Neo City Uol

O que aconteceu após o golpe militar de 17 anos atrás...


    Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Ter Nov 10, 2015 6:33 pm

    - E o que me importa que você tenha levado uma surra de alguem, seu molenga ?! Eu não tenho nada a ver com os chutes que você leva na bunda. Vá descontar sua frustração reprimida em outra pessoa e me deixe fazer meu serviço em paz. Beberrão é o teu passado, seu babaca ! Quer que eu te mostre denovo que o cheiro é da apresentação, seu cego ? Dessa vez eu miro nisso que você chama de cabelo, e ajudo você a se livrar desse tufo !

    Ele realmente não sabia que tinha acertado o chines com um copo, do contrario talvez até agisse de outra maneira. Para ele era apenas um bebado que queria descontar em alguem, e isso ele não tinha muito saco para aturar. Principalmente depois que seu otimo dia tinha se tornado um pessimo de uma hora para outra.

    - Você não serve de advogado nem de uma pedra ! Se você quer ver aquele gordo, vai lá dar uma bitoca nele, vai ! Só não me chama para os teus fetiches !

    Estava frenetico devido a tudo que tinha bebido, disparando respostas como uma metralhadora. Mas quando viu o olhar do chines para as garotas e o reploid pressentiu que algo ruim poderia acontecer a elas. A raiva diminuiu na hora, o calor e a energia abundantes sumiram. Cerrou os olhos e observou melhor aquele homem. De fato os quatro seguranças que o acompanhavam eram da boate, vampiros como não podia deixar de ser. Era bem possivel que o miseravel tivesse alguma influencia ali.

    - Perai, achei que você fosse só um bebado. Você trabalha mesmo pro Carmiglioni ? O que é que eu tenho a ver com essa marca ai no seu rosto...?

    Pelo modo como falava estava sendo sincero, e o mais incrivel, educado. O barman irado tinha se acalmado milagrosamente. Falou então para os seis vampiros ao redor dele

    - É serio isso galera ?
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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Ter Nov 10, 2015 6:41 pm

    Yumi não esperava aquela reação de ambos e deu um pulo pra trás, todos os pelos das caudas eriçado, e as orelhas virada pra frente, parecia um gato que levou um susto.

    - ca-calma...eu...não quis ofender

    Falou gesticulando com a mão, mas duvidou que eles a tivessem ouvindo no meio daquela gritaria. Eles se xingavam, ela não tinha certeza se aquilo era odio ou amor...ou talvez um pouco dos dois. Mas poderia ser nada disso e estavam só irritando por alguma coisa.

    - desculpa...desculpa...desculpa!

    Ela inclinava o corpo varias vezes pra frente pedindo desculpa bem ao estilo japonês, estava com o rosto enrubescido de vergonha pelo o problema que havia causado. Ouviu toda a conversa deles e imaginou que estavam ali para investigar alguma coisa e ela, provavelmente, estava atrapalhando.

    Ouviu também o plano dele e o que Tetsuya dizia sobre a sua metamorfose e se perguntava como ele, tendo 9 caudas tinha dificuldade com isso. Nunca tinha visto um nove caudas além do overlorde, e ele parecia ser o "supra sumo" do inferno. Então ela imaginava que todos eram assim.

    Percebeu o olhar do reploid mas preferiu não se referir a ele, não entendia como ele poderia está tratando bem aqueles dois ou parecer preocupado, mas preferiu manter uma distancia saudavel.

    Imaginava que o raposo voltaria a correr atrás da humana e depois dele perguntar se ela tava seguindo-o, percebeu que parecia isso mesmo. O comentário dele a deixou envergonhada e voltou os olhos e as mãos para a bolsinha que carregava e tirou algumas moedas e umas notas de baixo valor.

    - o que será que isso compra nesse lugar...


    Falava baixo para si mesma. Passava tanto tempo isolada numa cabana que encontrou na floresta perto de um lago, que ainda tinha dificuldade para entender dinheiro humano.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Nov 10, 2015 7:28 pm

    Uma veia saltava à testa do chinês, que ia ficando mais e mais vermelho de raiva, conforme ouvia o que o barman falava. Fechava os punhos com força; rangendo os dentes, os oculos tremendo em seus olhos.
    -....é MUITO sério, "galera" - ele falava com ironia, desenhando aspas com os dedos no ar, putíssimo de raiva. -  Cavalheiros, façam-me o favor....

    E de forma "educada", dois seguranças se aproximaram rapidamente do barman, pegando-o pelo braço e erguendo-o por debaixo dele, praticamente arrancando o rapaz de trás do balcão sem qualquer dificuldade. Seguravam-lhe com força nos braços, um de cada lado, de forma que sentisse um incomodo constante da compressão pelos enormes braços daqueles vampiros. O chinês esboçava um sorriso sádico.

    -A sua sorte é que estou com um excelente humor, pois achei algo que agradará o sr. Carmiglioni. VAMOS!

    Ele ordenava, e seguiria na direção do pequeno grupo de Axle e as garotas.

    ....

    ....


    -Ow ow ow ow!! s-s-sua idiota, está estragando o d-d-disfarce!

    A loira novamente abaixava as orelhas e a cabeça, tentando proteger-se dos golpes da ruiva iracunda. Tetsuya ficaria massageando por mais tempo, com as pequenas contusoes ainda mais doloridas que antes, e logo fitava-a com aquela expressão mal-humorada. Uma expressão que logo se convertia ao constrangimento; era claro como suas bochechas adquiriam aquele tom róseo com facilidade. Mas notava como a ruiva parecia encher-se de uma dor profunda, interna, que ele nao compreendia o porquê. Estendeu uma das mãos, novamente com aquela expressão preocupada, e reunia palavras educadas para perguntar como se sentia....até que bruscamente ela se virava, deixando a loira com a boca semi-aberta pra falar algo.  Aquilo a irritou ainda mais.

    -S-s-sua idiota, não sei p-porque ainda insisto em t-tentar ajudar!! HMPF! Vamos, reploid!!E eu sei sim tecnicas de subterfugio, mas essa...GRRRR!!! essa....essa mulher pervertida me tira do sério!!

    A loira pegava o reploid pela outra mão e ia puxando pra mesma direção que Artemia, com o nariz empinado, emburrada com a ruiva. Pareciam duas crianças cabeças-duras, brigadas. Mas parou, diante da bronca de Axle. Como uma criança birrenta, cruzou os braços.

    -MUITO OBRIGADO, destruiu meu disfarce!! Agora ela pode contar tudo pro dono desse lugar!!

    Referia-se ao fato de chama-lo de Tetsuya, e se referir à sua forma original tão proximo da outra raposa. Apesar de Yumi nao demonstrar a hostilidade que conhecia bem em demonios, ainda assim não conseguia confiar em uma, mesmo que parecesse ser de sua propria espécie. Na verdade, o fato de pertencer à ela lhe dava ainda mais motivos para desconfiar; o unico outro da espécie que conhecera fora seu pai, logo o mais ardiloso entre todos os demonios que conhecera. Mas não alterara sua forma, apenas virou o rosto na direção contrária à Artemia.

    -Eu prefiro ser um alvo mais visado do que colocar essa maga idiota na mira do que quer que esteja por trás disso. Tenho muito mais tempo de treinamento que ela, e só estou fazendo isso porque...porque....eu te...digo, ta-ta-talvez eu te a...

    Novamente olhava na direção da ruiva e, caso esta a olhasse de volta, os olhares novamente se trancariam um no outro. Os lábios pareciam quase formar uma palavra que travava e tremia na boca. Sentia o coração disparar novamente, de forma incontrolável. Porque estava tão preocupado assim? E O QUE DIABOS ESTAVA QUERENDO FALAR!? parecia que alguem lhe colocava palavras na propria boca!!Mas era só um senso de proteção a humanos que anjos tinham, ou era mais?Nao suportaria vê-la ferida; imaginá-la morta naquele lugar parecia doer-lhe profundamente na alma. O olhar da loira praticamente refletia nas pupilas tudo o que queria dizer a ela, o que ela lhe fazia sentir, explicar as sensações que estava sentindo,mas.... era cabeça dura demais para falar.

    -...t-t-talvez eu te a-ache irritante, mas...a-ainda é meu dever p-proteger humanos!Por mais irritantes e cabeça-duras que sejam!!! HMPF!

    A loira viraria o rosto pro outro lado. Era visivel o constrangimento e vergonha que sentia, parecia ofegante e sem ar. Direcionou o olhar a outra raposa, novamente desconfiado.

    -Nao precisa se desculpar, só lhe peço que não...diga nada a ninguem sobre nós. Mas você nao parece estar junto com as pessoas dese lugar, então o que veio fazer aqui? com certeza não para comprar coisas...

    O raposo falava-lhe, analisando a enorme educação da raposa. Até então só conhecia mulheres agressivas, como a propria mãe e Artemia, parecia nao estar acostumado a ver alguem mais...."fofinha" como Yumi, o que ironicamente lhe deixava mais desconfiado.Mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, um chinês se aproximava, acompanhado de 4 seguranças vampiros, e o barman de antes sendo segurado pelos braços por dois deles.

    -Ora, ora, que sorte termos um reploid competente nos dias de hoje! Presumo que teve uma ótima e lucrativa noite, trazendo 3 belissimas candidatas ao sr. Carmiglioni! Por favor, deixe-me acompalhá-lo, ele vai querer ve-lo e recompensá-lo diretamente!

    Era um convite educado, vindo daquele chines baixinho, que passava a lingua pelos labios enquanto degustava cada uma das garotas com o olhar. O plano de sairem dali acabava de ser destruido, e precisariam improvisar diante daquela nova situação. As pupilas de Tetsuya se dilataram, e como ele proprio havia dito, parecia que sabia usar do subterfugio, quando queria. Começou a agitar as caudas de forma lânguida, e a loira começava a rebolar de forma sensualizante, em passos firmes que causavam um impacto que percorria todo o corpo, fazendo os seios vibrarem por dentro da camisa. Levou o indicador ao canto dos lábios, piscando para o chinês.

    -Nyoooo...então o sr. Carmiglioni nos quer ver? só euzinha não seria suficiente para ele?...S2 - falava quase como um miado ou gemido provocante, e mandava um beijinho, soprando com o dedo indicador e médio. Apesar do sorrisinho da loira, Artemia e Axle notariam como a loira tremia de repudio de si próprio; parecia realmente se esforçar muito para ser a unica a ser levada, ao ponto de levar aquela encenação tão adiante assim. E parecia realmente ter aprendido muito rápido a sensualizar como uma mulher provocante; onde teria aprendido aquilo?
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Ter Nov 10, 2015 10:09 pm

    Com a bronca de Axle, a ruiva pareceu estremecer levemente. Jamais ouvira o Reploid se expressar daquela forma; sempre foi sutil e calmo em todos os momentos, exceto agora.

    - Não, Red! Não me imp...

    Antes de terminar sua frase, Artemia foi interrompida por Tetsuya, que agora a encarava com os olhos fixados nos dela. Ele estava absurdamente vermelho e constrangido, e parecia querer dizer algo importante. Enquanto esperava ele formular a frase, a ruiva havia parado de andar para observa-lo melhor, com o cenho franzido. Foi acompanhando cada palavra que ele conseguia dizer; o aumento do seu próprio batimento cardíaco agora a deixava levemente zonza. O calor que ela vinha sentindo desde o instante em que se conheceram só aumentava a cada instante, fazendo a maga se perguntar se iria passar mal alguma hora. Inevitavelmente, as cenas do banheiro vieram à sua mente, juntamente com o desejo de aproximação batendo forte, pulsando e latejando.

    E então ele gaguejou algumas palavras confusas, fazendo o coração da maga disparar acelerado: suas próprias bochechas agora estavam puramente vermelhas por baixo das sardas. Ela se aproximou do vulpino lentamente, enquanto esperava ele terminar a tão esperada frase, que parecia estar presa na boca dele. Axle estava entre os dois, mas Artemia não se importou, pois naquele segundo em que seus olhos se perderam nos de Tetsuya, era como se ninguém mais estivesse ali.

    Havia tanto naquele olhar, que Artemia precisaria dedicar dias, anos! para decifrar cada sentido que pareciam ter. Os próprios olhos da ruiva diriam coisas parecidas com as dele, caso ele também a olhasse com a mesma intensidade. Era como se a maga despisse Tetsuya apenas com os olhos, sentindo, por um instante, exatamente o que ele sentia, conectando-se a ele de uma forma jamais vista. Seus temores, receios e expectativas pulsavam enquanto suas pupilas se dilatavam: a ruiva abriu mais os olhos e enxergou, brevemente, o que o vulpino queria dizer.

