desejo árduo de curar era tamanha, que a luz branca que agora emanava da ruiva era forte e brilhante o bastante para deixa-la praticamente translúcida: parecia que aquela energia não somente era a restante de seu corpo, como também a vital que agora havia decidido passar para ele.

    - Aguenta... f-firme... – ela dizia conforme a energia branca expandia e passava para ele, envolvendo o braço do vulpino como um manto de luz branca. Dada à quantidade vital de energia que a maga oferecia a ele, certamente seu braço seria reconstituído. Porém, o preço a ser pago era a vida da ruiva, que agora se esvaía conforme ela finalizava a cura. Os poucos segundos em que ela levava para realizar tal ato não daria tempo necessário para Tetsuya interferir, já que a maga demorou menos de cinco segundos durante o processo. Assim que a luz branca enfraqueceu, suas mãos lânguidas perderam as forças e ela caiu ao lado do vulpino, inconsciente. Uma poça de sangue foi formada imediatamente abaixo da cabeça dela, dado ao sangramento constante de seu nariz.

    Sua respiração estava lenta e seus batimentos cardíacos espaçados, parecendo pulsar em um ritmo cada vez mais vagaroso:



    Tum.



    Tum.



    ... e então, finalmente, silêncio.
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    Mensagem  Jasor Messast em Qua Dez 02, 2015 6:48 pm

    - Perai...o dragão tem nome ?!

    O que parecia um detalhe banal para o barman era algo inusitado. Se dava nome para animais de estimação. Um dragão era um gigante carnivoro que devorava e torrava tudo em seu caminho. Assim com não se da nomes a lobos na floresta, não deveria dar um para aquele reptil tambem. Se bem que era verdade que ele falava, e tinha alguma relação com Yumi, o que tirava ele do status de animal selvagem.

    - Como é ? Amigo ?!

    Ali ja chegava a um ponto alem do que podia imaginar. Como alguem poderia ser amigo de um dragão ? Para o loiro aquilo não fazia sentido algum. Em todas as lendas dragões so tinham o proposito de causar sofrimentos onde quer que passassem. Era exatamete isso que ele estava fazendo naquele momento, balançando o corpo de Tetsuya como se fosse um boneco de pano. Por mais que não gostasse do garoto, ver aquilo lhe causava um transtorno tremendo.

    Então finalmente Yumi revelava seu proposito oculto. Ela estava procurando Tetsuya desde o começo, para que pudesse encontrar os pais da kitsune. Todo aquele tempo ele achava que havia sido um acidente o encontro com ela. O que aquela raposinha tramava ? Afinal de contas, ela era uma demonia. Isso se confirmou com seu ato seguinte. A aura que expandiu trazia um sentimento de conforto, porem junto vinha o frio. Jasor já sentia aquele incomodo naturalmente por estar apenas de calças e agora uma nova onda derrubava a temperatura do ambiente. Imediatamente ele cruzou os braços frente ao corpo tentando se aquecer e se afastou de Yumi. A qualquer momento ela podia virar uma raposa gigante e descontrolada, como fizera da outra vez. A confiança nela diminuia exponencialmente a cada instante.

    E como se não bastasse tudo aquilo, agora o dragão arremessava tanto o mestiço quanto Artemia pelo ar. Por um momento achou que a ideia de atrair o monstro com a joia havia dado certo, até ve-lo preparando uma baforada. Daquele angulo ele atingiria Yumi tambem. Seriam tão amigos assim ? Se nenhuma razão aparente a fera se acalmou, desistindo de lançar seu sopro elemental, apenas para avançar com suas boca aberta. Jasor encarou aquilo como um ataque iminente, e puxou a raposa em uma tentativa de escapar. Mas ela foi uma vitima inescapavel das lambidas.

    O barman ainda deu varios passos para trás, recusando-se a ter contato com o bicho, mesmo ele demonstrando agir como um animal docil. Quando ouviu a sua voz em gratidão, não sabia o que dizer. Talvez não atacasse ninguem mais, mas o que falaria para um dragão ? Com um olhar desconfiado ele acenou com a cabeça, aceitando o agradecimento. Agora estava livre para ver como estava Tetsuya e a ruiva.

    Deixou que o rubi caisse ao chão, naquele momento não tinha valor nenhum, e correu na direção onde eles estavam. Ele estava com o braço quase solto de seu torax, e ela sangrava pelo nariz e boca. Via apenas de ver Artemia utilizando seu poder de cura de modo mais agressivo no mestiço. Parecia ter alguma coisa errada naquilo, seu poder de restauração não era daquele jeito. Inconsciente ele sabia daquele fato, pois havia sido tratado com aquela energia. Cada passo que dava sentia como se estivesse ainda mais longe. Eram dez metros ou dez quilometros ?!

    O brilho intenso quase o cegou, e o resultado foi milagroso. O braço de Tetsuya estava quase perfeito ! Aquela garota tinha um poder oculto enorme, capaz de coisas inacreditaveis ! Não so tinha feito seu corpo pegar fogo, mas curava as piores feridas como se fossem arranhões leves. Ela era fantastica, ilimitada ! Mas então porque sangrava tanto ? Porque sua cabeça batia no chão com o sangue como travesseiro ? Um medo profundo tomou conta de Jasor. O ultimo trecho ele correu tão desesperado quanto um maratonista, as pernas se alternando rapidamente, os pés descalços batendo no chão como se fosse um saco de pancadas. Caiu então de joelhos, deslizando os ultimos metros até o encontro de Artemia, deixando que o atrito diminuisse sua velocidade rasgando a calça que acabara de pegar.

    - Artemia ? ARTEMIA ? Não faça isso Artemia !

    Tocou novamente em seu nariz, e ouviu seu peito. Um arrepio desceu por sua espinha. Imediatamente inspirou profundamente e colou os labios no dela, soprando ar para dentro dos pulmões da garota. Não se importou nem um segundo em sentir o sangue dela em sua boca. Virou então o torax fragil dela para cima e tentou lembrar daqueles programas quem ensinavam a fazer massagem cardiaca. Com as mãos tremulas entrelaçou os dedos, tentando medir nervoso o ponto onde tinha que fazer força. Finalmente achou, e começou a empurrar seu peito varias vezes, forçando seu coração a bater.

    - Não, não, não, não, não, não...

    Continuou repetindo o ato sem parar, até ter uma reação dela.
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    Mensagem  Yumi Hayashi em Qua Dez 02, 2015 7:24 pm

    Dentro da mente dele, ela era surpreendida por tanta fúria e odio. E começava a se perguntar o que fez aquela fera gostar dela, ela era menos que um rato para ele, mas ele a respeitava e se importava com ela de verdade. Alguém capaz de deixar um rastro de destruição por onde passava, também era capaz de brincar no lago com ela.

    Ela respirava fundo e continuava o que devia fazer. Mas seus esforço deram certo, Yumi voltava a abrir os olhos aos poucos quando sentia que Venkar se acalmava. Não via o momento em que ele arremessava os dois. E se virou para Jasor com sua pergunta.

    - Claro que tem.

    Respondeu como se aquilo fosse a coisa mais obvia do mundo.

    - Sim, moramos juntos.

    Novamente respondeu como se qualquer pessoa morasse com um dragão.

    Foi pega desprevinida pelas lambidas da fera e caiu sentada. Jasor não a segurou, parecia querer ficar a uma distância segura dos dois.

    - Eu estou bem, estou bem!

    Ela sorria para ele, mas ao olhar para o lado veria os dois caídos, o braço de Tetsuya quase soltando do corpo. As lagrimas que escorriam em seu rosto, ela sentia que não era só de dor..no seu olhar tinha odio, desconfiança. Como ele podia olhar para ela assim, depois de quase a matar!?

    Ela se aproximava dos três com cautela e falando mentalmente com o dragão.

    - Por que você não recolhe todo o tesouro que conseguir...está tudo sobre controle. Me prometa que independente do que acontecer agora, você não vai machucar ninguem, a não ser que eu te peça ajuda, tudo bem?

    Ela era cautelosa nas palavras com Venkar, ele era muito astuto para brincar com as palavras ao seu bel prazer e achar brechas onde sequer existiam.

    Ao chegar mais perto, ela se agaichava perto dos três. Via que Tetsuya beirava a perder a consciência e que Artemia havia desmaiado. "Ela apenas desmaiou, não é?" Yumi pensava e se negava a acreditar que ela havia morrido, apesar de todo aquele sangue. A raposa não tinha a cura desenvolvida, mas o outro tinha, ele só precisava de energia para isso.

    Mesmo sentindo todo o odio que ele parecia sentir por ela, Yumi estendeu a mão para ele e passou parte de sua energia para ele.

    - Por que...você tentou me matar, não foi o suficiente tudo o que disse?

    Ela falava baixo, sem olhar para ele. Tentava reparar um pouco do que Venkar havia feito.

    - Jasor, Tetsuya talvez possa fazer algo.


    Alheia aos piores pensamentos que ambos tinham sobre ela, Yumi parecia preocupada com os dois feridos ali.
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    Mensagem  Venkar em Qua Dez 02, 2015 8:03 pm

    A fera assassina não só a respeitava, como passara a gostar muito da raposinha. Pelos motivos já citados ele não queria perdê-la, e quando viu Tetsuya aplicar aquele golpe, ele perdeu o controle. Não deixaria ninguém nem nada neste mundo fazer mal á Yumi. Isso era uma promessa que fazia para si mesmo, enquanto a lambia e sorria consigo mesmo.

    Não se importou com o olhar desconfiado do rapaz de calça negra, apesar de ter ajudado Yumi, ele não significava nada para o dragão. E sua postura defensiva após seu agradecimento apenas fazia o dragão continuar com sua opinião fortemente negativa para com a raça humana.

    Respondeu em voz alta ao que a raposa tinha falado em sua mente. Ele parecia não ter a capacidade de falar mentalmente ou apenas não queria.

    - Eu prometo, Yumi. Mas, você deseja que eu vá embora depois de recolher o tesouro?

    Ele acenou o focinho, achando a ideia dela muito boa! Enquanto ela ia ver como estavam os outros, Venkar fez o que ela lhe sugeriu mentalmente. Como estava com somente as duas patas dianteiras e a parte frontal do corpanzil dentro da boate, moveu a cabeça e o longo pescoço, abocanhando uma grande porção de jóias, castiçais, taças, jarros, e então retirou a cabeça de dentro da boate, depositando o conteúdo de sua bocarra no teto, na parte que estava inteira ainda. Repetiu o processo agora com as patas, colhendo tudo o que conseguia, inclusive a mesa que Tetsuya havia colidido... só deixava as moedas próximas aos quatro, para não feri-los com suas unhas afiadas. Yumi pediu, ele fazia.

    Por fim terminava de "saquear" todo aquele recinto, o tesouro acumulado no teto da estrutura negra e observou a sua obra. Estava muito satisfeito consigo mesmo. Só esperava a resposta de sua querida amiga, se era para ele ficar ou partir, para então colher o vasto tesouro com as duas garras dianteiras e voar de volta para o covil.

    Ele não tinha nada a fazer com as pessoas dali, aliás nem se importava com elas. Se sua vitima morresse ou não, não era de sua conta, afinal.
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    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Dez 03, 2015 4:02 am

    A visão do rapaz estava obnubilada, tomado pela confusão mental; tudo parecia um pesadelo, do qual esperava acordar logo. Não sabia quando ou onde estava, como chegara ali, o que acontecera, só sentia aquela dor tomar-lhe o corpo, cada célula do corpo parecia gritar. E então....subitamente aquela energia cálida lhe curava.Branca.Pura.Os sentimentos investidos ali pareciam aliviar todo o cansaço, tirar toda a angustia, pacificar todo o ódio que sentia. O altruismo do gesto parecia avivar sua parte angelical, e por breves instantes era como se a alma de ambos fosse uma só, vibrando numa mesma ressonancia. Era como se a vida da ruiva fluisse nele próprio....como se...e de fato era.

    O raposo sentia-se ótimo agora; o braço já não doía, seus sentidos apurados mostravam o ambiente com clareza cristalina, e mesmo sua aura quase vibrava para fora do corpo numa luz dourada.E a primeira coisa que viu era o sangue no chão. E ouvia repetidamente "não,não, não,não, não!" de Jasor. O que estava havendo ali afinal? Ouvia também as palavras de Yumi, enquanto se recuperava de sua confusão mental.