    Não eram necessárias palavras, no entanto. Os olhares diriam tudo, caso fossem levados à sério. Logo Tetsuya formulou outra frase, demonstrando que era tão cabeça dura quanto Artemia, que fechou os lábios partidos e voltou a se afastar. Um longo segundo de constrangimento surgiu entre eles, e somente então a maga reparou que Axle estava ali, aparentemente segurando vela entre eles dois. Ela respirou fundo e voltou a pegar a mão do Reploid. Estava suada e gelada ao mesmo tempo. O vulpino voltou a xinga-la e aquilo não pareceu afeta-la tanto como antes. Um sentimento de confusão doía em seu peito, e a jovem maga levou uma mão em seu coração, sentindo a palpitação forte por baixo da pele. Respirou fundo mais uma vez. Precisava de controlar! "Que diabos está acontecendo? E por que... Por que ele não disse? Será que.. Será que ia dizer? Dizer o quê...?", foram alguns dos pensamentos desenfreados que circulavam sua mente agora, desligando seus sentidos. Até que, por um momento, conseguiu acordar de sua distração, vendo o chinês à sua frente e Tetsuya sensualizando.

    O vulpino parecia arriscar a própria pele para não permitir a entrada tanto da maga, quanto da raposa, protegendo suas vidas. Aquilo fez seu coração dar um salto imediato, fazendo-a se aproximar de Tetsuya, abraçando as suas costas e rebolando no mesmo ritmo, com as mãos na cintura da loira. Ela olhou provocante para o chinês, sorrindo com um dedo na boca, mordiscando levemente sua ponta:

    - Ahhhhhh... me leva junto, vai...

    Disse ela, enquanto rebolava nas costas do vulpino, roçando seu corpo esguio nas costas dele, ignorando sua cauda atrevida. Curvando o corpo levemente para a frente, a ruiva aproveitou para sussurrar ao pé do ouvido de Tetsuya:

    - Não permito que você se arrisque por minha causa... - disse discretamente, enquanto esfregava seu corpo no da loira. - Onde você for... eu vou junto.

    Terminou de sussurrar, absurdamente vermelha pela declaração que havia feito a respeito de não querer se separar dele. Seu coração continuava batendo absurdamente rápido, parecendo taquicardia, certamente podendo ser sentida por Tetsuya. Porém, procurou manter sua pose de devassa enquanto mordiscava um dedo e observava o chinês.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qua Nov 11, 2015 9:53 am

    Nenhum deles nem ao menos respondeu a pergunta de Axle, que por acaso não era retorica. Ele queria mesmo saber o que estava acontecendo com os dois para ficarem naquele vai e vem o tempo todo. Pelo contrario, antes que pudesse perguntar ao raposo sobre como ele ter estragado o disfarce eles iniciaram mais uma sessão de hormonios. Pareciam que duelava com os olhos, quem piscasse primeiro perdia, junto com frases infinitamente gaguejadas e nervosas. Axle era praticamente o refem-escudo daquele conflito, sem querer pego no meio do fogo cruzado.

    Quando Artemia pegou em sua mão novamente estava fria. Aquilo não era normal, ela deveria estar passando por um carga emocional forte. Ate mesmo Axle que não entendia nada de relacionamentos ja tinha percebido que os dois tinham algo entre eles, mas se recusavam a admitir veementemente. A pergunta era: por que ?

    Essa questão teria que ficar para depois. Algo muito mais serio veio até eles. Quando o chines falou com ele cercado de guardas e carregando o barman, sabia que não viria coisa boa dali. Bastou falar para sua suspeita ser realizada: havia sido finalmente vistos. Axle começou a bolar uma ideia para despistar o agente de Carmiglioni quando Tetsuya avançou com sua dança erotica para chamar atenção. Para Red aquilo fora uma grande idiotice, não tinha adiantado nada reclamar com eles, pois agora até Artemia entrava na onda ! Axle ergueu o olhar para evitar ver a dança da garota e se concentrou. Tinha que vestir novamente a roupa de mercenario traficante, pois agora teriam que seguir o plano original.

    Pela primeira vez achou sorte não ter expressões faciais, pois não sabia se conseguiria disfarçar a expressão de desprezo que teria por ter que fingir aquilo. Cruzar os braços lhe daria um certo conforto tanto quanto lhe emprestaria um ar mais fechado.

    - Como você mesmo pode ver, sou um profissional. Veja como essa loira e essa ruiva são igualmente assanhadas. Duvido que alguem mais vá encontrar nada mais parecido nesses escombros e ruinas. Por isso espero que Carmiglioni use de sua sensatez habitual para ver o quanto essas duas são valiosas, e que minha recompensa seja alta.

    Um estalo em sua cabeça o fez perceber que ele havia dito três candidatas. Ele estava contando com a outra kitsune que havia se amigado com Tetsuya. Mesmo que não confiasse nela, não a colocaria sob o perigo eminente que aquele caminho estava tomando. Axle olhou diretamente para ela enquanto falava com o oriental, apontando com o polegar

    - Ela ? Não, acho que não vou leva-la. Ela não ter a cor de cabelo certa, nem a atitude fogosa dessas outras duas. Não vai servir para o italiano....


    Com os olhos, ele indicava para Yumi sair dali. Era evidente que aquele desprezo que demonstrava não era verdadeiro, e que estava tentando salva-la daquele encontro. Voltou sua atenção para frente, esperando que ela tivesse entendido o sinal. O rapaz arrastado pelos seguranças o deixou curioso. A poucos momentos ele tinha passado por eles e não parecia ter problemas com os empregados da boate.

    - E esse barman, o que fez ?

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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qua Nov 11, 2015 1:14 pm

    Achava que ainda havia algum espaço para dialogo, afinal não tinha feito...muita...coisa de errado, apenas chingado um pouco o homem. Pensava até em avisar as mulheres e o reploid sobre o perigo antes de ir para o escritorio do italiano, mas a truculencia dos seguranças foi mais rapida.

    - Ei, perae, eu sei usar as minhas pernas ! Parem com isso ! Me larguem !

    Fora puxado de trás do balcão sem nenhuma cerimonia, segurando pelos dois malditos vampiros como se fosse fugir dali. Até que tinha esse impulso, mas eles não sabiam ! Eram apenas cachorrinhos brutos daquele velho irritante. E agora era arrastado contra a vontade na direção da ruiva e do transformista. "Coitados", foi a palavra que veio a mente. Era triste imaginar o que seria deles, pois certamente Carmiglioni acharia os dois interessantes.

    Quando chegou a frente deles, não sabia o que fazer para salva-lo. Balançando a mão em um arco, ele disse a todos

    - Oi gente...

    Não tinha ideia de como reagiriam. Para ele o mais obvio era que elas tentassem escapar e o reploid as segurasse, arremessando-as de volta. Mas o que aconteceu foi justamente o contrario. As duas saltaram a frente e começaram a se exibir como se fossem strippers !

    - Woah...

    Jasor não pode deixar de admirar toda aquela sensualidade, as formas femininas balançando e lançando vozes meigas, a ruivinha mordiscando o dedo....jacuzi....não ! Não podia se distrair com aquilo naquele momento tão urgente. O reploid se mantinha excepcionalmente frio com a "mostra de seu produto", como se realmente fosse profissional. Será que tinha algum tipo de poder mental para força-las a fazer aquilo ? Não lhe parecia possivel uma maquina ter aquele poder.

    O que mais lhe chamou a atenção foi a outra raposa, que não tinha feito nenhuma dança erotica ainda. O reploid, ao inves de puxa-la para perto das outras para ganhar um extra, havia a dispensado ! Não sabia qual a motivação dele para isso, mas se uma pudesse se salvar, era melhor que nada. Mesmo que ela não gostasse do barman, não queria que ela se desse mal. Apontava com a cabeça para que ela desse no pé o mais rapido possivel

    -Arg...vocês podiam ser um pouco mais gentis né. Meu pescoço, agora estou com torcicolo...

    Jogou como desculpa para os movimentos estranhos que estava fazendo. No momento, era a unica coisa que podia fazer por eles.
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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Qua Nov 11, 2015 3:03 pm

    Olhava eles discutindo novamente e suspirava, estava com eles a 5 minutos e aquilo já tinha cansado-lhe. Se eles se gostavam, então que se resolvessem, se não poderia parar com essas hostilizações infantis. Mas Yumi reprovava mesmo o comportamente do 9 caudas, afinal de contas...ele era um 9 caudas. Dava de ombros e ouvia ele falando do disfarce. Tocava no ombro dele, vendo-o em sua forma original brevemente e falava baixinho, sabia que ele ouviria.

    - Eu vi como você é, e quantas caudas tem...pelo visto você não percebeu.

    Supirava mais uma vez e guardava seu pouco dinheiro para não perder. Levantando a cabeça com a pergunta de Tetsuya.

    - Eu vim conhecer o lugar, sou curiosa...mas me arrependi.

    Falava virando o rosto para o lado um pouco emburrada com o raposo.

    - Eu não preciso dizer nada, vocês fazem muito barul...

    E parou a fala no meio quando percebeu a aproximação dos outros. Mas para sua grande surpresa Tetsuya agiu daquela forma libidinosa e a ruiva foi na mesma onda. Ela não era capaz de ler mentes, mas sua cabeça balançando negativamente, mostrava o quanto ela achava aquilo idiota da parte deles e o quanto concordava com o Axle.

    Não os conhecia a mais de 5 minutos, mas pela forma como Axle olhava para eles, depois de fazer um discurso de como deveria protege-los, aquilo com certeza não estava no script.

    Ainda tinha dificuldade de acreditar no carater daquele reploid, afinal ele era quem era. E depois que o chinês falou com ele, ela a olhava fulminando-o. As suspeitas dela haviam se confirmado. Mas tudo o que aconteceu depois disso, encheu sua mente de duvidas novamente, olhou para o barman e viu que ele indicava para ela fugir dali. E pensava se seria certo, aquele 9 caudas talvez só tivesse 9 caudas por acidente, talvez ele nem soubesse se cuidar. Suspirou pensando no que fazer e ouviu o que Axle dizia, ele dava uma deixa para ela, "estranho"...pensou, mas não iria ficar ali. Poderia ajuda-los se não fosse uma presa também.

    Yumi olhou para todos e aproveitou as distrações causadas e aproveitou para fugir. Uma nevoa de gelo a circundou e quando olhassem ela não estava mais ali. A olhos mais atento, veriam uma raposa marrom correndo dali com uma bolsinha na boca, a mesma que Yumi usava.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qua Nov 11, 2015 4:44 pm

    Tetsuya ouvia o que a outra raposa dizia, e novamente os olhos semicerraram. Parecia bem mais sério, adulto talvez quando ela lhe dizia o fracasso de seu disfarce. Ele próprio curiosamente não parecia conhecer os principios da propria raça, mas pareceu se dar conta que Yumi com certeza nao era uma demonesa qualquer, como varias daquela boate.

    -Mas como você...

    E antes que tivesse tempo para perguntar-lhe mais, o chines se aproximava,e era obrigado a improvisar. "Pelo menos ela não é um deles", ele pensava.

    ....

    Agarrada às costas da loira, Artemia sentiria novamente o toque macio daquelas caudas que a nao muito tempo deslizavam-se de baixo para cima em todo seu corpo...parecia despertar-lhe uma "memória tátil", e aquelas ondas e arrepios provavelmente lhe percorreriam o corpo novamente. A raposa travava imediatamente, conforme via a atuação da ruiva. Sussurrou baixo, com o canto da boca:

    -V-voce está fora de s-si...o que está fazendo!?

    E antes que pudesse repreende-la mais, ouvia o que ela lhe dizia. "Ir junto aonde fosse", o que aquilo significava afinal!?! o rosto corava ainda mais, e aquilo fazia o chines se empolgar ainda mais, que se aproximou, dando um "tapa" lateral nas nádegas da loira, fazendo-a dar um pulinho. Artemia ouviria um rosnado baixo de Tets, e alguns discretos flocos de gelo dourados se formariam ao redor da raposa. O brilho poderia facilmente ser confundido com reflexo das luzes, mas...provavelmente chamariam a atenção de Yumi.