    -Eu tentei...matar?mas quando....? o que....Artemia!?!

    Levava a mao à cabeça, enquanto observava a massagem cardiaca em Artemia. Lembrava-se agora do que acontecera, via o dragão que quase o matara, e a demonesa ali de quem desconfiava. Mas a tristeza e preocupação com a maga parecia sobrepor-se àquilo tudo. Sentia os resquicios da energia vital da garota fluirem em seu corpo, e sentia-a esvair do corpo da garota, que ficava pouco a pouco mais pálida. As pupilas se dilatavam; queria socar alguma coisa, explodir algo, matar alguem, queria sentir raiva, queria salvá-la mas nao conseguia sentir nada daquilo; os sentimentos dela ainda fluiam com intensidade nele. Aqueles mesmos sentimentos que o acalmaram diante de Carmiglioni, tambem o acalmaram agora. Apenas os olhos avermelhados, de lagrimas contidas conseguiam se manifestar.

    E como que tomado por uma calma incomum para ele, ajoelhou-se sobre o corpo de Artemia, acima de sua cabeça. Fechava-lhe os olhos, enquanto cerrava os dele juntamente. Havia uma profunda tristeza em sua voz...

    -O fio que une sua alma ao corpo ja se desfez...isso nao vai ajudá-la, ela nao vai voltar à vida...

    De olhos fechados, parecia que o raposo havia desistido. Mas abriu os olhos logo a seguir; havia uma profunda tristeza ali, mas também uma confiança e determinação inabaláveis, um brilho de esperança tão intenso quanto um baluarte.

    -mas....eu vou trazê-la de volta. Do céu ou do inferno, e não haverá anjo ou demonio, lei ou proibição que me impeça de fazer isso.

    E usando o proprio sangue que saíra de suas feridas, desenharia rapidamente um circulo no chão ao redor de si; fazia simbolos e escrituras em latim, enquanto murmurava uma espécie de cântico. Era um circulo realmente pequeno e restrito, que em instante começava a brilhar de forma intensa, e subitamente...Tetsuya desaparecia, sem que esperasse qualquer palavra de Yumi ou Jasor.

    Haviam cristais de gelo com mais sangue do raposo sobre a mesa, o sangue de Carmiglioni, e mesmo o de Yumi talvez pudesse ser usado para fazer novos circulos de magia, o desenho no chão deixado poderia ser facilmente copiado, e as palavras repetidas. Jasor e Yumi e mesmo o dragão poderiam se arriscar e fazer o mesmo, mas seria realmente prudente?funcionaria? infelizmente o raposo impulsivo nao ficara para explicar com  detalhes como fazer aquilo, ou pra onde iria.

    -----------------------------------------------------------

    Artemia sentiria uma sensação de alivio e paz, conforme as vozes se abafavam ao seu redor. A morte nao parecia ser dolorosa como diziam; era uma libertação de uma prisão de carne, uma liberdade de sua alma. Sentia-se desgrudar de sua matéria, e poderia ver os companheiros ao lado de seu corpo, ouviria-os com clareza, mas suas palavras nao chegariam a eles. Uma luz intensa brilhava do teto, puxando-a para si. Era calma, pura, dourada, lembrava muito a aura de Ryan ou a de Tetsuya. E logo, todo o ambiente se desfocava. Parecia subir por um turbilhão de luz, como um tunel infindável. No fim daquele tunel, campos verdejantes erguiam-se através de vastas pradarias, ao fundo de belissimas montanhas prateadas. Torres de marfim erguiam-se em vários pontos, onde várias pessoas em trajes brancos pareciam subir escadas. O céu reluzia em um azul puro, e era possivel ver dali uma imensa cidade prateada flutuar no céu. Ao longe, poderia ver minusculos pontos brancos voarem, humanóides, mas com belissimas asas em variados tons de branco, cinza, algumas castanhas, outras discretamente vermelhas...e uma paz reconfortante.

    Mas...subitamente, parecia reduzir sua velocidade rumo aquele belo lugar. Parecia estar se afastando mais e mais. A luz do tunel começava a ficar escura, avermelhada, enegrecida; e caso olhasse para baixo, notaria um lugar completamente oposto: a terra seca, rachada, agonizava sob o sol escaldante; enormes ossadas erguiam-se engolidas pela areia, que se fundia à terra num cenário desolador. Ao longe, veria refugios como pequenas cidades, onde pessoas deformadas eram usadas como muralha, empilhados, amarrados em arames farpados, seus corpos penetrados por lanças e vigas de aço. Enrolada no meio da areia daquele terreno destruido, enormes tênias cobertas de espinhos alvoroçavam-se, arranhando-se, aguardando aquela nova alma desafortunada chegar no solo infernal...ao redor, abutres de duas cabeças e dentes voavam em queda livre na direção de Artemia, como se competissem por aquele alimento com as criaturas terrestres

    Mas subitamente algo em sua mão começava a brilhar; estranhamente o anel do leviatã parecia ter vindo junto com sua alma! e feixes espectrais começavam a ser emanados dali, como tentáculos, como....caudas. As caudas iam envolvendo o corpo de Artemia, enquanto estacas de gelo se cristalizavam ao seu redor, cada qual medindo cerca de 3m de comprimento.

    -Eu realmente nunca pensei que faria algo assim para meu filho...e serei eternamente grato. Você não será alimento deste lugar, não enquanto estiver aqui. Não tema...

    A voz vinda do anel falava, enquanto as estacas eram arremessadas contra os abutres e as criaturas no chão, que eram congelados e se espatifavam em contato com o gelo. Mas toda aquela energia demoniaca do raposo nao parecia estar apenas se manifestando ao redor; parecia estar envolvendo e moldando também a alma de Artemia. Era dificil ver ao certo o que acontecia, porém; seu corpo todo parecia estar coberto pelas caudas luminosas de Fuyu.

    -Estou moldando sua alma temporariamente, para que se assemelhe a uma habitante dos reinos inferiores. Assim, não será caçada como presa por seus habitantes...