    Provavelmente a raposa já vira algumas variações de magias de gelo; nao era raro Fuyu criar estruturas enormes de gelo negro no 5o círculo - uma espécie de gelo demoniaco ainda mais gelado e resistente que o habitual - ou ainda o Gelo Eterno, uma variação do gelo que continuamente sugava o calor, sem jamais derreter. Mas aquele dourado era algo completamente diferente. Quem sabe nao estivesse escondendo cartas na manga pra nao chamar atenção? Afinal, nao fazia sentido alguem com 9 caudas ter uma aura com uma energia demoniaca praticamente equivalente ao dela, com 5. Então talvez estivesse aguardando o momento certo, como uma astuta raposa faria?

    -De fato, caríssimo reploid. O sr.Carmiglioni ficará muito contente com o que achou...melhor do que a maioria dessas meninas que só abaixam a cabeça, veja como se agarram! Parecem loucas para se esfregar o dia inteiro! Tenho certeza que receberá aquele....chip, virus, o que seja, que todos voces parecem estar loucos para porem as mãos. Esse barman? ele simplesmente vai pagar as dividas dele, HOJE. E vai aprender o que acontece com esquentadinhos que nao sabem a que lugar pertencem na cadeia alimentar...

    O chines dizia, se afastando de ambas. Olhava a propria mão que acertara as nadegas de Tetsuya; a palma estava vermelha, parecia nao senti-la direito. As extremidades dos dedos estavam geladas...como se sofressem de um "frostbite", uma espécie de congelamento comum em extremidades corporais, que quase sempre terminavam com amputação do membro. Mas nao devia ser aquilo; afinal geralmente precisaria ficar muito tempo no frio para isso acontecer! E como o congelamento fora muito subito, ele sequer sentira dor; a inervação estava completamente anestesiada. Aquilo era um mal sinal; o chines poderia reagir logo ao notar que Tetsuya congelara-lhe a mao durante o tapa. Mas antes que pudesse se distrair mais, Yumi começava a fugir! Rapidamente esqueceu de sua mão insensivel, e gritou alto para os seguranças do lugar.

    -ELA ESTÁ FUGINDO! PEGUEM A RAPO...

    Antes que terminasse a frase, um som de um disparo. O reploid com quem Axle conversara antes apontara o canhão de suas costas na direção da raposa, disparando uma espécie de rede de energia, amarelada, com uma pequena carga elétrica que faria Yumi contrair cada musculo do corpo repentinamente, atordoando-a um pouco. Nao ao ponto de desmaiar a garota, mas o bastante para deixa-la muito zonza, nauseada e confusa. Parecia ser do tipo militar, alto, robusto, pintado em cores camufladas, com uma espécie de lança-granadas nas costas. Rapidamente puxou a rede, pisando em passos confiantes na direção do chinês, sorrindo para Axle.

    -Aqui, júnior, está perdendo sua presa. Uma lição que você deve aprender, sempre carregue sua carga com segurança para nao perdê-la. Nao precisa me agradecer!

    O reploid mercenario dizia a Axle, com o mesmo ar de arrogancia superior de antes.O chines pareceu aliviado.

    -E nem você, cachorrinha. Pode nao acreditar, mas eu acabei de te salvar ao te prender aí; coisa pior acontece com que foge...

    O reploid dizia à Yumi, que talvez nao conseguiria compreende-lo direito, pelo atordoamento. O chines começou a andar na direção das grandes portas de madeira nos fundos, onde os seguranças recuariam. Parecia massagear a mão, sem entender ainda o que acontecia a ela.

    -Muito bem, estamos perdendo tempo, e o sr. Carmilgioni é impaciente. Vamos!

    E antes que todos pudessem se preparar devidamente, o grupo marchou porta adentro...os seguranças carregando o barman pelos ombros, o reploid atrás com a rede com Yumi, a ruiva e a loira ali no meio obrigadas a seguirem caminho, e Axle na frente delas.

    O raposo via tudo o que o reploid fazia a Yumi e pensou em reagir e acabar de congelar o infeliz chines, mas...ainda nao era a hora. Percebeu que a raposa nao fora realmente ferida como imaginou, o que lhe acalmou um pouco. Para Axle, aquilo talvez fosse um sinal que puxara ao pais mais do que ele proprio imaginara; Artemia poderia ver o gesto talvez como uma forma de interesse dele pela raposa, mas...quem nao ficaria preocupado com ela, ao ver pelo que passava?

    ...


    As portas de madeira se fechariam atrás, revelando um cenário que destoava completamente da miséria externa da boate. Jarros ming carissimos se distribuiam pelo ambiente, contendo barras de ouro e várias jóias dispostas de qualquer jeito, pelo simples prazer de serem exibidas. Enormes lustres de cristal e ouro traziam ainda mais um ambiente excessivamente rico ao ambiente. Mesinhas, cadeiras de ouro eram distribuidas proximo ao centro do lugar, provavelmente para convidados se sentarem. Pilastras de marmore branco decoravam o ambiente junto às paredes, enquanto candelabros de ouro complementavam a riqueza do  tapete e cortinas vermelhas, além do enorme trono onde uma criatura humanóide extremamente obesa e pálida se sentava. Uma calça e paletó pretos haviam sido adaptados ao ser corpulento que nela sentava, mas a gordura criava incontáveis dobras que caiam pelos lados e pés, praticamente fundindo-o ao trono e ao chão.

    Enormes anéis de ouro adornavam-lhe os dedos, e um chapéu preto estilo Fedora parecia minusculamente ridiculo em sua enorme cabeça. Fazia o clássico estilo "poderoso chefão", mas sem o charme da máfia, e com a grotesquidade de mais de meia tonelada de gordura.

    Ao lado daquele vampiro gordo, pelo menos uns 20 vampiros seguranças mantinham-se imóveis, observando uma pobre e jovem demonesa, com asas de morcego sobre as orelhas, enfiando a mão na região da virilha do gordo. Seu braço praticamente afundava entre os pneus de gordura e, magra como estava, nao parecia estar conseguindo "achar" nada ali, que deixava o gordo extremamente irritado. O enorme vampiro pegou a garota pela cabeça e gritou.

    -FIGLIA DI UNA CAGNA, JA ESTÁ A MEIA HORA AÍ PARA NADA!! VATTE FUDERE!! CRIATURA INUTIL COMO AS OUTRAS!!

    O sotaque italiano era pesadíssimo como ele próprio. A garota arregalava os olhos, tremula, tentando soltar-se da mão pesada que segurava-lhe a cabeça e...os olhos eram arremessados para fora da cabeça frágil, conforme seu cranio era esmagado como papel na mão do gordo, jogando sangue e massa cefálica pelo lugar. O gordo soltou o corpo inerte da demonesa ali no chão, e prontamente os seguranças tratavam de retirar os pedaços que restaram da garota.

    O chines acompanhado de Axle e os demais se aproximavam.

    -Sr.Carmiglioni, desculpe interrompe-lo. Tenho uma boa e uma má notícia. Comecemos pela má: temos um barman extremamente mal-educado que não sabe seu lugar e precisa de correção, e uma raposa que tentou fugir sem ter sua bênção.

    Os seguranças soltavam e empurravam o barman para frente. O reploid simplesmente arremessava a rede com a raposa dentro para o lado de Jasor. A rede de energia se desfazia, deixando a raposinha com a bolsa na boca ali jogada de qualquer jeito. Logo, o reploid se retirava do local, fazendo um gesto de "nao precisa agradecer" a Axle.

    -E este magnifico reploid lhe trouxe o que procurava: uma belissima raposa loira e uma fogosa ruiva, pervertidas como jamais vi antes nesse lugar, loucas para se esfregarem com o sr., eu acredito!

    O vampiro gordo tinha suas mãos ensanguentadas limpas por um segurança, que segurava e limpava com cuidado com um lenço impecavelmente branco. Carmiglioni roncou como um porco, e sorriu, estendendo a mão na direção das cadeiras de ouro para que se sentassem. As cadeiras por sua vez estavam a apenas alguns metros de Jasor e Yumi, dispostas radialmente em torno do mafioso, que olhava-o tanto quanto olhava Jasor e Yumi. Percorreu os olhos perversos sobre Tetsuya e Artemia, passando a lingua pelos dentes caninos pontiagudos, numa fracassada tentativa de parecer sedutor.

    Tetsuya que ate entao seguia passivamente para dentro do lugar, dilatava as pupilas ao ver a crueldade com que o vampiro destruia a cabeça daquela infeliz demonesa. As caudas eriçavam-se, e quase como reflexo abraçava Artemia com força, como se tentasse esconde-la entre os braços, protege-la de ver a cena, proteger de tudo aquilo. Naquele momento a vergonha se dissipava, o corpo estremecia de ódio, mas ainda assim parecia engolir e interiorizar tudo aquilo. A forma como Yumi e o barman - que mesmo relativamente desconhecidos - eram tratados aumentavam-lhe ainda mais o ódio por aquela criatura gorda, ignorando o olhar lascivo daquela criatura. "logo a punição divina cairá sobre você", ele pensava.

    -Onrk...cuidaremos de tudo logo, assim que esses imprestáveis limparem esse lugar. Odeio toda essa sujeira imunda... - referindo-se aos restos deixados pela demonesa morta.

    -C-como quiser, sr. Carmiglioni. Venham à sala de espera, logo serão convocados. VOCÊS DOIS TAMBÉM! - o chines se referia a Jasor e Yumi. E apontava na direção de uma das portas laterais, tambem de madeira, a poucos metros dali, para que esperassem até a sala ser limpa.

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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Nov 11, 2015 5:21 pm

    Artemia parou de dançar quando o tiro contra a raposa foi disparado. Ela esticou o pescoço para ver a cena; o coração apertado em imaginar o que aconteceria com a garota. Ainda que não gostasse da forma como ela olhava Tetsuya, não lhe desejava mal algum.

    E então Axle mudou de comportamento. Seu corpo metálico agora parecia tensionado enquanto um outro reploid se aproximava, trazendo a raposa presa em uma rede de energia. Artemia teve um impulso imediato de solta-la dali, mas não se atreveu: o chinês agora se aproximou, dando um tapa no traseiro de Tetsuya, que pareceu que explodiria de raiva a qualquer segundo. A ruiva aproximou seu corpo ainda mais do vulpino – seja por medo, seja por querer protege-lo de si mesmo, caso ele liberasse a fúria que estava sentindo agora.

    Jasor estava também preso por dois seguranças: aquela cena a chocou, imaginando se descobriram que ele espionava garotas no banheiro. Respirou fundo, também não gostaria de ve-lo ferido, afinal era apenas mais um pervertido na multidão. E então o chinês fez sinal para o acompanharem, abrindo as portas de madeira que Artemia tanto almejara alcançar, embora a visão do lado de dentro não era como ela esperava.

    Todos os adornos ricos e exagerados fizeram a ruiva trincar os dentes de raiva. Estava pensando nos mendigos que encontraram do lado de fora da boate; o homem e o bebê, ambos mortos, enquanto a velhinha procurava um motivo para estar viva. A lembrança fez seu estômago dar voltas e suas pernas endurecerem, embora fossem obrigadas a se mover naquele momento. Todos eles entraram na sala, presenciando não só a magnitude de suas riquezas, mas também a impressionante aparência do italiano obeso.

    Artemia jamais, em sua vida, havia visto alguém tão gordo. O problema não era ele ser gordo, e sim toda a sua asquerosidade, malícia e maldade que apenas eram exteriorizadas com tudo o que ele era por dentro, na realidade. Sua pele brilhava com a gordura exacerbada, os lábios finos se moviam enquanto buscavam o prazer com a pequena mão da garota à sua frente, que buscava incessantemente algo que Artemia não entendia o que era. Também reparou que ambas possuíam praticamente a mesma idade, e imaginou a si mesma estando naquela situação: o que não deixaria de acontecer, caso não fizessem algo rapidamente.

    E então o imenso homem esmagou com apenas uma mão o crânio da menina que há pouco olhavam: àquela cena, Artemia não suportou olhar, virando o rosto e apoiando sua face no ombro de Tetsuya, que aparentemente tremia de raiva e desgosto.

    Yumi foi jogada de um jeito bruto ao chão, enquanto Jasor foi empurrado para a frente. O chinês começou a dizer coisas que a maga não prestou atenção, já que estava concentrando suas forças para pensar em como destruir aquele pequeno império e sair intacta. Pensou em Tetsuya e no quanto ele parecia indefeso em alguns momentos: o pensamento a deixou transtornada, e então procurou a mão do vulpino e a pegou, entrelaçando os dedos. Lançou para ele um olhar significativo, que no fundo pedia apenas paciência.