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    Mensagem  Jasor Messast em Qui Dez 03, 2015 6:10 pm

    Os braços esticados distruibuiam o peso no corpo nas mãos, que por sua vez pressionava o peito da garota no chão. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. A boca enchia-se de ar e despejava na boca dela, inflando momentaneamente os pulmões. O sangue de Artemia manchava seu rosto. O gosto ferroso e doce impregnava-se em sua lingua. Mal percebeu quando Yumi tinha se aproximado, ou quando Venkar começou a saquear o lugar inteiro.

    - O que ? O que você pode fazer ?!

    Pela primeira vez não falava gentilmente com a kitsune. Sua voz exalava o desespero incontido. Ele realmente queria saber o que ela podia fazer para salvar Artemia, mas deixou um toque de raiva escapar tambem, recentido com o fato dela ter trazido um dragão para lá. Cinco segundos haviam se passado. Voltou a tecnica de reanimação que mal conhecia. Mas era a unica coisa que podia fazer.

    Quando Tetsuya se ajoelhou e fechou os olhos dela não acreditou no que ele disse. Ele estava mentindo, estava retardado por quase perder o braço.

    - CALE-SE ! Claro que vai ! Cure ela ! CURE ELA !

    Não podia ser verdade. A mão no peito dela estava parada. Ele não sentia nenhuma batida do coração de Artemia. Os olhos arregalados olharam para seu rosto sem vida, para o mestiço, e para ela devolta. As palavras do raposo eram afiadas como navalhas, cortando o coração de Jasor em mil pedaços. Quando o rapaz sumiu em sua magia com sangue, o loiro finalmente desabou

    - Naa.....AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH !

    As mãos agora agarradas na cabeça puxavam os cabelos sem controle, gritando com a cabeça erguida para cima. O berro de agonia ecoou pelo salão destruido, espalhando-se pela boate e pelas redondezas. Não haviam lagrimas. Por algum motivo parecia que ele não era capaz de chorar. Sentia-se fraco, sentia muito frio. O corpo todo tremia quando ele falou sem forças

    - Irei cuidar do corpo dela...

    A resposta nunca chegaria ao raposo, este ja tinha partido. Falava mais para si mesmo do que para qualquer um. Quando se levantou seus olhos se encontraram com Yumi, mas não havia nenhuma expressão neles

    - Por que...?

    A pergunta não era clara. Estaria querendo saber porque tinha traido eles duas vezes, pondo em risco a luta com o vampiro e trazendo um dragão ? Queria saber por que ela tinha que morrer ? Ou seria por que ninguem conseguiu salva-la ? Por que ela tinha que se sacrificar ? Não esperava por uma resposta. Moveu-se até os corpos dos vampiros e começou e despir o tronco de pelo menos dois. Vestiu duas camisas brancas antes de colocar o terno por cima. Não sentiria mais frio pelo menos. Finalmente se moveu pela sala reunindo pedaços de madeira e de qualquer outra coisa inflamavel que ainda havia por ali.

    - Irei cuidar do corpo dela...nada vai machuca-la mais...ela vai voltar e estara linda como sempre....

    Parecia quase um zumbi no estado em que se encontrava, sem nenhum animo e seu rosto manchado de sangue. Mas o que queria com toda aquela madeira ?
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    Mensagem  Yumi Hayashi em Qui Dez 03, 2015 6:38 pm

    Voltava os olhos para o dragão sem acreditar que ele respondeu com voz a sua pergunta mental. Ele tava, certamente, querendo mostrar para os outros que a relação era bem mais profunda do que aparentava. Mas por sorte, ninguem parecia reparar nisso. Como seria ainda mais complicado se com todos aqueles julgamentos, ele entendesse errado o fato deles falarem por telepatia.

    - Tent...


    Começou a responder, mas se calou. Não seria ouvida e nem hora para uma conversa. Artemia tinha morrido bem ali na frente de todos. "Por que essa idiota tinha que escalar um dragão enfurecido e usado o ultimo suspiro de vida para curar um braço?" Yumi pensou, e Venkar poderia ouvir perfeitamente. "Será que está tramando algo muito importante que vale a sua vida ou é apenas idiota?!". Yumi pensava e pensava, e distraída deixou o canal entre ela e Venkar aberto, poderia ele pensar que ela estava conversando com ele, quando na verdade era só sua cabeça tentando processar tudo o que havia acontecido naquela sala.

    Via a tentativa frustrada de Jasor reanima-la e do desespero de Tetsuya em criar um portal e passar por ele, sem sequer falar algo para alguém. Talvez porque nada aquilo seria da conta de mais ninguem ali. Por curiosidade, ela se aproximou do simbolo no chão e fez uma cara de surpresa.

    - 4º Circulo Infernal? Ué...parece que ela não era tão boazinha assim.

    Falou baixo para si, fitando o Jasor. A morte da garota a irritava mais do que fazia sentir algo por isso. Passou 3 anos conversando só com um único ser, então quando finalmente encontra outros que podem valer a pena, encontra até outro da sua especie...aquela garota faz todo aquele circo e morre. Talvez tivesse deixado Venkar comer ela quando se conheceram, teria sido melhor.

    Respirou fundo e afastou de sua mente esses ultimos pensamentos. Nem mesmo ela merecia ser devorada por um dragão. Mas, afinal...ela iria atrás deles ou não!? Seria uma chance de ver como tudo ficou 3 anos depois, talvez até achar um presente para Venkar...nunca pôde agradecer a pulseira que permite a comunicação entre eles.

    Enquanto observava o desespero do lindo barman, ela lembrava que Artemia não pensou duas vezes para abandona-lo e correr na direção do raposo. "Pobre homem..." ela falava de braços cruzados vendo juntar aquelas madeiras...e se perguntava o que ele pretendia fazer, uma fogueira talvez?!

    - Posso congelar o corpo dela para que fique preservado, crio todo um aparato para que ela fique confortavel e protegida, dessa forma você também pode ir atrás dela, ou vai dar essa vantagem para ele?

    Apontava para o vazio onde Tetsuya havia sumido. E voltou os olhos para Venkar.

    - Querido, poderia me dar um pouco de energia para que eu fique full novamente?

    - Você vem comigo? O raposo foi para os níveis inferiores...Fique livre pra escolher, afinal tem o seu tesouro..