    E então foi pedido para que eles esperassem em outra sala, enquanto aquela era limpa. Era a oportunidade perfeita para eles buscarem uma solução. Quem sabe não poderiam unir forças para acabar de vez com aquelas injustiças? Artemia deu uma olhada rápida para cima de sua cabeça: o cristal permanecia lá, praticamente transparente, flutuando de forma lânguida enquanto absorvia algumas vagas cores que logo sumiam. A maga não entendeu: será que não estava funcionando bem ali? Assim que chegasse à outra sala, certamente pegaria o cristal na mão e tentaria conserta-lo.

    Os seguranças se aproximaram e os empurraram rapidamente para se moverem e irem até a outra porta. Artemia esperava, do fundo do coração, que não se separasse de ninguém, muito menos de Tetsuya e Axle. De qualquer maneira, manteve sua mão firme segurando a do vulpino. Não havia tempo para vergonha ou timidez.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qui Nov 12, 2015 9:16 am

    A encenação de ousadia de Tetsuya havia dado certo até demais. Quando o chines lhe deu um tapa, temeu que ele perdesse o controle e atacasse o homem ali mesmo. Calculava que não seria muito dificil vencer os cinco servos da boate, mas não sabia o que mais estaria os espionando, e o que mais poderia vir ao encalço deles. De qualquer maneira logo chegaria o momento que não teriam como evitar a luta, pois sabia que o italiano iria querer ficar com as duas e isso não permitiria.

    - Otimo senhor, nada menos que isso pagaria o quanto essas duas valem. Como você mesmo pode ver elas são um achado raro. Acredito que até dois chips seriam o ideal, mas isso negociarei com o proprio Carmiglioni.

    Respondeu ao chines a contragosto. Quando falou sobre o barman, olhou para o rapaz loiro arrastado por aqueles vampiros. Ele mesmo não parecia ser da raça dos sugadores, nem parecia mais do que um jovem motoqueiro que preparava bebidas. Isso era reforçado pela menção de uma "cadeia alimentar" pelo oriental. Ainda tentava decidir se ele era inocente no meio daquilo tudo. Axle percebeu os movimentos de cabeça de Jasor como era na verdade, sem ser enganado pela sua mentirinha. O fato dele ter dado o mesmo sinal para a outra raposa escapar contava pontos para ele

    Assim como a garota kitsune. Não tinha visto o momento que ela tinha escapado, e isso por si so ja trazia um alivio por saber que ela tinha entendido as dicas. Mas quando o maldito homem gritou, Axle virou o rosto no momento preciso em que o reploid demolidor disparava a rede contra uma raposa. A ligação sobre a forma animal e a humanoide foi imediata para Axle, não era a toa que chamavam os kitsunes de raposas, embora não soubesse que podiam alterar a forma tão drasticamente. Não lembrava de um momento em que Fuyu tivesse usado aquela habilidade.

    Naquele momento sentiu uma imensa raiva daquele reploid intrometido e arrogante. A kitsune ja poderia estar livre se ele simplismente tivesse ido embora. E o pior, trouxe-a de volta como se tivesse feito um fazer para Axle. Fechou os olhos, baixando a cabeça para não perder o controle. Lembro e relembrou qual era a situação, que não deveria fazer nada suspeito pois poderia ser pior. Com um movimento singelo, acenou com a cabeça em retribuição, ja que o proprio dizia que não precisava agradecer.

    - Não vou esquecer dessa lição, senhor D-0173.

    Falou de modo mais baixo que o normal. Podia-se supor que seria pela vergonha de ter errado na frente de um caçador mais experiente, quando a verdade é que era para não falar outra coisa.

    A raiva estava só começando. Quando entrou no salão dos fundos acompanhando o grupo, ficou chocado ao vislumbrar todo aquele luxo. Objetos de valor altissimo eram dispostos de qualquer maneira. Tudo o que se pretendia era que ficasse visiveis, como se aquilo lhe desse alguma forma de status ou poder. Para Red parecia que tinham atravessado novamente um portal e estava em outro lugar, pois de onde viera só havia destruição, imundisse e sofrimento.

    Tudo aquilo porem estava reunido na figura principal do salão. A criatura asquerosa era bem pior do que tinha imaginado. Parecia ser realmente um vampiro pela tonalidade da pele e os canino. Não sabia como um daquela raça conseguira ficar daquele jeito, mas não era por fazer caridade. A visão daquele aglomerado de banha não era a pior parte do que ja tinha visto. A situação em que a demonia-morcego se passava era de uma humilhação absurda. Involuntariamente os punhos de Axle se fechavam com força. Quando o rejeito de baleia explodiu a cabeça da coitada com a mão, Red quase quebrava os proprios dedos com a força que fazia, tremendo. O odio lhe tomava as emoções, e se não fosse por sua força de vontade incrivel ele teria iniciado uma chacina naquele momento. "Falta pouco, apenas mais um pouco", ele repetia para si mesmo.

    Quando o barman e a raposa havia sido jogados a frente sua mão tremia bem perto do cabo do sabre laser. Bastava um movimento errado que Axle cairia sobre eles como uma serra eletrica, implacavel. Era bom que o demolidor tivesse saido dali, não precisaria mata-lo, embora tivesse vontade de desmembra-lo. Com a declaração que iriam para outra sala, sentiu que havia ganho mais um tempo para analizar a situação. Nada falou, apenas assentiu com a cabeça mais uma vez e se retirou com os outros para a sala lateral.

    Como aquele saco de estrume palido tinha a coragem de chamar o corpo da criatura que ele proprio assassinou de sujeira imunda ? Ele nunca tinha visto um espelho na vida ?
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Qui Nov 12, 2015 12:52 pm

    O canto de sua boca ergueu em um sorriso que escondia dos capangas de Carmiglioni quando viu a mulher raposa se tornar em uma raposa de verdade. Tinha certeza que ninguem conseguiria ver um pequeno animal no meio de tanta gente, mas estava enganado. Reploid desgraçado, como conseguiu acha-la ? Nem ela conseguira escapar, lamentava para si mesmo. O robo camuflado agia diferente do de flores, mas se conheciam. Ainda mais, o que possuia um canhão se mostrava mais experiente que o outro. O rosetto era ainda um robo jovem ? Podia ser por isso que era diferente...

    E do que diabos aquele china dos infernos estava falando ? Ele não devia nada ! Uns poucos goles de bebida não eram nada para aquela obeso morbido que so faltava cagar ouro. Só esperava ficar sozinho com ele para mostrar quem é que estrava no topo da "cadeia alimentar" ali. Nem dar um tapa numa bunda redondinhas aquele animal conseguia, e a mão do animal ficava vermelha como se tivesse metido ela em brasas. Que caisse as duas mãos daquele imprestavel ! A ideia o divertia o bastante para esquecer um pouco da enrascada em que estava. O chines gritando igual uma menininha so como cotocos no fim dos braços

    Sem escolha, era arrastado junto com todos para dentro do salão de Carmiglioni. Ao contrario dos recem-chegados ele não se impressionava com a riqueza e banalidade do lugar, ja estivera ali algumas vezes antes. Mas ver aquele aglomerado de gordura falante era sempre desagradavel, não importava quantas vezes tivesse o desprazer de olhar para aquilo. Sua tentativa de se passar por uma pessoa, com aquela roupinha e chapeu, era simplesmente ridicula. Se a visão não lhe desse nojo, até soltaria uma gargalhada.

    Pobre da demonia que era forçada a masturbar aquela coisa. O pinto daquele elefante devia ter retraido até entrar ao contrario, não era a toa que ela não achava nada. E por isso ELA que era punida ?! Teve que fechar os olhos para não ver aquela cena terrivel. Sendo uma demonia, ela parecia bem inocente comparada ao italiano, por isso teve pena, mas nada podia fazer.

    E logo a seguir o empurraram para perto do monstro ! A imagem do corpo da demonia com a cabeça esmagava veio a mente, gradativamente sendo substituida por sua propria cabeça. Mas não tinha feito nada de errado, aquele chines era apenas um pé no saco ! Quando ouviu um som de queda ao seu lado se assustou, achou que era outra cabeça explodindo, mas era a kitsune ! Jasor se aproximou dela, abaixando-se ao seu lado e vendo sua situação fragilizada. Pegou no colo da maneira mais confortavel que encontrou. Quando foi apontada as cadeiras, ele a levou consigo para o lugar indicado. Talves se fosse obediente por ambos poderiam sofrer uma punição leve

    - Ei garota, você esta bem ? Consegue me ouvir ?

    Olhou a raposa em seus braços para conferir se estava ferida, afagando seus pelos, sua orelha e sua cauda quando uma nova ordem veio. Nem havia chegado a sentar, e ja seguia outro rumo. Caminhou na direção da outra sala junto com o restante dos presentes. Pelo menos quando voltasse não teriam que ver a carcaça de uma inocente ali, com todo o sangue e pedaços...Aquela era uma brecha que tinha que aproveitar. Não iria cair ali, vitima daquele gordo asqueroso. Lutaria se fosse necessario, e ai eles veriam que o erro que haviam cometido.
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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Qui Nov 12, 2015 4:32 pm

    Yumi transformada em raposa, corria na esperança de ser perdida de vista. Mas foi pega de surpresa por uma rede de energia. Ela caia no chão e rangia os dentes com a dor do choque que tinha levado. O ranger do s seus dentes faria-a segurar a bolsinha que parecia ser tão importante pra ela. A raposa ficou confusa e nauseada sem reação para pensar em algo, quando foi suspendida por aquele brutamontes.

    Não sabia o que aconteceria, mas acreditava que não seria algo bom. Então eles entraram na sala e a náusea dela aumentou ao ver o gordo. E tão logo foi arremessada para longe. Se chocando com todo corpo no chão. Agora eram as suas costelas que doía. Que maldito. Ela pensou.

    A cena a seguir quase fez a pequena raposa vomitar. Até demônios tinham mais escrúpulos que ele.

    A gratidão tomou conta do seu corpo quando jasor a pegou no colo. Ela balançava a pequena cabeça em sinal positivo para a pergunta dele.

    Quando foram para outra sala, ela se virou nos braços do jasor e olhou na direção dos guardas, parecia querer fazer alguma coisa contra eles. A pequena raposa mesmo com dor, não deixaria aquilo barato.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Qui Nov 12, 2015 6:20 pm

    Ali na sala havia o mesmo luxo da sala anterior. Uma riqueza desmedida e inutil, gasta com grandes espelhos com bordas de ouro, banquetas douradas e pequenas mesas de madeira nobre esculpidas à mão, cravejadas com algumas pedras lapidadas. Jogado de qualquer forma ali num canto, um vampiro com trajes de segurança identico aos da sala anterior, com um porém; faltavam-lhe ambos os braços, que a se julgar pelas mangas rasgadas foram arrancadas violentamente de seu corpo, já regenerado e nao mais sangrando. O rosto estava desfigurado, evidenciando uma surra enorme que levara. Apenas ergueu o olhar para os novos "colegas de quarto", sem dizer uma palavra, dando apenas um simbólico suspiro. Afinal, nao precisava respirar.

    Tetsuya seguira até o quarto, a mão da loira segurando a da ruiva, que poderia sentir os tremores de ódio. Um ódio semelhante talvez ao que sentia pelo pai, uma figura tão abominável quanto aquele vampiro gordo. A porta foi fechada e trancada por fora.

    - Vampiros têm uma fraqueza pelo fogo e o sagrado...da segunda parte eu posso cuidar, mas eu precisaria de alguem que tenha algum controle sobre o fogo. Mais algum ponto fraco que podemos explorar? Pois não sei quanto a vocês, mas estou com uma vontade de apagar aquele gordo do mapa...mas precisamos de uma estratégia. Duvido que seja tao facil assim...-a loira murmurava, os olhos semicerrados,apertando os dedos entre os de Artemia. Era curioso como parecia ter deixado qualquer vergonha de lado, e sem perceber começava a apoiar-se um pouco na maga, como se ela ali conseguisse mantê-lo mais focado, sem deixar-se dominar pela ira que queria cegá-lo.

    Olhava para Jasor, Axle, e então para Yumi. Por mais que fosse uma demonesa, talvez pelo instinto de proteger uma semelhante, ou pela forma abominavel como ela fora tratada, a loira se aproximou, estendendo a mão em sua direção.