    Deixou aberto para o dragão escolher, mas parecia realmente decidida a passar pelo portal. Talvez para o dragão fosse realmente dificil entender, já que durante esses 3 anos Yumi não queria voltar a sua terra natal para verificar sobre os seus pais, por achar perigoso. Talvez tudo aquilo fosse um sinal para ela, que tinha chegado a hora de voltar?!
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    Mensagem  Venkar em Qui Dez 03, 2015 7:31 pm

    O dragão já tinha recolhido todo o grosso dos objetos valiosos, mesas, cadeiras, castiçais, montes de pedras preciosas, taças, o que tinha naquele recinto ele tinha saqueado e agora jazia amontoado acima da laje que estava quase totalmente destruída. Agora ele recolhia os objetos menores, com delicadeza para uma criatura daquele tamanho, colhia cada diamante, cada rubi entre duas unhas e colocando na palma da outra pata. Recolhia também as moedas que estavam espalhadas... decidido a não deixar um único item para trás. A chance era aquela, Venkar não tinha encontrado ouro na região por muitos anos, e não era agora que iria deixar tudo aquilo para trás.

    Ele não percebeu que falando por voz poderia ou não prejudicar a imagem de Yumi diante dos outros, estava mais focado em sua tarefa de colher os itens valiosos, então quando ouviu sua voz em sua mente, percebeu que ela falava sozinha, havia deixado ainda o elo de comunicação entre eles aberto. Aquilo não era sua culpa, ele a tinha jogado longe porque ela decidiu se intrometer entre um dragão e sua presa. Venkar concordava com Yumi quando ela julgou a decisão da mulher.

    - Ela foi mesmo uma tola por se meter. Mereceu a morte.

    Falou de modo cruel, sem se importar com o estado de angústia do homem. Baixou de leve o focinho quando o homem gritou em sua tristeza e desespero por causa de finalmente perceber que ela tinha falecido, e parecia que ele gostava muito dela. Bem... ele poderia agora procurar outra, com certeza haviam outras fêmeas por entre essas ruínas, pensou de modo frio, indiferente ao seu sofrimento.

    Venkar ficou surpreso ao ver o macho que atacara Yumi estar quase totalmente sadio, aquilo o incomodou e logo percebeu que a mulher não havia morrido por causa de suas ações... e sim havia sacrificado a sua energia vital para curá-lo. As marcas de sua dentada haviam sumido quase completamente e agora ele desenhava um círculo no chão, com estranhas runas e símbolos. Quando o dragão se aproximou um pouco, desconfiado que ele tentaria novamente atacar Yumi, ele desapareceu. Compreendeu que ele havia realizado um feitiço de teletransporte, ou algo similar. Para onde iria, o dragão não tinha ideia.

    Estava mais próximo dos dois que sobraram, Jasor e Yumi, recolhendo agora as pedras preciosas mais próximas do corpo quando ouviu ela falar surpresa, sabia então para onde o macho atacante tinha ido. Que perecesse nas chamas infernais, pois se voltasse, ele iria sentir as chamas do dragão!

    Mesmo com o seu corpanzil quase todo dentro da boate, viu que o homem entrara em um estado tal que nem notou que estava perto demais do dragão, colhendo pedaços de madeira, Venkar o observou atento. Iria comentar algo quando Yumi lhe dirigiu a palavra, achou o que ela pedia um absurdo, o que ela tinha em mente ?

    - Por que ? Para você ir atrás do rapaz que quase a matou ? Ele claramente não gosta de você Yumi, pois do contrário teria ao menos lhe dado desculpas pelo seu ato violento ou pediria sua ajuda para curar seus ferimentos ou os da humana. Eu não tenho nenhum interesse em ir para o quarto plano infernal, não pretendo encontrar minha Divindade... ainda tenho muito tempo de vida.

    Percebeu que ela estava mesmo decidida á ir. Tolice, pensou. O seu tesouro estava logo acima. Se ele fosse junto... quando voltar poderia não existir nada lá. Sua única chance, perdida, por causa do quê? Um rapaz que atacou a sua amiga, e sua companheira suicida. Rosnou, deixando um jato de fumaça sair das narinas, irritado. Fechou os grandes olhos.

    - Eu posso lhe fornecer um pouco de energia, para que não se sinta muito fraca. Mas eu não irei. Nem você mesma deveria ir.

    Ela podia perceber que ele estava meio em cima do muro, não queria que ela fosse sozinha, mas não queria ir porque sabia que iria perder tudo o que conseguiu até agora. Mas... deixá-la ir á um outro plano, se algo acontecesse á ela.. ele não poderia socorrê-la. Mais fumaça saiu de suas narinas. Ele iria se arrepender, sabia disso. Rosnou então em voz baixa.

    - Se você for... então... eu também irei. Mas eu matarei qualquer um que ousar lhe fazer mal. Mesmo se for quem você está decidida a ajudar.
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    Mensagem  Jasor Messast em Sex Dez 04, 2015 8:16 am

    Abaixava-se para pegar mais um pedaço de madeira no chão quando ouviu a ideia de Yumi e seu questionamento sobre seguir Tetsuya. No estado em que estava mal notava que estava proximo doenorme reptil que colhia tesouros como se valessem sua vida. Em outro momento acharia engraçado o quanto de esforço usava para recolher fragmentos minusculos de riqueza. O que um dragão fazia com ouro ? Comia ?

    - Não toque nela...eu cuido do corpo dela. Vantagem para ele ? Do que é que você esta falando ? Ela esta....morta...

    A morte dela era muito mais devastadora para Jasor. Ao contrario dos dois kitsunes, nunca tivera contato com forças espirituais. A busca de Tetsuya pela alma de Artemia parecia para um barman um sonho distante. Agarrava-se a ideia como uma fabula de ultima esperança, mas a sensação que pesava em seus ombros era o fim absoluto. Acabou.

    Mal passava por sua cabeça que pudesse fazer algo que a traria de volta, muito menos criar um portal que o levasse para qualquer lugar. Durante toda sua vida ele viveu como uma pessoa qualquer. As pequenas demonstrações de possuir uma capacidade sobrenatural ligada ao fogo nunca foram alem de pequenos truques que escondia ou usava com cuidado para espetaculos aos clientes. Quase como um magico, um ilusionista. O poder que havia despertado naquela sala era algo que nunca imaginava que pudesse acontecer.