    Uma luz dourada começaria a ser emanada da mão da loira como uma pequena esfera, que imediatamente causaria um enorme desconforto na raposinha; mas tão logo notava isso, Tetsuya pareceu conjurar parte de sua aura demoniaca, que formava veios negros em torno daquela luz, numa até então impossivel junção de energias opostas, que não mais incomodaria a kitsune.

    -N-não me entenda mal. Ainda odeio demonios, mas você ainda não mereceu ter passado pelo que passou. E....bem, você pediu proteção antes, então não estou fazendo isso porque quero, só porque pediu!!Hmpf.... - disse desviando o rosto, procurando manter a pose de estressado, não querendo demonstrar que se preocupava com demonios, ou com Yumi. Afinal tinha todos os motivos para odiar seres da propria raça! Ou...sera que tinha mesmo?

    Era provavelmente a primeira vez em sua vida que fazia uso de ambas as auras, e o pequeno feitiço de cura angelico-demoniaco potencializava-se quase exponencialmente; finalmente Yumi entenderia o porquê das 9 caudas, mesmo que por um fugaz instante; aquela energia, apesar de ser um feitiço realmente básico, parecia carregar uma majestosa presença semelhante às ocasiões em que vira Fuyu pessoalmente criando gigantescas geleiras para proteger o povoado de outro ataque de hordas inimigas.

    O proprio Tetsuya nao parecia perceber isso, porém, e logo o proprio feitiço se desestabilizaria, nulificando a si próprio quando ambas as auras entravam em conflito, mas como Yumi não se ferira tanto com o choque, a regeneração já teria sido completada. Caso Axle e Artemia notassem aquilo, provavelmente veriam um primeiro passo, ainda que quase engatinhando, de Tetsuya começando a aceitar aquele outro lado seu.

    Considerando-se a agressividade com que saíra do cristal, e o fato de estar ajudando uma demonia agora, demonstraria que talvez ele de fato algum dia poderia vir a, talvez, aceitar a si próprio e ao pai algum dia. Antes que pensassem bem a respeito dele, voltava ao jeito rabugento, cruzando os braços, torcendo o nariz para Jasor, numa pose infantil. A loira agitava as caudas, ainda incomodada pelo fato do barman ter dado cantadas para si e para Artemia, provavelmente, tratando o rapaz com a mesma rabugentisse com a qual tratara Axle e Artemia pela primeira vez.

    -Ei, barman idiota. Você já está aqui a um bom tempo, não? Não sabe de nenhum rumor, alguma dica, algo que para variar te torne menos imprestável do que o comum, que nos ajude a acabar com aquele gordo de uma vez? Com certeza alguem daquele tamanho deve ter várias fraquezas!

    E, ao cruzar os braços, não notara que não deixara de segurar a mão de Artemia, de forma que ao fazer o gesto praticamente abraçara-lhe o braço entre os proprios seios.

    O vampiro no canto ouvia tudo, mas nao reagia. Parecia nao estar nem aí mais para o que acontecia; era o olhar de alguem que ja havia desistido da própria não-vida, e assistia a tentativas futeis de reagir a Carmiglioni. Ele ja havia desistido daquilo a tempo...e apenas parecia aguardar o mesmo para aqueles desconhecidos.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qui Nov 12, 2015 11:41 pm

    Assim que adentraram na outra sala, Artemia observou todos os detalhes, procurando respirar calmamente enquanto caminhava ao lado de Tetsuya. Suas mãos ainda estavam entrelaçadas, mas ambos não se importaram com isso, deixando qualquer tipo de vergonha de lado.

    O vulpino tremia; suas mãos suavam e praticamente chacoalhavam, demonstrando todo seu nervosismo. Artemia, então, acariciou a mão dele usando a sua própria que estava livre, permanecendo com os dedos entrelaçados enquanto sorria fracamente, procurando olha-lo nos olhos: Tetsuya notaria que a maga procurava tranquiliza-lo através do gesto.

    O vulpino não soltou sua mão nem sequer quando emanou suas energias equilibradas em auxílio à raposa: Artemia notou, surpresa, ele usar ambas características, seja angelical ou demoníaca. Percebeu, sentindo uma pontada de esperança, que o vulpino finalmente demonstrava um quadro de aceitação, ainda que pequeno. Mais tarde ele precisaria descobrir a respeito de seu pai e a verdade sobre o Doppleganger. Até lá, cabia a Artemia e Axle ajudarem o rapaz a soltar o coração para aceitar melhor a verdade, quando for a hora.

    A ruiva observou todos ali dentro: Jasor ainda segurava a raposa enfraquecida; sua expressão já não era mais a de um pervertido, e sim de alguém preocupado, especialmente com a jovem em seus braços. Axle permanecia quieto, absorvendo a situação, provavelmente buscando saídas prováveis para acabar com aquele antro. Havia um vampiro desmembrado no canto da sala: este não fez menção de se aproximar, tampouco de se apresentar. Parecia ter desistido da vida há tempos.

    E por fim observou Tetsuya: seus olhos semicerrados demonstravam algo além de raiva. Havia também uma tristeza profunda em seu olhar, confusão e amargura também se encontravam misturadas em um turbilhão de informações que a ruiva conseguiu captar em poucos segundos. Ela se aproximou dele, tocando-lhe suavemente a bochecha, fitando seus olhos a todo tempo:

    - Tetsuya... não se preocupe. Vamos conseguir juntos, tudo bem? - disse, com suavidade e delicadeza. Suas poucas palavras poderiam ter qualquer sentido, seja aplicado àquela situação em que se encontravam ou à sua constante luta interna contra seus dois lados. Seus olhos demonstravam a ele algum tipo de ternura que nem sequer a maga conseguia entender, por ora.

    Artemia soltou sua mão após alguns segundos. Esperava te-lo tranquilizado e acalmado um pouco seu coração. Olhou para cima e viu seu cristal apagado reanimar aos poucos. Segurou ele, então, observando de perto. Parecia estar tudo bem, embora estivesse estranhamente apagado, opaco, apenas recebendo a transparência dourada da sala. Resolveu fazer um teste: concentrou rapidamente um pouco da energia do chão da sala, unindo-se às paredes e objetos. Ergueu os braços para a frente e projetou seu arco e flecha de luz, que passava de um azul claro para um dourado intenso, significando que sim, o cristal ainda funciona. Não precisava lançar a flecha explosiva ali, deixaria para a hora certa.

    Abaixou o arco de luz, fazendo desaparecer aos poucos. Esticou uma mão e pegou a de Tetsuya novamente, voltando a entrelaçar seus dedos nos dele; havia soltado brevemente para realizar o teste com o arco.

    - Consigo conjurar uma flecha explosiva sem problemas. É só me dar o sinal e eu explodo aquela criatura... repulsiva. - disse, apontando para a porta da sala onde estavam antes.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Sex Nov 13, 2015 9:43 am

    Mesmo naquela pequena sala a futilidade era exagerada. O que esperava aquele imenso vampiro colocando ouro e joias em tudo ? Não acreditava que ninguem gostaria mais dele pela amostra de riquezas, embora aquele chines parecia bastante submisso e contente em servi-lo. Estranhou quando viu o homem sem braços num canto. Observou-o por um tempo ate perceber que estava vivo. A hemorragia causada por aquele trauma violento não o tinha matado, dando a certeza que era um vampiro que havia desobedecido o gordo e jogado ali para "limpar a sala da sujeira".

    O barman demonstrava cada vez mais bondade em seus atos, trazendo a demonia consigo de modo tão preocupado. Axle decidiu por aquele ato que ele merecia escapar com eles daquele buraco, que realmente não pertencia a podridão que nem o brilho do ouro conseguia disfarçar. Quando a porta fora trancada por fora, viu o momento que poderia debater sobre a situação, e foi Tetsuya que deu o pontapé inicial. Com certeza Axle não possuia nenhuma afinidade com as chamas. O fato era exatamente o contrario.

    - Improvavel que ele funcione sem a cabeça. E eu posso cuidar disso...

    Ainda não havia percebido que a mão continuava a tremer de raiva. Apenas quando pegou no cabo de sua arma foi que percebeu o ato, e se controlou.

    - Ele esta cercado de guardas vampiros que vão querer nos eliminar antes de atacar aquela massa gigante de dobras. Talvez consiga eliminar a maior parte do problema de uma vez só. Artemia, lembra-se quando estavamos cercados na casa cheia de zumbis ?

    Naquele dia Axle gritou para que Kardia e a ruiva se abaixassem quando brandiu a arma em um largo arco que decaptou quase todos os mortos vivos.

    - Quando eu falar "pulem", todos vocês se abaixem. Se der certo haverá um mar de cabeças...que Nova adoraria...

    Lembrou de subito quando entregou a ela a cabeça do demonio, e quanto ela tinha ficado feliz.

    - Mas tenham cuidado especialmente com o Carmiglioni. Ele ja provou ter uma força sobrehumana, mas sua mobilidade esta severamente prejudicada com aquele peso absurdo. Mantendo alguma distancia, possivelmente ele não terá como nos atingir.


    Apontou então para Tetsuya e Artemia. Percebeu naquele momento que os dois estavam bem juntos, sem demonstrar a vergonha e implicancia que já eram habituais poucos momentos atrás. O perigo os havia unido afinal. Pelo menos uma coisa boa de toda aquela situação.

    - Vocês dois, ajam em dupla. Cada um cubra o flanco do outro. Defenda quando estiverem sob ataque e deem suporte quando o outro estiver atacando. Não se separem.

    Virou-se então para o barman e a kitsune. Os tinha visto poucas vezes, e não tinha a minima ideia qual era a capacidade combativa de ambos. A ruiva ja tinha demonstrado o poder das suas flechas, e o raposo sua pericia marcial com armas de gelo, mas daqueles dois nada se sabia. Podia ser que fosse melhor que apenas buscassem um abrigo quando começasse a ação.

    - O quanto vocês dois estão habituados no campo de batalha ?


    Em um ato inesperado, o mestiço havia usado sua cura para recuperar a kitsune ferida. Axle não via mais auras, mas a luz que emava quando a magia estava em ação era bem clara. O puro dourado foi logo tomado por rios negros. Tinha aprendido no cristal o que aquilo significava: sagrado e profano. O filho de Fuyu havia curado um demonio com o proprio poder demoniaco. Estaria começando a entender como as coisas funcionam de verdade ? Havia dado um passo para demonstrar que estava pronto para a verdade sobre seu pai.

    Mas algo ainda o incomodava desde que havia entrado naquela sala. O vampiro moribundo continuava no canto, ouvindo tudo que diziam, mas ninguem sabia de verdade porque estava ali. Axle se aproximou dele, observando sua situação com um olhar frio e analitico. Não haviam muitos motivos até ali para considera-lo um ser benevolo, visto suas roupas serem de segurança.

    - Você vampiro, não quer escapar desse obeso infeliz antes que ele esmague sua cabeça tambem ? Existe algo que você sabia que possa nos ajudar ?
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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Sex Nov 13, 2015 12:37 pm

    A sala que entraram pouco se diferenciava da que estavam antes, exceto pelo alivio de não ter que olhar para aquele buda oleoso gigante. O desgraçado parecia fazer questão de esfregar na cara de todo mundo que entrava ali que ele tinha dinheiro sobrando. A primeira coisa que devia ter feito com toda aquela riqueza era uma plastica naquele corpo nojento. Era capaz de sair três Carmiglioni da cirurgia de todo aquela banha.

    Assim que entrou viu o vampiro jogado em um canto da sala. Estava muito mais morto do que vivo, praticamente um peso de papel, não ia atrapalha-los com os planos. A pequena raposa então se moveu em seus braços, e Jasor sabia o que o olhar dela para os seguranças queria dizer. Cochichou perto dela

    - Vamos fugir daqui raposinha. Guarde bem essa raiva para descontar na cara desses moribundos. Aquele desgraçados vão pagar, so precisamos da ajuda desse trio.

    Finalmente podia falar como todos os recem chegados para convence-los a fugir dali o mais rapido possivel. Quando Tetsuya começou a conversa foi que descobriu que nunca tinha sido a ideia deles entrar ali. Estaria ali com a missão de matar a baleia assassina ? Não importava naquela altura. Agora teriam que fazer isso de um jeito ou de outro.

    - Fogo ? Eu...tipo...tenho alguma ligação com fogo. Não sei esse lance de controlar, mas consigo acender umas coisas.