    O que o dragão falou não foi nada inesperado. Um animal não entenderia o que significa perder alguem amado se não fosse consigo mesmo. Ainda assim, a raiva cresceu dentro de si. Olhou de canto para a cara da fera. No fundo dos seus olhos havia um brilho intenso, amarelo vivo, e de sua boca escapou uma nuvem fragil. Não era vapor, não estava frio naquele ponto. Era fumaça, muito similar ao que o proprio Venkar havia exalado momentos antes. Mas nem ao menos tinha notado que havia feito aquilo. Logo voltou sua cabeça para baixo, procurando mais peças.

    A pilha que estava em seus braços depositou em um pedaço do concreto derrubado do teto. Havia escolhido o pedaço mais plano dentro os outros. Proximo dali havia um colar de perolas caido na confusão. Jasor foi até o objeto, levantando-o até a altura dos olhos, e jogando para o lado como se fosse lixo. Quase uma satira involuntaria a ganancia do dragão. Queria mesmo era o pedaço de tapete que estava abaixo da joia. Dobrou o tecido vermelho e pôs sobre o amontoado de madeira que tinha encontrado, formando algo como uma cama improvisada

    Finalmente retornou até o corpo de Artemia, e pegou seu corpo frio no colo mais uma vez. Um fio vermelho pintava o trajeto que Jasor percorreria dali até a "cama". Seu braço esquerdo foi banhado no liquido denso. Seus passos deixavam pegadas de sangue.
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    Mensagem  Yumi Hayashi em Sex Dez 04, 2015 11:59 am

    Recolheu sua mão, tão logo ele ordenou que ela não tocasse no corpo da garota. Observava o homem, ele tinha magia mas parecia desconhecer os limites dela. Ele simplesmente não entendia que ainda não acabou.

    - Jasor, você não entende. Ainda não acabou. Eu e Tetsuya somos demonios, caso você ainda não tenha percebido. E se tem uma coisa que entendemos são de almas. Tetsuya foi para um dos planos inferiores, não sei porque ele escolheu esse em especifico. Mas ele deve saber o que está fazendo. Afinal ele é metade anjo, metade demonio.

    Yumi explicava de braços cruzados observando ele carregar a garota e se perguntava se ele faria um altar. Se Axle a ouvisse falando, teria certeza que Yumi era mais do que aparentava, embora estivesse errado. Ela só conheceu, por acaso, os pais dele no passado.

    - Mas ela precisa de um corpo para voltar, se esse for destruído ou apodrecer, para onde ela voltará? Teriamos que matar alguém para isso, talvez...

    Falava ela pensativa, como se aquilo fosse uma possibilidade real.

    - Mas acho que ela não iria gostar, afinal..pra quem morre por causa de um braço. Acredito que não aceitaria que alguém morresse pra ela ter um corpo.


    Tocava novamente naquele assunto, para a demonesa era inaceitavel que alguem trocasse a propria vida pelo braço de outro.

    - Posso abrir um portal para você, Tetsuya foi até o inferno atrás dela...Até onde você iria por esta mulher?

    Yumi parecia desafia-lo, se ela não poderia ser feliz com Tetsuya...com certeza atrapalharia o maximo que pudesse o raposo. Afinal, ela não o tinha perdoado por suas palavras. E então voltava a atenção para o dragão aborrecido.

    - Venkar, tem certeza que você quer ir? Eu ficaria muito feliz se fosse comigo...mas não quero ser responsável pela sua infelicidade.


    Ela parava de falar um pouco enquanto pensava em uma solução boa para os dois.

    - Porque você não leva seu tesouro para o covil, e na volta nós iremos? Mas você teria que ser rápido...o que me diz?


    Parecia ser uma proposta bem razoavel, se ela diria que iria esperar, ela esperaria! Venkar sabia que podia confiar nela.

    - Mas posso ter um pouco de energia agora? Vou precisar, e tudo o que aconteceu aqui me deixou esgotada e atualmente tenho muito pouco.

    Ela falava a verdade, ainda estava molhada pela lambida dele, normalmente ela já teria se secado com magia.
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    Mensagem  Venkar em Sex Dez 04, 2015 1:26 pm

    Finalmente terminou de recolher todas as moedas e pedras preciosas que estavam espalhadas, inclusive as que estavam bem do lado do corpo da defunta, que o dragão esperou pacientemente o homem arrumar a cama improvisada de madeira e forrar com o carpete vermelho. Pegou por último o colar de pérolas e como já tinha feito antes, ficou de pé nas patas traseiras, depositou o ultimo item sobre a laje. Lá jazia uma pequena fortuna. Estava orgulhoso de como tinha depenado todo o recinto abaixo, retirando mesmo o menor item, alguns usara a longa língua, para sua saliva se aderir na pedra e elevar para a pata dianteira. Realmente era ganancioso ou simplesmente não queria deixar nada para trás. Afinal que dragão podia se sentir respeitável sem um tesouro? Nestes três anos Venkar apenas pôde ficar relativamente controlado por causa da amizade com a raposinha. Que lhe ocupava a mente com outras coisas. Mas agora, tinha seu tesouro e ela.

    Porém logo ficou sério e baixou a cabeça e as patas dianteiras de volta ao salão abaixo. Com cuidado para evitar o enorme buraco no chão, o dragão passou a observar o que Yumi e o homem conversavam. Não fez mais comentários maldosos porque notou o olhar extremamente infeliz e desolado do humano, aquilo o lembrou de si mesmo há muito tempo atrás. Lentamente compreendia, a cada gesto do rapaz, o quanto ele gostava da falecida. O seu desejo de ficar ao lado do corpo, e tudo mais o que fez. Lembrou que fora ele que a protegera e segurava nos braços, apenas para ela se soltar para acabar morta, se sacrificando por outro. Pensou o mesmo que Yumi alguns instantes atrás, sentindo uma ponta de remorso pelo que fez. Não precisava se sacudir com tanta força... os punhos da mulher não faziam nada em sua couraça altamente resistente... estava com muita raiva... mas talvez ela se sacrificasse de qualquer maneira, pois não foi o impacto na parede que a matou, e sim o gesto que fez para regenerar e curar os ferimentos do macho que tentou ferir sua amiga.