    Mostrou a mão direita fechada, que moveu um pouco debaixo da raposinha para que ficasse visivel. Ao abri-la, revelou ter carregado o fluido inflamavel consigo quando foi arrastado do balcão.

    - Tipo isso. Bebida, papel, essas coisas. Qual o plano loira?

    Era obvio o quanto a ruiva e a loira estavam juntas naquele momento de tensão, esquecendo de todas as brigas e sem querer fazendo as pazes. Não conseguiam nem se desgrudar mais. Sentia um certa tristeza por não ter conseguido fazer Artemia cair nos labios dele...mas depois de tudo aquilo talvez elas pudessem agradece-lo com uma massagem particular. Não, não. Apenas a ruiva. A loira era uma armadilha terrivel.

    Acho que Tetsuya tinha ouvido seus pensamento quando se aproximou. Mas o que realmente fez foi curar a raposa em seu colo. Jasor olhava aquela luz mudando de cores, sem saber o que significavam, mas com certeza era magia do tipo que nunca tinha visto. Artemia tambem possuia aquela afinidade natural com a magia, afinal um arco que surgia do nada não podia ser outra coisa. Ele mesmo não sabia qual era a ligação dele com o fogo. Não sabia se era algo mistico, se era uma mutação, se o fogo gostava dele. Nunca teve uma instrução formal sobre o assunto, tudo o que descobrira sobre seus poderes era por acidente.

    Estava sendo amigavel com todos ali que se encontrava na mesma "frigideira" desde o começo. Por isso quando ouviu a loira insulta-lo, ele não entendeu. E muito menos aceitou.

    - Segura as tetas ai, seu travesti ! Não vi você fazer nada mais util do que balançar esse rabão e levar um tapa !


    Ainda esta com raiva quando falou com todos

    - Escutem todos ! Aquela rolha de poço do caralho é muito resistente. Ja teve muita gente querendo matar ele, mas nada consegue ferir o canalha o bastante. Ele se acha o bambambam por causa disso, acha que é imortal. Por isso quando alguma coisa chama a atenção dele ele esquece que o mundo existe. Normalmente isso é uma mulher....aquela chupeta de baleia é um pervertido nojento...


    Fazia carinhos na raposa em seu colo, coçando seu queixo e sua orelha pontuda enquanto pensava. Parecia mais o poderoso chefão do que o italiano naquele traje vergonhoso.

    - Ele nunca sai daquele trono desde que sentou ali. Eu acho que não é apenas aquela pança titanica que o impede de levantar. Deve ter algum segredo nela.


    Até agora tinha observado o vampiro na sala, mas quando Axle foi até ele começou a suspeitar do mister toquinho. Aproveitou e respondeu ao reploid

    - Eu sei lutar sim cara. Não fiquei aqui de boa todo esse tempo que estive preso. Muito desses vampiros se arrependeram de querer me morder. Nem pense em me deixar fora dessa !


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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Sex Nov 13, 2015 1:17 pm

    Yumi via que o único naquela sala além deles era um vampiro que não parecia representar perigo. A sua cabeça não parava de pensar em várias coisa que poderiam fazer. Foi quando Tetsuya veio até ela e a curou que voltou a si. Ainda sentia dor e no inicio doeu mais. Até pensou que ele estava querendo a machucar ainda mais, se encolhendo nos braços de Jasor. Mas ao contrário disso tudo Oq sentia foi embora.

    Mexia as patinhas, a cabeça e por fim o corpo todo. Parecia que estava tudo bem e em ordem. Mas ouvia os xingamentos do Raposo. Parecia que ele rejeitava a própria espécie. Mas algo não saia de sua mente. Seria ele o filho do overlorde?! O que sentiu quando ele a curou, não era algo comum... E semelhança de aura era algo que passava de país para filhos. Seria possível? E o que seria aquela outra aura? Mas com certeza algo a dizia que ele era muito mais poderoso do que parecia.

    Ouvia o que Axle e Jasor dizia, mas só fugiu inicialmente para ter uma vantagem tática. Não fugiria novamente.

    Jasor poderia sentir suas mãos frias, nada que o machucasse, mas com certeza chamaria a sua atenção.
    Quando olhasse para baixo veria que a mulher de antes estava no seu colo. Ela sorria agradecida por tudo que ele tinha feito por ela e deu um beijo no seu rosto, e saindo do seu colo.

    - Gostaria de ajudar.

    E dizendo isso e ela materializou uma lança com ponta afiada de ambos os lados. Era completamente feita de gelo, mas parecia tão resistente quando se fosse aço. Ela virou a lança como se testasse seu peso. E olhou na direção dos outros. Tive algum treinamento, nada muito especial. Meu pai não queria que eu estivesse em um campo de batalha, mas queria que eu soubesse me defender. Ela falava do seu pai com uma certa melancolia, Axle saberia que a magia dela era a mesma que o lado demoniaco de Tetsuya.

    - Eu não entendo porque você não gosta da sua espécie, mas espero que possamos conversar melhor depois...

    Ela estava mais seria do que antes, mais ainda assim seu jeito de falar de gentil.


    Última edição por Yumi Hayashi em Qui Nov 19, 2015 8:55 pm, editado 2 vez(es)
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Sex Nov 13, 2015 2:33 pm

    O cristal lentamente começou a girar, adquirindo um tom azulado, e rodeou Artemia por algumas vezes. Lentamente se deslocou até a mão da ruiva, até que pareceu se liquefazer, engolindo a mão da garota. Logo o cristal se refazia, menor, mas ainda presente; parecia ter adquirido o aspecto de uma jóia (depois vc define melhor XD" pulseira, anel, manopla,luva enfim)

    A voz de Fuyu seria ouvida de forma metálica, como a voz do cristal,mas agora era como se diretamente dentro da cabeça da garota.

    "-...testando, 1,2...hmm! Interessante! - a voz de Fuyu pareceu rir um pouco, como uma criança brincando com um brinquedo novo - certo, não temos muito tempo, então apenas me ouça. Você consegue criar um arco com facilidade e a utilizar a energia do cristal para amplificar, então imagino que não terá dificuldades em aprender um novo passo no caminho da magia: a elementalidade. Ao contrário da maioria dos demonios, humanos têm a grande vantagem de conseguirem se adaptar ao uso de vários tipos de magia elemental. "

    "-Lembra-se de como reuniu a energia do ambiente para formar as flechas de magia? Ao invés de reuni-la, procure usar sua própria para desestabiliza-la, fazê-la vibrar cada vez mais rápido. Isso gerará calor, que em contato com o ar você conseguirá invocar os primórdios da magia do fogo. Quanto mais proximo de si, mais facilmente conseguirá fazer isso, o que explica porque magos humanos simplesmente adoram fazer bolas de fogo...-o raposo-pai ria, na cabeça de Artemia, e logo continuava - com auxilio do cristal e sua habilidade atual, creio que conseguirá criar 3 focos de chamas, sejam elas como esferas, ou mesmo imbuir seu arco para disparar 3 lanças de fogo. Como nao há muito tempo para prática, por enquanto ficarei mais próximo, em sua mão, e ajudarei a estabilizar o fluxo de energia e coordená-lo. Com o tempo e a prática, você sequer precisará mais de meu auxilio."


    E logo a voz desaparecia. A voz de Fuyu parecia mais calma, talvez feliz. Talvez estivesse vendo tudo o que acontecia ali? E se estivesse, será que tinha visto....outras cenas? De qualquer forma, Fuyu nao pareceu mencionar nada, até porque talvez nao fosse a hora, mas certamente em algum momento a ruiva poderia chegar àquela conclusão.

    ......

    A loira parecia se acalmar pouco a pouco, e simplesmente olhava-a conjurar o arco e desfazê-lo. Como se um "delay" ocorresse, pareceu envergonhar-se um pouco, desviando o olhar, vários segundos depois do que ela lhe dissera aquilo.

    -er...j-juntos, claro...m-mas apenas para atacar um inimigo em comum! - dizia a raposa, discretamente nervosa ao notar a proximidade com que estivera com Artemia até então, e o retorno de sua mão à dele. Novamente parecia negar a si proprio o que sentia, já que aquela simples palavra "juntos" lhe fez arrepiar por completo. Não fez nada para retirar a mão da ruiva dali; afinal aquilo lhe dava uma boa sensação, que nao sabia explicar ao certo. Os olhos esmeralda de Artemia lhe davam um misto de calma e inquietação, paz e ansiedade.Porque sentia aquele misto de sensações? Gesticulou negativamente com a cabeça; tinha que se focar em assuntos mais urgentes! Voltou sua atenção a Axle.

    -C-certo. Talvez devessemos dividir tarefas; creio que eu e Artemia poderiamos nos focar em manter os vampiros longe, no minimo, talvez até mesmo abater a maioria. Vocês poderiam se concentrar naquela...monstruosidade.

    Voltava a atenção a Jasor, torcendo o nariz.
    -Não sou travesti, idiota. Isso é um disfarce, igual o dela! - disse se referindo a Yumi - e eu também não te vi fazer nada mais util do que ficar dando em cima de toda mulher que vê!Espero que você consiga pelo menos acender a banha daquele gordo quando ela começar a jorrar, aquilo deve ser inflamável pelo menos...humano idiota. - Tetsuya falava, com a convicção de que Jasor se tratasse de um humano mas, talvez pela primeira vez, procurou analisar-lhe a aura.

    Aquilo provavelmente confirmaria a suspeita do barman; muito embora nao lesse pensamentos, provavelmente a loira - ou loiro - sentisse a forma lasciva como olhava a maga, o que lhe fazia agir daquela forma enciumada, embora tudo indicasse que nem mesmo ele percebesse isso. Voltou a atenção à raposa, que readquiria a forma de mulher. Observou a lança com curiosidade; não só a raça, mas até a afinidade de Yumi era idêntica à dele!! Não sabia se o que começava a sentir agora era ódio pela garota lembrá-lo do pai, ou uma sensação de identidade. Mas simplesmente respondeu, com uma nítida mágoa em sua voz.
    -Talvez...mas você também não iria gostar de sua propria espécie, se seu pai fosse como Carmiglioni...
    E não daria mais detalhes; apenas se atentava ao que os outros falavam, agitando as caudas lentamente, as orelhas virando-se para cada um enquanto falavam.

    ..........
    O vampiro apenas fazia um "pff" com a boca, ouvindo tudo aquilo. Apenas ergueu o olhar para Axle, respondendo-lhe num tom de voz monótono.
    -Todos queremos. Mesmo os vampiros que estão ali protegendo-o, com o tempo irão querer quer Carmiglioni morra. Os que estão ali dentro são neófitos, abraçados a pouco menos de 1 ano. As mulheres jovens são trazidas para cá e exploradas ou vendidas, os homens viram gado, ou vendem a propria alma para serem abraçados e servirem a ele. Os idosos e inuteis são descartados no frio...Os mais antigos como eu foram pouco a pouco se revoltando com ele, eu sou o último. Servi ao dono deste lugar antes de Carmiglioni aparecer...é impossível matá-lo.

    E olhou para Jasor; havia visto-o algumas vezes no local, e o barman provavelmente tambem havia visto-o, mas estava irreconhecivel demais pela surra.

    -O garoto tem razão. Ele é resistente, e eu mesmo já o vi ser completamente destruido da cintura para cima uma vez, mas ele sempre se regenera. É como se tivesse um estoque infinito de sangue, mas mesmo sendo daquele tamanho, ele precisaria ter um corpo pelo menos 50x maior que aquilo para suportar o que já passou. Talvez ele de fato seja um deus, como ele mesmo diz. Seja como for, ninguém nunca escapou daqui desde que ele chegou...desistam.

    O vampiro falava, como se desse um conselho amigável. A criatura desprezível era odiada até mesmo por seus subordinados, pelo que parecia. Ainda assim não seriam de todo inocentes, pelo relato dele. O que ocorria na boate era algo muito, muito pior do que imaginavam...e provavelmente iria para mais fundo ainda.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Dom Nov 15, 2015 10:37 am

    O Cristal apoiado à mão de Artemia passou por uma transformação repentina, deslizando para dentro de sua pele e depois retornando sob a forma minimalista de um fino anel cristalino. A ruiva observou seus detalhes, virando lentamente a mão para ver seus adornos, quando a voz de Fuyu surgiu de dentro de sua cabeça.
    A princípio, Artemia arregalou os olhos àquilo, envergonhada aos extremos, saindo de perto de Tetsuya e colando o anel aos seus lábios enquanto falava:

    - ...Seu...! Você estava aí O TEMPO TODO?! - exclamou, procurando arduamente manter a voz baixa. E então apenas se acalmou quando o demônio a explicou uma nova habilidade que poderia ser utilizada naquele momento.