    Estava perdido nestes pensamentos, em silêncio olhando para ambos quando Yumi lhe dirigiu a palavra. Demorou um pouco para responder, pois REALMENTE não queria ir, mas não queria também deixá-la ir sozinha. Iria para o inferno, atrás de um macho que claramente não queria nada com ela, não fazia sentido. Então quando abriu a mandíbula para responder, ela falou algo que o agradou muito. Seu focinho não demonstrava muito emoções, apenas dava para saber como ele estava por causa de seus olhos e outros pequenos detalhes, como por exemplo fumaça saindo das narinas quando estava aborrecido / irritado. Mas agora estava definitivamente satisfeito pela oferta de sua companheira.

    - Eu precisarei de uma ou duas viagens até nosso lar Yumi. Enquanto isso você faz os preparativos para abrir o portal. E ele...? Irá conosco?

    Voltou a atenção para ela quando pediu por energia. Não gostou muito mas acabou respondendo.

    - Não foi para isso que criei a pulseira. Eu não sou uma reserva para ser usada por qualquer motivo. Eu a criei para permitir nossa comunicação, e também para saber melhor quando você precisar de minha ajuda. Esta... transferência de energia como você diz, foi apenas um efeito inesperado.  

    O dragão negro ficou quieto depois de sua "reclamação" mas logo fechou os olhos, e baixou o focinho lentamente até encostar de leve na testa de Yumi. Nada aconteceu por alguns instantes e, de repente, ela podia sentir seu corpo recebendo uma enxurrada de sensações. Apesar de não poder executar magias, o dragão por si só era uma criatura mística e portanto continha uma imensurável quantia de energia em seu ser. Logo afastou o focinho, o toque fora de apenas dois ou três segundos, mas era o suficiente para Yumi se sentir quase que totalmente "reabastecida", seu cansaço inteiro havia passado, ela sentia que podia talvez congelar todo um quarteirão em um estalar de dedos.

    - Não vá sem mim.

    Rosnou para ela, olhando o rapaz ainda de costas e então ele se levantou novamente nas patas traseiras e subiu no teto da boate. Alguns pedriscos se soltaram e caia poeira a cada passada dele na laje. Algumas rachaduras surgiram e outras aumentaram. Recolhia uma parte do tesouro, em sua boca, e outra parte nas duas patas dianteiras, e com algum esforço levantou voo. O ruído surdo de suas gigantescas asas podia ser ouvido se afastando mais e mais.
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    Mensagem  Jasor Messast em Sex Dez 04, 2015 4:38 pm

    Era muito facil esquecer aquele detalhe. Ao contrario do dragão, que sua presença ja demonstrava a terrivel criatura que era, a kitsune nada mais parecia do que uma garota com caracteristicas de raposa. A palavra "demonio" naquela boate era apenas o nome de uma raça, tanto quanto elfos ou changeling. Ninguem parava para refletir o significado de demonio. Jasor finalmente lembrava-se dessa verdade: Yumi ERA um demonio, um ser criado nos planos infernais. A primeira ideia de que se tinha de um ser desse tipo é uma criatura monstruosa, com chifres e cascos. A aparecia de mulher curvilinea com orelha e rabos felpudos trai imediatamente esse conceito.

    - Nunca vi ninguem voltar a vida...nunca vi um fantasma. Você diz que esses planos existem, e deve ser verdade. Mas são mesmo ? Será que realmente podem trazer ela de volta ?

    Repousou o corpo de Artemia sobre a cama improvisada. Mais parecia um altar, ou uma pira funeraria.

    - Vocês conhecem essas coisas melhor que eu. Diabo, eu não sei nada sobre isso. Não sei para onde almas vão ou vem, de onde anjos surgem ou demonios escapam. Tudo o que sei é o que você disse: se ela voltar, precisa do corpo. Alguem precisa cuidar do corpo dela. Já apareceu um vampiro-verme aqui no mesmo dia que um dragão. Você tem alguma ideia do que mais pode surgir ?


    A ultima pergunta era um desafio aos seus sentimentos. Até onde ele iria por aquela mulher. Sabia que ela não gostava de Artemia. Então por que queria ajuda-lo a salva-la ? Com os olhos fechados repousou as duas mãos sobre o peito, como se buscasse a resposta dentro de seu coração. Do interior das sombras de sua mão brilhou uma luz fraca, alaranjada. Abriu os olhos, e ao erguer as mãos sentia o calor de uma pequena chama entre as duas palmas abertas. Seu olhar era ao mesmo tempo de espanto e de conforto. Não sabia que podia fazer aquilo, mas era reconfortante saber de onde tinha vindo

    - Você me perguntou ate onde eu iria por ela ? Eu cuidaria de seu corpo atraves das eras se soubesse que ela voltaria, não importa quanto tempo dure. E é isso que vou fazer

    Aproximou a chama da madeira que tinha arrumado abaixo, que calmamente se espalhou até tomar toda a parte inferior. Longo o tapete tambem começou a arder, banhando no processo o corpo de Artemia naquela fogueira alaranjada. O fogo brilhava forte, mas não era intenso. Não se espalhava voraz tentando alcançar as alturas, mas mantinha-se constante onde existia. O mais incrivel de tudo era que não queimava nada que tocava: nem a madeira, nem o tapete, nem a maga morta.

    - Ela deixou isso comigo...a chama que não queima...unburning flame...

    Dizia com um olhar melancolico, admirando a pira sobrenatural. De algum jeito misterioso tinha extraido esse conhecimento quando Artemia lhe passou pelas duas vezes as chamas que os fizeram se tornar fogo vivo. Não sabia como, mas tinha certeza das propriedades daquele poder: enquanto banhado pela chama inqueimavel, nenhuma bacteria se aproximaria dos tecidos, nenhum verme, inseto ou animal. Nunca apodreceria. O fogo era dito por algumas religiões e artes misticas como o elemento da vida. Enquanto estivesse sob aquele poder, o corpo guardaria o vigor de outrora, mesmo sem nenhuma alma para anima-lo.