    A maga observou à sua volta. Como faria para canalizar uma energia que não era do ambiente, e sim dela própria? Fechou os olhos por uns instantes, procurando mentalizar imagens de fogo - mas tudo que veio à sua mente foi o vulpino logo atrás dela -; sua teimosia irritante, os olhos brilhantes e de cores diferentes, a forma como ele segurou sua mão firme até ela própria soltar agora há pouco... o banheiro. Sua aproximação. Seus batimentos cardíacos. Seus lábios. Seu...

    Imediatamente, Artemia conseguiu produzir o fogo que Fuyu mencionara. Mas não o esperado, sendo apenas algumas esferas, e sim o corpo todo da maga que agora estava sendo tomado por um fogo controlado. Ela própria sentia apenas um calor comum, mas ao reparar que seus membros agora eram apenas fogo, como uma tocha humana, ela pareceu levemente desesperada, abanando os braços para cima e para baixo, em uma tentativa frustrada de apaga-lo. Nada deu resultado, é claro, e ela correu para a frente de um dos espelhos.

    Não seria possível reconhece-la se não fosse pela leve forma que o corpo tomava: se observasse atentamente, veria suas feições crepitantes, além de seus cabelos, que serpenteavam como se estivessem dentro d'água.

    A ruiva deu um passo para trás e notou que não queimava nada além dela própria. Ergueu uma mão e facilmente mentalizou uma esfera completamente de fogo, que surgiu imediatamente. O anel de cristal ainda era mantido, intacto, em meio ao fogaréu de suas mãos. E então finalmente notou que aquele fogo que a envolvia não possuía o objetivo de queima-la, e sim de queimar os outros, se assim ela quisesse.

    O pensamento a acalmou, regredindo as chamas lentamente. Sabia que poderia usar em suas flechas, mas o modo de tocha seria realmente útil àquele momento em que se encontravam. As chamas reduziram gradativamente até restarem apenas faíscas, estalando à sua volta como se dissessem adeus. Suas roupas estavam intactas, o que ela agradeceu imensamente, em seus pensamentos.

    Cada um dentro da sala aproveitou os poucos minutos que tinham para demonstrar suas habilidades, procurando uma saída de como extinguir o monstro ali fora. Artemia ouviu o vampiro desmembrado dizer que era impossível matar Carmiglioni, mas a ruiva sabia que havia uma chance, caso todos fizessem sua parte.

    - Eu sirvo como isca. Me ofereço ao monstro, e, ao sinal, ativo esse fogo todo e vocês atacam. Ele se regenerou da cintura para cima, como o rapaz ali disse, mas duvido muito que sobreviva se derretermos aquela gordura toda...

    Disse ela, passando os olhos por todos na sala. Sua voz estava firme, seu olhar demorou um pouco quando fixou no de Tetsuya. Sabia que estaria protegida.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Seg Nov 16, 2015 7:40 pm

    Os olhos frios de Axle encaravam o vampiro enquanto ele contava seu relato de como havia fracassado em sua revolta. Não conseguia entender como todos o odiavam mas o serviam. Era uma idiotice basica humana, que vampiros tomaram para si. Bastava que todos saissem dali que todo o poder de Carmiglioni acabaria. Era inteligente o bastante para se cercar apenas inexperientes, mas isso tambem tornava sua proteção falha. Uma criatura que menosprezava qualquer outro ser que passava a sua frente, todos eram usados e descartados. Ele precisava ser destruido. Não acreditava que fosse realmente imortal, ja que metade de seu corpo ja havia sido obliterado. Havia algum truque que aquele gordo estava utilizando.

    - Não iremos desistir. Sairemos daqui de um jeito ou de outro. Aquele gordo não sabe com o que esta lidando...

    Olhou para Artemia e Tetsuya. Se desistisse, deixaria os dois nas mãos do monstro nojento para serem abusados de todas as maneiras e descartados no lixo. Não. Eles sairiam dali nem que tivesse que botar o lugar todo abaixo.

    Ouvindo Jasor e Yumi, percebeu que eles tambem sairiam dali de qualquer maneira. Embora o barman não demonstrasse o quão perito era em um combate, a kitsune o surpreendeu conjurando aquela lança de gelo do nada. Demonios eram realmente traiçoeiros. Quem imaginaria que aquela garota raposa fragil poderia ser tão agressiva.

    - Muito bem, se assim desejam. Barman, incinere o que conseguir daquele gigante. Kitsune, você consegue alterar sua forma até que ponto ? Alias...qual o nome de vocês ?

    O brilho alaranjado começou a tomar conta do ambiente, e quando Axle menos percebeu Artemia estava completamente em chamas. Imediatamente deu um passo para tras, assustado não só com o fogo mas na incapacidade de apagar aquele fogo. Olhou para os dois raposo então

    - Vocês ! Usem o gelo ! Apague o fog...

    Logo percebeu que ela estava calma demais para uma pessoa que estava sendo incendiada viva. Era a maldita magia lhe pregando uma peça novamente. Axle só relaxou quando as chamas tinham se apagado completamente, e então pode refletir um pouco sobre a situação

    - Vamos fazer como Tetsuya disse. Vocês dois concentre-se primeiros nos guarda-costas, senão seremos sobrepujados. Se eles forem dominados primeiro, nosso alvo estara livre para ser atacado sem medo de uma apunhalada nas costas.

    Era claro que a ideia de ter Artemia como isca o incomodava profundamente. Preferia que alguem a estivesse protegendo o tempo todo. Esperaria a moça raposa se pronunciar para elaborar uma estrategia mais ampla

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    Jasor Messast

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Jasor Messast em Seg Nov 16, 2015 10:15 pm

    Subitamente sentiu frio em seus braços. O que era aquilo ? Quando olhou para baixo teve uma visão muito agradavel. Agora não era mais uma pequena raposa ali, mas a mulher com orelhas felpudas. Ficou encantado com a visão, e ainda mais com o beijo que recebeu no rosto. Parecia que pelo menos uma vez tinha dado alguma sorte. Até mesmo quando ela projetou a lança dupla feita de gelo solido ele continuava flutuando...

    ...mas algo o puxava de volta para o chão. Um demonio transformista e egoista que não o deixava ter um momento de felicidade em paz. Ele continuava a irrita-lo, mas graças a Yumi estava um pouco menos irritado...mas ainda assim respondia agressivo

    - Ah, mil perdões...você não é apenas travesti, é uma drag queen tambem ! Pelo menos a transformação dela é em um animal fofinho que não precisa rebolar pra chamar a atenção, demonio babaca...

    Ao visualizar a aura do barman, Tetsuya veria algo completamente inusitado. Sua aura não se comportava como a de um ser humano normal, uma camada de energia que variava de acordo com o estado emocional. A dele parecia algo selvagem, como chamas intensas emanando o tempo todo, liberando faiscas constantes. Era possivel ver nuances de suas emoções escondidas no meio das flamulas espinhentas, naquele momento entre roxo e violeta, e tambem varias tonalidades de vermelho.

    Apertando os olhos começou a notar o ciumes que o demonio tinha para com a ruiva...era por isso que tinha agido agressivamente como ele ? Isso levaria ao fato de que aquela relação não era aberta como imaginava. A jacuzi se desfazia em dezenas de ripas de madeira voando para o chão. Não conseguiria evitar de admirar a ruiva em outros momentos, mas agora seus sonhos tinham se apagado...a jacuzi e os risinhos pervertido se afastando de seus alcance vertiginosamente.

    Então do nada a ruiva tinha pegado fogo ! Assim como Axle ele se espantou de inicio, mas não demorou muito para que as chamas capturassem sua atenção. Ela não estava queimando de verdade, pelo menos não seu corpo. Jasor se aproximou para admirar melhor aquela efeito belissimo, ficando visivel para Artemia quando olhasse no espelho. As labaredas exerciam um facinio incomum sobre ele, que conseguia ver as cabeleiras vermelhas mescladas ao fogo, dançando e nadando em um mar incandescente.

    Provavelmente tenha sido o unico que lamentou quando tudo se apagou. E só então percebia que a ruiva era uma maga, com dominio do fogo anos-luz maior do que jamais imaginara. Comparado a ela, seu contato com o elemento eram truques baratos de ilusionismo. Por um lado estava decepcionado consigo mesmo, mas por outro agradecido por ter testemunhado aquela cena.
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    Yumi Hayashi

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Yumi Hayashi em Ter Nov 17, 2015 7:46 pm

    Ouvia o Jasor chamar Tetsuya de travesti e interferiu.

    - Mas ele não é travesti, ele é um rapaz lindooooo.

    De olhos brilhando, ela pulava, um pé de cada vez e com as mãos no queixo. Sua lança embaixo do braço balançava de forma perigosa. Yumi tinha tido um ataque de fofura bem na frente de todos, sem ao menos perceber a vergonha que estava passando.

    Se Tetsuya tinha alguma duvida sobre ela saber quem ele era...agora ele tiraria. Mas ela parou de pular quando o rapaz falou do pai.

    - hum...

    Sua mente era coberta de pensamentos referentes a paternidade de Tetsuya. Não parava de pensar sobre as semelhanças que sentia vindo dele, principalmente quando ele a curou.

    - Se não fosse algo tão absurdo, eu diria que você é filho do Overlorde Fuyu.

    Ria do proprio comentario.

    - Mas claro que você não seria, im-pos-si-vel.

    Falava viajando nas ideias. Apesar de todas as semelhanças na aurea. Era impossivel ele ser o filho dO overlorde.

    - Até porque ele era muito bonito, não parecia nenhum pouco com o asqueroso da outra sala e....ele nem sempre foi mal.

    Falava a ultima frase quase inaudivel, mas certamente não para o raposo. Parecia ter uma dor escondida atras daquele olhar sorridente e meigo.

    Sua atenção foi roubada quando Artemia gritou com um anel.

    - Quem estava ai o tempo todo?

    Perguntou no impulso, pois pra ela tinha ouvido em alto e bom som.

    Mas logo então, a maga pegou fogo. Ela não parecia assustada, parecia até bem familiarizada com o fogo, ao chegar mais perto da maga...ficando só um pouco atrás de Jasor que parecia em outra realidade olhando-a.

    Olhou na direção de Axle e reparou na sua preocupação, ela não compartilhava da mesma preocupação. Não depois de ver a intimidade da maga com o raposo.

    E quando ouviu a sugestão dela, se esforçou para conter os pensamentos sombrios. "Não Yumi...você não é assim!" se autorepreendia. Ouviu a pergunta do reploid.

    - Meu nome é Yumi Hayashi, mas pode me chamar só de Yumi mesmo. E quanto a minha forma? Bom, eu sou melhor que ele pelo visto.

    Sorria implicante apontando para o raposo.

    No que gostaria que eu me transformasse? Assim poderei dizer se sou capaz. E sobre o ataque acho que temos que atacar em duas frentes, se atacarmos só os vampiros, o gordo vai dar um jeito de nos atacar. Se formos direto para o gordo, os vampiros nos atacam. Acho que o ataque deveria ser de uma vez.

    Falou displicente, deu de ombros...nunca foi boa com estrategias de combate, perdia todos os jogos de guerra que jogava com seus amigos no inferno.
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    Tetsuya Kitsune

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Tetsuya Kitsune em Ter Nov 17, 2015 8:49 pm

    O vulpino realmente nunca havia visto um ser como aquele barman; sua unica certeza era o que ele não era. Não se tratava de um humano, anjo, demonio, vampiro, lobisomem, uma alma desencarnada...mas antes que pudesse pensar mais sobre aquilo, seus ânimos voltavam a se incendiar como Artemia.

    - O que faço nesta forma é atuação e dissimulação para enganar trouxas ignóbeis. Assim como você! Não mudo a forma pra uma raposa assim porque....acho desnecessario!! - dizia rapidamente. Jamais admitiria que não dera seguimento ao estudo daquilo para aprimorar-se.Enquanto xingava-o, ficava apontando o dedo em sua direção, erguendo e abaixando a mão como se fossem golpes de chicote contra o rapaz, gesto simbólico que demonstrava bem o quanto queria acertar-lhe a cabeça seguidas vezes. E infelizmente, a cada "golpe" no ar, aquele par de seios voluptuosos da loira sacudiam-se mais e mais, sem que ela percebesse. Era algo realmente estranho; a voz, corpo, tudo era sem duvida feminino, a unica coisa de fato masculina ali era talvez sua orientação sexual e o ciume.