    A relação entre ela e Venkar era curiosa. Ele conseguia ouvir bem toda a conversa deles, o quanto pareciam amigos que conversavam a vontade e se importavam um com o outro. Era dificil tirar a impressão de monstro carnivoro que trouxe aquela tragedia consigo, mas talvez ele tivesse alguma nuance de emoções nele. Porque obedecia Yumi, nunca saberia. Poderia pensar naquilo depois, no tempo que esperaria a volta dela. Aquele eram pensamentos distantes, elaborados entre um folego e outro, furtivos e indetectaveis. Sua mente estava na verdade completamente preenchida pela dor da perda e na esperança do retorno. Todo o resto era secundario.
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    Mensagem  Yumi Hayashi em Sex Dez 04, 2015 11:32 pm

    Yumi reparava na delicadeza que Venkar pegava seu tesouro, nenhuma unica moeda parecia escapar daqueles olhos. Aquilo era realmente importante para ele, ficava feliz por ele. Achava que ele tava meio aborrecido por todo esses três anos a camara continuar vazia. Agora ele podia apreciar cada objeto conquistado. De tudo o que aconteceu, pelo menos seu amigo ganhou alguma coisa.

    - Hum, ok...sem problemas. Vou ajuda-los no que posso, mas não vou te sacrificar por isso.

    Ela falou despreocupada. Ela mesmo se perguntava o que raios iria fazer ali. Mas era o filho de Iriel, afinal de contas...ela precisava saber onde a anja estava.

    O dragão se aproximou dela reclamando. Ela o olhou sem entender. "Ué, do que ele tá falando?" Mil interrogações apareceram em sua mente. "Então era a pulseira que permite que ele passe a energia pra mim?" "E ele achava que eu sabia disso?". Ficou com "cara de tacho" enquanto ele passava a energia para ela, mas foi de maneira muito intensa ao ponto de Yumi se sentir forte e cheia de energia.

    Olhou feliz para ele e deu um beijo estalado no focinho dele, muito provavelmente, para a surpresa do barman. Tão logo ele partiu.=

    - Não se preocupe.

    E se virou melando seus dedos no sangue de Tetsuya e fazendo um grande circulo no lugar. Calculava se aquele sangue daria para desenhar tudo. Fazia isso enquanto falava com o Jasor.

    - Sim, são verdades. O inferno é dividido em camadas. Por exemplo, eu sou do quinto circulo infernal, o mesmo lugar do pai de Tetsuya. Já o Tets foi para o quarto circulo. Bom, até que dar..mas não é simples, nenhum pouco. Cada minuto é importante. Não sei se ele vai conseguir, mas você deveria ter esperança.

    Ela sorria jovial, tirando aquela aparencia seria de sua face. Continuava voltando ao ponto onde tinha o sangue de Tetsuya e continuava desenhando.

    - Bom, também existem vários tipos de demonios, eu sou uma Kitsune...nem todo demonio vive aprisionado para escapar...eu por exemplo, vim através de um portal.

    Ela parecia cortar o assunto sobre sua chegada na cidade e ouvia a sua proxima pergunta. O rapaz parecia inudado com tantas perguntas.

    - Bom, o Venkar chegou até aqui por que ele sentiu que eu não estava bem...deve ter sido quando eu fiquei descontrolada de ciumes..

    Falava terminando o circulo e desenhando a parte de dentro.

    - O problema é que Tetsuya tentou me matar, sabe-se la porque exatamente na hora que Venkar chegou...E aquele dragão não permite que nada me machuque...Eu podia tê-lo chamado e ajudado com o vampiro, mas ele tava dormindo...

    Falou levantando os ombros, como se fosse um absurdo acordar seu amigo gigante só para pedir que ele matasse um vampiro-verme.

    Por fim observou o fogo que ele conjurava e o que dizia sobre o corpo dela, ele realmente gostava dela pelo visto...era um homem gentil.

    - Tudo bem, faça o que seu coração mandar e essa chama é muito bonita..mas me parece muito quente, prefiro não chegar perto.

    Ela falou precavida e sorriu fofa concluindo o grande circulo e limpando a mão na roupa de algum defunto.
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    Mensagem  Venkar em Sab Dez 05, 2015 10:28 am

    O grande dragão voava por sobre as ruínas da cidade, sua enorme silhueta negra visível sob o céu claro para qualquer um que olhasse para o céu. Cruzou a distância mais lentamente do que quando tinha ido socorrer a sua querida companheira, por causa do peso extra, entre suas duas patas dianteiras e o montante que carregava na bocarra.

    Por fim chegou ao covil, e planou em círculos até pousar diante da entrada. Com um pouco de dificuldade, entrou na caverna dobrando as imensas asas contra seu corpo. Se espremeu pelo túnel até chegar na câmara que havia escavado há anos atrás justamente para aquele propósito.

    Cuspiu o tesouro que estava em sua boca, e depositou o restante das suas patas no meio daquele local. Virou o focinho para o lado, lá repousava pedras e madeira especialmente preparadas para receber fogo, então o dragão de forma controlada, soltou uma pequena labareda pelas narinas, incendiando a madeira e finalmente iluminando a câmara. O brilho dourado e multicolorido do ouro e das pedras preciosas lhe exercia uma fascinação que poucas criaturas podiam compreender. Se não fosse pelo fato de que precisava retornar para a cidade, Venkar ficaria ali absorvendo a beleza de sua riqueza por dias.

    Saiu relutante da câmara que brilhava em múltiplas cores, e antes de sair deu uma ultima olhada. Antes o seu covil e a cabana de Yumi ficavam abertos, porque não havia nada para proteger. Mas agora Venkar possuía um tesouro. Então ele saiu do covil e procurou, seus olhos se fixaram nas rochas que havia escavado a muitos anos atrás, e com algum esforço as colocou na frente da entrada do covil, rochas enormes que somente um dragão ou no caso uma grande máquina poderiam retirá-las do caminho depois. Fez o mesmo na entrada da cabana de sua amiga. Bloqueando a porta e as janelas com pedras enormes e pesadas.

    Finalmente satisfeito, ele abriu as grandes asas e voou, retornando para as ruínas da cidade na direção do grande edifício negro que Yumi o esperava.



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