    Tetsuya apenas observava Artemia se incendiar; a primeira reação era concentrar orbes congelantes de gelo em ambas as mãos. Talvez pela afinidade com o frio, sentia que o calor era um ponto fraco secundário apenas a ataques sonoros contra si, então iria tentar protegê-la de algo tão abominável quanto o fogo. Mas...ela nao sentia dor. Parecia sincronizar sua energia com aquilo, numa brusca e controlada manifestação de uma magia que nunca sequer havia tentado antes. Como aquilo era possível?A ruiva parecia-lhe uma maga iniciante, mas aquilo ja era algo para um praticante de um periodo bem maior....talvez maior que sua própria idade. Piscou algumas vezes, humanos talvez fossem realmente fascinantes, como sua mãe dizia; tinham de fato muito potencial. As labaredas contornando-lhe o corpo pareciam fazer vibrar os cabelos ruivos, intensificando-lhe as cores. Desfez os orbes congelantes, e observaria procurando ao máximo esconder o fascínio no olhar.

    -Ah....nossa... - ele dizia, num tom de voz excessivamente abobado, do qual a propria loira se sentiu constrangida depois.

    A unica coisa que lhe fez "despertar" foi o comentário e os pulinhos de Yumi, que estava às suas costas. A loira foi virando o rosto na direção da outra raposa lentamente, com o canto dos olhos observando a cena, o rosto corando progressivamente.

    -E-e-eu o q-que? N-não sou...d-digo...O-ou melhor, como você viu? - a loira estava completamente desconcertada. Como realmente só recebia xingos e ele proprio era bem agressivo nas palavras, receber um elogio parecia desestabilizá-lo completamente, como se ela atingisse o ponto fraco de sua personalidade. Era impossível agir de forma agressiva como sempre fazia contra um elogio seguido de um gesto "fofinho".Mas tão logo ela voltava a implicar com Tetsuya, a loira voltou a cruzar os braços, virando o rosto corado pro lado. Apesar de ouvir o que ela falava com relação ao pai com clareza, ele pareceu ignorar o que havia dito. Era mais fácil negar o que ouvia do que brigar por aquilo; imaginava que era algo natural demonios protegerem a perversidade e crueldade de seu pai. Começava a imaginar que ela provavelmnete sabia de fato quem ele era, e noutra oportunidade provavelmente iria questioná-la melhor sobre aquilo.

    -Hmpf...eu apenas nao vejo o propósito em virar uma criatura frágil e pequena assim. De qualquer forma, se Artemia consegue criar um fogo desse tamanho denovo, provavelmente os vampiros mais novos vão entrar em frenesi e nao conseguirão atacar.Como ele. - dizia, apontando para o vampiro braceta, que parecia desesperado, contorcendo-se de medo contra a parede, como que tentando achar uma saída entre os tijolosde forma praticamente irracional.

    -Então,no momento decisivo a demo...digo, Yumi poderia congelá-los contra a parede para imobilizá-los enquanto estão descontrolados, e nos ajudará logo em seguida.O reploid corta e o barman idiota cauteriza logo em seguida. Isso deve impedir a regeneração rápida que o vampiro nos disse...E Artemia poderá ajudar queimando aquela criatura obesa.Eu manterei um circulo abençoado para tentar aumentar o dano causado e lentificar a regeneração. Com tudo isso, duvido que um vampiro sobreviva, por mais resistente que seja...basta que planejemos uma forma de baixar a guarda do demonio agora.

    A loira dizia, agitando as caudas, pensativa. Era notória a forma como se dirigia a cada um ali de formas diferentes. A Axle, já começava a chamar de reploid, ao invés de robô. Artemia já era chamada pelo nome, e a forma educada e "meiguinha" de Yumi praticamente forçara-o a chamá-la também pelo nome. Já Jasor, Tetsuya nao fazia qualquer questão de um minimo de educação, como uma criança rabugenta que era.
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    Artemia

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Artemia em Qua Nov 18, 2015 9:25 am

    Artemia ouviu Axle recusar seu plano de servir como isca, ainda que parecesse ser a melhor escolha para distrair o vampiro obeso antes de ataca-lo. A isso, a maga abaixou a cabeça e suspirou, transparecendo sua clara frustração. Observou suas próprias mãos: estavam vermelhas devido à quantidade de energia que acumulara durante o processo de fogo.

    Já sem o fogo à sua volta, percebeu a aproximação de Jasor, aparentemente fascinado com sua nova habilidade. Notou que o rapaz emanava uma aura confusa, demonstrando que de fato ele não era totalmente humano – se era, algo ali não era padrão. Talvez um mago, como ela? Ouviu, anteriormente, o loiro dizer algo sobre manipular fogo, e à lembrança, sorriu para ele, caminhando lentamente ao seu encontro. Pegou suas mãos, tocando levemente na superfície de sua pele. Jasor notaria o quanto suas mãos estavam quentes; a ruiva agora estava próxima a cerca de um palmo de distância.

    E então, uma pequena chama nasceu na palma da mão da maga, indo ao encontro da pele de Jasor, dançando e fundindo-se a ela enquanto novas pequenas chamas nasciam lentamente. Artemia riu baixinho, contemplando o que acontecia com ambas as mãos, enquanto ela deslizava uma chama de cerca de cinco centímetros até a ponta dos dedos, voltando até as mãos de Jasor e finalmente desaparecendo para dar espaço para uma nova nascer.

    - Legal... né? – sussurrou ela, ainda sorrindo, admirando o feito. Ao olhar novamente para Jasor, notaria que a aura dele parecia ter se acalmado levemente. Se afastou sobressaltada ao ouvir o relato de Yumi a respeito do pai de Tetsuya, olhando rapidamente para o vulpino para ver sua reação. Como esperado, ele estava em negação: jamais cogitaria a possibilidade de seu pai ser bom.

    Artemia colocou as mãos na cintura; ainda via a nova integrante do grupo como uma total estranha, ainda mais quando a viu dar pulinhos de alegria ao elogiar Tetsuya: a isso, a maga havia revirado os olhos e saído de perto deles, em um claro sinal de desaprovação.
    Contudo, a perspicácia da raposa poderia gerar um certo conflito a respeito da origem do vulpino. Sabia que Tetsuya ainda não estava pronto para saber sobre o doppleganger, e ainda mais o fato de seu pai estar preso ao cristal que agora repousava suavemente como um anel em seu dedo da mão. Artemia lançou um olhar significativo à Axle; imaginou que o reploid estaria pensando o mesmo que ela.

    Quando a raposa a questionou sobre “quem estava ali o tempo todo”, a maga deu um salto, demonstrando um certo desconcerto e agitação. Não havia reparado que falara alto ao anel, e só então notou que estava cercada de não-humanos que provavelmente ouviriam até a conversa de uma mosca com outra. A ruiva, absurdamente vermelha, tentou esconder as mãos – e consequentemente o anel:

    - O-onde?! Aqui?! Hã... nada, ninguém! Ninguém, OUVIU? NINGUÉM! – berrou, obviamente descontrolada, se afastando de todos e indo até um canto da parede. Pareceria uma louca caso não estivesse tentando esconder a verdade de Tetsuya, sem reparar que poderia deixa-lo ainda mais desconfiado com toda aquela cena exagerada. A maga, então, respirou fundo e virou-se de frente para todos, mudando de assunto repentinamente:

    - E-então... o plano é o seguinte. Eu e Tetsuya distraímos o gordo, vocês dão o sinal e atacam os vampiros enquanto eu ajudo a derreter o chefão. T-tenho certeza de que ele se distrairia com duas moças em cima dele, literalmente... n-não que eu goste, obviamente não, eu preferiria estar com... com... ahm, ninguém! NINGUÉM! OUVIRAM?! – voltara a ficar nervosa de um jeito absurdo, caminhando freneticamente pela sala. Todo aquele assunto relacionado a Tetsuya parecia estar deixando a maga em um descontrole emocional muito grande; imaginou se tudo se acalmaria depois de saírem daquela boate infernal. Uma onda de sentimentos misturados pairavam em seu coração: a ruiva detestava ter de mentir para Tetsuya, mas não via escolha! Ainda mais agora que ele finalmente havia parado de chama-la de pervertida... pelo menos por ora.

    Uma luz vermelha saía intensamente do anel em sua mão enquanto ela procurava se acalmar, fracassando totalmente quando seus olhos cruzaram os de Tetsuya por um breve segundo. Com isso, a maga perdeu o controle e seu corpo novamente voltou a ser encoberto por chamas, soltando faíscas para todos os lados, inclusive no vampiro amedrontado no canto da sala. Artemia não queria feri-lo, e tentou se aproximar para acalma-lo, mas não deu nem um pouco certo: a aproximação de seu corpo em chamas poderia mata-lo, certamente, caso nada fosse feito.
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    Axle The Red

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

    Mensagem  Axle The Red em Qua Nov 18, 2015 6:05 pm

    Toda a discussão sobre formas alternativas e xingamentos eram banais para Axle, exceto por um detalhe. Tetsuya despreza propositalmente o valor de controlar uma forma alternativa, como se dimuindo o poder pudesse esconder sua falha. Com certeza ele não gostava da forma feminina, e se estava nela era porque não tinha outra opção.

    O pequeno momento entre Artemia e Jasor era curioso. O barman estava estranhamente atraido por ele, não só pela mulher, mas agora pelo poder de fogo que demonstrava. Combinando com seu relato sobre sua ligação com aquele elemento, era possivel que ele fosse um mago natural do fogo, um feiticeiro, ou alguma nomeclatura semelhante, que era inexperiente demais. A ruiva mesmo iniciante nunca teve tanto problema. Mas ai lembrou que o cristal junto a Fuyu havia auxiliado muito ela. Talvez o rapaz so precisasse de alguem que lhe ensinasse o caminho tambem.

    Cada um dava um palpite sobre o momento do ataque, e Axle considerava cada um deles, tentando encaixa-lo em uma ordem coesa e efetiva. Nunca fora um lider, e um grupo que não era acostumado a agir como um time era complicado de sincronizar.

    - Hmmm...embora não goste disso...Tetsuya e Artemia podem chamar a atenção do gordo de maneira eficiente. Esse vai ser nosso primeiro passo. Yumi, de preferencia longe dos olhares, você poderia prender os vampiros em algum lugar com uma camada de gelo ? Só precisamos imobiliza-los tempo o bastante para que eu dê o sinal e faça o meu golpe. A seguir Artemia mostre o fogo que irá assusta-lo, e junto com Tetsuya se concentre em eliminar os guarda costas restantes. O barman irá se concentrar em deixar o gordo em panico com as chamas até que todos possamos nos concentrar nele. Alguma duvida ?

    A kitsune havia se apresentado e contou mais sobre seus poderes, ao contrario do barman, que estava mais interessado em implicar com o raposo e admirar Artemia.

    - Muito bem Yumi - Disse acenando com a cabeça - Você poderia se transformar em algo pequeno, como uma moeda ou uma mosca ? Algo que não chamasse a atenção deles

    E chamar a atenção foi justamente o que ela fez, mas para a questão do pai de Tetsuya. Axle manteve sua atenção na conversa, mas logo lembrou que Yumi não sabia a verdade sobre Fuyu, de modo que não poderia revela-la ao filho. Usou o momento para medir a reação dele quando o tema surgia. Constatou que mantinha-se ignorando o fato, se recusando a reconhecer o pai. Olhando furtivamente para Artemia, confirmou sem palavras o que ela tambem ja tinha concluido. Não parecia ser o momento ainda.

    Quando Artemia surtou no final as coisas pareciam ter perdido o controle. Ele começou a gritar tentando evitar falar sobre o anel, se atrapalha com seus desejos ocultos e por fim voltava a pegar fogo ! Embora falasse sobre o tema com aparente naturalidade, o fato era que fogo era um temor que evitava falar, de modo que se afastou inconscientemente quando ela se incendiou mais uma vez. Ferir o vampiro naquela altura poderia chamar a atenção na outra sala, mas naquele momento Axle não conseguia fazer nada para impedir.

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    Re: Becos da miséria e Boate Blood's Haven

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